A Era dos Impérios 1875-1914

Eric J. Hobsbawm · Capítulo 19 de 51

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A Era dos Impérios 1875-1914

Capítulo 4

 

Não é possível e sequer necessário exam inar aqui o pleno alcance das variações geográficas, ideológicas, nacionais, regionais e outras, reais ou potenciais, referentes ao tem a geral da form ação das classes operárias de 1870-1914 com o grupos sociais conscientes e organizados. Evidentem ente, este ainda não era o caso em algum a m edida expressiva para aquela parte da hum anidade cuj a pele era de m atiz diferente (com o na Índia e naturalm ente no Japão), m esm o quando seu desenvolvim ento industrial j á era inegável. Esse avanço da organização de classe não era cronologicam ente uniform e. Acelerou-se, porém , no decorrer de dois curtos períodos. O prim eiro grande avanço ocorreu entre o final da década de 1880 e os prim eiros anos de 1890, m arcadas, am bas, pela reinstituição de um a Internacional dos Trabalhadores (a "Segunda", para a distinguir da Internacional de Marx de 1864-1872) e por aquele sím bolo da confiança e da esperança da classe operária, o Prim eiro de Maio. Foram esses os anos em que os socialistas prim eiro apareceram em núm eros significativos nos parlam entos de diversos países, enquanto na Alem anha, onde seu partido j á era forte, o poder do SPD m ais que dobrou entre 1887 e 1893 (de 10,1 a 23,3%). O segundo período im portante de avanço aconteceu aproxim adam ente entre a Revolução Russa de 1905 — que m uito o influenciou, especialm ente na Europa central — e 1914. O m aciço avanço eleitoral dos partidos socialistas e operários era agora auxiliado pela difusão do sufrágio dem ocratizado, que lhe perm itia ser eficazm ente registrado. Ao m esm o tem po, ondas de agitação operária produziam um avanço ainda m aior na força do sindicalism o organizado. Em bora os porm enores variassem enorm em ente com as circunstâncias nacionais, essas duas ondas de rápido avanço operário podem ser encontradas de um ou de outro m odo, em quase toda parte.

Contudo, a form ação da consciência de classe dos trabalhadores não pode ser identificada, sim plesm ente, com o crescim ento dos m ovim entos operários organizados, em bora haj a exem plos, particularm ente na Europa central e em algum as zonas industriais especializadas, nas quais a identificação dos operários com seu partido ou m ovim ento era quase total. Assim , um analista de eleições num distrito eleitoral da Alem anha central (Naum burg-Merseburg) ficou surpreso pelo fato de que apenas 88% dos operários tivessem votado no SPD: evidentem ente, presum ia que, nesse lugar, a equação "operário = social-dem ocrata" fosse a regra. Este caso, porém , não era típico nem m esm o com um . O que se tornava cada vez m ais com um , quer os operários se identificassem ou não com "seu" partido, era a identificação apolítica de classe, ou a consciência de pertencerem a um m undo separado de operários, que incluía, m as ia m uito além do "partido de classe". Pois tal consciência era baseada num a experiência de vida à parte, um m odo e um estilo de vida separados que em ergiam , não obstante as variações regionais de costum es e idiom a, em form as partilhadas de atividade social (por exem plo, existem versões de esportes especificam ente identificados com os proletários com o classe, tais com o as associações de futebol, na Inglaterra, que datam da década de 1880), ou m esm o m odos de vestir novos e específicos de classe, com o o proverbial boné operário de viseira.

Ainda assim , sem o surgim ento sim ultâneo do "m ovim ento", m esm o as expressões não-políticas da consciência de classe não haveriam sido com pletas nem m esm o plenam ente concebíveis: pois foi por m eio do m ovim ento que "as classes trabalhadoras", no plural, fundiram -se com a "classe operária", no singular. Os m ovim entos, por sua vez, à proporção que se tornavam m ovim entos de m assas, eram im buídos da desconfiança não política, m as instintiva, dos trabalhadores em relação a todos os que não tinham m ãos suj as pelo trabalho. Esse difuso ouvrierisme, com o o cham avam os franceses, refletia a realidade dos partidos de m assas, um a vez que estes, ao contrário das pequenas organizações ilegais, eram preponderantem ente com postos de trabalhadores m anuais. Os 61 m il m em bros do Partido Social-Dem ocrata, em Ham burgo, em 1911-1912, incluíam apenas 36 "escritores e j ornalistas" e dois m em bros das profissões m ais prestigiosas. Na realidade, apenas 5% de seus m em bros eram não-proletários, e destes, m etade consistia de estalaj adeiros. Mas essa desconfiança em relação a não-trabalhadores não excluía a adm iração por grandes m estres oriundos de classe diferente, com o o próprio Karl Marx, nem por um punhado de socialistas de origem burguesa, pais-fundadores, líderes nacionais e oradores (duas funções não raro difíceis de distinguir) ou "teóricos". E na verdade, em sua prim eira geração, os partidos socialistas atraíram adm iráveis figuras da classe m édia, hom ens talentosos m erecedores de adm iração: Victor Adler, na Áustria (1852-1918); Jaurès, na França (1859-1914); Turati, na Itália (1857-1932); Branting, na Suécia (1860-1925).

O que era, pois, esse "m ovim ento" que em casos extrem os poderia finalm ente vir a coincidir com a classe? Em toda parte ele incluía a m ais básica e universal organização de trabalhadores: o sindicato, em bora sob form as diferentes e com força variável. Tam bém incluía, com freqüência, as cooperativas, principalm ente sob a form a de loj as para operários, ocasionalm ente (com o na

Bélgica) com o instituições centrais do m ovim ento[g]. Em países onde existiam partidos socialistas de m assas, eles incluiriam , m ais cedo ou m ais tarde, todas as associações em que participassem os operários, desde o berço à sepultura — ou, m ais exatam ente, dado seu anticlericalism o — ao crem atório, preferido pelos "avançados" por ser m ais apropriado à época das ciências e do progresso. As associações poderiam variar, desde os 200 m il m em bros da Federação Alem ã de Corais Operários, de 1914, e dos 13 m il m em bros do Clube dos Ciclistas Operários "Solidariedade", de 1910, até os Operários Colecionadores de Selos e os Operários Criadores de Coelhos, cuj os vestígios encontram -se ainda, vez por outra, nas estalagens dos subúrbios de Viena. Mas, em sua essência, todos eles subordinavam -se, ou faziam parte, ou pelo m enos ligavam -se intim am ente à sua expressão essencial, o partido político, quase sem pre cham ado Socialista (Social-Dem ocrata) e/ou m ais sim plesm ente, dos "Trabalhadores" ou "Trabalhista". Movim entos operários que carecessem de partidos de classe organizados ou que se opusessem à política, em bora pudessem representar a velha estirpe de esquerda, da ideologia utópica ou anarquista, eram quase invariavelm ente fracos. Representavam quadros itinerantes de m ilitantes isolados, de evangelistas, de agitadores, de potenciais líderes de greves, m as não estruturas de m assas. Exceto no m undo ibérico, sem pre defasado em relação aos dem ais desenvolvim entos europeus, o anarquism o j am ais foi ideologia m aj oritária em parte nenhum a da Europa, nem m esm o de m ovim entos operários fracos. Salvo nos países latinos e, conform e revelou a Revolução de 1917, na Rússia, o anarquism o era politicam ente sem im portância.

A grande m aioria desses partidos operários, sendo a Austrália a exceção m ais im portante, anteviam m udanças fundam entais na sociedade e, conseqüentem ente, davam a si próprios o nom e de "socialistas", ou j ulgava-se que estivessem propensos a isso, com o o Partido Trabalhista inglês. Antes de 1914, queriam m anter m uita distância da política da classe dom inante e m ais ainda do governo, até o dia em que o próprio m ovim ento form asse um governo seu e, presum ivelm ente, iniciasse a grande transform ação. Líderes trabalhistas que se haviam deixado tentar por com prom issos com partidos da classe m édia e com os governos eram execrados, salvo quando guardavam silêncio com pleto, com o no caso de J. R. MacDonald sobre os arranj os eleitorais com os liberais, que pela prim eira vez deram ao Partido Trabalhista inglês um a expressiva representação parlam entar, em 1906. (Por m otivos com preensíveis, a atitude dos partidos para com o governo local era bem m ais positiva.) Talvez a razão principal pela qual tantos partidos com o esse hastearam a bandeira verm elha de Karl Marx tenha sido porque ele, m ais que qualquer outro teórico de esquerda, lhes tenha dito três coisas que pareciam igualm ente plausíveis e anim adoras: que nenhum m elhoram ento previsível, dentro do atual sistem a, m udaria a situação básica dos trabalhadores com o tais (a sua "exploração"); que a natureza do desenvolvim ento capitalista, que ele longam ente analisara, tornava a derrubada da presente sociedade e sua substituição por outra, nova e m elhor, bastante incerta; e que a classe operária, organizada em partidos de classe, seria a criadora e a herdeira de um glorioso futuro. Desse m odo, Marx oferecia aos operários um a certeza, análoga àquela anteriorm ente oferecida pela religião, de que a ciência dem onstrava a inevitabilidade histórica de seu futuro triunfo. No que se refere a isso, o m arxism o era tão eficaz que, m esm o os que se opunham a Marx, dentro do m ovim ento, adotavam em larga m edida sua análise do capitalism o.

Assim , tanto os oradores com o os ideólogos desses partidos quanto seus adversários tinham geralm ente com o certo que queriam um a revolução social e que suas atividades subentendiam essa revolução. Todavia, o que exatam ente significaria essa frase, a não ser que a m udança do capitalism o para o socialism o, de um a sociedade baseada na propriedade privada e na iniciativa, para outra, baseada na "propriedade com um dos m eios de produção, distribuição e troca" revolucionaria de fato a vida — em bora a exata natureza e o conteúdo do futuro socialista fossem surpreendentem ente m uito pouco discutidos e perm anecessem im precisos — exceto para afirm ar que o m au de agora seria bom , então. A natureza da revolução foi a questão dom inante dos debates sobre política proletária durante todo o período.

O que estava em discussão não era a fé num a total transform ação da sociedade, m esm o estando m uitos líderes e m ilitantes dem asiado absorvidos nas lutas im ediatas para interessar-se por um futuro rem oto. Era antes o fato de, seguindo um a tradição de esquerda que rem ontava para além de Marx e Bakunin, a 1789 ou m esm o a 1776, as revoluções esperarem realizar m udanças sociais fundam entais por m eio de um a súbita, violenta e insurrecional transferência do poder. Ou, em sentido m ais geral e m ilenarista, que a grande m udança, cuj a inevitabilidade havia sido estabelecida, devia ser m ais im inente do que no m om ento aparentava ser no m undo industrial, ou m esm o do que parecera, durante a depressão e o descontentam ento da década de 1880, ou durante os surtos de esperança do início de 1890. Mesm o o veterano Engels — ao lançar um olhar retrospectivo à Era das Revoluções, durante a qual era de esperar que se erguessem barricadas m ais ou m enos a cada vinte anos e na qual ele realm ente tom ara parte em cam panhas revolucionárias, de arm a na m ão — advertiu que os dias de 1848 pertenciam , irreversivelm ente, ao passado. Com o vim os, desde m eados da década de 1890 a idéia do im inente colapso do capitalism o parecia absolutam ente im plausível. Que restava, pois, aos exércitos do proletariado, m obilizados aos m ilhões sob a bandeira verm elha?

Algum as vezes, à direita do m ovim ento, recom endavam alguns que todos se concentrassem nas m elhorias e reform as im ediatas que a classe operária conseguisse do governo e dos em pregadores, deixando que o futuro rem oto cuidasse de si próprio. A revolta e a insurreição, em todo caso, não estavam na agenda. Mesm o assim , raros líderes operários nascidos após 1860 abandonaram a idéia da Nova Jerusalém . Eduard Bernstein (1850-1932), intelectual socialista form ado pelos próprios esforços, que por im prudência sugeriu não apenas que fossem revistas as teorias de Karl Marx à luz do florescente capitalism o ("revisionism o"), m as tam bém que o alm ej ado obj etivo do socialism o era m enos im portante que as reform as a serem ganhas no cam inho, foi m aciçam ente condenado por políticos operários, cuj o interesse em derrubar o capitalism o era não raro extrem am ente débil. A crença de que a sociedade atual era intolerável fazia sentido para a gente da classe operária, m esm o quando, conform e notara um observador de um congresso socialista alem ão na década de 1900, seus m ilitantes "m antinham -se um pão ou dois à frente do capitalism o". Era o ideal de um a nova sociedade que infundia esperanças à classe operária.

Não obstante, com o havia a nova sociedade de ser instaurada, num a época em que o colapso do velho sistem a parecia o contrário de im inente? A constrangida descrição de Kautsky do grande Partido Social Dem ocrata alem ão com o um partido que "em bora revolucionário não faz revolução", é um resum o do problem a. Seria suficiente m anter, com o fazia o SPD, um com prom isso teórico com nada m enos que a revolução social, um a posição de oposição intransigente, só para m edir periodicam ente a ascensão das forças do m ovim ento nas eleições, confiando nas forças obj etivas do desenvolvim ento histórico, para produzir seu inevitável triunfo? Não, se isto significasse, com o acontecia na prática com dem asiada freqüência, que o m ovim ento havia se adaptado a operar dentro do quadro de referências do sistem a que não conseguia derrubar. Esta fachada de intransigência, segundo a opinião de m uitos radicais e m ilitantes, ocultava um a acom odação com a passividade, um a recusa de dar ordem de ação aos exércitos m obilizados do trabalho e à supressão das lutas que espontaneam ente recresciam entre as m assas, tudo isso em nom e da m iserável disciplina organizacional.

O que a díspar, m as após 1905 crescente, esquerda radical rej eitava — com seus rebeldes, seus m ilitantes sindicalistas de base, seus intelectuais dissidentes e seus revolucionários — eram os partidos proletários de m assas, em sua opinião inevitavelm ente reform istas e burocratizados, em virtude de estarem engaj ados em certos tipos de ação política. Os argum entos contra eles eram m uito sem elhantes, quer os da predom inante ortodoxia m arxista, com o habitualm ente era o caso no continente, ou os dos antim arxistas à m oda fabiana, com o na Inglaterra. A esquerda radical preferia, em vez disso, confiar na ação direta proletária, que contornava o perigoso pântano da política e culm inava, idealm ente, em algo parecido com um a greve geral revolucionária. O "sindicalism o revolucionário", que prosperara na década anterior a 1914, sugere, com o o próprio nom e indica, um casam ento entre revolucionários sociais extrem ados e a m ilitância sindicalista descentralizada, associada em variáveis graus às idéias anarquistas. Floresceu, fora da Espanha, principalm ente com o ideologia de algum as centenas ou de m ilhares de m ilitantes sindicalistas proletários e de um punhado de intelectuais, durante a segunda fase do crescim ento e da radicalização do m ovim ento, que coincidiu com um a considerável e internacionalm ente difundida inquietação operária, e com m uita incerteza nos partidos socialistas, sobre o que exatam ente poderiam ou deveriam estar fazendo.

Entre 1905 e 1914, o típico revolucionário ocidental era provavelm ente um a espécie de sindicalista revolucionário que, paradoxalm ente, rej eitava o m arxism o com o ideologia de partidos que faziam uso dele com o escusa para não tentar fazer revolução. Isto era um tanto inj usto para com o espírito de Marx, visto que o im pressionante, em relação aos partidos proletários de m assa do Ocidente que hasteavam sua bandeira em seus m astros, era a real m odéstia do papel neles desem penhado por Marx. As crenças básicas dos líderes e m ilitantes desses partidos eram freqüentem ente im possíveis de ser distinguidas da esquerda não-m arxista radical operária ou j acobina. Todos eles acreditavam , de igual m odo, na luta da razão contra a ignorância e a superstição (isto é, o clericalism o); na luta do progresso contra o som brio passado; na ciência, na educação, na dem ocracia e na trindade secular Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Mesm o na Alem anha, onde quase um em três cidadãos votava no Partido Social Dem ocrata que se declarara form alm ente m arxista em 1891, o Manifesto Comunista, antes de 1905, era publicado em edições de apenas 2 m il a 3 m il exem plares, e a obra ideológica m ais popular nas bibliotecas operárias era aquela, cuj o título se explica a si m esm o: Darwin versus Moisés. Na verdade, havia escassez m esm o de intelectuais m arxistas nativos. Os principais "teóricos" da Alem anha eram im portados do Im pério Habsburgo, com o Kautsky e Hilferding, ou do Im pério do czar, com o Parvus e Rosa Luxem burgo. A oriente de Praga e Viena havia abundante provisão de m arxism o e de intelectuais m arxistas. Nessas regiões, o m arxism o reteve seu im pulso revolucionário intacto, e o liam e entre m arxism o e revolução continuava m anifesto, ao m enos porque as perspectivas revolucionárias eram im ediatas e reais.

Nesse ponto, realm ente, estava a chave do padrão dos m ovim entos operários e socialistas, com o a de m uitas outras coisas na história dos cinqüenta anos precedentes a 1914. Esses m ovim entos surgiram nos países da revolução dual e na própria zona da Europa ocidental e central na qual toda pessoa politizada referia-se à m aior das revoluções do passado, a da França, de 1789; e onde todo habitante das cidades que houvesse nascido no m esm o ano de Waterloo, no decurso de sessenta anos de vida haveria, provavelm ente, passado pelo m enos por duas, ou talvez três revoluções, em prim eira ou segunda m ão. O m ovim ento operário e socialista via em si m esm o a continuação linear dessa tradição. Os social-dem ocratas austríacos com em oravam o Dia de Março (aniversário das vítim as da revolução de Viena, de 1848) antes de com em orarem o novo Prim eiro de Maio. Todavia, a revolução social retirava-se rapidam ente de sua prim itiva zona de incubação. E sob certos aspectos o surgim ento dos partidos de classe, m aciços, organizados e, acim a de tudo, disciplinados, acelerou essa retirada. Os com ícios de m assas organizados, as cuidadosam ente planej adas m anifestações ou passeatas de m assas, as cam panhas eleitorais antes substituíram que prepararam tum ultos e insurreições. A súbita onda de partidos "verm elhos" nos países avançados da sociedade burguesa era realm ente um fenôm eno preocupante para os que os governavam ; m as, entre estes, poucos realm ente esperavam ver um a guilhotina erguida em suas capitais. Reconheciam esses partidos com o entidades de oposição radical dentro de um sistem a que não obstante oferecia espaço para m elhorias e para a conciliação. Essas sociedades não eram , ou não eram ainda, ou não eram m ais, daquelas em que m uito sangue corria, a despeito da retórica que afirm ava o contrário.

O que m antinha os novos partidos com prom etidos com a com pleta revolução da sociedade, pelo m enos teoricam ente, e as m assas de trabalhadores com uns com prom etidos com esses partidos, não era decerto a incapacidade de o capitalism o lhes oferecer m elhorias. Era o fato de, até-onde a m aioria dos trabalhadores que esperavam m elhorias podia j ulgar, todos os aperfeiçoam entos expressivos provinham , em prim eiro lugar, da ação e da organização deles próprios, com o classe. Na verdade, sob certos aspectos, a decisão de preferir o cam inho dos m elhoram entos coletivos excluía as dem ais opções. Nas regiões da Itália em que os trabalhadores pobres e sem terra se organizaram em sindicatos e cooperativas, eles não escolheram a alternativa da em igração em m assa. Quanto m ais vigoroso era o senso da com unidade e da solidariedade da classe trabalhadora, tanto m ais fortes as pressões sociais no sentido que se m antivessem dentro dela, em bora isso não excluísse — especialm ente no caso de grupos com o o dos m ineiros — a am bição de proporcionar aos filhos a escolaridade que os afastaria das m inas. O que havia, subj acente às convicções socialistas dos m ilitantes da classe trabalhadora e à aprovação das m assas era, m ais que qualquer outra coisa, o m undo segregado im posto ao novo proletariado. Se neles havia esperança — e seus m em bros organizados eram realm ente altivos e esperançosos — era porque eles tinham esperanças no m ovim ento. Se o "sonho am ericano" era individualista, o do operário europeu era predom inantem ente coletivo.