Diário de África

Alexandre de Serpa Pinto · Capítulo 23 de 80

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Diário de África

Viagem ao Cunene

 

1. Rápido da Libata Grande.

2. Rápido de Canhacuto.

3. Rápido de Quiverequete.

CAPÍTULO 10

ENTRE OS GANGUELAS

 

No dia 14 de Junho, como eu tinha decidido, levantei campo, e ás 10 horas comecei a passagem do Cuanza, que durou duas horas.

 

Passagem do Cuanza

Prestou-me valiosos serviços o meu barco de cautchuc da casa Macintosh de Londres; mas ainda assim, o sova de Liuíca emprestou-me quatro canoas, que muito me auxiliaram.

 

Não houve o menor acidente durante a passagem, e ao meio dia seguia a leste internando-me no país dos Quimbandes. Tendo passado junto das povoações de Muzeu e Caiáio, fui acampar pelas 2 horas a E.S.E. da povoação de Mavanda, junto da nascente do riacho Mutango, que corre a N.O. para o Cuanza. As povoações ali não são já tão solidamente fortificadas como as de além Cuanza. Os Quimbandes formam uma confederação, sendo o país dividido em pequenos estados, que se unem sempre para proteção mútua. Todas as numerosas povoações em torno do meu campo obedecem ao sova Mavanda, que é tributário do sova do Cuio ou Mucuzo, na mesma margem do Cuanza um pouco ao N. A coisa que primeiro me ferio a atenção entre os Quimbandes, foi o penteado das mulheres, que são as mais extraordinárias que tenho visto. Algumas entrançam o cabelo de forma que, depois de ornado com buzio (caurim), assemelha um chapéu de dama Europeia.