Senhorita Aurora

Babi A. Sette · Capítulo 60 de 63

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Senhorita Aurora

Nota da Autora

Querido leitor,

 

Quando decidi escrever sobre o relacionamento de um casal sorodiferente, não imaginava o quanto aprenderia e quanto eu me envolveria com essa realidade que hoje, graças a esse romance, enxergo de outra maneira.

Mergulhei em um processo de pesquisa grande: li vários estudos publicados, conversei com médicos infectologistas e com pessoas que vivem essa realidade. Fiz isso, para embasar com dados científicos e reais o que foi colocado no livro.

O casal sorodiferente, que é citado pelo Paul, médico e namorado da Nathalia (amiga da protagonista), que vive juntos há anos e tem filhos, foi um dos relatos reais que eu encontrei durante esse trabalho. Sim, hoje é possível através da reprodução assistida, casais sorodiferentes (especialmente homem + / mulher - ), terem filhos sem HIV. Os filhos do Daniel e da Nicole são gêmeos, isso pode acontecer quando se insemina artificialmente.

O Daniel se trata com os novos antirretrovirais, assim ele mantém a taxa de vírus no seu sangue praticamente zerada, o que, para pacientes que se cuidam, mantém uma alimentação saudável, fazem exercícios e não se estressam, pode significar uma vida bastante longa e com uma boa qualidade. Daniel teve o diagnóstico precoce e se ele manter o tratamento correto, isso pode igualar a sua expectativa de vida a de pessoas sem HIV. Devo mencionar que os principais problemas da atualidade são os efeitos colaterais decorrentes do uso a longo prazo dos medicamentos e não da doença em si. Esses, vão variar de pessoa para pessoa, de caso para caso. Existem pacientes que mesmo se tratando há muitos anos, não apresentam efeitos adversos ou colaterais.

O que a Nicole fala de se sentir segura junta ao Daniel é a afirmação dos médicos infectologistas na atualidade. Além deles usaram sempre a camisinha, Daniel se tratando com os mais modernos antirretrovirais e mantendo assim, a sua taxa do vírus HIV indetectável, diminui bastante o risco de contágio em caso de acidentes com a camisinha durante as suas relações.

“Além disso, a profilaxia pré-exposição já está em fase de testes e, de acordo com estudos preliminares, reduz em 94,9% as chances de infecção (indicada somente em casos de acidentes). Se tudo correr bem, a terapia com esse medicamento, chamado Truvada, pode representar uma nova revolução no tratamento da doença, por ser mais uma alternativa de prevenção do vírus.” (http://blogs.atribuna.com.br/amordemae/2015/02/casais-sorodiscordantes-podem-ter-filhos-sem-hiv/ )

Mesmo assim, Daniel faz exames mensais para checar a taxa de vírus no seu sangue e Nicole sabe que terá que fazer exames a cada três meses, para ter certeza de que os métodos preventivos estão dando os resultados esperados, é como eles se sentem mais seguros para viverem essa realidade.

Eles têm esperança de que as coisas possam ficar ainda melhores, isso porque mais de 44 novos remédios e vacinas estão em testes atualmente no mundo. Há, para o meio científico, uma boa expectativa de que a cura do HIV não esteja muito distante de ser alcançada.

Gosto de acreditar que o Daniel é um dos afortunados, que terá uma vida longa e saudável e que nunca manifestará a doença. Também gosto de acreditar que a cura e a vacina estão próximas a serem encontradas e que as 30 milhões de pessoas que vivem com HIV hoje no mundo, poderão ver isso se tornar realidade, em um futuro não tão distante.

Pude perceber que, apesar de todo o avanço da ciência com relação ao tratamento e a diminuição do risco de contágio, um dos grandes problemas ainda enfrentado por pessoas que vivem com o HIV é o medo de revelar a sua condição às outras pessoas, assim como acontece com o Daniel. O medo da rejeição, do preconceito, de ficar sozinho e de ser visto, não como um ser humano que, por infelicidade da vida ou de suas escolhas, contraiu uma doença grave e sim como o próprio vírus.

Volto a frisar que mesmo diante de todos os avanços com relação ao tratamento e ao contágio do HIV, e apesar de ser considerada uma doença que pode ser controlada (na grande maioria dos casos) e não mais fatal, o HIV é uma doença crônica e a melhor maneira de se evitar o contágio ainda é o sexo com uso do preservativo, ou o sexo seguro, assim como praticam os nossos protagonistas.

Desejo de coração que a informação seja o maior combate a qualquer tipo de preconceito e que o amor seja sempre o maior aliado em todas as escolhas das nossas vidas.

Com carinho,

Babi A. Sette.