A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 50 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 49

 

Bruna Brown

Fechei a primeira caixa cheia de brinquedos que Arthur fez questão de doar para alguma instituição. O seu quarto de brinquedos estava sendo transformado no quarto do Austin. Eu e Nathan achamos desnecessário desfazer todo o cômodo, porém Arthur insistiu que o quarto do irmão fosse perto do seu, então apenas concordamos com ele.

— Aqui, mamãe! — Disse, me entregando um robô vermelho.

— A mamãe vai ter que pegar outra caixa para colocar as doações, filho. — Empurrei a caixa para o lado e peguei o robô das suas mãozinhas. — Você pode pegar aquela caixa vazia lá perto do seu escorregador, filho?

Ele confirmou e foi correndo até a caixa que eu havia pedido. Depois que ele se aproximou, voltou a pegar os brinquedos que não queria.

Aos poucos e com a ajuda da Alysson e da Noemi, conseguimos separar todos os brinquedos nas suas definitivas caixas. Mart e Theo tiraram os brinquedos maiores e os armários que guardavam os brinquedos do Arthur.

O cômodo estava totalmente vazio e pronto para ser transformado no quarto do Austin.

Todos os móveis do quarto do meu filho já haviam sido comprados e a única coisa que faltava era trocar o papel de parede, pintar o teto e a parede que ficaria o berço e a poltrona de amamentação.

Arthur escolheu o tema pirata para a decoração do quarto do irmão e como eu e Nathan não queríamos que ele se sentisse excluído com a chegada do irmãozinho, acabamos concordamos com ele novamente.

A papel de parede de pequenas ilhas e baús de tesouros já havia chegado e eu estava ansiosa para ver tudo pronto, então ignorei o pedido do Nathan para que esperasse por ele e comecei, com um pouquinho de dificuldade, a colocar os primeiros papéis.

Subi na escada de ferro e me debrucei, terminado de colar o topo do papel.

— Bruna Brown, quer me mata do coração? Desça daí! — Disse Nathan.

— Bom dia, amor! Chegou cedo. — Disse, descendo os degraus com calma.

— Bruna, já passa de uma hora... Me diga que você já almoçou.

— Nossa! Nem vi o tempo passar, porém fiz um bom trabalho. — Disse, secando o suor que se acumulou em minha testa e olhando o trabalho que tinha quase terminado. — Agora faltam apenas algumas folhas e pintar.

— O combinado era me esperar, amor, e não ficar subindo e descendo em uma escada da qual você pode cair a qualquer momento.

— Me desculpe, estava ansiosa para ver tudo pronto.

— Você sabe que poderíamos ter contratado uma equipe especializada, que se responsabilizaria por tudo, né?

— Eu sei, mas gosto da ideia que tudo seja feito por mim ou por você. — Falei, lhe dando um selinho rápido.

— Venha, você tem que comer alguma coisa, meu filho deve estar com fome.

— Ele está quietinho, amor. — Disse, alisando a minha barriga. — Ele não me deixou dormir a noite toda.

— Falta pouco, amor, dois meses e logo veremos o seu rostinho.

— Não acredito que já estou no sétimo mês e ainda não terminamos o quarto dele. Quero que tudo seja perfeito e ainda falta o berço, o armário, os brinquedos, a cadeira, o...

— Ei! Calma, amor. Tudo vai ficar perfeito, está bem? Vem, vou pedir para Noemi fazer algo para você.

— Você está bem?

— Estou?

— Você afirmou ou perguntou?

Ele suspirou calmamente e respondeu:

— Estou bem! Por quê?

— Você está muito calmo esses meses.

— Isso é ruim? — Perguntou com uma das sobrancelhas arqueada.

— Não, claro que não. O prefiro assim, você acaba me transmitido tranquilidade.

— Essa é a intensão, meu amor. — Ele disse, beijando minha testa. — Daqui algumas semanas, você vai ficar estressada com o parto e a quero calma... Com medo, já basta eu, então quero que se acalme e fique tranquila.

— Você acha que pode acontecer alguma coisa comigo?

— Não meu, amor, nada vai acontecer com você, acredite em mim, vai ficar tudo bem.

Suas palavras tentavam me transferir calma, porem a frase não me marcou tanto quanto o seu tom de voz. Ele podia até estar tentando ficar calmo, mas eu sabia que no fundo ele não estava fortemente preparado para essa situação.

 

Depois que ele me fez comer devidamente e quanto se sentiu satisfeito por ter me feito ingerir a maioria dos alimentos que Noemi me ofereceu, ele me levou até o quarto e deitamos um pouco na cama.

— Oh!! — Exclamei quando sentir Austin mexendo forte dentro de mim.

— Ele mexeu? — Perguntou Nathan.

Assenti e ele levantou a minha blusa fina, deixando minha barriga bem arredondada visível e a tocou com calma, fazendo Austin a presença do pai.

— Mostra para a mamãe que você estava com saudades do papai, filho. — Disse ele, fazendo o nosso filho reagir imediatamente dentro do meu ventre e um sorriso surgir nos lábios do meu marido.

— Amor, pare de mimá-lo.

— Tenho que começar logo, amor, pois se ele puxar o irmão, serei ignorado, assim que ele nascer.

— Deixe de bobagem, amor, Arthur não te ignora.

— Está falando isso para me confortar? Porque desde os três meses que ele chorava e fazia de tudo para ficar com você.

— Está com ciúmes, Nathan Brown?

— Com todas as letras, mas até que gosto deles cuidarem de você, assim sempre estará protegida.

— O próximo será uma menina, amor.

— Então, não terá um próximo.

— Terá sim, ainda quero uma princesinha loira correndo pela casa.

— Daqui uns dez anos pensamos nisso.

— Dez anos, amor?

— Ou até você esquecer essa ideia.

Quando finalmente Nathan terminou de colar todos os papéis de parede e pintou tudo com a ajuda do Mart. Os móveis chegaram e começamos a arrumar tudo com a ajuda do Arthur.

Por fim, o quarto ficou como imaginei. As cortinas brancas e azuis tampado as grandes janelas brancas da fazenda que davam a visão do grande lado e o deque, poucos distantes.

Os ursos vestidos de piratas e vários objetos do tema estavam em seus devidos lugares. O berço branco foi posicionado lado da minha cadeira de amamentação azul. O armário estava repleto de roupas e acessório e o grande tapete de navio pirata encerrava a decoração.

Me sentei na cadeira de amamentação e a apoiei meus pés em um pequeno apoio vermelho. Toquei o local em que senti Austin mexendo e logo sorri.

Nathan pegou Arthur no colo e se sentou ao meu lado e os dois tocaram minha barriga. Arthur sentiu o irmão e logo um sorriso surgiu nos lábios do meu pequeno, fazendo ele olhar para mim com os olhinhos azuis brilhando, assim como o do meu marido. Nathan beijou a minha barriga e Arthur logo me beijou.

— No final será assim, eu, você, Arthur e o Austin. Sei que tudo vai dar certo. — Disse meu marido.

— Sim, meu amor, vai sim, nada vai acontecer comigo.

— Promete-me?

Mesmo não tendo a certeza do que poderia acontecer dentro de alguns meses, sentia que ele precisava ouvir isso.

— Eu prometo! Nada vai acontecer comigo.

Capítulo 50

 

Bruna Brown

Inspirar e expirar.

Inspirar e expirar.

Inspirar e expirar.

Repetia freneticamente isso na minha cabeça, os dias praticamente voaram e quando vi já estava o nono mês de gestação.

E a cada dia que passava, o Nathan se mostrava forte o suficiente para me tranquilizar, ele quase não ia para a empresa e sempre que possível Luís o representava ou o meu marido conseguia resolver tudo dentro do seu escritório na fazenda.

Quando novembro acabou, dando início ao inverno e se aproximando do meu aniversário e com a provável chegada do Austin, senti meu marido ficar cada dia mais tenso.

A previsão do tempo, segundo os jornais, era de um inverno rigoroso o que fez Nathan verificar todos os aquecedores da fazenda e comprar roupas suficientes para que Austin não sentisse frio.

Passei os últimos dias pesquisando maneiras diferentes de ter um parto rápido. Sabia que tudo dependia de mulher para mulher, porém gostaria que tudo fosse rápido, pois eu sabia que cada segundo que passasse na sala de parto, Nathan ficaria aflito e agoniado, com o que pudesse acontecer. Queria apenas provar que tudo seria rápido e tranquilo, no final.

Repeti a respiração e logo toquei a minha barriga, Austin mexeu lentamente me fazendo acariciar o local onde o senti.

A porta do meu quarto foi aberta e logo Arthur entrou correndo e pulou na cama. Os pequenos pontos brancos nos seus cabelos e roupa denunciavam que ele estava aproveitando os primeiros focos de neve que caía pelo jardim.

Parei o vídeo de respiração e retirei o notebook do meu colo, depois que ele tirou as botas e o cachecol e veio engatinhando ao meu encontro.

— Mamãe, ta tudo ficando branquinho, vamos brincar! Fazer boneco.

— Ainda não dá para fazer boneco de neve, meu amor, não tem neve suficiente, porém se continuar a caí neve assim, logo poderemos fazer.

— Vamos patinar no lago com o papai e o tio?

— Mamãe adoraria patinar no gelo, filho, porém até o lago congelar com uma grossa camada de gelo, o Austin já vai estar em casa e não poderei brincar com vocês.

— O Austin vai brincar, mamãe?

— Vai demorar um pouquinho para ele brincar no gelo, amor. — Vi o sorriso do meu filho rapidamente sumir, fazendo meu coração se apertar. — Quando ele tiver a idade certa, amor, você vai ensiná-lo a patinar e cuidará dele como um super irmão mais velho. Você vai cuidar dele, filho?

— Vou, mamãe! Vou ensinar ele jogar bola, como o papai me ensinou.

Ele botou suas mãozinhas na minha barriga e logo se encurvou e beijou como Nathan o havia ensinado. Senti Austin se mexendo lentamente e Arthur sorriu novamente, me fazendo retribuir o gesto.

— Eu amo você, mamãe.

Senti o meu peito inundar de alegria e não me importei com as lágrimas que desciam pelo meu rosto. Abracei meu filho forte.

— Eu também te amo muito, filho.

No final da tarde, o jardim já estava completamente coberto pela neve e não resisti a sentir a sensação congelante do inverno. Vesti uma calça grossa e um vestido que provavelmente iria me fazer sentir protegida do frio. Coloquei as luvas e o cachecol e logo desci as escadas lentamente, segurando a mão de Arthur e a outra apoiando no corrimão de bronze da escada.

Passamos pela sala e chegamos a grande porta de madeira que levava até o jardim. Arthur soltou minha mão, saindo correndo pelo jardim com os braços abertos e rodopiando enquanto a neve caia sobre ele.

Senti minhas botas afundarem na grossa camada de gelo. Andei até Arthur que havia parado com a língua para fora, capturando os pequenos flocos de neve.

Olhei para o céu acinzentado e logo fiz o mesmo que o meu filho, sentindo o toque gelado do floco na minha.

— Gila. mamãe! — Disse meu filho, me fazendo olhar para ele, que ainda estava experimentando a neve fresca na sua língua e agora rodava com os braços estendidos.

Soltei um sorriso e logo fiz o que ele pediu, dei pequenos giros enquanto ouvia sua gargalhada, mas logo parei bruscamente, quando senti uma dor atravessar meu abdômen, me fazendo encurvar e tocar a minha barriga, na tentativa de diminuir a dor repentina.

Olhei para frente quando a dor diminuiu e vi Nathan parado próximo a porta, com uma expressão de preocupação, me esforcei a lhe dar um sorriso para o tranquilizar. Porém quando senti um líquido escorrer pelas minhas pernas, fazendo derreter a neve que estava embaixo dos meus pés, ouvi Nathan gritar o meu nome, correndo ao meu encontro.

— Sua... Sua bolsa estourou. — Ele gaguejou.

— Eu acho que sim.

— Vamos entrar, temos que ir para o hospital, rápido. — Disse ele, me pegando no colo e entrando na casa.

Ele chamou o Arthur para que entrasse e, quando passou pela sala, avisou Noemi e Cloe que minha bolsa havia estourado, pediu que Alysson cuidasse de Arthur e me levou até um quarto de hóspedes no andar de baixo para que pudesse trocar de roupa, enquanto Noemi pegava uma roupa limpa no nosso quarto.

Ele estava me ajudando a tirar o vestido quando outra dor chegou, me fazendo segurar forte a pia de mármore e gemer de dor.

— Oh! — Foi a única palavra que consegui dizer quando a dor diminuiu.

Olhei o meu marido que ainda estava com a mesma expressão de preocupado e com a respiração pesada. Ele não dizia nenhuma palavra, apenas me olhava com atenção.

Não precisava me esforçar para imaginar o que ele estava lembrando, da Jessica. Não o culpava por isso, sabia que o medo estava o consumindo aos poucos.

Chamei seu nome e imediatamente ele acordou do transe, se aproximando novamente, me ajudando a retirar o restante da roupa e a tomar um banho que insisti em tomar mesmo sobre os protestos dele. Ele teve paciência quando a dor vinha forte e massageava minhas costas enquanto eu gritava de dor. Vesti a roupa quente que Noemi havia pegado no nosso quarto juntamente com as malas do Austin.

— Senta aqui, enquanto o carro não chega. — Disse Nathan, me colocando na cama com dois travesseiros macios nas minhas costas. — Você está bem?

— Estou.

— Ok!— Disse ele, me dando um selinho rapidamente e olhou para a mala e as bolsas do nosso filho sobre a cama. — Talvez precisemos de outra mala para você, provavelmente não será suficiente.

— Acredite, amor, é o suficiente.

Cloe se sentou ao meu lado e segurou a minha mão quando outra dor rasgou meu abdômen, me fazendo gritar e apertar forte a mão da minha sogra.

— Céus! Cadê o carro? — Perguntou Nathan.

Theo se aproximou dele e falou algo no ouvido do meu marido.

— O quê? Como assim não vamos conseguiu...

— Filho? — Cloe o chamou, o fazendo parar e olhar para mim.

Ele passou as mãos no rosto, pegou o celular, puxou o Theo para fora do quarto, depois que Noemi entrou. Inicie a respiração com calma, porém quando a dor veio novamente, não contive o grito. Quando a contração parou e me senti um pouco mais calma, notei o quanto estava quente naquele quarto e comecei a tirar o sobretudo e o suéter que acabara de vestir e fiquei apenas com uma blusa fina e a calça grossa.

— As contrações estão frequentes? — Perguntou Noemi.

— Intervalos de dez minutos. — Respondeu Cloe.

— Ela está com dilatação?

Minha sogra se levantou e caminhou até onde estava a Noemi e iniciaram uma conversa baixinha, algumas vezes elas me olhavam e logo voltavam a falar.

— Parem de falar de mim como se eu não estivesse aqui. — Disse, fazendo com que elas olhassem para mim com um olhar diferenciado e, por um momento, tive medo de descobrir o que estava acontecendo. — O que est...

— Achamos que você não vai conseguir chegar ao hospital. — Noemi respondeu.

— Eu preciso ir para o hospital. Nathan ficará mais calmo se eu estiver em um hospital.

— Calma! — disse Cloe. — Temos que pensar em você e no Austin, as contrações estão vindo rápidas e eu a Noemi achamos que provavelmente você tenha uma boa dilatação para o parto.

Eu gostaria de ter um parto rápido, porém estava acontecendo muito mais rápido do que eu imaginava. Parecia que de uma maneira ou de outra, tiria o tão sonhado parto humanizado.

Segurei forte o lençol da cama e gemi de dor. Elas estavam certas, não conseguiria chegar em um hospital, correndo o risco de que o meu filho nascesse no meio do caminho. A queimação na minha intimidade me dava a sensação de que ele estava encachado e pronto para sair. Com certeza ele não teria paciência para esperar.

— Faça o que for necessário. — Disse quando

a dor havia passado e retomei a respiração normal.

Elas me ajudaram a tirar a calça grossa, juntamente com a minha calcinha e a blusa que estava usando, me deixando apenas com um sutiã.

Cloe ficou ao meu lado enquanto Noemi media a minha dilação. Respirei fundo quando senti que uma nova contração se iniciou, me fazendo jogar a cabeça para trás e gritar alto.

— Ele já está coroando. — Disse Noemi assim que a porta abriu e Nathan entrou olhando toda a cena. Por um momento, pensei que ele fosse sutar.

— O que...

— Amor, eu preciso de você. — Falei, esticando a minha mão na sua direção.

Ele bufou, se aproximou da porta e disparou com raiva:

— Se alguém entrar nesse quarto, eu juro que mato. Luís e Theo tentem ligar para o hospital e peçam para que mandem uma médica o mais rápido possível. — Ele olhou para mim rapidamente e completou: — Meu filho está nascendo.

Ele fechou a porta, tirou algumas peças do seu terno e logo se sentou atrás de mim, me doando um pouco da sua força. Segurou ambas as minhas mãos e beijou a minha bochecha.

— Estou forte por vocês. — Disse ele.

Era somente isso que eu precisava saber, ele estava forte e isso me deixou forte também.

 

— Nasceu. — Disse Cloe, juntamente com o chorinho forte do meu filho.

Depois de minutos agonizantes, meses pensando nesse momento, imaginando o rostinho do meu filho, a sua aparência, poder finalmente ouvir seu choro era a coisa mais linda que já ouvi no mundo.

Deitei meu corpo cansado no peito de Nathan e tornei a respirar normalmente, sorri para o meu marido que me olhava com atenção.

— Você está bem? — Perguntou ele.

— Estou. Só um pouquinho cansada.

— Aqui o garotão. — Disse Noemi, colocando Austin no meu peito ainda com o chorinho irritado.

Não segurei minhas lágrimas, ele era perfeito, seus cabelos negros se destacavam juntamente com os lábios avermelhados e a pele branquinha.

— Calma, meu amor, mamãe está aqui. — Disse, tentando o acalmá-lo.

Cloe jogou um lençol branco sobre as minhas pernas e logo saiu do quarto acompanhada pela Noemi, me deixando sozinha com meu filho e meu marido.

O posicionei no meu peito e não demorou muito para que ele abocanhasse meu seio, sugando forte o meu leite.

— Ele é lindo! — Disse.

— Sim, ele é. Obrigado, amor. Fiquei com tanto medo e agora estou completamente extasiado de felicidade. Me desculpe se fui um idiota, mas vocês são as coisas mais importantes da minha vida.

— Eu sei, amor, não precisa se desculpar. Eu te amo muito!

Depois de alguns minutos, Arthur entrou no quarto e olhou com atenção o irmão que dormia no meu colo, enrolado em uma manta azul escura.

Os paramédicos chegaram fazendo os exames necessários e logo fui encaminhada a maternidade. Quando os médicos me colocaram na maca, olhei o meu marido com nosso filho nos braços e sorri. Ele tinha vencidos seus medos e agora poderíamos seguir em frente, sem nos preocuparmos com pesadelos do passado tentando nos assombrar.

Capítulo 51

 

Nathan Brown

Era o dia mais feliz da minha vida. Ficamos nove meses planejando aquele momento, fizemos planos, discutimos seu futuro, fiquei com medo, dúvidas, mas no fim, estava com o meu filho nos meus braços.

Austin estava dormindo, devidamente vestido para o inverno rigoroso de New York, enquanto colocavam minha esposa no helicóptero.

Foi imprudência minha pensar que provavelmente tudo daria certo no dia do parto, logo no inverno que tudo desanda normalmente. Deveria a ter deixado, desde o início da gestação, em no hospital apenas para garantir a saúde dos dois.

Porém, já não importava, eles estavam bem, saudáveis e fortes.

Arrumei a manta do meu filho, que mexeu a sua pequena mão envolvida por uma luva. Um paramédico o pegou dos meus braços, beijei minha esposa na testa e prometi que logo estaria ao seu lado com o nosso filho.

Assim que as hélices do helicóptero ganharam velocidade, levantando a neve recém caída, senti meu coração se apertar. Necessitava estar ao lado da minha família, eu precisava deles.

Liguei novamente para confirmar se a estrada já estava livre depois do acidente que ocorreu impedindo que levasse minha esposa ao hospital de imediato. Peguei Arthur no colo e o coloquei na cadeirinha e logo estávamos a caminho do hospital para onde eles foram levados.

A estrada estava escorregadia e, com a proximidade do Natal, as ruas estavam lotadas. Quando finalmente cheguei na maternidade, desci Arthur da cadeirinha e segurei firme em sua mão.

Segui para a recepção para pegar o cartão de visitante, enquanto via meu filho sorrindo para mim. Peguei o cartão e depois de pegar o elevador e andar pelo longo corredor, estávamos parados, encarando uma porta branca, novamente.

Depois de três anos, eu estava lá novamente. Sem medo, sem raiva, nem dor ou tristeza. Observei novamente o número do quarto, “2014”, o ano onde, de certa maneira, tudo terminou, mas o destino me deu a oportunidade de recomeçar.

Podia sentir minha pulsação acelerada e, o medo de não vê-la ali naquele quarto, me assustava. O toque firme da mão do meu filho me faz olhá-lo com atenção. Me ajoelhei e o abracei forte, colocando minha mão sobre o seu cabelo ondulado, sentindo o cheiro maravilhoso do seu perfume. Ele se afastou do meu corpo e abriu um sorriso, me fazendo sorrir também. Me levantei, peguei na sua mão novamente, respirei calmamente e abri a porta.

Ela estava lá, do jeito que imaginei, seus cabelos dourados espalhados pelo travesseiro branco, com um sorriso contagiante, segurando nos braços o nosso filho que dormia tranquilamente.

— Olha quem chegou, filho! O papai e o maninho. — Disse ela, tocando a pequena mão do nosso filho recém-nascido.

Uma lagrima solitária rolou pelo meu rosto. Era isso que eu tanto queria ver, esperei por anos por essa imagem. A mulher que eu tanto amava estava ali na minha frente, segurando o nosso filho, nos seus lábios estava o sorriso que tanto amava. Sempre amei tudo nela e, naquele momento, passei a amar ainda mais.

Ela era, sempre seria, a mulher da minha vida.

Peguei Arthur no meu colo e me aproximei da minha esposa lentamente, me posicionei ao seu lado e logo Arthur se encurvou no meu colo para beijar a cabeça do seu irmão com carinho.

— Era você que chutava a mamãe?

— Era, filho, ele que se mexia dentro da mamãe. — Respondeu ela.

— Você vai jogar gol comigo e vou te ensinar a patinar! — Disse ele, nos fazendo sorrir.

Austin mexeu a sua mãozinha e logo abriu os olhinhos revelando o azul forte, ele era um verdadeiro Brown. Ele piscou algumas vezes e logo olhou para cada um com atenção.

— Oi, filho! Bem-vindo a família Brown!

 

Na manhã seguinte, minha esposa e meu filho já haviam recebido alta. Toda a família provavelmente estava nos esperando na fazenda para conhecer o novo Brown. Mesmo que todos já tivessem visto Austin, nada tirava a vontade deles de estar ao lado do meu filho, eu sabia o que eles estavam sentindo, pois também não gostaria de ficar longe deles nem por um segundo.

Arrumei a pequena luva na mão do meu filho e logo o enrolei na manta grossa que o protegeria do frio.

Coloquei Austin no colo da minha esposa que estava sentada em uma cadeira de rodas e afastei o enfermeiro que provavelmente gostaria de empurrar a cadeira até a saída do hospital.

— Senhor, estou apenas ajudando.

— Ajudaria muito, se ficasse longe da minha esposa.

Empurrei a cadeira até os fundos da maternidade para evitar os jornalistas que

provavelmente estavam sedentos por notícias.

Mart já estava a nossa espera, ele guardou as bolsas e malas, enquanto eu colocava Austin no bebê conforto, entrei no carro ao lado da minha mulher que encostou seu corpo ao meu, enquanto olhava nosso filho.

Todos estavam na fazenda assim como deduzi, estava sentado ao lado do Mart, Luís, Theo e Alberto, enquanto olhava a minha esposa sentada ao redor das mulheres que paparicavam Austin, no colo da Anne.

— Ela se desenvolveu tão rápido, sempre soube que tudo daria certo na vida dela. — Disse Alberto

— Isso foi um elogio? — Perguntou Luís — Cuidado, Alberto, podemos pensar que você está começando a ficar sensível por causa da idade.

— Nunca! — Ele respondeu, olhando para o meu irmão e desviou o olhar para mim. — E não pense que só porque está casado e agora tem um filho com ela que abaixei a guarda, minhas ameaças ainda estão de pé.

— Nunca pensaria nisso. Vou cuidar deles, Alberto.

— Assim espero. — Disse ele, olhando novamente a sua esposa segurando o meu filho.

— Daqui algum tempo pode ser a Melissa no lugar da Bruna.

Céus, ele está pedindo para morrer!

— Ah, sim! Com certeza será minha filha daqui uns anos, ela estará casada e feliz, longe de muito abrute que provavelmente se acha digno da minha princesinha.

Meu irmão se aproximou dele e disse com uns tapas nas suas costas:

— Relaxa, sogrão, vou cuidar muito bem dela. — E correu na direção da minha esposa que pegava Austin do colo da sua tia.

— Esse rapaz vai ser um problema. — Assumiu Alberto.

— Tem que admitir que ele tem coragem. — Mart disse.

— Sim, ele tem, apenas avise, que eu tenho uma arma.

— Sem ameaças de morte na minha frente, aquele bastado é importante na minha vida e, algo me diz que, na vida da sua filha também.

— E você acha que eu não sei? Terei que trabalhar o dobro que trabalhei para afastar você da Bruna.

— Não adiantou muito. — Disse Theo.

— Exatamente por isso terei que trabalhar o dobro.

— Acha que vai adiantar?

— Acho que não. — Theo concordou comigo.

— Tenho certeza que não, porém terei que colocá-lo na linha. — Disse Alberto.

— Boa sorte! — Eu disse a ele.

Olhei para a minha esposa, subindo as escadas com nosso filho no colo, pedi licença a todos e a segui na mesma direção em que ela foi. Abri a porta do quarto do nosso filho e a vi sentada na cadeira de amamentação, alimentando Austin.

Seu cabelo estava preso em um coque e ela olhava com atenção cada detalhe de Austin. Era a imagem mais linda que já tinha visto. Estava me sentindo um idiota por pensar que poderia perdê-la. Ela sempre foi tão forte, desde que a conheci, ela tinha se mostrado forte o suficiente para vencer as batalhas da vida, não seria diferente com os nossos filhos.

Me aproximei, puxei um puff azul e sentei ao seu lado. Toquei na mãozinha lisa e macia do meu filho.

— Ele é um guloso. — Disse ela.

— Já posso ver que ele será igual o Arthur.

— Vai sim, ele será um gordinho lindo.

Ficamos ali por um tempo até que Austin se sentiu satisfeito e o peguei para que ele pudesse arrotar e o devolvi para Bruna quando Arthur entrou no quarto pulando, segurando o seu boneco do Capitão América. O peguei no colo e ele ficou mexendo nos braços do boneco, enquanto olhava minha esposa sorrindo.

— O que foi? — Perguntei.

— Eu cumpri com a promessa.

— Que promessa?

— Que no final seria eu, você, Arthur e o Austin. Eu estou aqui, nada aconteceu comigo ou com o nosso filho. Nenhum mal pode nos assustar.

— Não, meu amor, nenhum.

— Eu te amo, Nathan Brown!

— Eu amo você, Bruna Brown!

— E quem vai me amar? — Disse Arthur, emburrado, me fazendo rir juntamente com Bruna.

— Nós te amamos. — Dissemos juntos, beijando a sua bochecha.

Minha história não teve o começo que eu gostaria, ainda pensava na Jessica e me arrependia de não ter conhecido bem o pai da minha esposa. Imaginava o que teria acontecido se Bruna não estivesse indo para o Texas ou se estivesse encontrado a carta da minha falecida esposa a tempo de tê-la impedido de ter partido por dois malditos anos. Ainda tinha medo. Não de perdê-la, mas sim de não ser o melhor para eles. Porém, sejamos sinceros, esse medo todo homem tinha. Mas o importante era que faria de tudo para que eles tivessem o melhor de mim, assim como eu tinha o melhor deles.

A minha vida até podia ter tido um começo indesejado, porém estava tendo o final que tanto sonhei.

Epílogo

 

Seis Anos Depois...

 

Bruna Bronw

A primavera já estava mostrando sua beleza nos jardins próximo a escola dos meus filhos. Odiava o começo das aulas. Com o passar dos anos, aprendi que sou uma mãe coruja e ficar longe dos meus filhos por algumas horas era torturante. Seria pedir muito que eles tivessem aula em casa, ao meu lado, vinte e quatro horas por dia?

— Mãe, tenho que entrar. — Austin disse.

— Oras, bobagem, com certeza os professores demoram um século para entrar na sala, filho.

— Você ainda não se acostumou com isso, Austin? — Perguntou Arthur.

— Não.

— Ai, meu amor, é que você cresceu tão rápido, assim como o Arthur... Os quero como bebês novamente.

— Não esqueça o Christopher. — Disse Nathan, tocando na minha barriga de quatro meses.

— É, logo você terá o Christopher, mãe. — Austin completou.

— Vocês já pensaram que pode ser a Ivy.

— Não! — Disseram juntos, me fazendo bufar.

— Será um menino, mãe. — Falou Arthur.

— Quando vocês chegarem em casa, dou a notícia do que será.

— Será outro menino, amor. Todos já sabemos.

— Lembra-se que combinamos que o próximo seria uma menina, amor?

— Você que não quis esperar os dez anos, agora terá que lidar com as consequências, meu amor. — Disse ele.

Quando ia responder, o sinal da escola ecoou pelo local, me fazendo abraçar Austin e Arthur novamente e beijar cada um com carrinho.

Quando eles se afastaram e sumiram da minha vista, senti meu coração se apertar e a vontade de correr até eles, apenas aumentou.

— Vamos amor, daqui a pouco eles estarão em casa.

— Sou uma mãe preocupada. — Preocupada com o quê? Eles são Bronw, os outros pais que devia estar preocupados, não você.

 

A sensação gelada do gel fez com que me arrepiasse, segurei forte a mão do meu marido e olhei novamente a pequena tela na minha frente, enquanto a médica olhava se meu bebê estava bem.

— O seu bebê está ótimo!

— Podemos saber o sexo? — Perguntou meu marido.

— Deixa-me ver. — Ela moveu a pequena maquina sobre a minha barriga e logo sorriu. —

Alguma preferência?

— Menino. — Disse meu marido.

— Uma menina. — Falei.

— Desculpe, Sr. Brown, acho que dessa vez, a sua esposa ganhou. Vocês terão uma linda princesinha.

Um sorriso se formou no meu rosto junto com as lagrimas e olhei paro o meu marido que olhava a pequena tela que mostrava a nossa filha.

— Tem certeza? — Perguntou Nathan.

— Sim, eu tenho! — Respondeu a médica.

— Céus! É uma menina? — Perguntou, olhando para mim.

— Sim, meu amor, teremos nossa linda Ivy.

— Oh, céus! Já posso sentir os cabelos brancos surgindo.

— Ficará muito sexy de cabelos brancos, amor.

— Preciso ter aulas de tiro com o Alberto.

— Prepara-se, amor, pois se ela puxar a sua mãe, você precisará de muito mais do que uma arma para cuidar dela

— Verdade, preciso contratar o exército.

Agradecimentos

 

Agradeço primeiramente a Deus por te me abençoado com o dom da escrita, a Viviana Fabris por ter me ajudado de todas as maneiras a desenvolver o livro, a minha família que me apoiou me dando incentivo e frases de animo, aos meus amigos; e não poderia esquecer os milhares de leitores do Wattpad que acompanharam a história desde o início e que acreditaram nela, fazendo a mesma alcançar milhões de visualizações, o que me fez chegar até aqui.

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