Raparigas como Nós
Capítulo 12
12
Uma tarde, depois das aulas, vimo-los a caminho das terras e corremos para casa de Marina, já que o seu quarto ficava virado para a traseira da escola. Subimos as escadas do prédio ofegantes e pusemo-nos à janela. A nossa imagem de cócoras na varanda a revezar os binóculos dos escuteiros de Marina era indescritível. Chegámos a imaginar que os íamos ver a fazer o mesmo que, semanas antes, víramos o velho fazer, esperávamos um qualquer segredo obscuro que, afinal, revelara que os rapazes iam para trás da escola fumar charros. Naquela altura, esta consciência de Simão fora grotesca, as drogas assemelhavam-se a algo bárbaro, atroz e Simão era divino na minha fantasia. Passara a olhar para ele com atenção sempre que o via a fumar, o que, eventualmente, se revelara sinistro. «Queres um bafo para melhorares o bafo metálico?», perguntou um dia Marisa quando me apanhou a observar Simão. Saí do bar debaixo de um coro de risos.
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