Infância perdida

Sônia Altoé · Capítulo 32 de 62

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Infância perdida

Internato IV

 

Capacidade: 400 internos

Faixa etária: 8 — 10 anos (sexo masculino)

Tia, quando eu ficar homem igual ao seu Luís, onde é que vão me colocar?

Perereca, 10 anos

1. Introdução

Neste internato para a faixa etária de 8 a 10 anos, a disciplina atinge seu ponto alto e pouca diferença vai haver nas outras escolas. Somente no Internato VII, novas mudanças ocorrem. O treinamento da "ordem-unida" se inicia no internato anterior mas, neste e nos V e VI, é feito inúmeras vezes durante o dia como um instrumento de treinamento, submissão e controle dos internos. O apito é introduzido pelos inspetores para imobilizar e comandar. A exigência da boa postura e da exatidão dos movimentos em grupo atinge seu ponto máximo. A expectativa institucional é que a obediência cega à autoridade já esteja bem inculcada nos garotos. Surge a figura do monitor para ajudar no controle. Em meio a tanta disciplina, se observa, entretanto, que o interno se sente perdido, desprotegido, abandonado e aprisionado. Este sentimento de desproteção e abandono perpassa todo o seu cotidiano de diferentes formas. Ao invés de amigos e algum adulto de referência a quem possa pedir apoio, o interno se depara cotidianamente com o castigo, a humilhação, o constrangimento e a violência física e sexual. A saída possível é a fuga, que se inicia com tentativas ainda tímidas.