Senhorita Aurora

Babi A. Sette · Capítulo 41 de 63

Páginas do PDF

Senhorita Aurora

Capítulo 38

“When you were here before

 

Couldn’t look you in the eye

You’re just like an angel

Your skin makes me cry

You float like a feather

In a beautiful world

I wish I was special”

Creep – Radiohead

 

Eu seria uma baita mentirosa se dissesse que estava supertranquila. Sentia-a tranquila com essa conversa enquanto a estreia ocupava tudo... Mas ali, quem ocupava tudo era esse homem de um metro e noventa, moreno, olhos azuis e que dirigia o carro com um vinco entre as sobrancelhas.

É engraçado como as coisas em nossa imaginação funcionam de um jeito totalmente diferente da realidade.

Tinha imaginado que ao dizer que queria conversar no apartamento dele, Daniel entenderia que eu havia topado passar por cima de todo passado, doença ou qualquer coisa. Achei que fosse ficar radiante e teríamos uma noite de amor, tipo de sonhos, e que nada, nem mesmo a fada má, poderia arruinar essa situação.

Ledo engano.

O vinco de tensão em sua testa era a resposta mais decidida que eu tive por parte do Daniel, até agora. Era como se o vinco contasse: “Eu não tenho certeza de nada, Nicole. Não sei se estou disposto a levar isso adiante e achei que tinha conseguido cumprir com a parte de te aterrorizar, levando você até o cemitério e mostrando o túmulo da minha ex”.

O carro diminuiu a velocidade e encostamos na entrada da garagem. Com ou sem vinco, a conversa iria acontecer e, pelo estado de ansiedade em que eu me encontrava, era melhor não traçar nenhum outro cenário imaginário, cheio de expectativas.

Deixaria rolar. Respiraria e deixaria rolar.

Subimos em silêncio.

O apartamento dele em Londres era em frente ao Parque das Rosas da rainha, junto a academia de música. A esposa oficial do homem que eu estava prestes a pedir que me levasse para a cama. O balé era o meu marido até pouco... talvez ainda fosse meu marido, o que significava que se transássemos, nós dois cometeríamos adultério. Que ridícula! Essa era eu tentando tirar o peso da conversa que logo teríamos.

— Que beber alguma coisa? — ele perguntou.

— Não, obrigada.

Eu já tinha estado aqui antes. Sofás de camurça marrom, piso de madeira encerada, piano de cauda, é claro. Uma janela enorme que cobria metade da parede frontal da sala. Quadros de fotos preto e branco: dele regendo, tocando, regendo e tocando de novo. Tapete tipo persa, cozinha americana, porta do quarto — minha respiração acelerou — eu conheci tudo ali, só que naquela noite o apartamento me pareceu diferente, mais...

Masculino?

Daniel parecia mais masculino. Ele tinha tirado o fraque, a gravata e estava somente em mangas de camisa e calça social, sentado com as pernas um pouco abertas e as duas mãos em cima do joelho. Isso fazia os músculos dos seus braços se destacarem. Fazia também uma parte do tribal aparecer. Sem dúvida alguma, tudo ali parecia mais masculino.

Ou será que esse leitor de testosterona eram os meus hormônios querendo jogar em favor do sexo?

Nunca quis transar com alguém desse jeito antes, então, com certeza, deviam ser os hormônios.

— Você esteve incrível, hoje — ele disse.

— Obrigada, você também... Gostei do seu cabelo — afirmei apontando com o olhar.

— Cortei hoje mais cedo — ele respondeu parecendo desconfortável com o elogio e disfarçou. — Parece que os nove dias já estão lotados.

— É... ouvi falar.

Sabe aquele silêncio constrangedor entre duas pessoas que precisavam conversar assuntos difíceis? Era isso o que rolava, junto com o leitor de hormônios ocupado.

Ninguém sabe direito por onde iniciar e aí as frases idiotas começam a surgir. Coisas que já foram ditas ou que não fariam a menor diferença serem ditas.

— Você está com fome?

— Não, eu comi um pouco entre os intervalos.

Silêncio.

— A noite está bem bonita hoje — Daniel afirmou.

— Está? Quer dizer, eu não reparei.

Perguntas idiotas eram piores que o silêncio.

Resolvi ir direto ao ponto.

— Daniel, eu... bom, eu pensei sobre tudo o que você me falou e... eu, eu... — Engoli em seco, respirei fundo e disse de uma vez: — Tudo bem para mim. Eu quero ficar com você.

Meu coração surrava o peito. Minha respiração transcendia o coração e... nada do que eu imaginei acontecia, porque, naquele momento, deveríamos arrancar nossas roupas em direção à cama. Mas o que acontecia era ele me olhando como se tivesse nascido pés de rúculas e brotos de beterrabas no meu rosto.

Daniel respirou uma, duas, três vezes.

— Que parte do “eu sou HIV positivo, transmiti para minha única namorada e a vida dela acabou”, você não entendeu?

— Oi? — Fiquei tremendamente chocada e o oi saltou da minha boca.

— Nicole, eu... você é jovem e acho que está iludida. Você não sabe direito o que está falando.

— Como assim?

Ele respirou fundo de novo, várias vezes. Parecia derrotado, exausto. Tudo naquela sala estava errado, porque se tinha alguém que era para estar respirando fundo a fim de tentar não sufocar ou surtar era eu.

— Nós conversamos há poucos dias — Daniel começou com os olhos fechados —, você não teve tempo de pensar direito, vou te levar para casa e...

— Eu não estou entendendo. — Ele estava me dispensando, é isso?

— Nicole, presta atenção — ele falava como se eu tivesse cinco anos, controlado e ponderado como se estivesse discutindo a lista de compras semanais com uma criança.

— Você está me dispensando? — Precisava ter certeza antes de surtar de vez.

— Não, eu estou sendo sensato.

— Você está sendo um idiota covarde.

— Não, você está sendo impulsiva e...

— E o quê?

— Estou lhe fazendo um favor.

Aí eu gargalhei, de um jeito bem feio na verdade, parte do som saiu pelo nariz e eu me senti uma louca.

— Você está fazendo o favor de me dispensar, é isso?

— Não... eu estou...

— Você é um covarde e mentiroso, você sempre soube, não é? — Sim, eu me sentia uma louca.

O Daniel me olhou sem dizer nada, porém, a respiração dele acelerou.

E então... eu entendi tudo e continuei ainda mais exaltada:

— Você sempre soube que nunca levaria adiante, que não queria me dar a escolha, você já tinha tomado a decisão sozinho por isso, seu... seu... imbecil! Por isso você me levou até o cemitério, não é? Para você ali seria o fim, você só me disse para pensar com a ideia de fazer tudo ficar mais bonito... talvez porque...

Eu queria matar ele com o olhar, queria deixar claro a raiva que sentia.

— Porque você tinha certeza de que eu nunca diria sim — terminei segurando no maxilar a vontade de explodir de tanto chorar.

— É errado você dizer sim — ele soltou entredentes.

— Nunca houve uma chance para nós dois, você sempre soube qua aquela conversa macabra no túmulo de sua ex-namorada era também o enterro de qualquer chance que pudéssemos ter juntos. — Eu ofegava e gesticulava com as mãos, indignada e muito, mas muito brava.

Ele ficou um tempo em silêncio. Porém, quando falou a voz saiu rouca e baixa:

— Acho que você tem razão, eu sempre soube que não... Apesar de também ter tentado me enganar.

Daniel levantou, eu pulei junto como se o sofá tivesse me queimado.

— Eu nunca, nunca me perdoaria se algo acontecesse com você — ele disse.

— Não tente sair com honra, você é um fraco, é o maior estúpido que eu já conheci, por isso você grita, não é? Para que ninguém perceba a bosta de covarde que você é!

Seus olhos se estreitaram, mas eu nem liguei, porque não via mais nada além da raiva pulsando em cima de mim, tatuando os meus nervos.

— Você me pediu para não te olhar com pena — ri, debochando. — Que patético! É você quem tem pena de si mesmo.

— Pare, Nicole! — Ele segurou os meus dois braços.

— Você morreu junto com a sua ex, ex qualquer coisa, só que não te enterraram.

— Chega! — ele urrou e me apertou com mais força.

Eu estava derrotada de raiva, queria gritar e bater nele até quebrá-lo em dois. O que era uma estupidez impossível pela nossa diferença de tamanho. Mas minha raiva não sabia disso, minha língua também não. Não voltaria para casa derrotada, não depois de vencer um milhão de fantasmas, de passar por cima de todo o medo, de vencer o lance do cemitério. Não iria embora me sentindo uma menina estúpida por ter cometido o erro de me apaixonar pelo cara errado. O mais covarde de todos.

— Faça um favor para a humanidade: nunca, nunca pare de gritar e de assustar as pessoas, você machuca menos fazendo isso do que fingindo ter alguma bosta de sentimento aí dentro. — Eu tremia. Minhas pernas, minha voz e o chão derretia no ódio que aquele idiota me fazia experimentar.

— Cresça, senhorita Aurora, você ainda vai entender o favor que eu te fiz, vou esperar você vir me agradecer por ter tido coragem de fazer o que estou fazendo — dizendo isso ele soltou os meus braços. — Vou te levar para casa. — Terminou dando dois passos para trás.

O mundo desprendeu dos meus pés. Eu mergulhei no vazio. Nem sabia que podia sentir tanta raiva de alguém e que essa raiva podia tomar o controle da situação. Ela levantou o meu braço. Fez toda a minha força se concentrar nele. Foi a raiva que jogou o meu braço para trás e levou a minha mão espalmada a cortar o ar. Eu só entendi que ele tinha pegado minha intenção de bater nele, quando o meu pulso doeu pela força que o Daniel usava, a fim de imobilizá-lo. Ele segurou a minha outra mão com apenas uma das suas. Com a outra, deteve a minha cabeça e veio na minha orelha.

Quando Daniel falou, entendi que tinha conseguido deixar ele com raiva também.

— O que é isso agora, você vai me bater, sua louca?

Então, eu me senti humilhada e fragilizada e a raiva virou dor e inconformidade. Odiava me sentir frágil. Tinha muito medo de admitir como o controle é uma ilusão ferrada. Nós não temos controle de nada, talvez, só de como vamos reagir diante das coisas que acontecem e, nesse caso, nem mesmo isso conseguia controlar, porque um soluço saiu no meu peito, passou pela minha garganta e eu comecei a soluçar sem parar.

— Eu... — disse em meio ao choro. — só queria que você... — solucei —, se machucasse... como eu... como você me machucou agora.

Notei suas mãos afrouxarem a pressão, soltarem as minhas mãos. Ele envolveu minha cintura, abraçou minhas costas e me trouxe para dentro dos seus braços, onde, por qualquer motivo incoerente e masoquista, eu me sentia em casa.

Ele beijou a minha fronte várias vezes antes de falar:

— Nicole, me perdoe. Me perdoe porque... Deus, o que eu acabei de te dizer foi a coisa mais difícil que já fiz na vida. Mas é o certo. Você, nós... eu não posso... Você merece alguém com menos problemas, alguém que te faça sorrir e que não te leve para a merda de um cemitério querendo expulsar da própria vida a única coisa boa que aconteceu.

Eu respirava com dificuldade e não tinha mais pernas, ele me segurava de todas as maneiras que eu podia ser segurada.

Sua voz rouca me puxou um pouco mais para ele:

— Alguém que possa te dar um futuro cheio de vida e... que não tenha medo de te amar, como eu tenho... Você merece, Nicole, alguém completamente diferente de mim... porque a morte me ama e ninguém quer estar perto dela... Eu... eu não quero você perto da morte. — E ele me abraçou com força.

Era isso, eu estava ali, nos braços de um homem tão complicado que me assustava. Um cara que carregava uma bagagem tão grande que devia ser proibida para uma única pessoa fazer. Eu mesma tinha os meus dramas e a minha bagagem, apesar de ser bem menor que a dele, ela também me incomodava, vez ou outra. Não sabia se conseguiria levar a dele junto, se conseguiríamos levar as nossas expectativas e medos em dupla. Ali, nos braços dele, eu me sentia em casa. De uma maneira tão profunda que nem mesmo o balé seria capaz de entender.

Olhei para o Daniel e vi lágrimas nos olhos azuis.

— Eu não quero ninguém melhor do que você. — Segurei o rosto dele entre as mãos. — Você não é a porcaria desse vírus, você é uma pessoa que vive com ele e que vai viver por muitos e muitos anos. Então... — Respirei fazendo uma pausa, as pupilas do Daniel estavam agitadas, deslocando-se rápidas de um lado para o outro. — Então, trate de aceitar isso e viva, Daniel.

Ele fechou os olhos e respirou fundo.

— Você sabe o que tudo isso traz junto, não sabe? Os exames, o medo de ser contaminada, o meu medo de te contaminar.

— Eu sei... Eu pesquisei, conversei com um amigo que é médico, você deve saber. — Busquei os olhos dele sem fôlego. — Você sabe que hoje não é assim. Se nos cuidarmos, eu... estarei segura.

— Por mais que as coisas estejam diferentes... sempre existirá o medo... eu tenho, porra, muito medo — ele confessou e passou as mãos em cima dos olhos parecendo mais velho e abatido.

Encostei a cabeça no peito dele, o sentindo subir e baixar em uma respiração lenta.

— Isso que você está falando é tão pequeno. Você diz que tem medo de que eu pegue esse vírus, caso algum acidente aconteça enquanto transamos... Quando sabemos que se seguirmos tudo o que é indicado, as chances disso acontecerem são praticamente zero.

Ele respirou fundo outra vez, mas eu continuei:

— Para mim, isso parece uma desculpa para não viver, não sentir, por medo... Ninguém sabe o que a vida nos reservará no próximo instante... Enfim... eu entendi que nunca me apaixonei porque também sentia medo... O exemplo de amor dos meus pais é um fracasso.

Inspirei o ar pela boca e ouvi o coração acelerado do Daniel.

— Sabe — prossegui —, as desculpas para o nosso medo de viver podem assumir muitas formas: um vírus, um trauma, a ilusão de que estamos seguros com o conhecido... Mas, no fundo, tudo isso é uma coisa só: medo. A única coisa que temos de verdade está aqui — Eu toquei no coração dele, senti-o ainda mais acelerado. — eu e você agora. Posso sair daqui e morrer de câncer daqui um ano, enquanto você pode envelhecer e ter uma morte natural e tranquila. Você pode nunca mais se permitir sentir ou se apaixonar, ou até mesmo amar alguém e, de repente, passar o resto de sua vida se arrependendo por não ter... tentado... Nós só temos o agora, aliás, esta vida, então eu quero vivê-la de verdade.

Enchi o peito de ar e coragem antes de continuar:

— Eu não quero passar o resto dessa vida, que eu não sei quanto tempo durará, pensando: E se eu tivesse tido coragem para me permitir, como teria sido? — terminei e enxuguei as lágrimas do rosto com as costas da mão.

Senti os lábios dele na minha testa e nas minhas bochechas.

— Eu... não posso. Não consigo... Desculpe. — Os braços que me envolviam caíram.

Eu fiquei um tempo olhando para o Daniel, sem acreditar que tudo acabaria ali, daquele jeito.

Nossas respirações estavam aceleradas, assim como o meu coração.

— Não acredito — murmurei sem me dar conta.

— Me desculpe — ele repetiu e tocou no meu rosto, nas minhas lágrimas.

Dei dois passos para trás, me afastando. Não queria mais nada, nem gritar, nem bater nele. Só queria sair de lá. Só queria chorar até tudo voltar a fazer sentido. Continuei me afastando e peguei minha bolsa em cima do sofá.

— Deixa eu te levar em casa — Daniel pediu com um olhar derrotado.

Neguei com a cabeça.

— Não. Eu vou de táxi.

Virei de costas para ele, coloquei a mão na maçaneta.

— Me perdoe, Nicole — ele disse.

As lágrimas continuavam embaçando minha visão enquanto o meu coração esmigalhado doía demais.

— Sabe? — comecei antes que me afogasse na dor. — Eu também tenho medo, só que eu sempre acreditei que o amor é maior do que qualquer medo. Mas, talvez entre nós, ele apenas não seja grande o bastante.

Ouvi a respiração cortada dele atrás de mim.

— Adeus, Daniel!

Abri a porta meio tonta. Porém, antes que pudesse sair do apartamento, os braços fortes dele me envolveram e me trouxeram para junto do seu corpo outra vez. Nem percebi que ele havia se aproximado.

— Meu Deus... Eu não consigo... Não consigo... — Daniel repetiu desolado.

Virei de frente para ele.

— Não vou conseguir deixar você ir embora — ele afirmou com a testa colada na minha.

Sem pensar retribuí ao abraço e voltei a respirar, meu coração voltou a bater.

Graças a Deus!

— Eu sou tão errado — começou ele —, tão errado que não vou conseguir pedir para você ir outra vez... Eu não consigo.

— Não peça — eu disse e ergui o rosto para encará-lo.

Seus braços me envolveram com mais força e meu corpo se moldou completamente ao dele. Então, seus lábios estavam nos meus. Tudo o que parecia errado foi consumido no nosso beijo. Nada nunca foi tão certo. A boca nele na minha, meu mundo voltando a encaixar, nossos corpos se encaixando. Nos beijamos por muito tempo, nem sei quanto. Eu sentia tanta saudades e, pelo jeito que ele me beijava, como se quisesse me levar para dentro dele, também.

Nos afastamos um pouco, ofegantes.

— Eu quero te levar para um lugar muito especial — ele disse.

Eu quis dizer que já estava nesse lugar, mas ele continuou com os lábios ainda colados nos meus:

— Um lugar que sei você também achará especial... Um lugar especial, como você.

Os nossos dedos se entrelaçaram e quando notei ele me puxava em direção à porta.

— Agora? — perguntei tonta e sem ar, culpa dos beijos.

— Sim, quero que tudo seja o mais perfeito possível.

— Vai ser — eu disse olhando a porta do quarto, não queria mais esperar, meu corpo não queria.

Ele segurou o meu rosto entre as mãos.

— Vai ser o momento mais especial da minha vida e em uma hora e meia a gente chega lá.

— Uma hora e meia?

— Você tem medo de cavalos e de motos? Tem medo também?

— Nunca parei para pensar nisso, por quê?

— Que bom — ele disse abrindo um armário e tirando dois capacetes. — Nós vamos em uma.

— Moto? — Eu quase ri quando me lembrei de que desde o começo o rotulei de motoqueiro.

— Sim... Você tem alguma troca de roupa na sua mochila?

— Tenho.

— Ótimo...

Daniel abriu a porta do apartamento, mas parou antes de cruzá-la e disse com a voz baixa:

— Você... você tem certeza?

— Eu nunca tive tanta certeza na minha vida.

E o sorriso que ele abriu como resposta preencheu tudo o que ainda estava vazio no meu coração.

— Vamos, senhorita Aurora, conhecer o lugar que é meu paraíso na Terra.

As coisas mudavam muito rápido na bipolaridade dele e talvez na minha. Que porcaria, eu nunca me senti mais feliz do que agora e nunca me senti tão miserável há menos de vinte minutos. Se essa era uma mostra do que viveríamos juntos, eu só tinha uma certeza: nunca, jamais, morreríamos de tédio.