Duas Vezes Amor

Katie Cotugno · Capítulo 41 de 53

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Duas Vezes Amor

Capítulo 41

Depois

Acordo algum tempo depois do amanhecer, sobressaltada pelo tilintar metálico do caminhão de lixo conforme ele avança, ruidoso, pela Grove Street. Ouço por um momento o clangor de latas de metal na casa ao lado e, quando abro os olhos, fico surpresa ao encontrar Sawyer ainda dormindo ao meu lado: apesar de todas as noites que passamos juntos, essa deve ser a primeira vez que ele não sai de fininho antes do amanhecer.

Aproveito a chance de olhar para ele, de rosto para baixo com um braço jogado por cima da cabeça, as sardas pontuando as costas como constelações. Apenas por um minuto cedo à vontade de tocá-lo, de passar os dedos pela pele, mas Sawyer não se mexe. Ele dorme diferente de como costumava. Está se debatendo menos, respira mais profundamente. Costumava estremecer no sono, tremer e murmurar como se o diabo estivesse em seus sonhos.

Somente quando saio da cama ele acorda, entreabrindo os olhos.

– Aonde vai? – indaga, espreguiçando-se um pouco.

Sorrio.

– Preciso acordar.

– Nada. – Ele sacode a cabeça, sonolento, e levanta a coberta, um convite para que eu volte para a cama. – Mais cinco minutos.

– Bem. – Reflito. – Está bem. – Deslizo para debaixo da colcha, rolando sobre a barriga e passando a mão para baixo do travesseiro. – Oi.

– Oi. O que precisa fazer hoje? – pergunta Sawyer com uma das mãos em minhas costas, o polegar tracejando círculos preguiçosos ali.

– Hum. – Repasso, em minha mente, a lista de coisas para fazer. – O hospital. Então, a faculdade, se Stef puder ficar com a bebê por mim.

– Posso ficar com a bebê para você.

– Tudo bem. – Isso me faz sorrir. – E então trabalho às quatro horas.

– Eu entro às sete. – Ele sorri. – Não trabalhamos juntos há muito tempo.

– Quando estávamos no ensino médio, eu costumava checar seus horários logo depois de ver os meus, para saber se deveria me vestir melhor ou não – confesso. Sinto-me um pouco zonza. – Não que você tenha notado.

– Ah, eu reparei.

Rio com deboche.

– Não reparou.

– Sua aparência jamais passou despercebida por mim – diz ele, passando o braço ao redor de meu ombro, me puxando para baixo até minha cabeça estar apoiada em seu peito. – Nada que dissesse respeito a você, minha querida, jamais passou despercebido por mim.