Diário de África
Capítulo 5 · História de um Carneiro
A 4 de Dezembro deixei o Dombe, pelas 8 horas da manhã, e segui para Quilengues. O Capelo e o Ivens ficaram ainda, para enviar algumas cargas; deviam ir encontrar-me à noite. Foi conselho dos guias, que não tomássemos o caminho das caravanas, mas sim um atalho conhecido deles, para evitarmos as passagens do Rio Coporolo, que já então levava muita água; dando difíceis vaus, e que aquele caminho corta em diversos pontos.
Depois de duas horas de jornada na planície, chegámos ao sopé da serra da Cangemba, que borda por leste o vale do Dombe. Descaçámos um pouco, e ás 11 horas, empreendemos o subir da serra pelo leito de uma torrente, então seco. Foi difícil trabalho. Os homens iam muito carregados; porque, além das cargas da expedição, do peso de 30 quilogramas, levavam para si rações para nove dias, em farinha de mandioca e peixe seco. A diferença de nível era de 500 metros apenas; mas o leito da torrente, formado de rochas calcárias, oferecia obstáculos enormes ao caminhar por ele. Em muitos pontos, era preciso com as mãos ajudar o corpo na subida, e o passar ali os seis jumentos, deu grande canseira. Tínhamos comprado no Dombe dois carneiros, para matar em caminho; um dos quais facilmente seguiu a comitiva, mas o outro deu trabalho, porque se recusava a andar, e a sua teimosia em volver ao Dombe era constante. Foram três horas de fadigosa marcha; que tanto gastámos para transpor um espaço que não passava de mil metros, e isto por um sol abrasador, deixou-nos extenuados de fadiga. Acampámos logo junto a um poço cavado no leito arenoso de um ribeiro que ia seco; ribeiro a que os Mundombes chamam Cabindondo. O lugar era árido, e apenas vegetavam aqui e além alguns espinheiros brancos, raquíticos e ressequidos pelo sol, que nesta época do ano queima. O nosso horizonte era formado pelas cumeadas das montanhas que correm norte-sul.
Pela tarde chegaram Capelo e Ivens, e fomos logo comer; que eu estava ainda em jejum. No dia 5 de manhã, seguimos a S.E., e depois de 4 horas de marcha, em que vencemos um espaço de 20 quilómetros, assentámos campo num lugar que os guias chamaram Taramanjamba; vale extenso, cercado de cerros pouco altos. A altitude é de 600 metros; mostrando que apenas estávamos elevados 100 metros acima do nosso campo de ontem.
A vegetação contínua pobre, e a falta de água é grande.
Para beber e cozinhar, apenas obtivemos pouca, de depósitos fluviais nas cavidades das rochas; depósitos que foram logo esgotados pela nossa sedenta caravana, sendo que à noite já se fazia sentir a sede.
Durante a marcha, se os jumentos continuaram a ser incómodos, não o foi menos o carneiro, que era bravíssimo, e mais teimoso que os burros. Decidi mata-lo, e tendo combinado isso com os meus companheiros, dei as ordens nesse sentido aos moleques, e fui dar um passeio aos arredores.
De volta ao campo, vi que os moleques não tinham compreendido a minha ordem, e em lugar de matarem o carneiro bravo, tinham morto o manso.
No dia seguinte partimos de madrugada, e depois de cinco horas de marcha, acampámos no lugar chamado Tine, onde nos afiançaram os guias haver água.
Contra o que eu esperava, o carneiro, não só deixou de ser teimoso, mas pôs-se a seguir-me, fazendo-me constante companhia, já em marcha já no campo.
A marcha nesse dia foi difícil; porque, não só a sede abrasava a gente, mas ainda por uma hora andámos no leito seco do rio Canga, pedregoso e desnivelado, o que nos fatigou muito.
O terreno é já granítico, e a vegetação arborescente luxuriante.
Água, como na véspera, foi da chuva, recolhida nas cavidades das rochas; mas era melhor ao paladar e mais límpida à vista.
Tínhamos alguns homens com feridas nos pés, que só chegavam tarde ao campo, porque se lhes dificultava o andar; e ainda outros que, por fracos, se atrasavam, e por preguiça muitos.
Nesse dia, entre os retardatários figuravam os carregadores do rancho; fazendo isso que só tarde comêssemos. O Capelo, de si pouco comunicativo, não se queixava dos incómodos que sofria; mas Ivens, loquaz e de génio alegre, não se calava e nos fazia rir a cada passo, com os seus ditos engraçados. O apetite era já grande, quando chegaram os carregadores, e ele não desfitava os olhos de uma perna de carneiro que um moleque volteava junto da fogueira em espeto de pau, e de repente disse: "Se meu pai pudesse ver como eu olho para aquela carne até chorava." Desde o Dombe apenas tínhamos comido uma vez no dia, e assim, a nossa gente; com a diferença, porém, que eles comiam sem interrupção desde o acampar até dormir: o que me fazia recear, que as rações distribuídas para nove dias, depressa fossem gastas, e em seguida viesse a fome, em país onde era impossível obter víveres.
Avançámos 25 quilómetros no dia seguinte, a E.S.E., e fomos acampar num a floresta chamada a Chalussinga; sendo o piso desse dia relativamente melhor, sempre por terrenos graníticos, e por entre vegetação mais vigorosa que até ali.
Nessa floresta encontrámos os primeiros baobabs que desde a costa temos visto. Água continuava a ser escassa, e sempre de depósitos pluviais. Pelas três horas desse dia, fomos avisados de que uma caravana se dirigia ao nosso campo, vindo do interior; e saindo logo ao seu encontro, soubemos ser o ex-chefe de Quilengues, Capitão Roza, que ia doente para Benguela.
Convidámo-lo à nossa barraca, onde jantou; partindo em seguida, depois de se prover de medicamentos, que gostosamente lhe oferecemos. Logo que ele partiu, fui avisado pelos moleques, de que em torno do campo se viam traças frescas de caça; e saí a ver se a encontrava. Segui um rasto de grandes antílopes, e tão longe me levou ele, que veio a noite, e com ela as trevas, sem que pudesse atinar com caminho para o campo. Uma montanha elevada projetava o seu vulto sombrio contra um céu nebuloso, onde nem uma estrela brilhava. Tive ideia de subir a ela, para do cume, vendo o clarão dos fogos do meu campo, dirigir ali meus passos; ideia que executei com bom resultado, porque efetivamente enxerguei ao longe um clarão que tratei de alcançar, tendo marcado pela bússola a sua direção. Não se imagina o que seja caminhar em noite escura por entre as sarças de uma floresta virgem, e quanto tempo se leva a transpor um curto espaço; deixando aqui e além farrapos da roupa, senão tiras da pele.
Cheguei por fim, já guiado pelo vozear do gentio; mas qual não foi a minha deceção, vendo, que pelo meu tinha tomado o campo do Capitão Roza, que devia estar a 6 quilómetros longe dele! porém, como um caminho ligava os dois campos, porque uma caravana que passa deixa trilho, endireitei nele, e depois de uma hora de jornada, já ouvia o som das buzinas que os meus tocavam, e dos tiros que disparavam, para guiar meus passos.
Foi extenuado de fadiga e molestado dos espinhos, que cheguei à minha tenda, onde Capelo e Ivens não estavam livres de cuidados.
Ali tive uma notícia inquietadora, mas que não foi surpresa.
Já se sentia falta de víveres, e sobre tudo os soldados já tinham em 5 dias comido a ração de 9.
No seguinte dia forçámos a marcha um pouco mais, e percorremos em 6 horas 30 quilómetros a E.S.E.
O caminho era bom, marchando no trilho da caravana do Capitão Roza. Nas florestas que atravessámos continuaram aparecendo baobabs gigantescos. Depois de passarmos o rio Calucúla, acampámos na sua margem direita.
O rio leva pouca água, mas esta é límpida e boa.
Continuávamos a comer só uma vez ao dia, e a hora da refeição variava entre a 1 e 3, conforme ás marchas. Era preciso poupar os víveres. Ressentido da fadiga da véspera não saí a caçar nesse dia, e fiquei na barraca.
O Ivens foi desenhar, como costumava; e o Capelo apanhar insetos e reptis.
Os soldados terminaram as rações, e começaram a queixar-se de fome, falando em matar o carneiro. Eu tinha-me afeiçoado ao animal, que de bravo que era se tinha tornado manso e meigo, acompanhando-me nas marchas e não me abandonando um momento. Opus-me a que fosse morto, e o Ivens deu aos soldados um pouco de arroz do nosso.
A 9, levantámos campo, ás 5 horas, e sustentámos a marcha até à uma; hora a que acampámos nas faldas da serra da Tama. Das 8 ás 9 horas seguimos ao sul, na margem esquerda do rio Chicúli Diengui, que vai ao N., provavelmente ao Coporolo. A vegetação é cada vez mais luxuriante, e nesse dia o nosso caminhar foi por entre floresta espessa.
Logo que se estabeleceu o campo, renovaram-se as representações dos soldados famintos, e com elas a ideia de matar o carneiro. O Ivens deu nova ração de arroz aos soldados, e isto, ainda que contemporizava, não era uma positiva salvação para o pobre animal.
Ainda que extremamente fatigado, resolvi ir caçar, para salvar a vida do meu carneiro.
Durante uma hora percorri a floresta sem resultado, e já voltava ao campo, quando avistei, numa pequena clareira, duas gazelas que pastavam.
Aproximei-me, mas a mais de cem metros fui pressentido. O macho saltou para sobre uma rocha, e dali começou a espiar a floresta com a sua vista experimentada; em quanto a fêmea, de orelha à escuta, investigava os arredores.
Era grande a distância, mas não hesitei, e atirei ao macho, que vi cair fulminado para além do rochedo. A fêmea, ouvindo o estampido do tiro, saltou ligeira sobre o penhasco e eu disparei-lhe o meu segundo tiro, vendo-a em seguida pular, em salto elegante, e desaparecer no mato.
O meu moleque correu logo a buscar o antílope morto, mas eu vi que, em lugar de parar junto do rochedo, seguiu sempre; eu dirigi-me para ali com o coração palpitante, porque supus que me tinha enganado julgando ver cair o primeiro antílope. Torneei a rocha, e tive um grande alvoroço. O lindo animal (Cervicapra bohor) estava estendido sem vida.
Mal tinha tido tempo de o contemplar, quando do mato saiu o moleque curvado ao peso de grande carga.
Era o segundo antílope, que ele tinha levantado morto, a poucos passos na floresta. Ambos tinham sido feridos no peito, mas ao passo que o macho caiu sem vida, a fêmea pode efeituar uma pequena carreira.
Estava salvo o carneiro, e como em dois dias devíamos chegar a Quilengues, e ali teríamos recursos, estava salvo para sempre.
No seguinte dia, depois de marcha de 35 quilómetros, e de termos passado a vão os rios Umpuro, Cumbambi e Comooluena, fomos acampar na margem direita do Vambo - que todos correm ao N., a unir as suas águas (quando as tem), ao Coporolo, que aqui já se chama Calunga, nome que conserva até à sua nascente.
Na jornada desse dia começámos a encontrar gramíneas enormes, nas clareiras do mato. Tão grandes, que era impossível ver nada com elas, e difícil o caminhar. Durante a marcha desapareceu um meu moleque pequeno, e uma preta, mulher do moleque Catraio do Capelo; e ainda que despachei gente a busca-los, não foram encontrados.
A escassez dos mantimentos era grande, e não eram já só os soldados a queixarem-se de fome, todos faziam representações, e não atendiam razão. Tivemos de seguir.
No dia 11, depois de passarmos dois riachos que as chuvas tornam caudalosos, o Quitaqui e o Massonge, fomos acampar na margem direita do rio Tui, muito próximo de Quilengues. Dos moleques perdidos não havia notícia, e faltava desde a véspera um jumento, que não apareceu. Em quanto se estabelecia o campo, eu segui para a fortaleza de Quilengues à busca de víveres, com que voltei ás 8 da noite. Estava decididamente salvo o meu carneiro.
Nessa noite apareceram o moleque e a preta perdidos, e isso deu-me um verdadeiro prazer; porque, forçados a marchar, pela fome, não tínhamos podido demorar-nos a procura-los.
O lugar onde acampámos era baixo e pantanoso, fora de recursos, é isolado; e por isso resolvemos ir acampar na libata do chefe de Quilengues, onde entrámos no dia 12, pelas 11 horas.
Paguei e despedi os carregadores do Dombe e Quilengues contratados até ali; e pedi ao chefe, o Tenente Roza, para me obter outros até Caconda; o que ele me certificou ser fácil, dizendo-me logo, que sabia como os rios entre aquele ponto e Caconda iam cheios, e por isso não davam passagem; o que nos impedia de partir imediatamente.
Nesse dia já comemos bem, e tivemos duas comidas, almoço e jantar.
Alguns dias depois, apareceu o jumento que se tinha perdido no mato, trazido por um indígena, que o tinha encontrado. Gratifiquei bem o preto, para o encorajar a ser honesto; pois que nunca julguei ver mais o pobre animal, que, se escapasse das feras, não escaparia à ladroagem dos naturais, pensava eu.
Quilengues é um vale regado pelo Calunga (rio que eu suponho ser o curso superior do Coporolo), vale fertilíssimo, e coberto de povoações indígenas.
O estabelecimento Português ocupa uma área de 45,500 metros quadrados; por ser um retângulo de 250 metros por 182. Este retângulo, cercado de paliçada, tem quatro baluartes de alvenaria, a um meio de cada face; e dentro uns abarracamentos, que são morada do chefe militar, e quartéis dos soldados.
Alguns baobabs e figueiras sicómoros crescem ali, assombrando com os seus ramos gigantescos um terreno coberto de gramíneas indígenas, onde pastam os rebanhos do chefe.
Se a importância de Quilengues é grande como ponto produtivo, e facilmente colonizável, não o é menos como posição estratégica; pois que pode ser considerado uma das chaves do sertão interior, com respeito a Benguela.
Os sobetas do país reconhecem a autoridade Portuguesa; mas, de natureza salteadores, atacam sem cessar outros povos indígenas, para lhes furtarem o gado.
Sam mais pastores do que lavradores, mas, ainda assim, cultivam a terra, que de ubérrima supre o pouco trato; produzindo milho, massambala, e mandioca, em quantidade grande.
As suas habitações são cubatas circulares, de 3 a 4 metros de diâmetro, construídas de grossos troncos de madeira, revestidas de barro. A porta é bastante alta, para dar entrada a um homem sem curvar-se.
Os Quilengues são de estatura elevada, e robustos, atrevidos e guerreiros. Sam pouco industriosos, e apenas fabricam o ferro, fazendo azagaias, ferros de frechas, e machados, já de guerra, já de cortar madeira.
As enxadas não as forjam, e são por eles compradas no Dombe, ou em Benguela.
Os seus currais são, como as povoações, cercados de forte paliçada; sendo esta revestida exteriormente de abatises espinhosos, para evitar o assalto noturno de feras.
Os campos de mandioca são igualmente cercados de espinheiros; porque ali abundam corças pequenas (Cefalofus mergens), que das folhas são ávidas, e causam dano grande ás plantações.
A água-ardente é género muito estimado pelos Quilengues, e são eles tão dados à embriaguez, que, durante três meses no ano, tanto quanto dura o fruto do gongo, fazem dele uma bebida fermentada, com que estão continuamente embriagados; não sendo possível obter deles o menor serviço.
Quando um homem quer casar-se, envia ao pai da escolhida um presente, que deve ser pelo menos de 4 metros de pano da costa, e duas garrafas de água-ardente; e logo com o portador vem a noiva e os seus parentes comer, em grande bródio, um boi, que deve oferecer-lhes o noivo. O adultério é coisa de grande estimação para os maridos; sendo que por lei fazem pagar ao amante multa, que se traduz em gado e água-ardente.
A mulher que não tem cometido algum adultério é mal vista do marido, que não aumenta o seu haver por esse meio.
Logo que alguma comete a falta, vai ao marido queixar-se de que foi seduzida, e entre eles faz prova a acusação da mulher.
Entre o povo, os cadáveres são enterrados em lugar escolhido, e conduzidos à cova numa pele de boi, cobertos de pano de algodão branco. Os dias de nojo, são dias de grande festa em casa do finado. Os sobetas tem sepultura reservada, e são ali conduzidos dentro de uma pele de boi preparada em odre, depois de lhe vestirem as melhores roupas.
Nas festas de óbito há mortandade enorme de gado, porque o herdeiro tem obrigação de matar todo o rebanho, para regalar o seu povo, e contentar a alma do finado.
No dia 22, houve um desastroso acontecimento no nosso campo.
Um dos meus moleques furtou-me uma bala explosiva do sistema Pertuisset; e de companhia com dois outros, decidiram reparti-la de modo que a cada um tocasse seu pedaço de chumbo. Armaram-se de uma faca, e posta a bala sobre uma pedra, deu-lhe ele um golpe, estando os outros dois acocorados para melhor ver a partilha; quando súbito a bala faz explosão, ficando os três feridos, e sobre tudo o moleque de Silva Porto Calomo, que recebeu treze estilhaços, produzindo alguns feridas profundas.
Mandámos uns pretos reconhecer, se já dariam vão os rios; e por eles soubemos, que se conservavam altos; o que bem supúnhamos, porque, durante a nossa estada ali, não cessou de chover. Resolvemos então seguir outro caminho, o qual, ainda que mais longo, era mais enxuto de águas; e por isso, pedimos ao chefe nos tivesse prontos os carregadores; o que ele fez, distribuindo eu as cargas no dia 23; mas nesse dia senti-me muito mal, e ainda que fiz seguir as cargas, fiquei eu, e os meus companheiros pelo meu respeito. Lutei com violenta febre por três dias, e não tenho consciência de ter passado o dia 25; dia duplamente festivo para mim, porque, sendo o de Natal, é o aniversário da minha filha.
Tiveram cuidado de mim Capelo e Ivens, o Chefe Roza e a sua esposa; e no dia 28, pude levantar-me e sair, decidindo logo partir no 1º de Janeiro de 1878, isto é, três dias depois.
A esposa do Tenente Roza fez-me dois presentes, que eu mal sabia então estavam destinados a representar um papel, ao diante, na minha viagem.
Foram eles um serviço de chá de porcelana de Sévres, e uma cabrinha muito meiga, de raça pequena, a que pus o nome de Córa.
A esse tempo sucedeu um desastre, que deveras me contristou. O meu carneiro, por causa de quem eu tive de sustentar tantas lutas com os carregadores famintos, foi morto por uma cadela perdigueira, que eu levara de Portugal, e dera ao Capelo. Perseguido pela cadela, na fuga quebrou uma perna ao passar por entre a paliçada do campo, e em breve se finou. Foi o meu primeiro grande desgosto nesta viagem, tão abundante deles.