Raparigas como Nós
Capítulo 8
8
Sexta, 3 de março de 2000
Hoje foi o último dia de aulas e fomos à Barragem da Aguieira. Cheguei lá às 7h30 da manhã e o Simão já estava à porta da escola. Quando entrei no autocarro, começaram todos a gritar para me sentar ao lado dele, mas eu fingi que não queria. Ele de pé no banco aos saltos e a guinchar e eu, envergonhada e de cara tapada, a deixar que a Luísa me conduzisse até um dos lugares vagos. A professora de Geografia viu o Simão aos pulos em cima do banco e mandou-o sair do autocarro e ir com a outra turma. Toda a gente começou a assobiar em protesto e o Simão, entre risos, saiu do autocarro. Terminaram assim os breves cinco minutos em que imaginei que, a meio do caminho, ele viesse sentar-se ao meu lado. Quando estávamos na Barragem, a Alice tirou uma fotografia ao Simão com a máquina da Marina. A Luísa também tirou uma fotografia ao Simão. E, a dada altura, não sei como aconteceu, mas o Nico tirou três fotografias à cara do Simão com a máquina da Marina. O Simão puxou o capuz da camisola para cima e tapou a cara quase toda e, no meio disto tudo, começou à pancada com o Nico. Mais uma vez, a professora de Geografia avisou-o de que, se continuasse a fazer parvoíces, ia levar um processo disciplinar. Tive uma certa pena porque toda esta situação começou graças às fotografias que, afinal de contas, eram para mim. Só queria a porcaria de uma fotografia dele. Quando chegámos à escola já era de noite. O Simão sentou-se na mota e ficou parado à porta da escola a ver as pessoas a irem embora. Quando eu passei por ele a caminho de casa, acelerou a mota, gritou-me qualquer coisa e passou por mim a fazer cavalinho.
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