1973: O Ano que Reinventou a MPB
A Liberdade É Araçá Azul
ARAÇÁ AZUL − CAETANO VELOSO
Ricardo Moreira
raçá Azul foi engendrado por Caetano Veloso em 1972 – ano em que os
A
caracóis de seus cabelos eram repatriados à brisa brasileira. Um a
contem plação panorâm ica de sua carreira elegeria este com o o prim eiro m ovim ento artístico de sua traj etória fonográfica individual no tabuleiro pós-exílio. No entanto, dentro da pauta hiperativa de Caetano daquele ano, esta não seria a tarefa inaugural. Transa, o disco m ais cultuado dos dois gravados em Londres, era lançado sincronicam ente ao seu retorno em j aneiro ao Brasil e o colocaria na longa and winding road de shows enquanto o destino preparava para bater à sua porta com dois convites tão m arcantes e definitivos quanto suas consequências.
Um desses convites viria através de André Midani – executivo-m or da gravadora de Caetano, a Philips – e viraria história instantânea. O encontro titânico Caetano e Chico – Juntos e Ao Vivo foi gravado no Teatro Castro Alves, em Salvador, nos dias 10 e 11 de novem bro de 1972 para ser posto na rua a toque de caixa ainda a tem po do Natal (!). Na ocasião, sobrara para os técnicos e produtores a tarefa de, naquele escasso espaço de pós-produção e m ixagem , editar, j ustapor am bientes e criar outras m aquiagens auditivas para encobrir trechos de letras previam ente proibidos de serem cantados por dois ex-exilados políticos perseguidos pela lupa repressora da censura ditatorial. O resultado, no entanto, seria libertário. Derrubaria de vez a desavença biônica fabricada pela m ídia viciada na dissem inação de rivalidades entre ídolos e torcidas dos antigos festivais e se transform aria em fenôm eno de vendas.
Pontaço para Caetano que atendia em cheio à dem anda do público ávido por seu refinam ento, inquietação e argúcia em criar e revirar canções. A dem onstração clássica dessa arte estava atualizada então em disco, bom bando por todo o país ao lado de outra explosão fonográfica revolucionária de 1972, Acabou Chorare dos Novos Baianos. Am bas eletrocutavam quaisquer resquícios de preconceito contra a cultura pop planetária que invadira a m úsica brasileira flagrantem ente a partir de um a noite (de outubro) em 67 e ao longo do ano que não term inara em 31 de dezem bro de 1968. A liga de aço e ny lon que fundira as seis cordas de Hendrix às de João Gilberto operada por Moraes, Pepeu e trupe neobaiana tinha no LP da dupla eco estético natural na perform ance de Caetano em “Partido alto” de Chico, revalidando assim a audácia tropicalista envenenando o sam ba e seu autor de corpos presentes.
Dessa form a, até o final de 1972 o exercício de seu inconform ism o estético se dava na segurança hom eopática do veneno aplicado em doses infinitesim ais e o organism o da MPB reagia bem ao tratam ento contra a m oléstia do com odism o. Mas a relação profilática não duraria m uito.
O segundo convite do m esm o seria um desafio vindo da grande tela com todo o poder sedutor que sua origem poderia exercer sobre um ex-crítico de cinem a do soteropolitano Diário de Notícias que fora feito refém da m úsica com o expressão artística exclusiva. Inspirado na obra hom ônim a de Graciliano Ram os, Leon Hirszm an acabara de rodar o film e São Bernardo. O diretor pensou no com positor leonino para rugir sua trilha reprocessando o ar do brutal nordeste alagoano de Graciliano sob o ponto de vista santam arense de um Caetano recém -chegado da swinging London. Potencializados pela ausência de um produtor m usical, a liberdade e o experim entalism o não encontraram barreiras na trilha criada pelo artista e, talvez por essa dose radical de solitário livre-arbítrio, nunca tenha achado espaço com ercial para lançam ento em disco. Por outro lado, o trabalho serviu para fazer florescer um broto de goiaba, ou araçá - com o é conhecido o fruto na Bahia, em m eio aos seus caracóis.
O título Araçá Azul j á perseguia Caetano desde o Tropicalism o. Nascera num sonho no qual Maria Bethânia surgia no alto de um araçazeiro cham ando atenção do irm ão para o único fruto de cor azul daquele pé. Ao colhê-lo, ela que j á am eaçara j ogar-se lá de cim a caso ele o fizesse, cum pre a am eaça. O susto corta a cena e o pesadelo. Mas o incôm odo prem onitório só se dissipou quando o artista plástico Rogério Duarte o aj udou a processar a experiência perturbadora com um a visada m ais psicanalítica do episódio. O am igo via nele algum indício inconsciente de com petição entre as duas carreiras ou que Caetano pensasse ser possível um dia desenvolver um proj eto que se antagonizasse a esse nível com o ideário artístico da irm ã. Caetano percebeu a lógica do raciocínio e arquivou a tese na m em ória de um futuro eventualm ente factível.
Foi j ustam ente o cotidiano de estúdio na produção do LP da irm ã, Drama, no segundo sem estre de 1972 que fez a ansiedade em purrá-lo para sua nova aventura em disco. Caetano Em anuel Vianna Teles Veloso colheu então o fruto proibido deixando-se conduzir por seu desej o original. Sem grilos, planos ou culpa. Além de algum as vagas ideias com o a de reexperim entar a superposição de vozes descoberta na trilha de São Bernardo e convocar alguns am igos para as sessões, ele escolhera com o m odelo artístico a inexistência de um . Iria produzir, im provisar e com por j á dentro do am biente tecnológico com o um m enino solto num parque de diversões eletrônicas de 16 canais.
O disco Araçá Azul foi lançado em j aneiro de 1973 – um ano que o tem po, com a licença de Zuenir Ventura, m ostrou ser candidato ao segundo lugar na categoria de “infinitude” pela overdose de álbuns definitivos. Porém , entre tantos LPs daquele ano instantaneam ente eternos pela com binação de ineditism o com facilidade de com unicação, a m uito particular eternidade de Araçá Azul viria som ente com o passar dos anos. Na verdade, em sua história im ediatam ente posterior, o LP batera som ente um recorde: o de devolução de discos por consum idores insatisfeitos.
Em sua gravadora − liderada por um executivo que tinha no risco m ais do que um a filosofia em presarial, m as seu m aior investim ento − provavelm ente o fracasso com ercial fora considerado parte de um j ogo com pensado com o m egassucesso sim ultâneo do proj eto que Caetano topara fazer com Chico. A propulsão do êxito com ercial de Juntos e ao Vivo dera a Caetano crédito, liberdade e até porque não dizer, estím ulo corporativo para “errar”. Afinal, ousadia, sensibilidade e engenho com punham o j ogo artístico da MPB e em particular daquela trova baiana liderada por Caetano e Gil.
Desde o prim ário contato visual, o LP Araçá Azul fazia em ergir seus subtextos. A im agem espelhada na capa parecia dem onstrar a intenção do artista de m ostrar-se com o ele próprio o via e não enquadrado à interpretação do fotógrafo Ivan Cardoso. A atm osfera tropical e a indefectível sunga verm elha com punham um a descarada antítese clim ática da estam pa encasacada de seu disco de chegada aos estúdios de Londres. Um certo breu no olhar, talvez o único paralelo entre as duas im agens fosse proporcionado em Araçá Azul pela som bra de seus cabelos sobre seus olhos e intenções.
E Caetano não facilitou o acesso ao trabalho praticam ente solitário realizado no estúdio Eldorado em São Paulo. Ferindo gravem ente as expectativas de seu público m ais conservador, o medley de abertura “Viola, m eu bem /De conversa/Cravo e canela” im põe inclem entes seis m inutos de extrem ism os estéticos. Parecia que se ali o artista não estivesse buscando afrontar a caretice e a estupidez que o fizeram am argar dois invernos na grande ilha do norte ou a alienação bovina do povo à sua penúria desde que a barra pesara em 69, quem sabe com a catarse m usical, quisesse inconscientem ente testar a capacidade afetiva de seus com patriotas? Ao servir então de entrada o prato e a voz de Edith Oliveira direto dos Candom blés de Caboclo de sua infância antes do papo alienígena da faixa dois, “De conversa/Cravo e canela”, ele precipita propositadam ente o choque. Estes prim eiros ram os espinhosos da escalada soavam com o um contum az “am e-m e ou deixe-m e” para m uitos que acabariam derrotados por sua própria intolerância voltando às loj as para buscar seu dinheiro e adm iração de volta.
A presença do cancioneiro latino em sua obra de intérprete não era novidade pois j á fora grafitado nos sulcos tropicalistas de 68. O curioso é notar com o a releitura do bolero “Tu m e acostum braste” – do cantautor cubano Frank Dom inguez –, m oderna para a época em seu vazio harm ônico e rítm ico que excluía até o fam igerado bongô, talvez não tivesse chegado a causar estranheza ou rej eição àqueles que perseveraram até o terceiro galho do Araçá. Depois de lavados os ouvidos na “The Caetano Veloso Experience” do início do álbum , o bolero soa praticam ente com o um single bem intencionado. Talvez um pouco de surpresa tenha causado apenas o tom fem inino escolhido que exigia do artista um falsete coerente com os trej eitos escandalosos de Carm en Miranda encenados na turnê contem porânea do LP Transa.
Falando em tom , aquele que fora certeza no bolero cubano pende entre sol e ré na cabeça da letra de “Gilberto m isterioso”. Com eçam ali m ais quatro m inutos de um a nova instalação m usical que usa quase um a m elodia de fábula para reconhecer a arte visionária de Gil e se expandir pelos enigm as do poeta Sousândrade, apresentado a Caetano por Capinam no livro ReVisão de Sousândrade, dos irm ãos Haroldo e Augusto Cam pos. “De palavra em palavra” faz uso apenas da captação do am biente do estúdio com o base para articulações fonéticas de Caetano grudarem -se um as às outras praticam ente em um novo idiom a. Provocador com o tudo até então.
Múltiplos ecos de Transa pintam no medley que une “Eu quero essa m ulher assim m esm o” com “De cara” – parceria do artista com o guitarrista Lanny Gordin. A reverberação não se dá apenas na arregim entação análoga de m úsicos, ela aparece, sobretudo, no ângulo sam ba-blues que revê o clássico de Monsueto. O com positor, por sua vez, j á aparecera em “Mora na filosofia” – outro sam ba abduzido por Caetano no seu segundo LP gravado na capital inglesa. Ouvindo o registro, é fácil im aginar o quanto o peso sônico/autoral da guitarra do indescritível Lanny deve ter influenciado na decisão de creditá-lo com o parceiro e a Caetano, por exiguidade de espaço criativo, restou “apenas” brilhar com o intérprete. Ainda que dentro do perím etro ilim itado de piração do Araçá esta sej a um a estética j á investigada pelo baiano em disco anterior, a sabedoria cirúrgica de isolar em experim ento o rock n’ roll contido m elódica e liricam ente neste sam ba é ourivesaria rara e o resultado, arrebatador.
Um a piada dita m uitas vezes tam bém vira verdade. Foi assim com o título “Sugar Cane Fields Forever”. A brincadeira que reincidia quando se deparavam com os canaviais no cam inho de Santo Am aro virou m úsica. Tia Edith, que sabia m ais de cana do recôncavo do que de m orangos de Liverpool, assum e novam ente prato e faca e quebra tudo num sam ba-de-roda que em erge e subm erge do onírico verde m ar que Caetano pintou na faixa. O resultado resum e de form a bastante abrangente as intenções intuitivas do disco e chegam os a desconfiar que toda a viagem em direção ao araçá m utante não passe de desculpa para passar fevereiro em Santo Am aro. A vontade é de ir j unto.
Se num a ordem alternativa os tais consum idores insatisfeitos tivessem ouvido de prim eira a faixa anterior, boa parte talvez não tivesse devolvido o disco. E m ais, vale arriscar tam bém que os m esm os defensores da canção ortodoxa, ao ouvirem nas rádios o single eleito pela gravadora, se não retornaram para buscar de volta o seu Araçá, foi por pura teim osia. E a nova m úsica de Caetano que tocava no dial de 1973 fora criada m esm o a partir de um a dúvida: Júlia ou Moreno? Na falta do recurso ultrassonográfico para identificar o sexo de seu bebê com Dedé, Caetano usara o som da m aneira que lhe era m ais fam iliar para im pregnar a fita analógica de sua incerteza paterna em “Júlia/Moreno”. Ainda que brinque com a sofisticação concretista de construir triângulos na visualização de sua letra im pressa, no disco ela é aquela que preserva a form a clássica da canção e por isso, escolhida com o o single. Um belo sam binha tím ido de tem po forte praticam ente invertido pela obstinação do piano de perna que lhe presenteia com um solo m em orável. Canção de sexo híbrido, m as, a cara do pai.
Com “Épico”, os tím panos da grande orquestra do Maestro Rogério Duprat gravados na assepsia do estúdio parecem anunciar um film e de ação e espionagem . No entanto, Caetano lá da calçada da Avenida São Luiz intercepta a exibição da superprodução com seu repente patrocinado pelo rugido das descargas, buzinas e poluições sonoras em geral captadas ao vivo no caos de São Paulo, a m aior cidade nordestina do Brasil. Ao aproxim ar os extrem os que separam a m úsica de elevador do cum e experim ental de Sm etak (um “Merlin” do instrum ental alternativo), Caetano desafiava o apetite voraz da cidade industrial que ainda se com prazia m ais da m ão de obra subescravizada da nação nordestina do que consum ia a contribuição cultural de gênios com o João Gilberto, Herm eto Pascoal e do próprio Walter Sm etak − um “nordestino” de Zurique que elegera a Bahia para viver até m orrer em 1984. Para um bom “entendido” − aquele iniciado a quem no encarte Caetano confia a com preensão do álbum − m eio panfleto sonoro basta.
Alcançado o topo do disco onde pende o Araçá Azul, cada ouvinte está livre para assim ilar seu sabor e nutrientes em sua quím ica particular. O cerne intuitivo que guiou o artista na criação da obra tanto deu a ele o direito de tirar conclusões posteriores – quase com o um Chico Xavier contem plaria um a psicografia inconsciente − quanto dá a nós, liberdade de interpretação. Alguns podem avaliá-lo com o fruto de um a retrô-picália que fecha o ciclo criativo iniciado em 1967 para Caetano continuar avançando na linha evolutiva de sua arte. Outros podem enxergar num painel holístico, Araçá com o a segunda troca de pele estética feita por Caetano dentro das m icro-tropicálias que desem penharia no futuro – com o aquela em que abrirá m ão do refinam ento virtuoso do produtor e arranj ador Jaques Morelenbaum para ingressar com o band leader no frescor de um grupo neogaragista no proj eto Cê.
Tudo pode, ou não, valer consideração. Mas, subj etividades à parte, o que é perene a todos que se preocuparam em refletir sobre a obra atem poral erguida no LP, é que, ao contrário de quase todos os seus contem porâneos, o artista fez revolução partindo da própria form a que contém a m ensagem revolucionária. Para isso, nem a intelligentsia estava preparada. Ainda que dotado de um incom um e generoso talento gerador de canções e construções m usicais, Caetano faz, acim a de tudo, arte e essa prática terá sem pre o poder transgressor de ir além do que é rotulado com o m úsica. Araçá Azul pertence a esse rol inclassificável de obj etos artísticos e, por conseguinte, assim deve ser experim entado. Seria m iopia cham á-lo de herm ético, j á que sua m ensagem está aí para quem se dispuser enxergá-la ao seu m odo. Com o seria tam bém parcial colocá-lo apenas no escaninho vanguardista considerando que seus m ovim entos não se dirigem apenas para frente, m as em todas as direções, incluindo a de dentro.
No cum e da escalada, Caetano ensina que a sofisticação vem m esm o da sim plicidade. Acom panhado de seu violão nos perm ite recuperar o fôlego contem plando a paisagem da canção que deu o nom e m ais belo ao disco e ao seu antigo m edo. Resta apenas então a dúvida gostosa de ter, por j ustam ente não carecer, resposta: será que Bethânia gosta de Araçá?
Araçá Azul (Philips − 6349 054)
Um disco para entendidos.
Bola Nieve – Herm ínia Silva – Clem entina de Jesus
Dinailton – D. Morena
Direção de produção: Caetano Veloso
Assistente de direção: Guilherm e Araúj o
Técnico de gravação: Marcus Vinícius
Estúdio: Eldorado (São Paulo, SP)
Arranj os: Perinho, Caetano Veloso e Rogério Duprat
Capa: Luciano Figueiredo e Oscar Ram os
Fotos: Ivan Cardoso
Lado A
1. Viola Meu Bem (tradicional)
Edith Oliveira: voz e prato
Luciano Oliveira: pandeiro e atabaque
2. De Conversa (Caetano Veloso)
Cravo e Canela (Milton Nascim ento e Ronaldo Bastos) Caetano Veloso: vozes superpostas, percussão sobre a pele, os ossos e um pouco de piano im provisado no estúdio.
3. Tu Me Acostumbraste (Frank Dom inguez)
Caetano Veloso: voz, violão, assovio e piano
4. G ilberto Misterioso (Caetano Veloso / Souzândrade)
Caetano Veloso: voz, violão, piano e assovio
Tuti Moreno: percussão
O verso m isterioso de Souzândrade
5. De Palavra em Palavra (Caetano Veloso)
Caetano Veloso: vozes superpostas inspirado por/dedicado a Augusto de Cam pos, presença & help de Arnaldo dos Mutantes
6. De Cara (Caetano Veloso e Lanny Gordin)
Eu Q uero Essa Mulher Assim Mesmo (Monsueto e José Batista)
Lanny : guitarra e guitarra
Tuti Moreno: bateria
Moacy r Albuquerque: baixo
Caetano Veloso: voz
Lado B
1. Sugar Cane Fields Forever (Caetano Veloso)
Edith Oliveira: voz e prato nos sam bas-de-roda Luciano Oliveira: pandeiro e atabaque nos sam bas-de-roda Perinho: todos os arranj os para orquestra e para conj unto, m ais viola brasileira
Moacy r Albuquerque: baixo
Antônio Perna: piano
Tuzé de Abreu: flauta
Tuti Moreno: bateria e vibrafone
Caetano Veloso: voz, violão e passarinho de barro Marcos Vinícius: m áquinas
2. Júlia/Moreno (Caetano Veloso)
Caetano Veloso: voz
Perinho, Tuti, Tuzé, Moacy r, Perna
Presença e aj uda de Roberto Menescal
3. Épico (Caetano Veloso)
Caetano Veloso: voz
Avenida São Luiz: canos de descarga e buzinas Gente da rua de São Paulo: vozes e silêncio
Rogério Duprat: arranj o para orquestra
4. Araçá Azul (Caetano Veloso)
Caetano Veloso: voz e j um bo