Infância perdida
1. Introdução
1. Introdução Neste internato a primeira questão que surge é o processo de transferência das crianças, em geral praticado pelos estabelecimentos próprios ou conveniados com a Funabem e a Feem. E feito para favorecer a organização administrativa, sem qualquer respeito às relações afetivas que as crianças possam estabelecer. Elas são jogadas de um internato para outro como se fossem objetos. A disciplina se torna mais rígida pois, nesta faixa etária (dois a quatro anos, meninos, e dois a dez anos, meninas), as crianças já andam e falam. Todos os seus deslocamentos são feitos em fila, o uso da linguagem é controlado e, a qualquer desvio, os internos são punidos com castigo. A criança não é sujeito em nenhum momento. O que se nota é uma infantilização do interno, havendo o tempo todo uma tensão entre a sua autonomia e sua dependência. Assim é mais fácil o controle de um número grande de internos por cada funcionário (50 para 1 adulto). Não há praticamente possibilidade de surgimento da criatividade por nenhuma fresta, nem pelo brinquedo nem pela linguagem.