Senhorita Aurora
Capítulo 49
“Just don’t give up
I’m workin’ it out
Please don’t give in
I won’t let you down”
Whataya want from me – Adam Lambert
Três meses depois...
Seis meses após o acidente recebi alta da fisioterapia. Podia retomar as atividades físicas de maneira gradual, podia até mesmo, com ponderação, daqui a alguns meses, voltar a calçar o sapato mais importante para os meus pés: uma sapatilha de ponta.
Eu sentia que as sessões de análise estavam fazendo algum efeito. Na verdade, o que mudou mesmo foi a minha vontade de tentar consertar as coisas. Vinha conversando com o Daniel quase diariamente. Acho que no final, talvez, nos tornássemos apenas amigos.
Sentia saudades dele. Não como amigo, mas como o meu Daniel Hunter, meu maestro e o único homem que amei. Admitir que talvez nós pudéssemos ficar juntos outra vez foi outra vitória para mim. Admitir que eu queria ficar junto com ele, foi uma vitória real. Mas não tinha certeza... porque há algum tempo o Daniel não falava nada sobre nós. No começo, achei que era para não me pressionar, mas agora era possível que ele tivesse desistido, superado, esquecido e eu não podia culpá-lo e nem cobrar nada.
Já tinha muitas culpas para lidar, então tentava não me culpar por isso também.
A amizade dele podia não ser tudo o que eu queria e, apesar de parecer pouco, eu sabia que era muito e talvez fosse tudo o que sobrou da nossa história.
Naquela noite eu tinha outra culpa para resolver. Sentei em minha cama e disquei o número.
Eu sabia que, pelo horário, ela devia estar em casa. Depois do quarto toque, ela atendeu:
— Estou ligando para pedir perdão — disse antes mesmo do alô.
Ouvi o silêncio junto com respirações longas do outro lado.
— Ahhh, Nicole, é você? — Ouvi um soluço. — Sua vaca, eu achei que nunca mais fosse ouvir a sua voz — ela disse com a voz quebrada pelo choro.
— Desculpe, minha amiga, me perdoe, eu... minha cabeça ficou tão ferrada... Acho... Acho que ainda está, mas agora, pelo menos, eu consigo admitir como estava sendo horrorosa com todos que eu amo. Eu te amo, minha amiga.
— Eu também, Nicole. Muito.
— E como você está? Me conta...
— Eu estou bem, sinto sua falta. — Ela suspirou. — Paul está praticamente morando aqui.
— Eu sabia que vocês iriam acabar assim! Casados?! — perguntei divertida.
— Ainda não, eu disse para o Paul que só aceitaria me casar com ele quando você voltasse a falar comigo... porque eu não posso casar sem ter você como madrinha e...
— Ah, amiga, eu sinto tanto.
Nathy fungou,
— O problema é que o Paul tem certeza de que você só vai voltar a ficar bem quando se acertar com o Daniel, então esses homens resolveram se unir e sair para beber duas vezes por semana...
— Eles ficaram amigos, então?
— Melhores amigos — Nathy contrapôs e deu uma risada.
Ficamos por alguns instantes em silêncio.
— A verdade é que... eu estive triste, principalmente o Daniel, sabe? Eu fiquei bem amiga do chato.
— Você? — perguntei engolindo a vontade de chorar.
— E o Ivo também.
— Jura? — Dessa vez, não consegui segurar as lágrimas.
— Daniel me disse que vocês têm se falado por mensagens.
— Sim, eu... eu sinto muitas saudades dele... de todos.
Nathy respirou devagar.
— Fico muito feliz por você, por ele, por vocês, Ni, mas eu juro que se você ficar tanto tempo sem falar comigo outra vez eu te mato...
Nos falamos por quase duas horas. Eu a amava e sabia que ela sempre seria a minha irmã. A única que a vida me deu. Ela prometeu que me visitaria até o final do ano, eu disse que iria visitá-la também, algum dia.