A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 35 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 34

 

Bruna Watts

Dois anos haviam se passando, algumas coisas mudaram.

Eu mudei.

Os primeiros meses foram os piores, a saudade de casa era imensa, mas nunca fui de desistir fácil, não começaria naquele momento.

Fui atrás do meu objetivo. E consegui!

A clínica ocupava nos primeiros lugares em desenvolvimento sobre a doença e várias descobertas foram feitas.

Logo que cheguei, iniciei a faculdade de medicina, o que me fazia ter que intercalar estudo com trabalho. Nada difícil para uma menina que tem o QI avançado como o meu e já formada em um curso de técnica de enfermagem. O difícil eram os meus turnos na clínica e os trabalhos da faculdade.

Os pacientes da clínica me animavam o suficiente e me faziam sentir acolhida. Dallas era um lugar incrível e, depois de alguns meses, me acostumei facilmente.

Mantive contato com Mel sempre e, ano passado, ela veio me visitar nas férias da faculdade, me fazendo assistir a milhares de filmes terror. Quando ela foi embora, minha saudade apenas aumentou.

Recuperei a casa dos meus pais e tia Anne tem cuidado dela durante esse tempo.

Conseguia falar com Theo sempre que possível, ele realmente se tornou um irmão na minha vida e ele fazia questão de saber de tudo. Através dele, eu sabia como estavam as coisas na fazenda. Descobri que Arthur ficou doente depois que fui embora e me senti muito culpada pelo meu pequenino ter ficado mal por minha causa, mas já deveria esperar essa reação dele. Depois de alguns dias, a rotina voltou ao normal e Arthur melhorou.

Lorenna infelizmente foi assassinada em uma rebelião no presídio em que estava presa, alguns meses atrás. E a clínica ficou para sua mãe, Elizabeth, que estava reformando as instalações e me fez a proposta de ser sócia no negócio.

Então, depois de dois anos, estava novamente de malas prontas. Pedi transferência da faculdade e levarei mais cinco profissionais para a clínica. Dois médicos, uma enfermeira e duas fisioterapeutas.

Estava voltando para casa!

 

Terminei de verificar a temperatura do senhor Monterrey e entreguei seus remédios.

— Então, você está indo embora? — Perguntou, pela segunda vez.

Lhe lancei um sorriso e o respondi pacientemente.

— Sim, Sr. Monterrey, amanhã voltarei para New York.

— Não deveria estar arrumando a sua mala ou descansando em vez de cuidando de um bando de velhos solitários?

— Vocês não são velhos solitários, amo o meu trabalho e minhas malas já estão prontas. Além do mais, eu não iria embora sem me despedir do senhor.

— Bobagem, sou apenas um velho.

— Deixe de histórias, acha que eu não sei o que está rolando entre o senhor e a senhora do quarto ao lado? Qual é o nome dela mesmo? Telma?

— Thereza. — Me corrigiu.

— Excelente memória, Sr. Monterrey!

— Não estaria aqui se tivesse uma boa memória.

Fiquei quieta enquanto ele mexia na sua gelatina. Ele me lembrava o meu pai, o sorriso dele era algo revigorante e infelizmente ele estava no início da Alzheimer. Ele olhou para mim e me lançou um sorriso sincero.

— Então, você está indo embora? — Perguntou novamente, me fazendo sorrir.

 

— Parabéns! — Gritou Gabby, pulando na minha frente.

— Pelo o quê?

— Não se faça de desentendida, Bruna. Fiquei sabendo do pedido que o Laird fez ontem.

Gabby havia se tornado uma grande amiga depois que me mudei para Dallas. Sempre pegávamos o mesmo turno, o que me fez escolhê-la para ir comigo até New York, como enfermeira da minha clínica.

E Laird? Bom. no momento, ele era o meu namorado.

— Ah, isso?! — Falei.

— Isso? Me fala como foi? Rosas, vinho, chocolate, música romântica e uma louca noite de amor?

— O quê? — Perguntei, olhando-a com surpresa — Não. Sim e não... Não tivemos uma noite de amor. Temos menos de vinte e quatro horas de namoro e já está querendo que eu durma com ele?

— Você não será para sempre virgem, Bruna, e ele parece ser o homem perfeito.

— Quem teria que escolher isso não seria eu? E, sinceramente, não vejo problemas em ser... — Me aproximei dela e sussurrei: — Você sabe.

— Virgem?

— Isso.

— Não tem nada demais em ser virgem, o problema é ser virgem aos vinte e dois anos.

— Sério que isso é um problema? — Perguntei, olhando-a.

— Não se quiser ser uma freira.

— Isso é ridículo! Vamos mudar de assunto.

— Sim, vamos falar sobre o pedido. — Disse animada.

— Foi... fofinho. — Disse me servindo de uma xícara de café.

— Você é muito sem graça, quero detalhes.

— Bom... — Tomei um gole do meu café quente. — Ele me levou para jantar entre rosas, música romântica, vinho e morangos. Ele me levou ao cinema onde ele passou no telão algumas fotos e fez o pedido.

— Oh, que lindo! Você fisgou o médico gato da clínica.

— É... Acho que sou uma menina de sorte.

— Sim, você é. E o que você faz? Nada. Cadê a animação?

— Não vejo motivo para estar animada.

— Eu veria se estivesse no seu lugar, qualquer uma ficaria.

— Só estou pensando, ok? Quando chegarmos a New York, vou comemorar... Depois da festa beneficente da clínica.

— Ok! Não vejo a hora de estar na grande New York. Oh, meu Deus! Vamos morar juntas.

— Posso me arrepender disso.

— Tarde demais. — Ela beijou a minha bochecha e saiu correndo quando Laird entrou com um sorriso.

— Tem alguém mais animada que você para a viagem. — Disse ele, sorrindo.

— Sim, ela está animada e você?

— Claro! Pacientes novos, cidade nova e, o melhor de tudo, você. — Disse ele, se aproximado, me puxando pela cintura e me dando um beijo rápido. — Não vejo a hora de estar lá.

— Eu também.

 

Verifiquei novamente o meu cinto e se tudo estava certo.

— Está tudo bem? — Perguntou Laird, mas não o respondi, continuei minha verificação e o ignorei. — Bruna, você já viajou de avião?

Bufei e falei:

— Claro, vim de avião até aqui.

— E depois disso?

— Não. — Falei já estressada.

— Calma, meu bem, o voo não é longo.

— Estou apenas nervosa.

— Calma, vamos voltar para sua cidade Natal, deveria estar animada, não nervosa.

— Vou ficar animada quando sair desse avião.

Ele sorriu, deu um beijo em minha bochecha e arrumou seu próprio cinto.

As borboletas no meu estômago estavam me deixando louca, não sentia essa sensação há anos e, sinceramente, não sentia que fosse por Laird e sim por estar voltando para New York. Tinha a

sensação de que muitas coisas aconteceriam.