A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 38
Bruna Watts
“Espero que saiba dançar, cobrarei uma dança com você”.
As palavras dele me fizerem ficar sem ar brevemente, ainda estava parada na entrada da clínica, olhando o carro dobrar a esquina e sumir de vista.
O plano de tentar esquecê-lo estava indo pelo ralo. Desde o início sabia que seria impossível resistir a ele. Sentia que o meu próprio corpo estava me traindo.
— Quem era? — Perguntou Laird, me fazendo gritar de susto.
— Meu Deus, Laird, não me assuste assim! Quer me matar? — Perguntei, colocando a mão no peito.
— Desculpa, amor! Você está bem?
— Agora sim... Como estão as coisas por aqui?
— Tudo em ordem. Agora poderia me responder?
— Respondi. Estou ótima.
— Lhe perguntei quem era aquele homem que vi com você aqui em frente.
— Ah! Era o senhor Brown, ele me deu uma carona.
— O bilionário para quem você trabalhou como babá? — Assenti. — Ele não parece ter esquecido o passado.
— O que te faz pensar assim?
— Eu vi a maneira como ele te olha. E você?
— Eu?
— Você o esqueceu?
Sim!
Não!
Claro que não.
Não seria louca de mentir, nunca menti e não começaria naquele momento. Não para o Laird.
Não esqueci o Nathan e era óbvio que ele também não tinha me esquecido. Não seria justo mentir para o meu namorado, afinal ele era um homem maravilhoso e não merecia ser enganado.
— Eu...
— Laird, o paciente do trezentos e quarenta está precisando de atendimento, é uma emergência. — Gabby me interrompeu.
— Depois conversaremos. — Disse ele, passando por mim, me dando um selinho rápido e correndo para dentro da clínica novamente.
Fiquei na clínica o tempo necessário, visitei os pacientes, recebi novos interessados e fiquei na minha sala, revendo os relatórios dos pacientes com a ajuda da Gabby.
Laird desmarcou nosso jantar, me fazendo ir para casa sozinha já que a Gabby dormiria com o namorado. Então caminhei até um ponto de ônibus próximo e esperei calmamente até ouvir o barulho da velha camionete do tio Alberto, me fazendo sorrir quando ele parou a minha frente.
— Não está muito tarde para ficar em um ponto de ônibus? O que já te disse sobre isso mocinha?
— Que os meliantes sempre se aproveitam de mulher sozinha e em lugares isolados. — Repeti o discurso que ouvia desde pequena.
— Vejo que aprendeu, agora entre e vamos para casa.
Entrei no carro, coloquei o cinto e logo o carro estava em movimento.
— Onde está seu namorado? — Perguntou.
— Ele está de plantão na clínica hoje.
— Ele está começando a perder pontos comigo, nem um táxi se ofereceu a pagar?
— Ele estava muito ocupado, tio e não vejo problemas em pegar um ônibus.
— Pois eu vejo. — Ficamos em silêncio por um tempo até que ele voltou a falar. — Bruna, sabe que te considero como uma filha, não sabe?
— Sei e eu te considero muito também.
— Você e o Laird já tiveram aquilo?
— Aquilo? — Perguntei, olhando ele.
— É... Aquilo que os jovens fazem hoje em dia.
— Sexo, tio?
— Por Deus, menina! — Disse ele, freando o carro. — Não fale assim.
Segurei a risada e falei:
— Desculpe, mais nomeando o assunto de “aquilo” também não ajuda.
— Não tenho costume te ter esse tipo de assunto. — Falou ele, seguindo o caminho novamente.
— Você nunca falou com a Mel sobre... aquilo?
— Anne trata de conversar com ela. Então, me responda: vocês já...
— Não, tio, eu e Laird nunca fizemos aquilo.
— Graças a Deus! — Ele soltou um suspiro longo, relaxando os músculos.
— Acho que não estou pronta, sabe?
— Ele já tentou te forçar....
— Não! Claro que não, ele me respeita muito.
— Ainda bem, pois se ele fizer algo, ele conhecerá meu lado policial.
— Laird é um homem respeitador, tio.
— Que ele continue assim.
Quando ele estacionou em frente a minha casa, retirei o cinto e o abracei.
— Obrigada. — Agradeci.
— Pelo o quê, menina? — Perguntou, devolvendo o abraço.
— Por estar fazendo o papel do meu pai. É muito bom saber que tenho alguém como ele.
— É bom fazer esse papel.
— Sinto tanta falta dele. — Disse, sentindo lágrimas rolarem pela minha bochecha.
— Todos nós sentimos, menina.
— Você está estranha. — Falei para Melissa que estava me olhando.
— Não estou não, deixe de bobagens e me ajude aqui. — Respondeu ela, me mostrando pela milésima vez outro vestido. — O que achou desse?
— Legal. — Disse, deitando na cama e colocando o travesseiro no rosto.
— Ah, não, Bruna! — Ela tirou o travesseiro do meu rosto e o jogou no outro lado da cama. — Preciso de ajuda e você disse que me ajudaria.
— Estava disposta de te ajudar até os dez primeiros vestidos... Para quê tantos? É só um jantar!
— Quero ficar bonita.
— Você não precisa de muito esforço para isso. — Disse, olhando para ela com frustação. — Por que nunca me disse que você e o Theo tiveram um caso?
— Porque nunca tivemos.
— O quê? Então...
— Precisava me sentir por cima, deixar de ser um capacho para o Luís.
— Ainda gosta dele? — Perguntei.
— Se a pergunta é se eu gosto de ser trouxa, ignorada, maltratada e diariamente frustrada a resposta é sim, eu ainda gosto dele. — Respondeu, deitando na cama ao meu lado.
— Então, porquê disse aquilo?
— Eu cansei de vê-lo com mulheres diferentes na faculdade. Quero que ele pense que eu também sei viver um pouquinho.
— O fazendo pensar que você transou com o amigo dele?
— Sou uma idiota! — Disse ela, tampado o rosto com as mãos.
— Já parou para pensar que ele talvez também goste de você?
— O dia em que Luís Brown gostar de mim, trabalharei como animadora em festa infantil. — Ela bufou e se levantou. — Cansei de falar daquele palhaço. Com qual vestido você vai a festa?
— Estou em dúvida entre o azul e o vermelho.
— Então, vamos resolver isso agora. — Disse me puxando para que saísse da cama. — Depois vamos comprar sapatos!
Estava encarando o meu reflexo no espelho há alguns minutos, o vestido vermelho era longo o suficiente para cobrir os meus pés com os saltos altos que a Melissa me obrigou comprar. O decote coração me dava uma sensação de conforto, mesmo não estando acostumada com esses tipos de decote. O vestido era justo na cintura e a barra solta. Coloquei os brincos de pérolas e peguei minha bolsa na penteadeira.
Fechei a porta do quarto, respirei fundo e levantei o vestido ao descer os poucos degraus que me levava até a sala. Sendo surpreendida pelo Laird, vestido em um smoking azul escuro, segurando uma rosa.
— Você está muito elegante. — Falei, arrumando sua gravata borboleta.
— Não chego aos seus pés em quesito elegância e beleza. Você sabia que vermelho é a cor tradicional dos vestidos de noiva, na Índia? Posso até imaginá-la como uma noiva indiana.
— Isso é um pedido de casamento?
— Ah, não querida! O nosso pedido de casamento será inesquecível. — Disse, me beijando com delicadeza. — Está preparada para cumprimentar milhares de pessoas da alta sociedade?
Suspirei desanimada e falei:
— Espero que esses sapatos sejam confortáveis.
O salão alugado para a festa ficava no centro da cidade, em um dos prédios históricos da cidade. A fachada medieval dava exatamente o ar que Elizabeth queria. Os fotógrafos posicionados nas laterais do tapete vermelho me deixaram nervosa. A notícia de que a clínica voltaria a funcionar chamou a da mídia.
Laird abriu a porta da limusine e me ajudou a descer, arrumei meu vestido e passei pelos fotógrafos sem responder nenhuma pergunta.
O salão estava lotado. A família de Melissa me deu os parabéns pela festa, Laird ficou com eles e me eu juntei a Elizabeth, que estava agradecendo a presença de cada um.
Quando ela terminou o discurso, a música se espalhou pelo local e logo a pista de dança foi aberta.
Estava em pé, ao lado do Laird, vendo alguns casais dançarem, quando Cloe se aproximou com um sorriso.
— Bruna, a festa está magnífica! — Disse Cloe, me abraçando. — Oh! Esse deve ser o seu namorado, não é? — Perguntou ela, quando se afastou dos meus braços e o viu ao meu lado.
— Prazer, Laird Lohan! — Respondeu ele, pegando a mão dela e a beijando.
— Nossa, que cavalheiro! Arrumou um ótimo namorado, menina. Parabéns!
Como assim?
— Obrigada, Sra. Brown! — Agradeci.
— Então, você é mãe do...
— Nossa! Eu amo essa música. — Disse ela. o interrompendo. — Você se importaria de me emprestar o seu namorado para uma dancinha?
— Ah, claro... Se ele quiser. — Respondi, olhando para ele.
Ele examinou a mulher a sua frente e logo falou:
— Será um prazer. Já volto, meu bem. — Disse ele, se aproximando para me beijar quando Cloe o puxou para a pista de dança.
— Vamos antes que a música termine. — Disse ela, o empurrando e olhando para trás com o mesmo sorriso de quando chegou e me lançou uma piscadela.
— Pensei que ela não ia conseguir. — Disse Nathan, me fazendo sentir um arrepio sobre a minha pele.
Me virei e vi quando seus olhos dilataram e um sorriso surgiu, assim como o meu.
— Conseguir o quê? — Perguntei.
— Fazer com que ele se afastasse.
— Você pediu para sua mãe afastar...
— Descobri que minha mãe é útil em todas as situações. — Respondeu ele, com um sorriso.
— E qual era a razão para vê-lo longe de mim?
— Como cobraria minha dança com ele ao seu lado?
— Uma dança de despedida?
— Não, minha pequena. — Disse ele, tocando meu rosto com carinho. — A partir de hoje, "despedida" é uma palavra que não existirá no nosso dicionário. Essa é apenas a primeira dança
do resto das nossas vidas .
Bônus Luís Brown
A droga do coração deveria ter um manual e um controle remoto, seria o suficiente para apagá-la da minha vida.
Aquela morena, a diaba que aparece nos meus sonhos desde que a vi pela primeira vez. A mulher que me faz ir todo dia para a faculdade mais cedo apenas para vê-la passar segurando os livros próximos ao peito e os cabelos negros em uma trança longa.
Mas suas palavras ainda estavam na minha mente e a imagem do Theo junto com ela, na cama, me fazia sentir irritação, ódio, raiva... e, não podia esquecer, nojo.
Aqueles dois anos não tinham sido fácies, entre jogos e apostas, acabei descobrindo alguns lugares que ninguém gostaria de conhecer. Não diria que era um viciado, sabia exatamente a hora de parar e apenas apostava o necessário.
Como bilionário, dono de um Império pelo mundo todo, não era idiota o suficiente para me deixar levar por más influências.
Estava deitado no Club, bebendo uma cerveja, enquanto via as mulheres seminuas passando pelo local que tinha cheiro de fumo, perfume barato e sexo. Olhava uma loira que sorria para mim com sensualidade e logo ela se aproximou, sentando-se ao meu lado com um cigarro de maconha entre os dedos.
— O que posso fazer por você, bonitão? — Perguntou ela, alisando meu abdômen por cima do tecido da camiseta.
— Sumir da minha frente. — Respondi, tomando outro gole da minha cerveja.
— Sua namorada?
— O quê?
— Já te vi aqui, outras vezes, bonitão. Você tem fama entre as meninas e nunca o vi sem ninguém até o final da noite, então para estar me dispensando só pode ser por alguma mulher... É a sua namorada?
— Não seja ridícula, garota. Já cansei de tipinhos como você. Mulher fácil, todo dia, é enjoativo.
— Se não quer se divertir o problema é seu, querido. — Disse, colocando o cigarro na boca. — Você sempre está apostando com os Alfas, o que quer dizer que você tem dinheiro suficiente para andar com eles. Então, me diga, não conseguiu a garota dourada e veio até aqui para afogar as mágoas?
— Não te interessa o que ela fez ou deixou de fazer.
— Ah! Então foi ela quem fez algo... Vai me dizer que ela te traiu e você pegou os dois na sua cama?
A cena passou pela minha cabeça, fazendo com que meu corpo reagisse como nunca reagiu antes. Os meus músculos ficaram tensos e a vontade de socar a cara do Theo apenas aumentou.
— Calma aí, bonitão, toma isso... Vai te acalmar. — Disse, me estendendo o cigarro.
— Não uso essa porcaria. — Disse, tomando outro gole de cerveja e tentando esquecer a cena que tinha acabado de imaginar.
— Pô, bonitão, vai negar mesmo? Vai me dizer que é um desses chatos que não faz nada legal?
— Não sou bunda mole, apenas sei o que essa porcaria faz.
— Se sabe, então, por que não experimenta? Vai esquecer a garota e todos os seus problemas, rapidinho.
— Não preciso disso para esquecer os meus problemas. — Disse, me levantando e tomando o último gole da minha cerveja. — Você deveria parar de fumar essa porcaria.
— E você deveria parar de me tratar como uma criança, papai. — Ela se levantou, saindo de perto de mim. — Aliás, meu nome é Paola Bittencourt... Se quiser conversar, é só me chamar, bonitão, estou sempre por aqui.
Segui a direção contrária a que ela tinha tomado e saí do Club. Joguei a cerveja fora e andei até o carro, passando pelas pessoas que escutavam a música alta, entrei no meu carro e saí pelas ruas sem rumo.
Aos poucos a chuva começou a cair forte pela cidade e visibilidade na estrada ficou difícil, encostei o carro em uma rua qualquer e esperei até que fosse seguro o suficiente para dirigir.
O barulho de um carro parando logo atrás do meu, me fez olhar pelo retrovisor e ver uma mulher descendo do carro e abrindo o capô de uma velha caminhonete verde. O vestido colado ao corpo me fez sorrir. Poderia apostar vinte dólares que ela não conseguiria consertar o carro. Ela chutou a roda do carro, me fazendo gargalhar.
Poderia ter ganhado vinte dólares.
Desci do carro e a chuva estava ainda mais forte, caminhei até ela, que estava inclinada vendo o motor, me proporcionando uma ótima visão da sua bunda.
Passei as mãos no meu cabelo e me aproximei.
— Vai, carrinho, não me deixa na mão. — Disse ela, tentando fazer algo no motor.
Ah essa voz! A morena culpada por todos meus pecados mentais.
— Quer ajuda, princesa?
Ela escorregou no chão, me fazendo correr até ela e a ajudar a se levantar.
— Aí! — Disse ela, massageando o local machucado.
— Deixa-me ver. — Falei, me aproximado do seu corpo e tirando a mão dela da testa. — Não foi nada demais, apenas uma vermelhidão.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntou, afastando minha mão do seu rosto.
— Estava caçando unicórnios na floresta da fantasia, não é lógico? Vim salvar a minha princesa.
— Então vá, antes que ela se canse de esperar. — Disse, fechando o capô do carro.
— Ela está na minha frente. — Retruquei, segurando seu braço. — Por que não me deixa ajudá-la?
— Porque já resolvi o meu problema. — Respondeu, soltando o braço e entrando no carro para tentar dar a partida. — Vai, vai... Ah, que droga! — Disse, socando o volante do carro.
— Quer ajuda?
— Não!
— Estou sendo bondoso, Melissa. Estou na chuva, esperando sua consciência aceitar que o melhor é ir comigo e ligar para um carro guincho.
Ela bufou, pegou a mochila no banco do carona e saiu do carro.
— Só estou indo para você sair da chuva.
— Vou acreditar nisso, princesa.
— Palhaço!
O carro guincho já estava a caminho, liguei o aquecedor e tirei a minha camiseta molhada. Vi quando ela me olhou de relance, me fazer sorrir.
— Gosta do que está vendo, princesa?
— Já vi melhores. — Disse, abraçando a bolsa e olhando para frente.
Suspirei, deitei o banco e ficamos em silêncio, ouvindo a chuva cair.
— O que estava fazendo na rua até essa hora? — Perguntei.
— Estava na casa de uma amiga, terminado um trabalho da faculdade.
— Você estuda muito.
— E você não estuda nada. — Disparou com a voz alterada.
— Ok! Não quero brigar com você.
— Impossível! Somos como cão e gato, sempre vamos brigar.
— Vejo por outro lado, somos opostos e uma coisa que aprendi foi que os opostos se atraem. — Disse, a puxando para o meu colo, fazendo a mesma soltar um grito de surpresa. — E eu estou a cada dia mais atraído por você, princesa.
— Por favor, não faça isso. — Sussurrou quando me aproximei da sua boca.
— Não estou fazendo nada, ainda.
— Não brinca comigo, Luís. Não sou uns dos seus brinquedos.
— Você nunca será um brinquedo em minhas mãos, princesa. — Disse, afastando os cabelos molhados do seu rosto e a beijando.
Seus lábios gelados juntos com os meus logo se tornaram quentes e irresistíveis. Apertei sua coxa com desejo, a fazendo gemer de uma maneira perfeita, permitindo que minha língua entrasse em sua boca com urgência. Não demorou muito e ela já estava correspondendo ao beijo. Sua mão tocou meu peito nu, buscando apoio, e o beijo calmo se transformou em puro desejo.
As batidas na janela fizeram com que o beijo fosse interrompido e Melissa saltou do meu colo de volta ao seu lugar. Suspirei com desgosto, passei a mão pelo rosto e baixei o vidro do carro.
— Algum problema, policial? — Perguntei assim que o policial iluminou o meu rosto com uma lanterna.
— A rua não é motel, rapaz. Sugiro que saía da rua e, se eu encontrar vocês dois novamente nessa situação, teremos sérios problemas.
— Sim, senhor. — Respondi.
— Boa noite! — Disse ele, se afastando.
— Para o senhor também, policial. — Fechei o vidro do carro e encarei Melissa que estava com as mãos no rosto. — Acho melhor te levar para ca...
— Não! Obrigada por me ajudar, mas vou ligar para o meu pai e vou esperar na caminhonete até que ele chegue. — Disse ela, abrindo a porta.
— Melissa, não precisa...
— Por favor, apenas esqueça que isso aconteceu. E me esquece também. — Ela bateu a porta com força e correu até a velha caminhonete.
Não queria esquecer, não depois daquele beijo, não depois de dois anos a ignorando por culpa daquela promessa idiota que fiz para o Nathan. Tudo o que não queria era esquecer a minha princesa. A partir daquele dia, ela faria parte da minha vida
Bruna Watts
Não contive o sorriso ao ouvir suas palavras, ele segurou minha mão e me levou até o centro da pista de dança, me fazendo esquecer todos ao redor, mesmo sabendo que provavelmente todos estavam nos olhando.
Ele tocou na minha cintura, me fazendo sentir novamente o arrepio e as borboletas no meu estômago acordarem. O salto me deixou próxima do seu rosto, o suficiente para sentir vontade de selar nossos lábios.
Toquei em sua nuca e o vi fechar os olhos, murmurando palavras desconexas e apertando levemente a minha cintura.
— Céus... Não faça isso. — Disse ele, abrindo os olhos e me dando uma visão maravilhosa dos seus olhos marcantes, cheios de vida e desejo.
— Fazer o quê?
— Tudo... Cada toque, palavra, o seu perfume, sua pele, sua voz e seu sorriso, tudo é motivo suficiente para te desejar apenas para mim.
— Nathan, acho melhor...
— Não pense, Bruna. Não quero que pense, apenas sinta o mesmo que estou sentindo.
Segurei sua outra mão, sem falar mais nada, e começamos os pequenos passos de dança enquanto ele me guiava pela melodia. Apoiei meu rosto em seu peito e escutei seu coração pulsando forte, era como se ele estivesse no ritmo da música. Ele tinha razão, não queria pensar. Então, naquele momento, esqueci dos olhares, dos meus medos, dos meus convidados e do Laird.
Apenas deixei com que ele me conduzisse no ritmo da música.
Quando a música acabou e fui obrigada e abrir meus olhos, reparei que todos estavam olhando em nossa direção, ninguém estava dançando, apenas nós dois. Olhei a pequena multidão e vi Laird me lançando um olhar que nunca havia visto e que era impossível de se decifrar. Me afastei do Nathan rapidamente, arrumei meu cabelo e tentei não escutar sua voz me chamando.
O que eu estava fazendo? Estava em um relacionamento com outra pessoa, não podia simplesmente voltar ao passando e querer reviver tudo que vivi com Nathan, correndo o risco de me machucar.
Passei pelos convidados com cuidado e entrei no banheiro, apoiei minha mão na pia e tentei entender o que tinha acabado de acontecer.
Respirei fundo pela quinta vez quando Melissa entrou no banheiro com um sorriso.
— Meu Deus! Que dança foi aquela? Foi... foi... — Ela não encontrava palavras.
— Vergonhosa. — Disse.
— O quê? Não! Foi incrível, mágico, perfeito e lindo. Foi como assistir a um filme da Disney e vocês estavam magníficos, era como se vocês fossem apenas um.
— Melissa, chega! Estou confusa, ok?
— Confusa? Você é cega? Por Deus, Bruna, para de ser lerda. Vocês foram feitos um para o outro. Quando vai começar a pensar em você pela primeira vez?
— O que posso fazer?
— Falar com o Laird é um bom começo.
Olhei para ela através do espelho por um tempo até que ela apontou para a porta me fazendo bufar e caminhar até a porta, dando de cara com o Laird após abrir a mesma.
— Acho que agora precisamos conversar. — Afirmei lentamente.
— Ótimo! Vamos caminhar um pouquinho.
Ele me estendeu a mão e aceitei de bom grado. Passamos pelo fundo da casa de festa em silêncio até um pequeno jardim interno onde havia um pequeno banco onde sentamos.
— Laird...
— Deixa-me falar. — Ele ergueu a mão, me interrompendo. — Bruna, quero te dizer que você é uma mulher incrível, uma pessoa maravilhosa, com quem tive a chance de viver dois anos da minha vida, os melhores anos que vivi e qualquer homem se sentiria completo por tê-la em sua vida. Você é a mulher perfeita, mas não é perfeita para mim. — Ele suspirou e completou: — Qualquer um pode ver o amor que envolve vocês dois e eu seria um idiota em não deixá-la viver esse amor.
— Você quer dizer que está terminado comigo!?
— Não posso terminar algo que nunca começou, meu raio de sol. Confundimos amizade com amor e, mesmo achando que estou abrindo mão de uma grande mulher, estou disposto a ver a sua felicidade.
— Você é um homem muito gentil, Laird. Qualquer mulher ficaria feliz em ter você como namorado e sei que você vai encontrar a pessoa certa. um dia.
— Eu sei. — Ele sorriu, pegou minha mão e beijou com delicadeza. — Agora acho melhor você ir atrás dele.
Sorri e o abracei forte.
Eu sabia que estava sendo difícil para ele e mesmo assim ele estava permitindo que eu me afastasse e seguisse em frente.
Me afastei dos seus braços e logo ele se levantou, me ajudando a ficar em pé novamente.
— Espero que ele te faça feliz.
— Eu não tenho dúvidas.
— Se você não for agora, juro que te amarro e não deixo ir embora.
Deu um sorriso, beijei seu rosto e saí correndo, parei e virei para vê-lo, gritando um "Muito obrigada" que o fez sorrir em resposta.
Voltei para o salão de festa, vendo que tudo estava em plena normalidade, procurei entres as pessoas Nathan ou Cloe, mas eles não estavam lá. Avistei a Mel na recepção e fui até ela.
— Você o viu?
— Quem? — Perguntou Mel.
— O Gasparzinho que não é, né? O Nathan, Melissa, o Nathan.
— Ei, estressadinha! Ele acabou de sair com a...
Não deixei que ela terminasse a frase, apenas corri até a porta e, ao chegar no topo da escadaria, o vi ajudando Cloe a entrar no carro e o gritei. Ele me olhou e um sorriso surgiu instantaneamente, como se ele soubesse, como se ele pudesse decifrar o meu sorriso.
Segurei o meu vestido e o levantei para descer as escadas ao seu encontro. Enquanto descia os degraus com rapidez, o vi andar ao meu encontro em passos lentos, sem tirar seus olhos de mim, o que era suficiente para fazer o meu coração pulsar veloz em meu peito a cada passo que dava em sua direção. O vento levantava alguns fios do meu cabelo e, quando finalmente me aproximei do seu corpo, nenhuma palavra foi dita, ele apenas me puxou pela cintura e me beijou.
Estava morrendo de saudades dos seus lábios juntos dos meus, sua língua explorando a minha boca com urgência. Eu afundei meus dedos em seus cabelos e soltei um gemido quando ele fez o mesmo, enrolando em suas mãos em meus cabelos. Nos afastamos em busca de ar e, ainda com a respiração ofegante e os lábios levemente inchados, pude esboçar um sorriso.
Ele segurou meu rosto, encostou sua testa na minha, me fazendo olhar diretamente nos seus olhos azuis fortes.
— Por que demorou tanto para ser minha? — Perguntou ele.
— Nunca deixei de ser sua. — Disse, o fazendo sorrir e me beijar novamente.
Os dias passaram depressa e a notícia de que o viúvo mais cobiçado de New York foi fisgado por uma estudante de Medicina e dona de uma clínica se manteve por dias
Laird continuava trabalhando na clínica, não podia abrir mão do profissional que ele era, afinal ele era um excelente médico e nossa amizade continuava firme apesar do Nathan sempre expressar seus ciúmes quando o assunto era ele.
Fiz uma visita a fazenda logo após o episódio do beijo. O lugar continuava magnífico e a família estava mais unida do que nunca. Ver Noemi e Theo novamente me fez lembrar de alguns bons momentos e claro que Cloe providenciou um piquenique no deque do Lago, enquanto os meninos andavam a cavalo.
Arthur continuava uma criança amada, era como se nunca tivesse saído de perto dele e o meu amor pelo pequeno apenas aumentava.
Iniciei a faculdade depois de alguns dias e, quando não estava na clínica, Gabby me representava com êxito.
A notícia do namoro não foi muito bem recebida pelo tio Alberto, ele dizia que um homem de trinta anos com uma menina de vinte dois, só podia estar querendo uma coisa. Aquilo. Nathan ganhou sua confiança depois de uma conversa longa e Arthur conquistou todos logo de cara, fazendo a marra do meu tio passar rapidamente quando pegou o pequeno no colo.
Tínhamos um mês de namoro e todos os dias o Nathan me buscava na faculdade para almoçarmos juntos na fazenda, me levando depois para a clínica enquanto ele ia para a empresa.
Desci as escadas da saída principal da faculdade e logo avistei os dois homens da minha vida encostados no carro, Nathan com seu habitual terno e Arthur com uma roupa casual e óculos escuros, o que me fez sorrir.
Ele era o meu homenzinho.
Arthur correu ao meu encontro, me fazendo ajoelhar para receber um abraço apertado dele.
— Estava com tanta saudade, meu pequeno.
— Saudades, mamãe.
A primeira vez em que ele me chamou de mãe, fiquei assustada, não gostaria de roubar o lugar da antiga esposa do Nathan, mas a situação era totalmente inevitável, pois ele me considerava como a mãe dele e ele era como o meu filho.
— Oi, meu amor. — Disse Nathan, me dando um selinho assim que levantei com o Arthur no meu colo.
— Oi, amor.
Caminhamos até o carro de mãos dadas e coloquei Arthur na cadeirinha, cumprimentei o Mart e logo estávamos a caminho da fazenda.
Encostei a cabeça no ombro do Nathan, enquanto via Arthur assistindo seus desenhos e fechei os olhos.
— Está cansada? — Perguntou ele.
— Muito, mas tenho que ir até a clínica ainda. Tenho uma paciente que se encontra no último estágio da doença e quero muito ajudá-la.
— Não se esqueça do nosso jantar.
— Vou estar pronta na hora combinada, não se preocupe. E para que tanto misterioso por um simples jantar?
— Sou um homem misterioso, minha pequena.
— Pode me dizer o motivo do jantar?
— Preciso de motivos para querer jantar com a minha namorada em um jantar especial preparado pela minha mãe?
Me afastei do seu ombro e olhei para ele por um tempo.
— Oh, meu Deus! O que você está aprontando? Se a sua mãe está no meio, tenho medo de descobrir.
Ele soltou uma gargalhada e falou:
— Desculpa, pequena, mas terá que esperar até escurecer.
Olhei-o por um tempo e sabia que ele estava apontando algo e não importava o que eu fizesse ou falasse, ele nunca me diria. Então, bufei desanimada e encostei novamente minha cabeça em seu ombro, recebendo um beijo no topo da minha cabeça e fechei os olhos novamente.
Algo me dizia que a noite seria inesquecível.