Capoeira Regional: a escola de Mestre Bimba
Mestre Pavão
O esforço e as contribuições de Itapoan em favor da Capoeira Regional são inúmeros; ela, na verdade, faz parte da sua existência. É sua filosofia de vida, numa vida dedicada à capoeira e a Mestre Bimba.
Mestre Itapoan teve o seu trabalho pela capoeira reconhecido pelo Governo Brasileiro, recebendo do Ministério de Educação e Cultura (MEC) e do Conselho Nacional de Desportos (CND), em 1990, a maior condecoração esportiva do Brasil, a distinção do “Mérito Desportivo Nacional”.
Com quarenta e um anos praticando capoeira, fazendo o Brasil e o mundo gingar, incansável, Itapoan segue em frente no seu objetivo, produzindo junto com a Ginga Associação de Capoeira dois CD’s, o primeiro intitulado “Mestre Itapoan & Grupo Ginga Capoeira 100% Regional”, uma homenagem a Mestre Bimba, e o segundo “Vem Camará!”, em comemoração aos trinta anos da Ginga.
Mestre Pavão
Eusébio Lobo da Silva (Mestre Pavão), baiano radicado em Campinas, SP, professor adjunto do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é “Bachelor of Arts”, pela “Southern Illinois University at Edwardsille – SIU”, EUA. Concluiu o mestrado em 1980 na “The Katherine Dunham School of Arts and Research – KDSAR”, EUA, apresentando um estudo sobre capoeira. Em 1993, finalizou seu Doutorado na Unicamp, defendendo a tese: “Método integral da dança: um estudo dos exercícios técnicos em dança centrado no aluno”. Mais tarde, em 2004, tornou-se Doutor Livre Docente pela Unicamp, com a tese: “O corpo na capoeira”.
Na vida acadêmica, Eusébio tem ministrado aulas na graduação do Instituto de Artes, e também na pós-graduação, ampliando suas funções, atuando como docente e em atividades administrativas em várias unidades acadêmicas da Unicamp e em outras universidades brasileiras. Tem orientado um sem-número de alunos nos cursos de especialização, mestrado e doutorado.
Nas funções científicas e administrativas, tem atuado como Coordenador do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes, Membro da Comissão Central de Pós-Graduação da Unicamp e Presidente da Comissão de Pós-Graduação do IA.
No ensino, tem se dedicado ao bacharelado de Dança, ministrando as disciplinas AD 104 Exercícios de Técnica de Dança; e AD 417 Improvisação I. Na Pós-Graduação, está à frente das disciplinas AT 272 Atividades Orientadas I em Artes Corporais; AT 274 Atividades Orientadas III em Artes Corporais; e AT 302 Tópicos Especiais em Artes Corporais. Sua atuação universitária o tem levado a participar de bancas examinadoras de toda natureza, assim como a apresentar trabalhos de pesquisa em seminários, colóquios científicos, simpósios, cursos e congressos, nacionais e internacionais.
As suas intervenções científicas se estendem a dezenas de publicações em periódicos nacionais, a exemplo dos Cadernos da Pós-Graduação em Artes, Revista Capoeirando da Unicamp, Jornal de Dança do Mercosul e Catálogo da Bienal SESC de Dança de Santos, sempre abordando a capoeira e a dança como temas prediletos de sua investigação.
Sua produção, técnica, artística e cultural, se distingue, não apenas pela numerosa e importante obra, mas, sobretudo, como diretor artístico, coreógrafo e dançarino, entre outras atividades.
Na produção científica se destaca como professor orientador de monografias de Cursos de Especialização, dissertações de Mestrado e teses de Doutorado e no Programa de Iniciação Científica, onde encontramos uma gama enorme de trabalhos relacionados com a capoeira no seu sentido mais original e criativo. Podemos destacar ainda sua participação em atividades de extensão e bancas diversas, que transitam pela seleção de professores, concursos públicos, qualificação e defesa de mestrado e doutorado, na Unicamp e em outras universidades brasileiras.
Aluno formado na Capoeira Regional pela academia de Mestre Bimba, em 1972, teve sua festa de formatura realizada em Mataripe, BA. Sobre sua vida, Eusébio diz: “foi com a capoeira, no início, no fundo do quintal e na porta de casa, com meu primeiro mestre, Lupa
do Garcia, que comecei a ler o mundo” 2. Diz ainda que muitas pessoas não o compreendem muito bem, chegam mesmo a confundir, pensando ser ele apenas um dançarino ou mesmo um dançarino capoeirista. E faz a sua interpretação, vislumbrando a sua imagem e sentimento, ao afirmar: “sempre me senti um capoeirista que joga, luta e dança, como é a própria natureza da capoeira, que
ginga na vida” 3.
Gingando sempre, descobrindo seu corpo no gingado é que Eusébio ingressa no Grupo Folclórico Balú, no Grupo Oxum e, na sequência, é convidado para participar do Grupo de Dança Contemporânea da Escola de Dança da UFBA. Uma experiência nova, mas ele não tem medo dos desafios, pois a Capoeira lhe traz
segurança, “portanto não tem medo do mundo”4.
A coragem se afirma no seu íntimo, então Eusébio toma uma decisão, abandona, no ano da formatura, o Curso de Licenciatura em Ciências e ingressa na Escola de Dança da UFBA; neste momento só interessava a carreira.
No Grupo da UFBA, tem sua primeira experiência internacional, representando o Brasil no IIº Festival Mundial de Arte e Cultura Negra na África: enriquece sua cultura e amplia sua visão de mundo.
As portas se abriam, a capoeira era a mola mestra que o levou a ser contratado como dançarino profissional da Escola de Dança da UFBA: o auge, o grau máximo para um aluno do curso de dança.
Foi convidado pelo cônsul brasileiro, Raul de Smandeck, um cineasta dedicado à capoeira, a ser um dos personagens dos seus filmes, que foram enviados a vários países do mundo, no intuito de divulgar a cultura brasileira. Um desses filmes foi parar nas mãos da antropóloga, bailarina, coreógrafa e considerada a promotora da dança negra nos Estados Unidos, Katherine Dunham. Ela gostou do artista/capoeira que viu e o convidou para fazer um intercâmbio cultural pelo qual Eusébio ensinaria capoeira e aprenderia dança moderna americana.