A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 9 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capitulo 08

 

Nathan Brown

Acordei com a voz tranquila da minha mãe me chamando baixinho para almoçar, verifiquei o meu filho e saí do quarto.

— O que foi, meu filho?

— Nada mãe. — Soltei um suspiro. — Estou apenas cansado.

— Se quiser parar com as entrevistas, eu...

— Já contratei uma babá. — Falei sentando à mesa de jantar e pegando o guardanapo, colocando-o no meu colo.

— Já? — Me olhou duvidosa.

— Sim. Ela começa na segunda.

— Como assim? Mas quem é ela?

— Segundo Melissa, o nome dela é Bruna watts.

— Você não a conhece? — Perguntou.

— Evidente que a conheço, mãe, ou não nunca a teria contrato.

— E por que não sabe o nome dela?

— Digamos que aconteceu tudo mundo rápido.

— Me explica direito essa história, Nathan Walker Brown.

Depois de ter explicado toda a história e responder todas as perguntas da dona Cloe, ela mesmo disse que ficaria responsável pela nova babá e qualquer coisa iria mandá-la embora em pelejar.

 

Depois do dia inteiro com meu filho, me senti melhor, tirando as lembranças na minha cabeça. Ele parecia perceber que algo estava me afetando, então toda vez que minha mãe ou Noemi o pegava, ele chorava e só parava no meu colo. Isso fez com que eu o aproveitasse ao máximo , pois não me importava nem um pouco em tê-lo em meus braços o dia todo.

Estava assistindo algo na televisão com meu filho quase dormindo, quando Luís entrou em casa, jogou a bolsa no sofá e se sentou de uma maneira desleixada.

— O que aconteceu?

— Nada. Dia cansativo. O garotão está dormindo? — Suspirou ele.

— Dormiu agora. — Respondi, passando a mão nos cabelos de Arthur. — Levou Melissa em casa?

— Com todo o prazer. — Disse com um sorrisinho de lado.

Droga! Eu conhecia aquele sorriso e ele não significava boa coisa.

— Não quero você dando em cima dela, Luís. Não quero minha melhor secretária deprimida pelos cantos só porque você a usou e jogou fora.

— Assim me ofende.

— Não estou brincando, Luís. Se magoá-la, eu quebro a sua cara. Não estou brincando.

— Ok, ok! Vou me manter longe da boneca de porcelana.

— Acho bom. Como está sendo a faculdade?

— Um saco! Nunca pensei que direito seria tão complicado.

— Ninguém falou que seria fácil.

— Tem razão. Por isso que eu gosto. Um desafio sempre me deixa mais determinado.

— Bom saber.

— Vou tomar um banho e dormir. Estou muito cansado. Amanhã vou aproveitar ao máximo com o meu sobrinho.

— Bom mesmo, ele sente sua falta.

— Quem não sente? — Perguntou pegando a mochila do sofá. — Boa noite, irmão!

— Boa noite!

Apertei meu filho nos braços e senti o seu cheiro delicioso, tirei a chupeta da sua boca e fiquei o observando. Desliguei a televisão e levantei do sofá.

Cheguei ao quarto e coloquei Arthur no meio da cama. Só hoje eu precisava de uma cama, mas dormir longe dele estava fora dos meus planos. Fiz uma barreira de travesseiros no seu lado, tirei minha roupa e deitei ao lodo do meu filho.

 

E lá estava ela, voava com o vento, sua roupa branca me deixava ainda mais fascinado.

Naquele momento não havia ninguém na plateia, apenas eu e ela.

Seus movimentos me chamavam muito atenção. Não só a minha tenho que assumir, mas era para mim que ela olhava. Não importava a direção ou o local no palco em que ela estivesse, era para mim que ela olhava e aquilo me deixava ainda mais fascinado. Ela finalizou a apresentação e agradeceu de uma forma elegante.

Depois que todos haviam saído do teatro, eu continuei no mesmo lugar, estava esperando para entrar no camarim. Uma das vantagens de ser doador ao Teatro: teria o privilégio de vê-la mais de perto.

Entrei no camarim e ela estava de costas para mim, falando com outras bailarinas.

— Jessica, quero lhe apresentar o Senhor Brown.

Então o nome dela era Jessica! Nunca achei um nome tão lindo. Nome maravilhoso, perfeito, divino... igual a dona.

Assim que ela se virou, meu coração acelerou. O sorriso dela era lindo e seu olhar me conquistou.

— Prazer, Sr. Brown. — Disse ela

— Sem formalidades, por favor. Me chama apenas de Nathan.

— Tudo bem. Então, Nathan, gostou da apresentação?

— Gostei mais da bailarina! Quero dizer, gostei sim. Foi uma apresentação incrível! Uma das melhores que já assisti.

— Assiste muitas apresentações?

— Claro! — Menti, aquela era a minha primeira apresentação.

— Nunca o vi antes na plateia.

— Também nunca a vi nos palcos.

Ela deu um sorriso e falou:

— Acho improvável nunca ter me visto nos palcos. Sou a bailarina principal, participo praticamente de tudo, aqui é minha paixão.

— Então... — Comecei sem graça. — Confesso que essa é a minha primeira apresentação.

— Espero que não seja a última.

— Não será. Não agora que descobri uma maneira de ver você sempre, vou comprar todos os ingressos.

— Tem outra maneira de me ver.

— Então, me diga...

— Sempre tomo café, depois dos ensaios, em uma cafeteria aqui perto.

— Isso é um convite? — Perguntei.

— Se aceitar...

— Não deveria ser ao contrário?

— Estamos no século XXI. As coisas mudaram.

— Sexta-feira está bem para você?

— Está perfeito! Às 15 horas?

— Mal posso esperar. — Confessei

Queria conversar mais com ela, aproveitar sua presença, mas suas amigas praticamente a puxaram para longe de mim.

— Até sexta-feira, Nathan. — Disse passando pela porta.

———

Fui acordado pelo chorinho do meu filho, o peguei no colo e levantei da cama, olhei rapidamente para o relógio da cômoda e soltei um suspiro. 03h12min. Saí do quarto e fui até a cozinha.

Ela estava presente em todos os lugares, ela me levava ao um lugar inexplicável, me provando que sua memória ainda era viva e presente, mas essas lembranças me machucavam, doía em meu peito não tê-la comigo, e sem sua presença a casa parecia morta, sem vida. Quando ela se foi, levou a vida de todos e até a minha. Mas ainda me pergunto se um dia vou viver como vivia antigamente.

— Acho difícil.