A Era dos Impérios 1875-1914
Quadros
MAPAS
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
"Viver com centavos lhe fornecerá todos os fatos", escreveu o poeta W. H. Auden sobre o tem a de suas reflexões. Hoj e é m ais difícil, m as todos os que quiserem descobrir ou relem brar os principais acontecim entos da história do século XIX devem ler este livro j unto com um dos diversos textos didáticos escolares ou universitários básicos, com o o de Gordon Craig, Europe 1815-1914, 1971, e tam bém pode ser útil consultar trabalhos de referência com o o de Neville W illia m s, Chronology of the Modern World , 1969, que traz a relação dos principais acontecim entos em várias áreas para cada ano, desde 1763. Dentre os livros didáticos que abordam o período enfocado neste livro, m erecem recom endação os prim eiros capítulos de Jam es Joll, Europe Since 1870, várias edições, e Norm an Stone, Europe Transformed 1878-1918, 1983. D. C. Watt, History of the World in the Twentieth Century , vol. I: 1890-1918, 1967, tem com o ponto forte as relações internacionais. Os trabalhos do autor deste livro — A Era das Revoluções 1789-1848 e A Era do Capital 1848-1875 — constituem a base do presente volum e, que dá prosseguim ento ao estudo do século XIX iniciado nos anteriores.
Existem atualm ente num erosos quadros m ais ou m enos im pressionistas, ou antes pontilhistas, da Europa e do m undo nas últim as décadas que antecederam 1914, dos quais o de Barbara Tuchm an, The Proud Tower , 1966, é o m ais difundido. Edward R. Tannenbaum , 1900, The Generation Before the Great War, 1976, é m enos conhecido. O que eu prefiro, em parte por ter recorrido m aciçam ente à sua erudição enciclopédica, em parte porque partilho um a tradição intelectual e um a am bição histórica com o autor, é o últim o livro de Jan Rom ein, The Watershed of Two Eras: Europe in 1900, 1976.
Há um a série de trabalhos coletivos ou enciclopédicos, ou com pêndios de referência, que abarcam tem as do período que enfocam os e m uitos outros. O im portante volum e (XII) da Cambridge Modern History não deve ser recom endado, m as os da Cambridge Economic History of Europe (vols. VI e VII) contêm estudos excelentes. A Cambridge History of the British Empire representa um estilo de história obsoleto e inútil, m as as histórias da África, da China e especialm ente da Am érica Latina m erecem sua inclusão na historiografia do final do século XX. Dentre os atlas históricos, destaca-se o Times Atlas of World History, 1978, com pilado sob a direção de um historiador original e criativo, G. Barraclough, e o Atlas of Modern History, ed. Penguin, é m uito útil. O Chambers Biographical Dictionary contém dados breves sobre um núm ero surpreendente de pessoas de todos os tem pos, até o presente, em um único volum e. O Dictionary of Statistics (ed. 1898, reim pr. 1969), de Michael Mulhall, continua indispensável para o século XIX. O com pêndio m oderno essencial, basicam ente econôm ico, é o de B. Mitchell, European Historical Statistics, 1980. Peter Flora (ed.), State, Economy and Society in Western Europe 1815-1975, 1983, contém um a m assa de inform ação sobre política institucional e adm inistrativa, educação e outros tem as. O trabalho de Jan Rom ein, The Watershed of Two Eras , não foi concebido com o um a obra de referência, m as pode ser consultado com o tal, especialm ente em questões de cultura e idéias.
Sobre um tem a de particular im portância para o período, a m elhor fonte ainda é I. Ferenczi e W. F. Wilcox (orgs.), International Migration, 2 vols., 1929-1931. No que tange a um tópico de interesse perm anente, G. McEvedy e R. Jones, An Atlas of World Population History , 1978, é oportuno. Algum as obras de referência sobre tem as m ais especializados são m encionadas sob título à parte. Quem quiser saber com o o século XIX via a si m esm o às vésperas da Prim eira Guerra Mundial deve consultar a 11ª edição da Encyclopaedia Britannica, em sua últim a edição britânica, de 1911, que, devido à sua excelência, ainda pode ser encontrada em m uitas bibliotecas de referência de qualidade.
HISTÓRIA ECONÔMICA
Com o breves introduções à história econôm ica do período, podem os citar: W. Woodruff, Impact of Western Man: A Study of Europe's Role in the World Economy 1750-1960 , 1966, e W. Ashworth, A Short History of the International Economy Since 1850, várias edições. A Cambridge Economic History of Europe, vols. VI e VII, e C. Cipolla (org.) The Fontana Economic History of Europe, vols. IV e V, partes 1 e 2, 1973-1975, são em preendim entos coletivos cuj a qualidade vai de boa a notável. O trabalho de Paul Bairoch, The Economic Development of the Third World Since 1900, 1975, supera essa classificação. Dentre os m uitos trabalhos úteis desse autor, poucos dos quais, infelizm ente, traduzidos, o P. Bairoch e M. Levy -Leboy er (orgs.), Disparities in Economic Development Since the Industrial Revolution, 1981, contém m aterial relevante. A. Milward, e S. B. Saul, The Economic Development of Continental Europe 1780-1870, 1973, e The Development of the Economies of Continental Europe 1850-1914, 1979, são m uito m ais que apenas livros didáticos universitários. Sobre o período que abordam os, citem os S. Pollard e C. Holm es (orgs.), Documents of European Economic History, vol. II: Industrial Power and National Rivalry 1870-1914, 1972. D. S. Landes, The Unbound Prometheus, várias edições, é, de longe, a m elhor e m ais instigante abordagem das questões tecnológicas. Sidney Pollard, Peaceful Conquest, 1981, integra a história da industrialização britânica à continental.
Sobre questões econôm icas im portantes do período, ver as discussões sobre o tem a B9 ("Da em presa fam iliar à adm inistração profissional") do Oitavo Congresso Internacional de História Econôm ica (Budapeste, 1982). São pertinentes: Alfred D. Chandler, The Visible Hand: The Management Revolution in American Business, 1977, e Leslie Hannah, The Rise of the Corporate Economy, 1976. Os trabalhos a seguir discutem outros tópicos im portantes para a econom ia da época: A. Maizels, Industrial Growth and World Trade, W. Arthur Lewis, Growth and Fluctuations 1870-1913, 1978, Herbert Feis, Europe, the World's Banker, reim pressão de original de 1930, e M. de Cecco, Money and Empire: The International Gold Standard 1890-1914. 1914.
SOCIEDADE
Os cam poneses eram m aioria no m undo, e T. Shanin (org.), Peasants and Peasant Societies, 1971, é um a excelente introdução ao seu m undo; do m esm o autor, The Awkward Class, 1972, aborda o cam pesinato russo; Eugene Weber, Peasants into Frenchmen, 1976, esclarece m uitos pontos relativos aos franceses; o texto de Max Weber "Capitalism and Rural Society in Germ any ", em H. Gerth e C. Wright Mills, From Max Weber, num erosas edições, pp. 363-385, é m ais am plo do que seu título sugere. A antiga pequena burguesia é discutida em G. Crossick e H. G. Haupt (org.), Shopkeepers and Master Artisans in 19th Century Europe, 1984. Hoj e em dia há um a vasta literatura sobre a classe operária, m as os trabalhos quase sem pre se restringem a um país, um a categoria ou setor de atividade. Abordando um a área m ais am pla, ao m enos em parte, tem os: Peter Stearns, Lives of Labor, 1971, Dick Geary , European Labor Protest 1848-1939, 1981, Charles, Louise e Richard Tilly, The Rebellious Century 1930-1930, 1975, e E. J. Hobsbawm , Trabalhadores, 1964 e outras edições, e Mundos do trabalho, 1984. São ainda m enos num erosos os estudos que abordam os trabalhadores no contexto de suas relações com outras classes. David Crew, Town in the Ruhr: A Social History of Bochum 1860-1914, 1979, é um deles. O estudo clássico sobre a transform ação dos cam poneses em operários é F. Znaniecki e W. I. Thom as, The Polish Peasant in Europe and America, 1984, 1ª ed em 1918.
Os estudos com parativos sobre a classe m édia ou a burguesia são ainda m enos freqüentes, em bora os estudos ou histórias nacionais sobre o tem a hoj e sej am , felizm ente, m ais com uns. O livro de Theodore Zeldin, France 1848-1945, 2 vols., 1973, contém m uito m aterial sobre esse e outros aspectos da sociedade, m as nenhum análise. Os prim eiros capítulos de R. Skidelsky, John Maynard Keynes, vol. I, 1880-1920, 1983, constitui um estudo de caso de m obilidade social, por m eio de um a com binação de acum ulação e diplom as; e vários estudos de William Rubinstein, sobretudo em Past & Present, esclarecem de m aneira m ais genérica a burguesia britânica. A m obilidade social em geral é discutida com autoridade por Hartm ut Kaelble, em, Social Mobility in the 19th and 20th Centuries: Europe and America in Comparative Perspective, 1985. O trabalho de Arno May er, The Persistence of the Old Regime, 1982, é, em boa m edida, com parativo, e contém m aterial de valor; é baseado num a tese controvertida, notadam ente sobre as relações entre as classes m édia e alta. Com o sem pre, os rom ances e peças do século XIX nos dão a m elhor im agem dos m undos da aristocracia e da burguesia. A cultura e a política com o instrução de um estrato burguês são belam ente usados na obra de Carl E. Schorske, Fin-de-Siècle Vienna, 1980.
O grande m ovim ento pela em ancipação da m ulher gerou um a boa quantidade de literatura histórica de qualidade variável, m as não há um único livro satisfatório sobre o período. Em bora sua preocupação básica e histórica não sej a o m undo desenvolvido, o livro de Ester Boserup, Women's Role in Economic Development, 1970, é im portante. A obra de Louise Tilly e Joan W. Scott, Women, Work and Family , 1978, é fundam ental; ver tam bém a seção "Sexual division of labor and industrial capitalism " na excelente revista de estudos sobre a m ulher Signs, inverno de 1981. Há um capítulo sobre a m ulher em T. Zeldin, France 1848-1945. Poucas histórias nacionais contêm um a abordagem da problem ática da m ulher. Sobre o fem inism o há um a vasta bibliografia. Richard J. Evans (que escreveu um livro sobre o m ovim ento na Alem anha) aborda o tem a do ponto de vista com parativo em The Feminists: Women's Emancipation Movements in Europe, America and Australia 1840-1920, 1977. Contudo, m uitos dos aspectos não-políticos em que a situação da m ulher m udou, norm alm ente para m elhor, e suas relações com outros m ovim entos além da esquerda da época, não foram pesquisados sistem aticam ente. Sobre as principais m udanças dem ográficas, ver D. V. Glass e E. Grebenik, "World Population, 1800-1950", em Cambridge Economic History of Europe, vol. IV, 1965, e C. Cipolla, The Economic History of World Population, 1962. Um trabalho profundo de J. Haj nal sobre as diferenças históricas entre o m odelo de casam ento da Europa ocidental e outros figura em D. V. Glass e D. E. C. Eversley (orgs.), Population in History, 1965.
Os livros de Anthony Sutcliffe, Towards the Planned City 1780-1914, 1981, e de Peter Hall, The World Cities, 1966, constituem introduções m odernas à urbanização do século XIX; o de Adna F. Weber, The Growth of Cities in the Nineteenth Century, 1897 e reim pressões recentes, é um estudo da época que conserva sua im portância.
Sobre a religião e as igrej as, o trabalho de Hugh McLeod, Religion and the People of Western Europe, 1974, é breve e lúcido. O de autoria de D. E. Sm ith, Religion and Political Development, 1970, volta-se m ais para o m undo não-europeu, em relação ao qual o trabalho de W. C. Sm ith, Islam in Modern History, 1957, em bora antigo, continua sendo im portante.
IMPÉRIO
O texto básico da época sobre o im perialism o é J. A. Hobson, Imperialism, 1902, com m uitas edições subseqüentes. No que tange ao debate sobre o tem a, ver Wolfgang Mom m sen, Theories of Imperialism, 1980, e R. Owen e B. Sutcliffe (orgs.), Studies in the Theory of Imperialism, 1972. A conquista de colônias é esclarecida no livro de Daniel Headrick, Tools of Empire: Technology and European Imperialism in the Nineteenth Century, 1981, e no m aravilhoso trabalho de V. G. Kiernan, The Lords of Human Kind, 1972, de longe o m elhor estudo das "European attitudes to the outside world in the im perial age", seu subtítulo ("Atitudes européias em relação ao m undo exterior na era im perial"). Sobre a econom ia do im perialism o, ver P. J. Cain, Economic Foundations of British Overseas Expansion 1815-1914, 1980, A. G. Hopkins, An Economic History of West Africa, 1973, e o trabalho antigo, porém valioso, de Herbert Feis, j á m encionado, bem com o J. F. Rippy, British Investments in Latin America 1822-1949, 1959. e — do lado am ericano — o estudo de Charles M. Wilson sobre a United Fruit, Empire in Green and Gold, 1947.
Sobre a visão dos que form ularam as políticas, ver J. Gallagher e R. F. Robinson, Africa and the Victorians, 1958, e D. C. M. Platt, Finance, Trade and Politics in British Foreign Policy 1815-1914, 1968. No que tange às im plicações e raízes nacionais do im perialism o, consultar Bernard Sem m el, Imperialism and Social Reform, 1960, e, para os que não lêem alem ão, H. U. Wehler, "Bism arck's Im perialism 1862-1890", em Past & Present, nº 48, 1970. Sobre alguns efeitos do im pério nos países alvo, ver Donald Denoon, Settler Capitalism, 1983, Charles Van Onselen, Studies in the Social and Economic History of the Witwatersrand 1886-1914, 2 vols., 1982 e — um ponto deixado em segundo plano — Edward Bristow, The Jewish Fight Against White Slavery, 1982. Thom as Pakenham , The Boer War, 1979, constitui um a im agem nítida da m aior das guerras im periais.
POLÍTICA
Os problem as históricos decorrentes da política popular só podem ser estudados país por país. Contudo, um pequeno núm ero de trabalhos com um a abordagem geral pode ser útil. Algum as pesquisas contem porâneas foram indicadas nas notas do capítulo 4. Dentre estas, a de Robert Michel, Political Parties, várias edições, ainda é interessante, porque se baseia num a abordagem rigorosa do tem a. O trabalho de Eugene e Pauline Anderson, Political Institutions and Social Change in Continental Europe in the Nineteenth Century, 1967, é útil no que tange ao crescim ento do aparelho do Estado; Andrew McLaren, A Short History of Electoral Systems in Western Europe, 1980, é exatam ente o que diz ser; Peter Köhler, F. Zacher e Martin Partington (orgs.), The Evolution of Social Insurance 1881-1981, 1982, infelizm ente só abarca a Alem anha, a França, a Grã-Bretanha, a Áustria e a Suíça. Em term os de dados coletados para referência sobre tem as relevantes, o trabalho m ais com pleto é, de longe, o de Peter Flora, State, Economy and Society in Western Europe, citado acim a. E. J. Hobsbawm e T. Ranger (orgs.), A invenção da tradição, 1983, trata das reações não institucionais à dem ocratização da política, especialm ente os ensaios de D. Cannadine e E. J. Hobsbawm . Hans Rogger e Eugen Weber (orgs.), The European Right: A Historical Profile, 1965, é um guia para a parte do leque político não discutida no texto, exceto, incidentalm ente, a vinculada ao nacionalism o.
Sobre a em ergência dos m ovim entos trabalhistas e socialistas, a obra padrão de referência é G. D. H. Cole, A History of Socialist Thought, em , partes 1 e 2, "The Second International", 1956. A de Jam es Joll, The Second International 1889-1914, 1974, é m ais breve; W. Guttsm an, The German Social-Democratic Party 1875-1933, 1981, é um estudo da m aior im portância sobre o "partido de m assa" clássico; Georges Haupt, Aspects of International Socialism 1889-1914, 1986, e M. Salvadori, Karl Kautsky and the Socialist Revolution, 1979, constituem boas introduções às esperanças e ideologias. J. P. Nettl, Rosa Luxemburg, 2 vol., 1967, e Isaac Deutscher, Life of Trotsky, vol. 1: The Prophet Armed, 1954, vêem o socialism o com os olhos de participantes em inentes.
Sobre o nacionalism o, os capítulos pertinentes de m eus livros A era das revoluções e A era do capital podem ser consultados. Ernest Gellner, Nations and Nationalism, 1983, é um a análise recente do fenôm eno, e Hugh Seton-Watson, Nations and States, 1977, é enciclopédico. M. Hroch, Social Preconditions of National Revival in Europe, 1985, é fundam ental. Sobre a relação entre nacionalism o e m ovim entos trabalhistas, ver m eu ensaio "What is the Workers' Country ?", e m Mundos do trabalho, 1984. Em bora aparentem ente interessem apenas os especialistas, os estudos sobre o país de Gales em D. Sm ith e H. Francis, A People and a Proletariat, 1980, são de sum a im portância.
HISTÓRIA CULTURAL E INTELECTUAL
H. Stuart Hughes, Consciousness and Society, num erosas edições, é a m ais conhecida introdução às transform ações de idéias nesse período; George Lichtheim , Europe in the Twentieth Century , 1972, em bora publicado com o um livro sobre história geral, aborda essencialm ente as questões intelectuais. Com o todos os trabalhos desse autor, é um a obra densa porém im ensam ente com pensadora. Jan Rom ein, The Watershed of Two Eras (j á citado), fornece um a quantidade infindável de m aterial. Quanto às ciências, C. C. Gillispie, On the Edge of Objectivity, 1960, que abrange um período m uito m ais extenso, é um a introdução sofisticada. O cam po é vasto dem ais para um estudo breve — C. C. Gillispie (org.), Dictionary of Scientific Biography, 16 vols., 1970-1980, e Philip P. Wiener (org.), Dictionary of the History of Ideas, 4 vols., 1973-1974, são excelentes obras de referência; W. F. By num , E. J. Browne e Roy Porter (orgs.), Dictionary of the History of Science, 1981, e o Fontana Dictionary of Modern Thought, 1977, são bons e sucintos. Sobre a física, área crucial, Ronald W. Clark, Einstein, the Life and Times, 1971, pode ser com pletado por R. McCorm m ach (org.), Historical Studies in the Physical Sciences, vol. II, 1970, no que tange à assim ilação da relatividade. O rom ance do m esm o autor Night Thoughts of a Classical Physicist, 1982, é um a boa evocação do cientista convencional m édio e, incidentalm ente, dos acadêm icos alem ães. C. Webster (org.), Biology, Medicine and Society 1840-1940, 1981, pode iniciar o leitor no m undo da genética, da eugenia, da m edicina e das dim ensões sociais da biologia.
As obras de referência sobre artes, m uito num erosas, não costum am dem onstrar m uita percepção histórica: a Encyclopedia of World Art é m uito útil para as artes visuais; no New Grove Dictionary of Music, 16 vols., 1980, nota-se dem ais que foi escrito por especialistas para outros especialistas. Os estudos gerais da Europa referentes ao período em torno de 1900 costum am conter m uito m aterial sobre as artes do período (por exem plo, Rom ein). As histórias gerais das artes se colocam com o um a questão de gosto, quando não são m eras crônicas. Arnold Hauser, The Social History of Art, 1958, é um a versão m arxista totalm ente rígida. W. Hofm ann, Turning-Points in Twentieth-century Art 1890-1917, 1969, é interessante, m as tam bém discutível. O vínculo entre William Morris e o m odernism o é destacado por N. Pevsner, Pioneers of the Modern Movement, 1936. Mark Girouard, The Victorian Country House , 1971, e Sweetness and Light: The Queen Anne Movement 1860-1900, 1977, tem com o ponto forte a vinculação entre arquitetura e estilos de vida de classe. Roger Shattuck, The Banquet Years: The Origins of the Avantgarde in France 1885 to World War One , ed. revista 1967, é instrutivo e divertido. Cam illa Gray , The Russian Experiment in Art 1863-1922, 1971 é excelente. Sobre o teatro e, na verdade, sobre a vanguarda de um dos m ais im portantes centros europeus, P. Jelavich, Munich and Theatrical Modernism, 1985. Roy Pascal, From Naturalism to Expressionism: German Literature and Society 1880-1918, 1973, deve ser recom endado.
Dentre os livros que procuram integrar as artes à sociedade contem porânea e a outros segm entos intelectuais, Rom ein e Tannenbaum , com o sem pre, devem ser consultados. Stephen Kern, The Culture of Time and Space 1880-1918, 1983, é aventuroso e instigante. O leitor deve j ulgar se é tam bém convincente.
Sobre as principais tendências nas ciências hum anas e sociais, J. A. Schum peter, History of Economic Analysis, várias edições desde 1954, é enciclopédico e pesado: apenas com o referência. Um a leitura atenta de G. Lichtheim , Marxism, 1961, é com pensadora. Os sociólogos, sem pre com tendência a refletir sobre o que é a sua disciplina, tam bém pesquisaram sua história. Os artigos no verbete "Sociology " da International Encyclopedia of the Social Sciences, 1968, vol. XV, dão um a orientação. Não é fácil fazer um levantam ento da história da historiografia em nosso período, a não ser o de Georges Iggers, New Directions in European Historiography, 1975. Entretanto, o verbete "History " da Encyclopaedia of the Social Sciences, org. por E. R. A. Seligm an, 1932 — que em m uitos pontos não foi superada pela International Encyclopedia de 1968 — dá um a boa idéia de seus debates. É de autoria de Henri Berr e Lucien Febvre.
HISTÓRIAS NACIONAIS
A bibliografia restrita à língua inglesa é adequada para países que usam essa língua, e (em boa m edida graças ao vigor dos estudos sobre o Leste da Ásia nos EUA) não é inadequada para o Extrem o Oriente, m as om ite, evidentem ente, a m aior parte dos m elhores e m ais abalizados trabalhos sobre a m aioria dos países europeus.
Um bom texto sobre a Grã-Bretanha é R. T. Shannon, The Crisis of Imperialism 1865-1915, 1974, sendo seus pontos fortes os tem as culturais e intelectuais, m as George Dangerfield, The Strange Death of Liberal England, 1ª ed. 1935, com seus cinqüenta anos de idade e seus erros na m aioria dos detalhes, ainda é a m aneira m ais instigante de com eçar a observar a história da nação nesse período. A obra de Elie Halévy, A History of the English People in the Nineteenth Century, (1895-1915), vols. IV e V, é ainda m ais velha, m as é o produto de um contem porâneo notavelm ente inteligente, erudito e observador. Para leitores que desconhecem totalm ente a história britânica, o ideal é R. K. Webb, Modern Britain from the Eighteenth Century to the Present, 1969.
Felizm ente, alguns excelentes m anuais franceses foram traduzidos. J. M. May eur e M. Reberioux, The Republic from its Origins to the Great War 1871-1914 , 1984, é a m elhor história sucinta que há; Georges Dupeaux, French Society 1789-1970, 1976, tam bém deve ser recom endado. T. Zeldin, France 1848-1945, 1973, é enciclopédico (salvo no que tange aos tem as econôm icos) e arguto; Sanford Elwitt, The Third Republic Defended: Bourgeois Reform in France 1880-1914, 1986, analisa a ideologia dos governantes da república; o notável trabalho de Eugene Weber Peasants into Frenchmen analisa um a das m aiores realizações da república.
As obras alem ãs foram m enos traduzidas, em bora felizm ente disponham os de H.-U. Wehler, The German Empire 1871-1918, 1984; pode ser utilm ente com pletado por um livro antigo de autoria de um m arxista m uito com petente de Weim ar, Arthur Rosenberg, The Birth of the German Republic, 1931. Gordon Craig, German History 1867-1945, 1981, é abrangente. Volker Berghahn, Modern Germany, Society, Economics and Politics in the Twentieth Century , 1986, oferece um panoram a m ais geral. Para aj udar a entender a política alem ã: J. J. Sheehan, German Liberalism in the Nineteenth Century, 1974, Carl Schorske, German Social Democracy 1905-1917, 1955 — antigo, porém perspicaz —, e Geoffrey Eley, Reshaping the German Right, 1980 — polêm ico.
Para a Áustria-Hungria, C. A. Macartney, The Habsburg Empire, 1968, é o relato geral que m elhor convém ; R. A. Kann. The Multinational Empire: Nationalism and National Reform in the Habsburg Monarchy 1848-1918, 2 vols., 1970, é exaustivo e, às vezes, extenuante. Para os que puderem consegui-lo, o livro de H. Wickham Steed, The Habsburg Monarchy, 1913, é o que um j ornalista talentoso e bem inform ado teria visto à época: Steed era correspondente do Times. Fin-de-siècle, de Carl Schorske, aborda tanto a política com o a cultura. Vários textos de Ivan Berend e George Ranki, dois excelentes historiadores húngaros da econom ia, relatam e analisam a Hungria em particular e a Europa centro-oriental em geral, com bons resultados.
Não há um a boa bibliografia sobre a Itália no período que nos interessa, para os que não lêem italiano. Há algum as histórias gerais, com o a de Denis Mack-Sm ith, Italy: A Modern History, 1969, autor cuj os trabalhos m ais im portantes abordam períodos anteriores e posteriores. O livro de Christopher Seton-Watson, Italy from Liberalism to Fascism 1871-1925, 1967, é m enos vivo que o velho, porém relevante, do grande filósofo Benedetto Croce, History of Italy 1871-1915, 1929, que om ite, contudo, a m aioria das coisas que não interessam a um pensador idealista e m uitas das que interessam a um historiador m oderno. Sobre a Espanha, no entanto, os leitores ingleses dispõem de duas obras gerais de destaque: a densa, porém im ensam ente com pensadora, de Ray m ond Carr, Spain 1808-1939, 1966 e a m aravilhosa, ainda que "não-científica", de Gerald Brenan, The Spanish Labyrinth, 1950. A história dos povos e Estados dos Bálcãs é tratada em vários trabalhos de J. e/ou B. Jelavich, por exem plo: Barbara Jelavich, History of the Balkans, vol. II sobre o século XX (publicado em 1983); m as não posso m e im pedir de cham ar a atenção para o de Daniel Chirot, Social Change in a Peripheral Society: The Creation of a Balkan Colony, 1976, que analisa o destino trágico do povo rom eno, e o de Milovan Dj ilas, Land Without Justice, 1958, que recria o m undo dos bravos m ontenegrinos. O trabalho de Stanford J. Shaw e E. K. Shaw, History of the Ottoman Empire and Modern Turkey, vol. II: 1808-1975, 1977, é abalizado, m as não propriam ente em polgante.
Seria enganoso sugerir que as histórias gerais de outros países europeus publicadas em inglês são realm ente satisfatórias, em bora a situação sej a bem diferente no que tange a m onografias (por exem plo, na Scandinavian Economic History Review ou outros periódicos).
A s Cambridge Histories da África, Am érica Latina e China — todas publicadas para o período que nos interessa dão um a boa orientação sobre os respectivos continentes ou regiões; o livro de John K. Fairbank, Edwin O. Reischauer e Albert M. Craig, East Asia: Tradition and Transformation, 1978, aborda todos os países do Extrem o Oriente e, incidentalm ente, fornece (caps. 17-18, 22-23) um a introdução útil à história m oderna do Japão, sobre o qual pode-se consultar, num enfoque m ais geral, J. Whitney Hall, Japan: From Prehistory to Modern Times (ed. de 1986), John Livingston et al., The Japan Reader, vol. I: 1800-1945, 1974, e Janet E. Hunter, A Concise Dictionary of Modern Japanese History, 1984. Os que não são especialistas em estudos orientais e estão interessados na vida e na cultura j aponesa podem apreciar o livro de Edward Seidensticker, Low City, High City: Tokyo from Edo to Earthquake... 1867-1923, 1985. A m elhor introdução à Índia m oderna é de autoria de Judith M. Brown, Modern India, 1985, que contém um a boa bibliografia.
Alguns trabalhos sobre a China, o Irã, o Im pério Otom ano, a Rússia e outras regiões em ebulição são indicados sob o título "Revoluções".
Por algum m otivo há escassez de boas introduções à história dos EUA no século XX, em bora não haj a escassez de m anuais universitários de todo tipo, ou de reflexões sobre a natureza do am ericano, e há um a m ontanha de m onografias. A versão atualizada de um livro antigo e confiável, S. E. Morison, H. S. Com m ager e W. E. Leuchtenberg, The Growth of the American Republic, 6ª ed., 1969, ainda é m elhor que a m aioria. Contudo, o de George Kennan, American Diplomacy 1900-1950, 1951, ed. am pliada em 1984, deve ser recom endado.
REVOLUÇÕES
Sobre perspectivas com paradas das revoluções do século XX, ver Barrington Moore, The Social Origins of Dictatorship and Democracy, 1965; é um clássico e inspirou Theda Scocpol, States and Revolutions, 1978. Eric Wolf, Peasant Wars of the Twentieth Century , 1972, é im portante; E. J. Hobsbawm , "Revolution", em Roy Porter e M. Teich (orgs.), Revolution in History, 1986, é um breve estudo com parativo dos problem as.
A historiografia da Rússia czarista, sua derrocada e revolução, é vasta dem ais m esm o para um a lista breve e superficial. É m ais fácil citar que ler o livro de Hugh Seton-Watson, The Russian Empire 1801-1917, 1967; e o de Hans Rogger, Russia in the Age of Modernisation 1880-1917, 1983, fornece dados. T. G. Stavrou (org.), Russia under the Last Tsar, 1969, contém ensaios de diversos autores sobre vários tópicos. P. Ly ashchenko, History of the Russian National Economy, 1949, deve ser com pletado com as partes pertinentes da Cambridge Economic History of Europe. Sobre o cam pesinato russo, Geroid T. Robinson, Rural Russia under the Old Regime, 1932 e freqüentes reim pressões desde então, é a m elhor m aneira de com eçar, em bora não sej a atualizado. O trabalho extraordinário e nada fácil de Teodor Shanin, Russia as a Developing Society, vol. I: Russia's Turn of Century, 1985, e vol. II: Russia 1905-07: Revolution as a Moment of Truth, 1986, tenta ver a revolução do ponto de vista de sua influência na história russa subseqüente e à luz desta. A obra de L. Trotsky, History of the Russian Revolution, várias edições, oferece um a visão com unista de um participante, cheia de inteligência e verve. A edição inglesa do trabalho de Marc Ferro, The Russian Revolution of February 1917, contém um a bibliografia oportuna.
A bibliografia em língua inglesa sobre a outra grande revolução, a chinesa, tam bém está aum entando, em bora sua esm agadora m aioria aborde o período a partir de 1911. O livro de J. K. Fairbank, The United States and China, 1979, é realm ente um a breve história m oderna da China. Do m esm o autor, The Great Chinese Revolution 1800-1985, 1986, é ainda m elhor. O trabalho de Franz Schurm ann e Orville Schell (org.), China Readings I: Imperial China, 1967, proporciona os antecedentes; o de F. Wakem an, The Fall of Imperial China, 1975, cum pre o que seu título prom ete. V. Purcell, The Boxer Rising, 1963, é o relato m ais com pleto desse episódio. Mary Clabaugh Wright (org.), China in Revolution: the First Phase 1900-1915, 1968, pode ser um a introdução dos leitores a estudos m ais m onográficos.
Sobre as transform ações de outros im périos orientais antigos, a obra de Nikki R. Keddie, Roots of Revolution: An Interpretive History of Modern Iran, 1981, é abalizada. Sobre o Im pério Otom ano, Bernard Lewis, The Emergence of Modern Turkey, 1961, ed. revista em 1969, e D. Kushner, The Rise of Turkish Nationalism 1876-1908, 1977, podem ser com pletados com N. Berkes, The Development of Secularism in Turkey, 1964, e Roger Owen, The Middle East in the World Economy, 1981.
No que tange à única real revolução que teve lugar fora do contexto im perialista no período que nos ocupa, a m exicana, dois trabalhos podem servir de introdução: os prim eiros capítulos de Friedrich Katz, The Secret War in Mexico, 1981 ou o capítulo do m esm o autor da Cambridge History of Latin America —, e John Wom ack, Zapata and the Mexican Revolution, 1969. Am bos os autores são excelentes. Não há um a introdução da m esm a qualidade à tão controvertida história da libertação nacional da Índia. O livro de Judith Brown Modern India, 1985, proporciona o m elhor com eço, e o de A. Maddison, Class Structure and Economic Growth in India and Pakistan Since the Mughals, 1971, fornece os antecedentes econôm icos e sociais. Para os que querem um a am ostra dos trabalhos m ais m onográficos, há o de C. A. Bay ly — brilhante indianista —, The Local Roots of Indian Politics: Allahabad 1880-1920, 1975, e o de L. A. Gordon, Bengal: The Nationalist Movement 1876-1940, 1974, sobre a região m ais radical.
Sobre as regiões islâm icas, fora da Turquia e do Irã, não há m uito o que recom endar. P. J. Vatikiotis, The Modern History of Egypt, 1969, pode ser consultado, m as o livro do fam oso antropólogo E. Evans-Pritchard, The Sanusi of Cyrenaica, 1949, é m ais divertido. Foi escrito para inform ar os com andantes britânicos que estavam lutando nesses desertos durante a Segunda Guerra Mundial.
PAZ E GUERRA
Um a boa introdução recente aos problem as relativos à origem da Prim eira Guerra Mundial é a de Jam es Joll, The Origins of the First World War , 1984. O livro de A. J. P. Tay lor, The Struggle for Mastery in Europe, 1954, é antigo, porém excelente no que tange às com plicações da diplom acia internacional. Os de Paul Kennedy, The Rise of the Anglo-German Antagonism 1860-1914, 1980, Zara Steiner, Britain and the Origins of the First World War , 1977, F. R. Bridge, From Sadowa to Sarajevo: The Foreign Policy of Austria—Hungary 1866-1914, 1976, e Volker Berghahn, Germany and the Approach of War, 1973, constituem bons exem plos de m onografias recentes. O livro de Geoffrey Barraclough, From Agadir to Armageddon: The Anatomy of a Crisis, 1982, é um trabalho de um dos historiadores m ais originais de sua época. Sobre a guerra e a sociedade em geral, William H. McNeil, The Pursuit of Power, 1982, é instigante; quanto ao período específico abordado neste livro, Brian Bond, War and Society in Europe 1870-1970, 1983; sobre a corrida arm am entista do pré-guerra, Norm an Stone, The Eastern Front 1914-1917, 1978, caps. 1-2. Marc Ferro, The Great War , 1973, é um bom resum o do im pacto da guerra. Robert Wohl, The Generation of 1914, 1979, discute alguns dos que aguardavam ansiosam ente a guerra; Georges Haupt, Aspects of International Socialism 1871-1914, 1986, discute os que tinham a posição oposta — e, com particular brilho, a posição de Lenin em relação à guerra e à revolução.
Nota: Esta lista bibliográfica com plem entar partiu do princípio de que os leitores dom inam apenas o inglês. Infelizm ente, é provável que sej a o caso hoj e em dia no m undo anglo-saxão. Tam bém parte do princípio de que, se os leitores estiverem suficientem ente interessados, consultarão as num erosas publicações acadêm icas especializadas na área de história.
Você terminou A Era dos Impérios 1875-1914
Eric J. Hobsbawm
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