A Era dos Impérios 1875-1914
Prefácio
Em bora escrito por um historiador profissional, este livro não se dirige a outros acadêm icos, m as a todos que desej am entender o m undo e que acreditam na im portância da história para tanto. Seu obj etivo não é contar aos leitores exatam ente o que aconteceu no m undo ao longo dos quarenta anos que precederam a Prim eira Guerra Mundial, em bora eu espere que lhes dê um a idéia do período. Se quiserem descobrir m ais, basta consultar, com facilidade, um a vasta — e, em geral, excelente — bibliografia, em sua grande m aioria, facilm ente acessível em língua inglesa a qualquer pessoa que se interessar por história. Um a parte dela foi relacionada no guia de bibliografia com plem entar.
O que tentei fazer neste volum e, bem com o nos dois que o precederam (A Era das Revoluções 1789-1848 e A Era do Capital 1848-1875), foi entender e explicar o século XIX e seu lugar na história, entender e explicar um m undo em processo de transform ação revolucionária, localizar as raízes de nosso presente no solo do passado e, talvez sobretudo, ver o passado com o um todo coerente e não (com o a especialização histórica tantas vezes nos força a vê-lo) com o um a m ontagem de tópicos isolados: a história de diferentes Estados, da política, da econom ia, da cultura ou outros. Desde que com ecei a m e interessar por história, sem pre quis saber com o se articulam todos esses aspectos da vida passada (ou presente) e por quê.
Assim , este livro não é (a não ser eventualm ente) um relato ou exposição sistem ática, e ainda m enos um a dem onstração de erudição. A m elhor m aneira de lê-lo é com o o desenrolar de um a argum entação, ou antes, o delineam ento de um tem a básico através de vários capítulos. Os leitores devem j ulgar se a tentativa teve êxito, em bora eu tenha feito o m áxim o para torná-lo acessível aos que não são historiadores.
Não há com o reconhecer tudo o que devo aos inúm eros escritores cuj as obras pilhei, m esm o se m uitas vezes em desacordo com eles, e ainda m enos o que devo às idéias recolhidas ao longo dos anos, em conversas com colegas e alunos. Caso reconheçam suas próprias idéias e observações, podem ao m enos m e responsabilizar por tê-las usado, ou aos fatos, m al, o que sem dúvida fiz um a ou outra vez. Posso, contudo, reconhecer os que m e possibilitaram concentrar um a extensa preocupação com esse período num único livro. O Collège de France m e perm itiu produzir o que pode ser considerado um prim eiro esboço, sob a form a de um curso de treze palestras em 1982; agradeço a essa respeitável instituição e a Em m anuel Le Roy Ladurie, que sugeriu o convite. O Leverhulm e Trust m e concedeu um a bolsa (Emeritus Fellowship) em 1983-1985, o que m e perm itiu conseguir aj uda durante a pesquisa; a Maison dês Sciences de l'Hom m e e Clem ens Heller, de Paris, bem com o o World Institute for Developm ent Econom ics Research da Universidade das Nações Unidas e a Fundação Macdonnell m e propiciaram algum as sem anas de tranqüilidade em 1986 para term inar o texto. Dentre as pessoas que m e aj udaram na pesquisa, quero expressar m eu particular agradecim ento a Susan Haskins, Vanessa Marshall e Dra. Jenna Park. Francis Haskell leu o capítulo sobre artes, Alan Mackay os que abordam as ciências, Pat Thane o que trata da em ancipação da m ulher; e eles m e preservaram de alguns erros, m as tem o que não de todos. André Schiffrin leu o m anuscrito inteiro com o am igo e com o exem plo do não-especialista culto, a quem este livro se dirige. Durante m uitos anos dei aulas de história da Europa aos alunos do Birkbeck College, Universidade de Londres, e não sei se eu teria sido capaz de pensar a história do século XIX no contexto da história m undial sem essa experiência. Assim , este livro é dedicado a eles.