Duas Vezes Amor

Katie Cotugno · Capítulo 25 de 53

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Duas Vezes Amor

Capítulo 25

Depois

Mordo o lábio inferior de Sawyer na cozinha dos pais dele; passo as mãos pela penugem onde seus cabelos costumavam ficar.

– Aí está você – diz Sawyer depois de um minuto, com as palmas das mãos de cada lado de meu rosto como se quisesse ter certeza de que não estou planejando ir a lugar algum. Ele dá um sorriso grande e alegre contra minha boca.

– Oi. – Beijar Sawyer é familiar, mas também novo, uma música que não toca no rádio há muito tempo. – Precisa mexer o risoto.

– Quem se importa? – Sawyer mordisca o ponto em que meu pescoço encontra o ombro. – Nossa, Reena – murmura ele, aproximando o nariz da minha orelha. – Senti uma saudade absurda de você.

– Ssshh – digo para fazê-lo calar, me concentrando. Sawyer tem gosto de sal e verão, como sempre. – Não sentiu, não.

De imediato, Sawyer exibe no rosto uma expressão que faz parecer que eu lhe dei um tapa e me apoia no balcão com um ruído que ressoa pela minha coluna.

– Ai! Caramba, Sawyer. – Levo a mão às costas para esfregar o cóccix. – Isso doeu.

– Desculpe. – O rosto dele se suaviza por um momento. – Mas não sei se gosto de ver você agindo como se não acreditasse em uma palavra que sai da minha boca.

Solto uma risada rouca, incrédula.

– Eu não acredito em uma palavra que sai da sua boca.

– Por quê?

– Porque você é um mentiroso!

– Bem, então por que está aqui? – explode ele.

Olho com raiva para Sawyer, envergonhada. Isso foi um erro. Eu sabia que seria um erro aparecer, mas fui mesmo assim. Você não aprende, penso, odiando Sawyer e a mim na mesma intensidade. Burra.

– Olhe, Reena – diz Sawyer baixinho. Ele se aproxima um pouco mais, com cuidado, a respiração quente no ponto atrás de minha orelha. – Cedo ou tarde, acho que vamos fazer isso.

Eu me afasto como se ele fosse radioativo.

– Vamos o caramba.

– Vamos, sim – diz Sawyer, como se fosse simples. Quero descer do balcão, mas ele está na minha frente. – E não fale como se não quisesse também, porque, se não quisesse, não apareceria na minha casa às onze da noite para que eu cozinhasse um segundo jantar que você nem quer comer. – Sawyer parece tão seguro de si que quero matá-lo. – Mas não vou deixar acontecer até que me perdoe.

– Bem, então acho que não vamos fazer nos próximos cem mil anos.

Sawyer ri com deboche.

– Acho que não.

– Ah, de repente você é a favor de adiar o clímax? – Estou atirando em todas as direções, sem discriminar. Quero feri-lo o mais rápido e da pior maneira possível. No fogão, o arroz está fervendo, um chiado forte.

– Você está com raiva – diz Sawyer, os olhos semicerrados. Posso ver que acertei aquele golpe, mas não é tão satisfatório quanto deveria. – Então vou deixar essa passar.

– Que caridoso de sua parte.

Sawyer dá de ombros.

– Se eu só quisesse sexo, poderia conseguir sexo. Pode apostar, já consegui. Mas quero você.

Quase dou um tapa nele.

– Nossa, você é tão babaca.

– É uma doença.

– É, deveríamos dar uma festa beneficente para você.

Ele sorri.

– Está ficando rabugenta com a idade.

– Bem. – Quero sujar aquela cozinha perfeita, arrancar as panelas do armário e desenhar nas paredes como a bebê, com uma canetinha. – Engravidar e ser abandonada faz isso com a pessoa.

– Eu não sabia que você estava grávida!

– Não importa!

Sawyer suspira ruidosamente.

– Então, o que vai fazer, fugir de mim de novo? Porque...

– Na verdade, sim – disparo de volta. Desta vez, dou um salto para o piso de azulejo e empurro Sawyer com força para fora do caminho. – É exatamente o que vou fazer. – Pego a bolsa da mesa e passo roçando por ele. O cheiro de arroz queimado fica impregnado em minha camisa.

Chego em casa e subo a fim de ver a bebê; ódio, exaustão e aquela vergonha infinita ainda chacoalhando como moedas soltas em minha cabeça. A casa está fria e silenciosa, o corredor escuro, exceto pelo brilho da luminária de Hannah espalhando-se, fraco, pela porta entreaberta; entro e a encontro bem acordada e esperando, calma como a superfície de um lago frio e plácido.

– Oi, mama – diz ela, alegre, sorrindo como se tivesse ficado acordada só para falar comigo e se sentisse feliz consigo mesma por ser tão inteligente. Os olhos dela são tão, tão profundos.

– Oi, bebê. – Deixo a bolsa no chão e atravesso o tapete, de súbito cem por cento certa de que vou chorar. Estou estupidamente aliviada por vê-la, só isso; aquele milagre de dez quilos que achei que, com certeza, me faria prisioneira, pés e mãos atados. Às vezes ainda tenho essa sensação, para ser sincera, mas, neste momento, estou feliz até os ossos.

Engulo as lágrimas, devolvo o sorriso.

– Oi, Hannah – repito, tirando-a do berço e aconchegando-a contra o corpo, esfregando a cabeça quente e de fios escassos dela contra a minha bochecha. Hannah está ficando pesada agora, deixando de ser um bebê. Isso me faz sentir estranhamente nostálgica e amarga. – O que ainda está fazendo acordada, hein?

Hannah não responde – ela sabe palavras, mas ainda não consegue conversar muito. Em vez disso, apenas se aconchega em meu corpo, os braços surpreendentemente fortes sobem até meu pescoço.

– Mama – murmura ela de novo.

– Sou sua mama – digo, afundando na cadeira de balanço e dando tapinhas com a palma da mão em suas costas minúsculas de bebê. – Sou a única que você tem, pobrezinha.