Infância perdida

Sônia Altoé · Capítulo 1 de 62

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Infância perdida

Agradecimentos

 

Este estudo é fruto de preocupações e indagações que atravessam a minha formação profissional de psicóloga e psicanalista, e trata especificamente da questão de internação de crianças. Foi iniciado quando de minha primeira experiência em internato de crianças, como psicóloga, contratada em julho de 1980, e foi extraído da minha tese de doutoramento defendida em junho de 1988 no Departamento de Ciências de Educação da Universidade de Paris VIII.

Após terminar a tese de mestrado, também realizada na Universidade de Paris VIII em 1978-1980, voltei ao Rio de Janeiro com instrumental teórico sobre Análise Institucional e prática de intervenção feita pelos institucionalistas. Meu relacionamento se deu, sobretudo, com René Lourau, Georges Lapassade e Remi Hess. Tive também oportunidade de discutir meu trabalho, objeto de

tese de mestrado1 com Jean Oury e Jo Manenty e fiz um breve estágio em Bonneuil. Ao voltar, a experiência em internato foi meu primeiro emprego como psicóloga contratada. E, por motivos que são desenvolvidos na introdução, este trabalho se apresentou como uma oportuna possibilidade de adotar procedimentos e interpretações distintas daqueles que tinha realizado até então. Para ampará-los trouxe uma vasta literatura sobre Analise Institucional e me mantive atualizada através de correspondência que estabeleci com meu orientador René Lourau, a quem sou imensamente grata pela paciência e pela orientação recebida.

Diversos profissionais amigos também foram interlocutores importantes para que este estudo fosse realizado. Agradeço em especial a Alfredo Wagner B. de Almeida que me orientou na pesquisa de campo e deu uma colaboração preciosa durante toda a elaboração deste estudo. Foi com ele que aprendi o gosto pela pesquisa. Circe Navarro Vital Brazil e Rosilene Alvim muito contribuíram na discussão de várias partes e sobretudo foram amigas importantes que me ajudaram a renovar o ânimo nas horas de maior desânimo e sofrimento.

Outros colegas também ajudaram de diversas formas: Irene Rizzini (foi a primeira psicóloga que conheci atuante e indignada com a condição das crianças institucionalizadas), Paulo Scheneider e Suny (que haviam recém-chegado de Paris, tendo estudado com R. Lourau e Lapassade), Lilian Brower Gomes (que umas vezes fez o percurso Paris-St. Denis), Claire Beraldo (que como assistente dedicada trabalhou ao meu lado durante o último ano), como também Marília, Cynthia, José Roberto, professor Savas, Marilena, Viviane, Ana, Sonia, Fernando e Eliane. E ainda Mangabeira, Manon, Sidney, Kátia, Luppi e Genilda, com quem trabalhei na Feem na busca de um atendimento mais sensato e humano às crianças e adolescentes pobres. Agradeço também a Antônio Carlos Gomes da Costa e a Deodato Rivera, companheiros de diversos encontros e seminários, que formularam a ideia de internato-prisão.

Sou grata também a Zélia, com quem pude falar o quanto este trabalho com crianças confinadas me angustiava, o que permitiu mudanças no meu ânimo e nos caminhos trilhados.

Todos esses colegas e amigos foram fundamentais para que eu pudesse ter a energia necessária para realizar este estudo. A dificuldade se colocou não só pelo enorme trabalho de organizar um material tão vasto, mas sobretudo pela angústia que me causava reler e reescrever sobre as situações de sofrimento das crianças.

Agradeço à CESME-USU pelo apoio institucional na confecção das cópias da tese, e ao Conselho Nacional de Pesquisa pelo financiamento de minha ida a Paris na ocasião da defesa de tese.

À minha mãe.

Às crianças internadas, ao Paulinho, à Conceição, ao

Helcenir e a tantos outros, e também aos meus clientes,

sobretudo às crianças que me ensinaram a ser sensível

ao sofrimento emocional do ser humano na infância.

1 "Analyse institutionnelle d'une institution d'enfants handicapés", 1980, Paris, mimeo.