Diário de África

Alexandre de Serpa Pinto · Capítulo 14 de 80

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Diário de África

Ferreiros Caquingues

 

Nos meses mais frios, Junho e Julho, os ferreiros Gonzelos deixam as suas libatas, e vão estabelecer grandes acampamentos junto das minas de ferro, que são abundantes no país.

Para extração do minério cavam poços circulares de três a quatro metros de diâmetro, que não profundam mais de dois metros; decerto por lhe escassearem os meios de elevarem com facilidade o minério a maior altura.

1. Foles.

2. Bocal de Barro.

3. Bigorna.

4. Martelo.

 

Visitei muitos desses poços junto ao

Cubango. Extraído que é o minério que

eles julgam suficiente para o trabalho daquele ano, começa a separação do ferro, que eles fazem em covas pouco profundas, misturando o minério com carvão vegetal, e elevando a temperatura por meio dos seus instrumentos de insuflação, que consistem em dois cilindros de pau, cavados de 10 centímetros, com 30 de diâmetro, e recobertos por duas peles de cabra curtidas, ás quais estão ligados dois paus, de 50 centímetros de comprido por 1 de diâmetro. É por meio destes paus que um rápido movimento dado ás peles produz a corrente de ar, que é dirigida sobre o carvão por dois tubos de pau ligados aos cilindros, e terminados por um bocal de barro.

Depois começa um incessante trabalhar, noite e dia, até que tudo o metal é transformado em enxadas, machados, machadinhas de guerra, ferros de frecha, azagaias, pregos, facas e balas para as armas, e até mesmo fuzis para elas, de ferro temperado com unha de boi e sal. Vi muitos desses fuzis darem fogo também como os do melhor aço fundido.

Durante tudo o tempo que duram os trabalhos é expressamente proibido a qualquer mulher aproximar-se do campo dos ferreiros, porque dizem eles que se estraga logo o ferro. Eu creio que isto foi estabelecido para que os homens se não distraiam do trabalho, em que empregam, como já disse, noite e dia.