Diário de África

Alexandre de Serpa Pinto · Capítulo 41 de 80

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Diário de África

Barco e Remo do Cuchibi

 

 

Eu só pensava naquelas mulheres. Via já a canoa voltada, e eu presa de um crocodilo.

De repente, por uma hábil manobra dos remos, a canoa estacou, e Opudo disse-me: "Já é muito tarde para irmos a casa do meu pai, eu esperei-te muito tempo, volvamos para a terra, e amanhã voltarás." Pouco depois atracávamos, e elas acompanharam-me ao campo.

Veio a noite, e lá fora no acampamento, as danças e os cantares, e na minha barraca as filhas do régulo conversando de coisas indiferentes.

Levantaram-se quando cessou o ruido das festas, e foram deitar-se à porta da barraca junto de uma fogueira que acenderam.

Quis que elas fossem para a barraca da pequena Mariana, mas Opudo respondeu-me, que "era bicho do mato e estava acostumada a tudo."

 

Tambor das Festas Ambuelas

 

Nesse dia o meu Augusto, que foi ao mato caçar, encontrou um bando de macacos pequenos, os primeiros que apareceram no meu caminho desde a costa de Oeste.

No dia imediato, fui logo de manhã visitar o sova, mas, querendo evitar aventuras, armei o meu barco de cautchuc e fui nele.

O canal que segui vai desembocar num braço do rio que tem 20 metros de largo por 6 de fundo, com corrente rápida de 50 metros por minuto.

O rio divide-se, formando ilhotas baixas e encharcadas, onde cresce um canavial espesso. É nestas ilhotas, ainda cortadas por pequenos canais, formando um verdadeiro labirinto, que assentam as povoações Ambuelas num solo pantanoso, ao nível do rio. As casas são meio-encobertas pelo canavial basto. As paredes são construídas de caniços, assentes sobre estacaria, e as coberturas são de colmo.