Diário de África

Alexandre de Serpa Pinto · Capítulo 25 de 80

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Diário de África

O sova Mavanda vem dançar mascarado ao meu campo

 

O sova foi colocar-se a uns trinta passos em frente da linha, e começou uma brutesca dança, em que parecia fera enraivecida; conquistando os maiores aplausos da sua e da minha gente. Meia hora depois, correu, e foi sumir-se na sua povoação, sendo seguido pelos seus. Pouco tempo mais tarde, voltou ao meu campo, já sem o seu trajo feroz, e andou comigo até à noite. Decididamente eu tinha-lhe caído em graça.

Tinha aproveitado todo o tempo que podia tirar aos meus trabalhos, dando melhor arrumação ás cargas, tendente a diminuir o número delas. A fazenda que tinha era já quase nenhuma, e toda a minha riqueza monetária consistia num saco de buzio e na missanga comprada ao José Alves; mas o gasto, para sustentar a minha gente, era grande, e eu via com horror a diminuição do meu pequeno haver. No país a caça era pouca e miúda, pois apenas se encontravam algumas gazelas (Cervicapra bohor).