Raparigas como Nós

Helena Magalhães · Capítulo 17 de 59

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Raparigas como Nós

Capítulo 7

7

 

Uma tarde, atravessámos as terras atrás da escola para perceber o que Simão e os amigos lá faziam. A meio do caminho, vimos um homem mais velho, nos seus cinquenta anos, parado no meio das ervas. Continuámos a andar numa descontração fingida, mas estávamos a olhar para ele, fixadas no quer que fosse que ele estivesse a fazer. A dada altura, ele virou-se e mostrou-nos o pénis. Estava a bater uma punheta ali no meio da mata e a olhar para nós. Precisei de um momento para compreender porque é que um homem ofegante estava no meio das ervas até que o vi, aquele braço estranho fora da braguilha das calças, enquanto olhava para nós com uma atenção repugnante. Ao passar em frente ao homem, gritei: «És um nojento». E desatámos a correr pelo caminho das terras entre gargalhadas num misto de euforia e repulsa. Quando chegámos à esquina que ia dar à rua principal da escola, parámos e sentámo-nos no chão a recuperar da corrida, as vozes estridentes porque a situação fora hilariante. Agora perguntava-me se era isso que Simão e os rapazes faziam nas terras atrás da escola. Seriam apenas miúdos a masturbarem-se em frente uns aos outros? E embora um pouco enojada, esse mistério apenas me deixara mais curiosa.

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