Modernidade e Holocausto
3. Modernidade, racismo e extermínio II
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Modernidade, racismo e extermínio II
Há um aparente paradoxo na história do racismo e do racismo nazista em
particular.
No caso de longe mais espetacular e mais conhecido dessa história, o
racismo serviu de instrumento para a mobilização de sentimentos e
ansiedades antimodernistas e foi aparentemente eficaz basicamente por
causa dessa conexão. Adolf Stöcker, Dietrich Eckart, Alfred Rosenberg,
Gregor Strasser, Joseph Goebbels e praticamente todos os demais profetas,
teóricos e ideólogos do nacional-socialismo usaram o fantasma da raça
judaica como grampo para prender os medos das vítimas do passado e das
presumíveis vítimas da modernização, que eles preparavam, à volkisch
sociedade ideal futura que se propunham a criar para impedir novos
avanços da modernidade. Na sua apelação ao horror profundamente
arraigado à rebelião social que a modernidade pressagiava, identificavam a
modernidade como o reinado dos valores econômicos e monetários e
atribuíam a características raciais dos judeus a responsabilidade por assalto
tão implacável ao modo de vida e aos padrões volkisch de valor humano. A
eliminação dos judeus foi então apresentada como sinônimo da rejeição à
ordem moderna. Isso dá a entender um caráter essencialmente pré-moderno
do racismo, sua afinidade natural, digamos assim, com emoções
antimodernas e sua seletiva adequação como veículo dessas emoções.
Por outro lado, porém, como concepção do mundo e, mais importante,
como instrumento efetivo de prática política, o racismo é impensável sem o
avanço da ciência moderna, da tecnologia moderna e das formas modernas
de poder estatal. Como tal, o racismo é estritamente um produto moderno.
A modernidade tornou possível o racismo. Também criou uma demanda de
racismo; uma era que declarava o ganho a única medida do valor humano
precisava de uma teoria da imputação para redimir as preocupações com o
traçado e a guarda de fronteiras nas novas condições em que cruzar fronteiras era mais fácil do que jamais fora. O racismo, em suma, é uma