Trem-Bala
Dois Governadores e um Rio Grande
Faltam apenas quatro dias para escolhermos o nosso futuro governador. A maioria dos eleitores já tem candidato, mas sinto no ar um clima de indecisão, que nada tem a ver com a dúvida sobre quem vai receber nosso voto, mas sobre quem não vai: precisamos dos dois.
Tanto o programa de governo de Olívio quanto o de Britto abrangem os principais problemas do Estado, mas cada candidato elegeu prioridades.
Um pretende concentrar os investimentos no homem do campo, fortalecendo a agricultura e gerando empregos nas pequena e média empresas. O outro pretende seguir o programa de privatizações e continuar atraindo capital estrangeiro para desenvolver nossa indústria e assim, também, gerar emprego. Pode-se prescindir de um desses programas?
São dois homens bem preparados e com bons projetos para desenvolver o Rio Grande do Sul. Nunca os veremos partilhando a mesma legenda ou o mesmo palanque, são absolutamente diferentes na sua trajetória política e nos seus pontos de vista, mas ainda assim me parecem, ambos, vitais.
Não estou pensando em fazer uni-duni-tê na frente da urna: cada candidato busca o desenvolvimento por um caminho, e o caminho de um me agrada mais do que o de outro. Mas estou consciente de que tudo o que está sendo proposto tem que ser feito, não importa de quem virá a canetada.
Agricultura ou indústria? Uma escolha de Sofia.
Estão todos chutando para o mesmo gol. O que muda é o estilo do drible, a rapidez da arrancada, a técnica de cada jogador, mas o objetivo é o mesmo. Gerar novos empregos, por exemplo, é o gol olímpico que todos querem marcar. Todos: Britto, Olívio, Covas, Maluf, Joaquim Roriz, Cristovam Buarque, Fernando Henrique, Tony Blair, Yeltsin, e a lista não termina. O problema do desemprego não tem dono, é conseqüência de uma brutal revolução tecnológica e das novas regras de produção. Está funcionando? Mal e porcamente. As cidades estão evoluindo na mesma medida em que as pessoas estão agonizando. Ninguém acha que o mundo virou a ilha da fantasia, mas só conseguirá vencer essa crise e retomar o desenvolvimento humano quem encontrar soluções locais que possam ser compartilhadas.
O que espero do candidato que for eleito é que, não precisando mais agredir, ironizar ou enfraquecer a imagem pública do seu oponente, tenha a inteligência de assimilar as boas idéias que ouviu durante a campanha.
Caso contrário, será um governador pela metade.
Outubro de 1998