Capoeira Regional: a escola de Mestre Bimba

Hellio Campos · Capítulo 20 de 66

Páginas do PDF

Capoeira Regional: a escola de Mestre Bimba

Capoeira regional: do abadá à beca

Capoeira regional: do abadá à

 

beca

 

Como uma manifestação afro-brasileira, a capoeira tem se mostrado ao longo da sua trajetória um fenômeno de resistência singular. Conseguiu sair de situações demasiadamente desfavoráveis, a exemplo da marginalização e do Código Penal Brasileiro, resistiu aos Capitães do Mato, à perseguição policial e, principalmente, à mais perversa das perseguições: a injúria social.

A capoeira não se deixa abater por esses desagravos sociais e imensos obstáculos; resiste, recriando no cotidiano das rodas a sua história, exprimindo, sobretudo nas letras das músicas, seus sentimentos, suas dores, suas verdades e suas paixões, que são oralmente valorizadas, passando dos mais velhos para os mais jovens, no seio familiar ou mesmo no âmbito da comunidade, e realçando, dessa forma, a história oral como fonte inesgotável de transmissão dos conhecimentos e de tradições.

Resistindo a todas as pressões, a capoeira, no percurso de sua existência, vem conquistando espaços no mundo em que está inserida; e Mestre Bimba, um capoeirista nato, um autêntico representante do que poderíamos chamar do ciclo heróico dos negros da Bahia, teve como ideal “tirar a Capoeira de baixo do pé do boi” e mostrar o seu valor para quem quer que seja e em qualquer lugar, dos mais simples aos mais “nobres”.