A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 21
Bruna Watts
— O que você quer que eu faça? — Perguntou Melissa, do outro lado da linha.
— Me ajudar, né? Geralmente, irmãs fazem isso.
— Já falei o que deve fazer.
— Melissa Crawford, aconselhar a me jogar nos braços dele e gemer loucamente, não ajuda muito. — Bufei.
— Então, não sei o que deve fazer porque ainda não entendo o motivo de não se jogar ao sentimento e ver o que acontece.
— Meu Deus, Mel! Ele é viúvo. A mulher dele nem esfriou no caixão e você quer que eu me declare para ele? Isso é loucura! — Falei, deitando na cama.
— Loucura é você estar gostando de alguém pela primeira vez e querer fugir desse sentimento.
— Olha, temos um impasse.
— Porque você é teimosa e você sabe que estou certa.
— Hum. — Murmurei, sabendo realmente que ela estava certa, mas negando até o final.
— Eu vou sentir orgulho em dizer: “eu te disse”.
— Me disse o quê, louca?
— Você sabe exatamente do que estou falando.
— Ok, Mel. — Disse, já sem paciência. Aquela conversa não estava me ajudando em nada. — Tenho que desligar.
— Vai seguir o meu conselho?
— Lógico que não.
— Chata!
— Eu também te amo muito, Mel.
— É, eu sei. O sentimento é recíproco.
— Prometo ligar amanhã.
— Vou esperar, agora tenho que ir para a faculdade, porque graças a sua paixonite, fiquei o dia todo atendendo telefonemas de jornalistas chatos.
— Eu acho é pouco e eu não tenho uma paixonite, Melissa.
— Sei... Beijos, pequena.
— Beijos, Mel. — Desliguei a ligação e fiquei olhando a tela do celular por um tempo.
Evitar Nathan o dia todo não adiantou muita coisa e sinceramente sentia que ele não queria ser ignorado e, no fundo, eu também não queria ignorá-lo.
Anoiteceu rápido e dei graças a Deus pelo ''turno'' do Nathan ter chegando, não que eu não quisesse ficar com Arthur, mas era praticamente impossível me controlar ao lado dele.
Então, assim que escureceu, subi para o meu quarto e continuei por lá por quase cinco horas. Três banhos, duas ligações para Melissa, um livro lido, uma revista lida e relida e uma barra de chocolate pela metade. Tudo isso para quê? Para nada, pois ele continuava em meus pensamentos.
Sinceramente, estava confusa, não sabia o que ele sentia por mim, não sabia o que sentia por ele... Era tudo novidade para mim. Talvez Melissa tivesse razão e eu precisasse me entregar e ver o que o destino tinha para nós dois.
Saí dos meus pensamentos quando escutei batidas na porta.
— Entre. — Disse, me arrumando na cama.
— Está tudo bem, Srta. Watts? — Perguntou Cloe, colocando apenas a cabeça para dentro do quarto.
— Sim, Sra. Brown.
— Não desceu para o jantar, fiquei preocupada.
— Não estava com fome. Estou muito preocupada
— Com o seu pai?
— É. — Não deixava de ser uma verdade, pensei. — Ele não tem melhorado e tenho medo de que o pior aconteça.
— Não se preocupe, tudo dará certo. — Disse ela, entrando no quarto e se aproximando da minha cama. — Sua preocupação é apenas com o seu pai? — Perguntou, levantando uma das sobrancelhas.
— S...sim, por quê?
— Nada, não vim aqui apenas para ver como você estava. Eu vim para agradecer. — Disse, sentando na cama e pegando a minha mão, segurando forte com suas duas mãos.
— Agradecer?
— Quero te agradecer por cuidar dele, sei que pode ser difícil e complicado as vezes, mas vale a pena. Ele é um ser humano incrível! Muito obrigada por cuidar dele, menina. — Disse, me puxando para um abraço forte, logo ela me soltou, enxugou as lágrimas e saiu do meu quarto.
Ela chorou e agradeceu por eu estar cuidado do seu neto? Arthur não era complicado, nem uma criança difícil. Era até fácil demais de cuidar de um bebê tão incrível. Não entendi nada do que ela quis dizer. E essa mania dessa família de me deixar sozinha sem saber o que fazer?
Deitei e fechei os olhos, tentando entender o que aconteceu.
Cloe nunca demonstrou algum sentindo ou afeto por mim e acabou chorou na minha frente, me fazendo ver um lado dela que eu desconhecia. Descobri que preferia o seu lado sensível, depois de perceber que toda aquela marra era apenas para proteger o neto.
Eu já havia tentado todas as posições recomendáveis para se ter uma ótima noite de sono, mas nada adiantou. A cama parecia ter alfinetes. Era impossível dormir assim. Bufei, chutei as cobertas e levantei da cama.
O corredor estava vazio e silencioso, desci as escadas, atravessei a sala de TV, sala de jantar e entrei na cozinha, encontrando Nathan que estava segurando o filho que chorava baixinho. Arthur estava com a cabeça deitada no ombro do pai, mas seu corpinho estava agitado.
Me aproximei devagar, toquei nas costas dele, fazendo-o se virar e olhar pra mim.
— Está tudo bem? — Perguntei, alisando as costas do Arthur.
— Ele está meio agitado, talvez seja cólica. — Respondeu Nathan, com a voz cansada.
— Acho que não... Posso pegá-lo um pouquinho? Talvez ele se acalme no meu colo.
Ele assentiu e me entregou o filho que ainda resmungava.
— Boa sorte! — Falou, colocando a fralda de pano no meu outro ombro.
Caminhei um pouquinho pela cozinha e comecei a cantarolar a música que meu pai sempre cantava para mim.
Depois de alguns minutos, não ouvi seus resmungos, não ouvi mais nada. Olhei para Nathan e lhe lancei um sorriso vitorioso. Ele estava apoiado na pia com os braços cruzados, levantou uma das sobrancelhas e veio até mim, olhou para o filho que dormia nos meus braços e soltou um suspiro de indignação.
— Como fez isso? — Perguntou, duvidoso.
— Acho que ele estava com saudades apenas.
— Traidor. — Murmurou baixinho para o filho
— Não o culpe por me escolher.
— Não o culpo, eu também escolheria você.
— Vou colocá-lo no berço. — Disse, já me afastando.
Verifiquei a falda para ter certeza de que estava seca, antes de colar Arthur no berço com cuidado, passei a mão em sua barriga e arrumei sua roupinha. Liguei a babá eletrônica e me afastei. Olhei para Nathan, próximo a porta.
— Se ele acordar e estiver enjoadinho, pode me chamar.
— Irá me ajudar? — Perguntou ele.
— Claro!
— Obrigado, Bruna! — Disse, se aproximando do berço do filho que dormia serenamente.
— Não precisa agradecer. Eu amo esse pequeno e vê-lo chorar faz o meu peito doer. Arthur é um bebê maravilhoso! Ele me conquistou, eu faria tudo por ele.
— É muito bom ouvir isso. — Disse ele, olhando novamente para o filho.
— Se precisar de mim, é só me chamar. — Disse, saindo do quarto.
— Bruna? — Me virei e me surpreendi por ele estar tão perto de mim, perto até demais. — Eu preciso de você. — Ele colocou as duas mãos em meu rosto, alisando o mesmo com os polegares. — Eu juro que tentei, mas eu realmente preciso de você. — E ele me beijou.
Seus lábios macios, juntos aos meus, formavam uma complicação perfeita. Fiquei na ponta dos pés, correspondi o beijo, afundei meus dedos em seu cabelo e dei passagem para sua língua que explorava a minha boca, com urgência e desejo.