Senhorita Aurora

Babi A. Sette · Capítulo 29 de 63

Páginas do PDF

Senhorita Aurora

Capítulo 26

“This heart, it beats, beats for only you

 

My heart, my heart is your heart

(It beats, beats for only you. My heart is yours)

This heart, it beats, beats for only you”

My heart – Paramore

 

Hoje teremos muito ensaio com a presença do senhor Hunter.

Depois do último jantar juntos, há dois dias, nós vínhamos trocando mensagens sempre. Todos os dias, durante várias horas.

Quando entrei na sala, o senhor Evans e o Daniel já estavam lá.

Era estranho ser tão íntima de uma pessoa, como vínhamos ficando e...

— Bom dia a todos — o senhor Evans cumprimentou enquanto o maestro ficou em silêncio, como sempre.

Ele tinha que manter a postura, não podia mudar a forma de tratar a todos de repente.

Era o que eu queria acreditar, talvez até precisasse. Ou realmente essa era a maneira dele agir profissionalmente.

“Ninguém muda ninguém” minha mãe sempre dizia isso.

A Nathalia se aproximou e disse na minha orelha:

— Quando ele está com você, fora dos ensaios, vocês também conversam só pelo celular?

— Dá para você ser mais chata? — respondi em um tom de voz baixo.

Ela respirou devagar e desviou os olhos para o senhor Hunter, que estava de costas para nós.

— Ni, eu só não quero que esse cara te machuque. Sei lá, ele me assusta um pouco.

— Ele não vai me machucar.

— Aos seus lugares, senhores. — Ouvi a voz do senhor Evans.

— Depois conversamos — Nathy disse e se afastou.

Eu não queria falar sobre isso com ela. Que porcaria, é muito louco como as pessoas que dizem te amar, tem essa mania insuportável de querer controlar a sua vida por acreditarem que sabem dela ou do que acontece nela mais do que você.

No final do ensaio, eu começava a me perguntar se a Nathalia não tinha razão em estar preocupada. Eu estava. Só que não comigo e sim com o Daniel. O que acontecia com ele? O senhor-grito-com-todos-Hunter parecia quieto. Muito quieto. Estranhamente quieto. E mais do que isso, ele andava de um lado a outro da sala. Levantava e sentava, entrava e saía do estúdio. Perdi as contas de quantas vezes fez isso nas últimas horas. Só sei que foram muitas. No intervalo, eu mandei um WhatsApp para ele:

 

“Oi, está tudo bem?”

 

Ele visualizou e não respondeu.

— Nathy, não precisa me esperar. Eu vou resolver umas coisas por aqui e depois vou para casa — avisei assim que fomos dispensadas.

Ela olhou rapidamente para o Daniel, que pegava as coisas dele, e então para mim.

— Tem certeza?

— Hum-hum...

— Ok — ela disse e se afastou.

Eu esperei ele sair da sala e fui atrás da maneira mais discreta que consegui. Ele pegou o elevador que dava acesso à saída, era apenas um andar e se eu corresse pela escada, poderia alcançá-lo antes dele entrar no carro.

Dois lances de degraus engolidos pelas minhas pernas depois, abri a porta de incêndio. Ofegante, olhei para os lados e vi que Daniel andava em direção à porta. Era tarde, nós ensaiamos até um pouco depois do horário e estávamos sozinhos. Continuei andando rápido até ele, parei quando Daniel colocou a mão na maçaneta, pois já estava próxima, bem próxima.

— Daniel? — chamei-o e notei que ele enrijeceu o corpo, mas continuei sem fôlego. — Fale comigo, está tudo bem?

Ouvi uma respiração longa. Ele abriu a porta. Sem pensar segurei seu braço. Ele virou o rosto e me encarou.

Deus, os olhos dele estavam vermelhos.

— Fale comigo.

Ele olhou para baixo.

— Nicole, me deixe sozinho.

A voz dele me deu um calafrio na espinha: estava baixa, morta, repleta de desespero.

Neguei com a cabeça. Que porcaria que acontecia? Ele tomou um impulso para sair e eu apertei ainda mais a mão em torno do seu braço. Nem notei que ainda o segurava.

— O que aconteceu? Eu quero tentar te ajudar.

Ele deu uma risada triste.

— Me solte, Nicole, alguém pode ver. Você não pode me ajudar... eu preciso ficar só. — E exalou o ar parecendo cansado.

Deixei meu braço cair, ele fechou os olhos, respirou fundo e saiu. A porta era de vidro e não consegui me mexer enquanto o olhava se afastando de cabeça baixa, derrotado. Uns cem metros à frente, ele parou. Achei que fosse virar e me encontrar ali como uma idiota, grudada no chão. Ele encostou a cabeça na parede e seu corpo tremeu.

Meu Deus!

Os ombros dele sacudiam.

Meu Deus!

Eu tinha certeza de que o Daniel convulsionava de chorar. Cobri a boca com a mão angustiada e saí sem pensar duas vezes. Ninguém merecia passar pelo que quer que ele estivesse passando, sozinho. Mas ele já andava outra vez. Acelerei os passos. Ele virou a esquina. Continuei mais rápida. Virei a mesma esquina a tempo de vê-lo entrando em um pub.

O lugar estava lotado, era happy hour e bêbados engravatados enchiam a cara em uma competição ridicula para ver quem era mais idiota. Eu detestava esse ambiente dentro dos bares. Mesmo assim, avancei até o encontrar sentado junto ao balcão. Ele acabara de virar uma quantidade absurda de conhaque ou uísque. Vi ele girar o dedo no ar e o barman serviu-o em seguida de mais uma dose generosa.

Se eu fosse falar com ele, o quanto ele me acharia metida e sem noção?

E se ele me mandasse embora outra vez, o quanto eu me acharia idiota?

Ele virou a segunda dose e abaixou a cabeça em cima dos braços que estavam cruzados sobre o balcão.

Me aproximei devagar. Hesitante, eu levantei a mão e toquei em seu ombro, ele me encarou.

— Oi.

Daniel não falou nada, só negou com a cabeça e soltou o ar pela boca. Então, enfiou a mão no bolso, tirou algumas notas, deixou em cima do balcão, agarrou a minha mão e me puxou para fora do bar.

Continuamos andando em passos largos. Paramos ao encontrarmos uma rua menos movimentada. Ele se deteve e girou até ficarmos de frente.

— Achei que tinha pedido para você me deixar sozinho — Daniel disse, mas não de maneira rude, porque ele estava sofrendo.

Quando percebi, minha mão envolveu o rosto dele.

— Eu não consegui te deixar sozinho.

Ele fechou os olhos e colocou a mão em cima da minha. Senti os seus dedos acariciarem a minha pele antes dele afastá-la com apenas um movimento.

— Eu não estou em um bom dia, Nicole, é melhor você ir embora — dizendo isso ele começou a andar.

Ao seu lado eu me sentia em uma espécie de realidade paralela, onde buracos abriam e me sugavam. Cada um desses buracos provocava uma sensação diferente e incontrolável. Ali, tinha caído no buraco da falta de amor-próprio, porque, apesar de ter sido mandada embora outra vez, minhas pernas me levavam quase correndo atrás dele. Notei Daniel erguer a mão e o farol de um carro preto esporte piscou. Era uma BMW, que deveria ser dele e esse idiota iria dirigir depois de virar duas doses enormes de bebida?

Ah, mas não ia mesmo!

Em poucos passos estava na porta do outro lado. Daniel entrou quase junto comigo.

— O que é isso? — ele perguntou com os olhos estreitos.

Eu em um buraco de imbecilidade.

— Eu salvando a sua vida. Me dá a chave, Daniel. Você não vai dirigir.

Ele ficou um tempo me olhando em silêncio e, pelo jeito que fazia isso, ou ele ia me botar para fora do carro pelos cabelos, ou arrancar minha roupa e transar comigo. O ar ficou denso que nem algodão.

Eu o assisti abaixar a cabeça e apoiar a testa no volante.

— Nicole, sai do carro, por favor.

— Não. Se você quiser dirigir, vai ter que fazer isso comigo do seu lado.

— Que merda, Nicole! — Ele me olhou outra vez daquele mesmo jeito intenso, com a boca entreaberta e a respiração curta.

Passei a língua nos lábios, porque queria a boca dele na minha.

Fechei os olhos, ainda querendo a boca como queria o balé, o ar, a música. Ouvi a porta abrir. Merda, ele ia me botar para fora. Então, eu entrei no buraco da esquizofrenia, porque, quando dei por mim, arrancava a roupa. Tinha muita prática em trocar de roupa em segundos, por causa das apresentações de balé. Quando Daniel alcançou a porta do meu lado, eu já tinha tirado o casaco, a calça de malha e a camiseta. Estava só de calcinha e sutiã. Nem tive tempo de sentir vergonha ou de entender o quanto a minha ideia era absurda, ridícula, e o quanto eu ia querer me matar depois.

Ele abriu a porta. Abaixou resolvido e... parou. Seus olhos saltaram, enquanto notei o movimento da sua garganta ao engolir.

— O que é isso? — A voz do Daniel saiu ainda mais rouca do que era.

— Ou você vai me colocar nua para fora, ou vai ter que me vestir.

Ele me analisou de cima a baixo com os olhos que pareciam duas bolas de fogo, eu busquei o ar com a boca enquanto o olhar dele incendiava o mundo. A respiração do Daniel ficou mais rápida.

— Merda! — ele murmurou.

Não tive tempo nem de piscar, a boca dele estava na minha. Ele estava em cima de mim. A porta do carro foi fechada. Eu montei em cima dele. As mãos do Daniel desceram e subiram pelas minhas costas, abriram o fecho do sutiã, fecharam em punho nos meus cabelos e puxaram a minha cabeça para baixo. Eu arqueei o pescoço dando o acesso que ele exigia. Engoli o gosto de conhaque dos beijos dele, nunca conhaque me pareceu tão bom.

— Eu te quero tanto, porra! — Daniel disse e desceu os lábios no meu pescoço.

Gemi quando as mãos dele fecharam em cima dos meus seios e, em seguida, ele os sugou e lambeu-os enquanto soltava uma espécie de rosnado. Enterrei os dedos na massa de cabelos castanhos pedindo, implorando mentalmente, para que ele não parasse nunca mais.

Minha mão escorregou para dentro de sua camiseta e deixei os dedos correrem por todo abdômen até chegar no cós da calça. Ele se afastou um pouco e me olhou de um jeito diferente.

— Por favor — pedi e nem sabia o quê. Sim, claro que sabia. Eu queria ele inteiro, queria demais. Meus quadris se moviam em cima dele em um ritmo louco, como se soubessem o que fazer em uma sabedoria instintiva e natural. Daniel gemeu e me beijou de uma maneira que nunca tinha feito, ele tomava tudo de mim com a boca. Abri a calça jeans dele. Pela primeira vez o senti inteiro na mão, e o som que saiu do peito de Daniel devia ser gravado e eternizado como música.

— Daniel... — comecei sem fôlego.

— Hum... — ele gemeu e me beijou outra vez.

— Eu... eu preciso te dizer uma coisa. — Tentei outra vez.

Daniel beijou meu maxilar e deslizou os lábios até minha orelha. Cravei as unhas nos ombros dele e todo o meu corpo formigou de prazer quando ele sugou a minha orelha.

— Eu sou virgem — confessei de uma vez, enlouquecida de desejo —, mas quero... quero que seja você.

Ele endureceu embaixo de mim e não apenas da maneira esperada. Todos os músculos do seu corpo retesaram, como se ele tivesse tomado um choque. Ele tirou a boca da minha e se afastou. Abri os olhos e encontrei um Daniel pálido, que parecia ter visto um fantasma.

— Jesus Cristo! Que loucura é essa? — continuou sem fôlego. — Que merda nós estamos fazendo?

Tive a sensação de que um balde de água gelada caiu em cima da minha cabeça. Ele cobriu os olhos com as mãos.

— Nós não podemos, Nicole, não agora dentro de um carro... Nós tínhamos combinado... Mas que bosta que eu quase fiz...

Então, eu me encolhi e senti meus olhos encherem de lágrimas. Por que algo que nunca pareceu tão certo para mim, podia parecer tão errado para ele. Por quê?

— É porque eu sou virgem? — perguntei, me sentindo ainda mais envergonhada.

— Não, quer dizer, também... Nós não podemos, não aqui, não desse jeito.

Pisquei lentamente e senti as lágrimas descerem pelo rosto.

— Ah, meu Deus! Não chore, Nicole.

Ele percebeu.

— Foi uma merda de dia difícil pra cacete... Se você chorar por minha causa... — A voz dele falhou. — Por isso pedi para você ficar longe... eu sou a porra de um monstro... Só trago merda para a vida dos outros.

Engoli em seco e tentei respirar normalmente.

Ele estava com lágrimas nos olhos e parecia tão ferido.

Somente então entendi que eu tinha invadido o espaço dele de muitas maneiras.

Ele pediu distância, mais de uma vez. E agora estava chorando também, ou estava a ponto disso. Ao invés de ajudá-lo como era minha intenção, eu piorei as coisas.

— Você não é um monstro, Daniel... eu só queria tentar te ajudar, mas é que quando estamos juntos, eu preciso... eu quero tanto você, que acabo fazendo coisas...

— Nicole — ele segurou meu rosto entre as mãos —, sou eu quem tenho que te pedir desculpas. Eu quase... Meu Deus... Nós não podemos, não ainda.

— Eu sei — disse sem saber direito.

— Meu Deus, me desculpe... eu perdi a cabeça. Eu não posso, não desse jeito.

Por que ele se desculpava mesmo?

Olhei algumas pessoas passando na rua, mais à frente. Casais abraçados, grupos de amigos rindo. Outras andando sozinhas. Eu queria tanto que ele se abrisse, confiasse em mim, não tivesse que esperar qualquer coisa para me contar o que fosse.

— Amigos até o fim das apresentações? — ele perguntou, chamando minha atenção e passou as mãos por minhas costas.

Eu levantei o rosto e dei um beijo no seu queixo meio quadrado.

— Amigos contam para os outros o porquê estão tristes e eu só queria te ajudar e entender.

Daniel respirou fundo e ficamos em silêncio por um tempo.

Ele umedeceu os lábios antes de falar:

— Eu vi uma pessoa hoje na rua... uma pessoa que me lembra a maior cagada que já fiz. — A voz dele quase não saiu.

Eu escorreguei a mão no seu peito, o incentivando a continuar.

— Uma pessoa que jamais me perdoará e que... eu jamais me perdoarei pelo que eu trouxe para a vida dela... E não me peça para falar mais nada hoje, por favor.

Ele inspirou o ar pelo nariz de maneira entrecortada. Em seguida, ficou em silêncio.

Acho que isso seria tudo o que ele falaria por hoje. E não me sentia no direito de pedir mais. Apesar de querer muito saber, não podia. A verdade era: eu topei ficar com ele nessa condição estranha, já tinha topado ser só sua amiga e esperar o tempo que tinha me pedido. Se havia alguém ali, querendo quebrar com o nosso combinado, era eu.

— É sobre a conversa que teremos quando as apresentações acabarem? — perguntei.

— Sim.

— Tudo bem. Se você quiser ficar sozinho... eu... eu vou embora.

Dois braços fortes envolveram minha cintura e apertaram meu corpo contra o dele.

— Não, fica... fica aqui, por favor.

Eu respirei fundo aliviada, também queria ficar. Queria muito mesmo ficar.

— Deixa eu me vestir — pedi já buscando a camiseta.

Daniel colocou uma música e em pouco tempo estava no colo dele outra vez, com a cabeça no peito largo e quente. A música que começou a tocar era Enjoy the silence, do Depeche Mode.

— Palavras são como a violência — ele começou a cantar a letra baixinho no meu ouvido. — Quebram o silêncio , colidindo dentro do meu pequeno mundo doloroso para mim, me perfurando por dentro. Você não entende, minha garotinha?

Ele está sussurrando a letra para mim para que eu o entenda. Meu coração disparou.

— Tudo o que eu sempre quis, tudo o que eu sempre precisei está aqui nos meus braços.

E ele apertou um pouco os braços em volta do meu corpo. Tive que morder os lábios por dentro para não chorar. O que será que o deixou tão triste?

Queria que ele ficasse bem. Queria poder ajudá-lo. Lembrei que quando era criança, minha mãe dizia que o balé fazia mágica. Bastava eu dançar que nada me deixava triste, ou irritada. Então, ela me deu um colar e um pingente de bailarina para que eu nunca mais ficasse triste.

— Eu vou fazer uma mágica — disse erguendo a cabeça do colo dele. Enfiei a mão atrás do cabelo e abri o fecho do meu colar, sorrindo com a ideia que acabara de ter.

— Uma bailarina de ouro mágica — afirmei, já colocando o cordão no seu pescoço.

Suas sobrancelhas grossas arquearam.

— Ela não deixa você ficar triste — concluí tentando soar divertida.

Daniel pegou a corrente pelo pingente. Olhou para ele com a boca um pouco torcida.

— É mesmo? Vamos ver se ela funciona — concluiu com um sorriso torto nos lábios. Aquele sorriso torto que eu amava.

Funciona sim, viu?

Voltei a recostar a cabeça no colo dele satisfeita e a música preencheu o carro outra vez.

 

Acordei com Daniel beijando minha fronte.

— Bela adormecida — ele disse. — acorde, nós apagamos por quase quatro horas.

— Ai, meu Deus, jura?! — Me ergui assustada em um pulo.

— Calma, está tudo bem, estou sóbrio e posso te levar em casa agora.

Esfreguei os olhos com as pontas dos dedos e fui para o banco ao lado. Estiquei as pernas e os braços.

— Você está melhor? — perguntei depois de bocejar.

— Sim, obrigado. — Ele beijou a minha testa, carinhoso.

— Viu como ela funciona?

— Quem?

— A bailarina.

Ele sorriu.

— Quem funciona na minha vida é você, senhorita Aurora. — Meu coração disparou, foi até a lua e voltou.

— Então me devolve — pedi tentando disfarçar o quanto aquela frase mexeu comigo.

— O quê?

— O colar, meu Deus!

— De jeito nenhum — ele disse e colocou a corrente dentro da camiseta.

— Daniel, é minha.

— Não é mais.

— Foi minha mãe quem me deu, tem um valor sentimental — afirmei e abri as duas mãos no ar.

— Agora ela tem um valor sentimental para mim também.

— É uma bailarina... é coisa de garota.

— É, é uma coisa da minha garota... e eu a quero bem aqui... comigo. — Ele bateu no peito na altura que devia estar o pingente, era quase no coração.

Suspirei e meu coração acelerou ainda mais.

— Você vai ficar ridículo com ela — eu disse sem segurar o sorriso bobo.

— Eu não ligo a mínima... agora, vou te levar para casa.

Concordei sem tem certeza por quanto tempo as coisas entre nós funcionariam daquele jeito: sustentadas em cima de segredos e recheadas de um desejo insuportável que tínhamos que controlar por muitos dias.