Raparigas como Nós

Helena Magalhães · Capítulo 16 de 59

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Raparigas como Nós

Capítulo 6

6

 

Quinta, 27 de janeiro de 2000

 

O meu pai comprou-me um telemóvel para poder estar contactável sempre que for preciso. Hoje levei-o para a escola para o mostrar a toda a gente. Dei o meu número a quem já tem telemóvel na turma e passámos as aulas a mandar mensagens uns aos outros até que gastei o saldo e, mais tarde, ouvi um sermão da minha mãe. Depois do almoço, houve uma confusão na escola porque uns rapazes encheram o pavilhão de gafanhotos. Toda a gente saiu a gritar e não tivemos aula de inglês. Passámos essa hora a fazer um jogo no jardim. Entretanto, o Simão apareceu com os amigos e as outras das argolas e foram para o nosso lado. Eu parei de jogar e fui sentar-me no muro com a Alice e a Luísa. O Simão começou a dar o seu espetáculo habitual. Atirou com o banco para o chão, virou-o ao contrário e colocou-se em cima dele a chamar-me. Como não fui, gritou para a estúpida das argolas: Mar, já podemos andar oficialmente. Elas todas riram-se e a Marisa gritou-me: Abre-latas, já foste. Eu continuei concentrada no livro que estava a ler. Entretanto o Simão e os outros decidiram jogar à bola. Despiu o casaco, atirou-o para o meu lado, no muro, e enrolou as calças até aos joelhos. A Alice, a Luísa e eu levantámo-nos e fomos ao Sr. Gil, ficámos lá a comer rebuçados sentadas no balcão. Mais tarde, enquanto voltávamos para a última aula, vimos o Simão e o resto dos rapazes a descer a rua e a dirigirem-se para as terras atrás da escola. Começámos a segui-los, mas eles repararam em nós e continuámos a andar em direção ao café, entrámos e ficámos na janela a observar. O que é que eles foram fazer para as terras?

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