Capoeira Regional: a escola de Mestre Bimba
Uma vida na Capoeira Regional: os seguidores da escola de Bimba
Uma vida na Capoeira
Regional: os seguidores da
escola de Bimba
Mestre Bimba sempre despertou nos seus discípulos um interesse ímpar pela capoeira, cultura e arte. Durante o curso de Capoeira Regional, seus alunos eram estimulados subliminarmente a colaborar com o desenvolvimento, ensino e até mesmo com a expansão dessa arte e luta. Cada aluno participava dentro dos seus limites, do seu potencial e da sua liberdade de conhecimento e expressão.
O engajamento do aluno na Capoeira Regional suscitava uma certa necessidade de mostrar os conhecimentos adquiridos na capoeiragem, aonde quer que fosse: aos companheiros de rua, aos colegas de escola e universidade. Era um desejo íntimo de poder apresentar e compartilhar com as pessoas o seu progresso dentro da arte de capoeirar. Uma satisfação única de ensinar para os colegas as manhas da capoeira, mas, sobretudo, de vivenciar as manifestações da cultura baiana.
Nos meus estudos tenho encontrado evidências de que os alunos de Mestre Bimba sempre contribuíram para a sistematização da Capoeira Regional. Essas contribuições se distinguem pela época e conjuntura em que aparecem no cenário e a maneira com que Bimba e seus alunos as incorporaram.
Esdras Santos, em seu livro “Conversando sobre capoeira”, revela com propriedade essas contribuições, fazendo uma rápida cronologia, inclusive dividindo em fases que nomeia de Inicial ou de Criação (de 1930 a 1937); a segunda, ou de Consolidação (1938 a 1966); e a terceira, ou de Propagação (1967 a 1973). Nessas etapas cita alguns dos alunos de Mestre Bimba que se destacaram pela presença marcante na academia e a favor da construção da Capoeira Regional (1996, p. 37).
Esdras M. Santos (Damião) avulta na fase inicial José Cisnando, Ruy Gouveia e Decanio. Na de consolidação chama a atenção para os irmãos Achilles e Bolívar Gadelha e mais Ângelo Decanio, ao qual intitula “uma espécime indígena do ‘Jack of all trades’ (pau pra toda obra)”.
Na etapa de propagação, ele continua reportando-se sobre a contribuição de Ângelo Decanio e acrescenta novos nomes como os de Raimundo César Alves de Almeida (Itapoan), Jair Moura (Jair Pinico), José Carlos Andrade Bittencout (Vermelho), Eziquiel Martins Marinho (Carneiro), Edvaldo Carneiro e Silva (Camisa Roxa), Eraldo Dias Moura Costa (Medicina), Ubirajara Guimarães Almeida (Acordeon), Gil dos Prazeres Souza (Gia), Dielson Oliveira (Salário Mínimo), José Valmório de Lacerda (Bolão), Franklin Vieira (Alegria), Ney Miranda (Miranda), Almir Ferreira da Silva (Escurinho), Raimundo Oto (Piloto), José Bispo Correia (Pombo de Ouro), Renato Silva (Sariguê), Josevaldo Lima de Jesus (Sacy), Airton Neves Moura (Onça), José Raimundo Borges de Azevedo (Filhote de Onça), Boaventura Batista Sampaio (Boinha), Luciano José Costa Figueiredo (Galo), Helio José B. Carneiro de Campos (Xaréu), Roberto Fernando Diez (Prego), Fernando Vasconcelos (Arara), Jorge Valente (Volta Grande), Gilson Sacramento (Macaco), Augusto Salvador Brito (Canhão).