Capoeira Regional: a escola de Mestre Bimba

Hellio Campos · Capítulo 24 de 66

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Capoeira Regional: a escola de Mestre Bimba

Mestre Bimba: criação e resistência afro-descendente

Mestre Bimba: criação e

 

 

resistência afro-descendente

 

Manoel dos Reis Machado (Mestre Bimba) nasceu em 23 de

novembro de 19001, no bairro de Engenho Velho de Brotas, antiga Freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia, pouco mais de uma

década após a Abolição da Escravatura2. Filho de Luís Cândido Machado, caboclo natural de Feira de Santana, famoso campeão baiano de batuque, e de Maria Martinha do Bomfim. Foi carvoeiro, doqueiro, trapicheiro, carpinteiro, mas, principalmente, capoeirista. Mestre de capoeira foi condição adquirida por reconhecimento popular e pelo respeito da sociedade, numa época em que a perseguição às manifestações da cultura negra era muito intensa e perversa.

O apelido de Bimba foi resultado de uma aposta de sua mãe com a parteira que o “aparou”, ou seja, fez seu parto. Sua mãe afirmava veementemente que iria dar à luz a uma menina, tinha plena certeza e a parteira dizia que seria um homem. A aposta se consubstanciou e, ao nascer o menino, a parteira, aconchegando-o à mãe, fez

questão de lhe dizer: olhe a “bimbinha”3 dele e esse cognome o acompanhou por toda a sua vida.

Para ilustrar esse acontecimento, o cordelista Bule-Bule, fazendo uma homenagem ao mestre, escreveu uma pérola intitulada: Bimba espalhou capoeira nas praças do mundo inteiro. Em um dos seus versos, ele retrata o nascimento de Bimba da seguinte maneira:

 

A parteira e a gestante

Estavam em discussão

Fizeram até uma aposta

Se era menino ou não

Na hora do nascimento

Surgiu a grande expressão

Era para anunciar

Na hora do nascimento

A mãe sofria feliz

Aguardando o seu rebento

E a parteira convicta

Pelo seu conhecimento

A mãe dizia é menina

Dizia a parteira é macho

Quando surgiu o neném

A comadre olhou por baixo

E disse ganhei a aposta

O cabra tem bimba e cacho

 

Somente aos doze anos de idade, Bimba, o caçula de Dona Martinha, iniciou-se na capoeira, na Estrada das Boiadas, hoje, bairro da Liberdade. Seu mestre foi o africano Nozinho Bento, o Bentinho, Capitão da Companhia de Navegação Baiana, do qual Bimba falava com admiração, reportando-se à extraordinária habilidade no capoeirar e salientando a espantosa capacidade de executar o salto mortal na boca de um caixote de cebola.

Muniz Sodré, falando sobre o aprendizado de Bimba (2002, p. 35), assim se refere poeticamente:

Bimba aprendeu com Bentinho

O toque, a ginga, a malícia

Com pouco tempo sabia

Tudo com grande perícia

Estava pronto pra briga

Com paisana ou com a polícia

 

Aos 14 anos, Bimba passou a se interessar por outra manifestação afro-brasileira, ingressando no Candomblé do Senhor Vidal, um terreiro da nação Ketu, que funcionava no Engenho Velho de Brotas. Aos 20 anos, determinado, tornou-se ogã, título que é instituído àquelas pessoas que se destacam e se mostram capazes de prestar relevantes serviços à instituição, desde atribuições sociais até religiosas.

Devido a alguns desentendimentos, desligou-se do terreiro, desistindo assim de ocupar as funções exigidas pelo candomblé, passando a se dedicar exclusivamente à capoeira, não deixando, porém, de cumprir suas obrigações junto a Xangô.

Recorremos, mais uma vez, aos dados passados a Muniz Sodré por Mãe Alice, a respeito da participação de Bimba no seu Terreiro Oiá Padê da Riméia (2002, p. 95), uma casinha azul-anil, modelo e cor muito comum nas casas do Recôncavo, pouco conhecida e situada no Alto da Santa Cruz, Nordeste de Amaralina.

Por ser um bairro tido como violento é que muita gente deixou de frequentar o terreiro. Neste local eram realizadas celebrações próprias dos cultos afro-brasileiros trabalhos religiosos, jogos de búzios e cerimônias regulares do candomblé.

Mestre Bimba era uma espécie de guardião, pois era muito querido e respeitado no bairro, “onde antigamente abundava o barro amarelo-avermelhado terra de Lemba”. O seu vínculo com o terreiro deve-se a sua relação conjugal com Mãe Alice, sua companheira por mais de 40 anos, portanto ele tornou-se parte do candomblé de Mãe Alice, sem, contudo, exercer nenhum cargo oficial, até porque o marido não pode ocupar posto no terreiro pertencente a mulher.

De uma certa feita fomos convidados por Mestre Bimba — Luciano (Galo), César (Itapoan), Eglon (Russo), José Valmório (Bolão) e eu —, para irmos até o Terreiro de Candomblé no Alto da Santa Cruz. Lá chegando, fomos recebidos por Mãe Alice, que nos proporcionou um “passe”, uma “reza” e ficamos impressionados pela forma, que acatamos, cheios de respeito e admiração, tensão quebrada apenas no momento em que ela desferiu vários tapas nas costas de “Galo”, falando coisas estranhas, incompreensíveis para nós, que tomamos um susto danado. Mas este fato logo foi explicado por Dona Alice e o mestre, dizendo que Luciano (Galo) estava “carregado” ou de “mau-olhado”, algo que não era bom para ele; foi então um momento de descontração, pois, meio desconfiados, rimos bastante e gozamos muito Luciano, enquanto este ainda se refazia do susto.

Em outra ocasião, também fomos estimulados por Mestre Bimba a comparecer a uma cerimônia de “Quitanda de Yaô”. Ele não explicou nada para a gente, chamou D. Alice e pediu para ela nos levar até a casa onde estava acontecendo o ritual, no Nordeste de Amaralina.

Saímos do Sítio Caruano e fomos em grupo, Camisa Roxa, Itapoan, Russo, Galo, Alegria, Gia, Bolão e eu. Chegando lá, D. Alice nos apresentou ao Pai de Santo responsável pela casa e simplesmente disse para a gente: “O mestre mandou vocês aqui pra ver o que vocês podem fazer”, e passou a explicar o funcionamento da “Quitanda de Yaô”. Explicou que era um ritual de iniciação e que as pessoas presentes poderiam comprar as frutas e doces que elas tinham nos tabuleiros, guardados por outras Yaôs, caso não quisessem pagar o que era “permitido” poderiam levar chicotadas de cipó cabloco.

Foi uma farra, tentamos ser mais espertos, ser mandingueiros4 e enganar as Yaôs, roubando alguns doces, o que valeu boas cipoadas que deixaram marcas nos nossos lombos de ficar moles.

No final, o Pai de Santo disse que tinha gostado muito dos alunos de Mestre Bimba e que ele nunca tinha presenciado algo semelhante: “vocês pareciam que estavam malucos”. Devolvemos os tabuleiros e panelas “roubadas” e fomos embora conversando.

O mestre, no dia seguinte, ao saber do acontecido, riu a valer e quis saber de todos os detalhes: “como foi isso? Como foi aquilo?”. Com base nestes fatos, podemos dizer que Bimba sabia motivar seus alunos para os desafios.

Mestre Bimba criou a Capoeira Regional, também chamada de “Luta Regional Baiana”, a partir de seus conhecimentos da Capoeira Angola, adquiridos nos ensinamentos de seu mestre Bentinho, e do aprendizado do batuque, uma luta “braba” e violenta, aprendida na convivência com seu pai, Luiz Candido Machado, batuqueiro famoso e campeão, numa época em que a capoeira era vista como uma atividade marginal, por ser oriunda de manifestações do povo africano escravizado no Brasil.

Decanio nos traz um acontecimento inusitado sobre a mãe de Mestre Bimba, oriunda do Recôncavo, negra, cachoeirana e filha de africanos praticantes do batuque, o que levou Bimba a dizer que ela era muito respeitada no rol dos batuqueiros, considerada como “boa de perna” (1996, p. 110).

Mestre Itapoan nos fala do que lhe contava Bimba sobre a vida difícil dos capoeiristas:

 

Naquele tempo Capoeira era coisa para carroceiro, trapicheiro, estivador e

malandros. Eu era estivador, mais fui um pouco de tudo. A polícia perseguia

o capoeirista como se persegue um cão danado. Imagine só que um dos

castigos que davam a capoeiristas que fossem presos brigando, era amarrar

um dos punhos num rabo de cavalo e outro em cavalo paralelo, os dois

cavalos eram soltos e postos a correr em disparada até o quartel.

Comentavam até, por brincadeira, que era melhor brigar perto do quartel,

pois houve muitos casos de morte. O indivíduo não aguentava ser arrastado

em disparada pelo chão e morria antes de chegar ao seu destino: o Quartel

de Polícia (1994, p. 15).

 

Mestre Bimba sentia que a capoeira que aprendera estava perdendo suas características de luta, estava se folclorizando. Os capoeiristas da época passaram a fazer exibições em praças públicas, descaracterizando-a como luta em virtude de não apresentarem os golpes tidos como violentos e até mortais, mas golpes estilizados e “pantomimas” na intenção de empolgar os espectadores.

Este parece ter sido o principal motivo que levou Bimba à (re)criar a capoeira. Idealizou uma nova capoeira, mais vigorosa, mais enérgica, mais contundente, mais decisiva que denominou de Capoeira Regional ou Luta Regional Baiana. Isso através da sua genialidade criativa e valendo-se dos conhecimentos da capoeira que aprendera com o seu mestre Bentinho e do batuque, uma luta antiga que era jogada com as pernas, com o objetivo de derrubar o adversário, da qual seu pai era exímio lutador.

Sobre o batuque, Edison Carneiro assim escreve:

 

A competição mobilizava um par de jogadores de cada vez. Estes, dado o

sinal, uniam as pernas firmemente, tendo o cuidado de resguardar os órgãos

sexuais. Havia golpes como “encruzilhada”, em que o atacante atirava as

duas pernas contra as do adversário, a “coxa lisa”, em que o jogador

golpeava coxa contra coxa, acrescentando ao golpe uma “rapa”, e o “baú”,

quando as coxas do atacante davam um forte solavanco nas do adversário,

bem de frente. Todo o esforço dos jogadores concentrava-se em ficar em pé,

sem cair. Se, perdendo o equilíbrio, tombasse, o jogador teria

irremediavelmente perdido. Era comum, por isso, ficarem os batuqueiros em

“banda solta”, equilibrados em uma única perna, a outra no ar, tentando

voltar à posição primitiva. Todo Capoeira joga Batuque, mas, como jogo

independente, o Batuque já não existe mais na Bahia (1976, p. 112).

 

Edison Carneiro diz que a orquestra do batuque era semelhante à da capoeira: composta pelo berimbau, pandeiro e ganzá ou reco-reco, e que as principais figuras desse tipo de jogo eram os negros descendentes de Angola.

As rodas de batuque aconteciam normalmente nos dias de domingo e nos dias de festa pública: no Natal, no Ano-Novo, nas festas de Reis, no Carnaval e no dia Dois de Julho. Os locais preferidos eram o Terreiro de Jesus, Largo da Piedade e Ribeira.

Esses encontros de batuqueiros sempre terminavam em desordem, conflitos dos mais diversos, o que levava a um festival de bofetadas, pauladas e até facadas. Por conta desses embates, a polícia era chamada a intervir, o que praticamente consolidou a expulsão dos batuqueiros para o interior do Estado.

Outro motivo que parece ter influenciado Bimba era a situação vexatória da capoeira, tida como marginalizada e inclusa no Código Penal, o qual a classificava como vadiagem com pena prevista de prisão.

Bimba tinha um projeto para sua Capoeira Regional: queria ser reconhecido como mestre de capoeira; queria mostrar a capoeira para todos os segmentos da sociedade baiana; estava decidido a tirar a capoeira de “baixo do pé do boi” e, em primeira instância, decidiu partir para a luta, desafiando os principais lutadores da época e por isso ganhou do jornal Estado da Bahia, em 7 de fevereiro de 1936, o epíteto: “Bimba é Bamba”. Em segunda instância, Bimba partiu para promover a sua Capoeira Regional, não medindo esforços e muito menos perdendo oportunidades de mostrar a sua arte para quem quer que fosse.

Pelo fato de ter criado a Capoeira Regional e dar uma nova feição a essa arte-luta-regional, alguns autores o consideram como o “mago” da capoeiragem baiana. Entendendo que Mestre Bimba, ao idealizar a Capoeira Regional, estabelece uma ruptura com a capoeira até então praticada, destaca-se entre os demais capoeiristas da época, passando a exercer uma liderança, enaltecido como ídolo popular, e confirmando o respeito nas rodas de capoeira, nas desavenças com a polícia e na maestria no ensino de sua arte.

Esse acontecimento marca um período histórico, sendo lembrado pelos pesquisadores como um rito de passagem, que distingue definitivamente uma nova era para a capoeira. Santos diz ser Mestre Bimba um líder autêntico, o Rei Negro (1996, p. 33); para Muniz Sodré ele foi “uma das últimas figuras do que se poderia chamar de ciclo heróico dos negros da Bahia” (2002, p. 11); Abreu afirma ser Mestre Bimba “um legítimo herdeiro da diplomacia afro-brasileira” (1999, p. 41); Reis considera Bimba “um dos heróis culturais da capoeira brasileira” (1997, p. 97); para Carybé, “Bimba é o Lutero da Capoeira (apud DECANIO, 1996, p. 161); Senna o intitula de “mestríssimo” (1990, p. 36); Itapoan simplesmente “meu mestre, o Senhor Capoeira” (2005, p. 40-102); e, por fim, Vieira afirma ser Mestre Bimba “um agente de mudança” (1996, p. 135).

No anseio de difundir a Luta Regional Baiana, Bimba ousou, empreendendo uma estratégia no mínimo corajosa, pois partiu decisivamente para a “luta”, aliando o conceito cultural ao mito. Caminhou em direção ao seu sentido de mundo e em busca do propósito da sua existência.

A principal ferramenta de que dispunha era o seu corpo e procurou se colocar na crista da onda, ser um herói midiático e participar como uma celebridade bem humana, nascida das camadas menos favorecidas de uma sociedade, para despontar ao sabor da novidade, no fluxo incessante da notícia.

Ele tinha um olhar fixo no futuro. Guarinello garante que os “verdadeiros mitos deslocam-se para o futuro, para objetivos a serem alcançados: desenvolvimento sustentável, diminuição das desigualdades, fim da fome, paz mundial etc.” (2005, p. 10). Bimba tinha que resistir, mostrar o valor do povo afro-descendente, a capacidade do negro, sua importância cultural, quebrar os preconceitos, participar da sociedade na sua plenitude, ser brasileiro e acima de tudo mostrar um jeito simplesmente de ser gente.

Paulo Dias, na sua monografia de conclusão de curso da Faculdade de Comunicação da UFBA, cujo tema é “A difusão da Capoeira Regional: marketing ou ritual?” — aborda essa discussão, enfatizando:

 

Recorrências a estudiosos da indústria cultural e às citações de Stuart Hall e

Roger Bastide ajudam a construir o ambiente de trocas simbólicas

desencadeado pela atuação do mestre Bimba, que teve seu mérito, como

difusor, no fato de ter incorporado e catalisado forças que se encontravam

em evidência como elementos estruturais da sociedade baiana em processo

de amadurecimento do capitalismo, de formação de uma sociedade de

massa e de consolidação como pólo internacional de turismo. Bimba se

colocou na crista da onda, disse o que tinha de dizer e disse. Assim ele

ajudou a posicionar o negro dentro de uma ordem de importância em

formação como alguém que encanta, tem alegria, força de superação, axé.

Enfim, Bimba pode ter sido o pioneiro na Bahia em adaptar uma

manifestação da cultura popular aos meios de comunicação de massa (1999,

p. 4).

 

Com a Capoeira Regional Mestre Bimba suscitou uma nova abordagem expansionista e pedagógica da capoeira: subiu no

ringue, realizou apresentações, montou academia 5, estabeleceu aulas regulares, lições, turmas de alunos com horários preestabelecidos e uma metodologia do ensino através das sequências e jogos diferenciados.

O mestre tinha um projeto para a sua Capoeira Regional; não tinha nada sistematizado, pois não dominava a escrita e não fora educado o suficiente para dominar as técnicas organizacionais; contudo, confiava na sua intuição, no seu ideal, na sua coragem e na sua determinação.

Na ocasião da criação da Luta Regional Baiana, ele evidencia o espírito criativo, o senso organizacional e empreendedor. Sabia que para vencer teria que arregaçar as mangas, partir para a luta, mostrar a sua capoeira para todos os segmentos da sociedade baiana com o objetivo de difundir e expandir sua arte, esporte, luta e cultura.

No primeiro momento, Bimba idealizou expor a Capoeira Regional como uma luta de grande valor, mostrando ser ela diferente da capoeira que estava sendo praticada, muito voltada para apresentações públicas, no intuito de granjear a simpatia dos assistentes e angariar dinheiro para o sustento dos praticantes, os quais se esmeravam numa disputa para pegar as cédulas de dinheiro que eram jogadas dentro da roda, fazendo o máximo na disputa, pois o ponto alto era pegar o dinheiro com a boca; coisa que Bimba não concordava e até mesmo repudiava.

A reportagem publicada no jornal A tarde, de 29 de janeiro de 1946, fala da confusão que o povo da época fazia sobre a Capoeira Regional e a “capoeira da rampa do mercado”, a “capoeira do apanha dinheiro com a boca e muitas outras tolices”.

Entendia o mestre que a Capoeira Regional deveria nascer com uma outra conotação de valor, ter visibilidade diferenciada; queria ser reconhecido e respeitado pelo ofício que escolhera. Abreu ressalta que Mestre Bimba, a exemplo de outros negros, lutava com coragem e sabedoria em busca do reconhecimento e da afirmação social da sua cultura e do seu povo. O povo negro (1999, p. 11).

Mestre Bimba parece ter se assumido como porta-voz de uma manifestação cultural que sobrevivia às escondidas, reprimida, nos guetos. Sendo negro e semi-analfabeto, mostrava-se forte e valoroso, para exigir o respeito das elites, não se intimidando e afirmando ter liberdade para se situar, para falar do seu lugar, alguém dotado de poder de fascinação, que subvertia as hierarquias sociais e o sistema de exploração.

Num segundo momento, ele se aventurou em lutas de ringue, desafiando os principais lutadores da época, não importando o estilo; Bimba queria mostrar, definitivamente, que a Capoeira Regional era uma forma de luta eficiente e que sua criação era para valer. Tinha uma estratégia clara para divulgar sua obra como uma atividade desportiva, o que lhe conferiu uma resposta midiática através de constantes aparições nos meios de comunicação de massa, em especial os jornais.