1973: O Ano que Reinventou a MPB

Célio Albuquerque · Capítulo 49 de 54

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1973: O Ano que Reinventou a MPB

“Essa Música É para Adiante”

MATITA PERÊ − TOM JOBIM

 

Roberto Muggiati

 

Em 25 de j aneiro de 1973, Antônio Carlos Brasileiro de Alm eida Jobim fazia 46 anos. Um m ês antes, deu um presente a

 

E si m esm o: um a viagem a Nova York para gravar um disco que no Brasil não era considerado suficientem ente “com ercial”. O próprio parceiro de letra da faixa-título, “Matita Perê”, Paulo César Pinheiro, disse a Tom que a m úsica não ia ser tocada nas rádios: “É m eio sinfônica e tem tem po dem ais para o rádio, quase oito m inutos.” Tom repicou: “Mas essa m úsica aí não é pra agora. É para adiante.”

A esta altura da vida, Tom estava m ais do que seguro sobre o que queria. Transbordando de ideias m usicais e tam bém poéticas – para ele sons e palavras iam sem pre j untos – alm ej ava outro patam ar artístico. Brincava com a fam ília: “Não quero acabar a carreira aos 80 anos cantando ‘Garota de Ipanem a’ num circo do interior e sendo vaiado.” Já havia esboçado alguns arranj os com Dori Cay m m i que conta: “Tom arregim entou um a orquestra im ensa para gravar no antigo estúdio da Colum bia no centro do Rio de Janeiro. Quando a gravação com eçou, o som , tudo, o incom odou brutalm ente. Então m andou suspender, que não ia dar certo aquilo, não.”

Surge então outro estúdio da Colum bia, o de Nova York — a m ilhares de quilôm etros de distância, principalm ente na tecnologia sonora. Conhecido com o “The Church” – por ter abrigado vários cultos, o últim o sendo A Igrej a Evangélica Arm ênia – o estúdio da CBS na Rua 30 foi o palco de gravações lendárias: os LPs Kind of Blue de Miles Davis e Time Out de Dave Brubeck (aquele do Take Five); West Side Story de Leonard Bernstein; os prim eiros álbuns de Bob Dy lan e vários do genial pianista clássico Glenn Gould. Foi naquele espaço privilegiado que Tom gravou o álbum Matita Perê nos dias 11 (segunda-feira), 12 e 13 de dezem bro de 1972. Para atingir o nível sonoro que alm ej ava, ele se valeu do arranj ador alem ão Claus Ogerm an, que m ostrava profunda em patia pela obra de Jobim . Claus j á havia colaborado com Tom em The Composer of Desafinado Plays (1963), Francis Albert Sinatra and Antonio Carlos Jobim (1967), Wave (1967) e Tide (1970). Claus tam bém regeu a orquestra que incluía alguns dos m ais requisitados m úsicos de estúdio dos Estados Unidos. Alguns deles tinham gravado, naquele m esm o estúdio, nas lendárias sessões de Miles Davis com a banda de Gil Evans, e tam bém em outros álbuns de Jobim com andados por Ogerm an.

Dori Cay m m i, que participou das gravações, relatou: “O Tom m e dizia: ‘Põe o Claus Ogerm an, põe um alem ão na sua vida que fica tudo certo.’ Na verdade, ele tinha preguiça de ter essa visão orquestral que o Claus tem . ‘Saudade do Brasil’ (no disco Urubu) é um a obra-prim a, se bem que o Tom tocava no piano igualzinho. Mas o Claus instrum entou a m úsica com um a beleza, com um a capacidade de em ocionar, que a m úsica orquestrada ficou m uito m elhor do que tocada pelo Tom no piano. Fiquei surpreso, porque geralm ente as m úsicas só com o Tom no piano ficavam m elhores do que com outra instrum entação qualquer.”

Para entender m elhor a gênese de Matita Perê, precisam os voltar ao início daquele ano de 1972. Tom Jobim estava de saco cheio da situação nacional. De um lado, era pressionado pelas patrulhas ideológicas a com por m úsica “engaj ada”. Do outro, foi prensado pelo regim e m ilitar por ter assinado um m anifesto contra a censura e se retirado do Festival Internacional da Canção da Rede Globo em 1971. Enquadrado na Lei de Segurança Nacional, teve a correspondência violada e o telefone gram peado. Intim ado várias vezes a depor, cedeu e acabou topando com um escrivão gente boa que resolveu a situação, segundo Tom , “de um a m aneira bastante brasileira”. O funcionário teria dito: “Olha aqui, esse negócio de polícia não é bom , não queira se m eter com isso... Vou bater aqui um negócio para o senhor...” Datilografou um a declaração que Tom acabou assinando: “Esse papel aqui diz que o senhor não teve intenção...”

A fuga para a natureza era inevitável e Tom passou a se em penhar m ais na construção da casa em seu sítio de Poço Fundo, em São José do Vale do Rio Preto, na região serrana do Rio de Janeiro. Isolou-se lá com a m ulher, Thereza, num a casinha de pau-a-pique à beira do rio cham ada Barraco Dois, durante as obras da casa principal. Num depoim ento sobre o álbum , Tom diz: “É um problem a conseguir botar na pauta coisas que estão na alm a da gente. Com o dizer, por exem plo, Matita Perê? Estou fazendo letras, coisa que nunca fiz com essa força. Fiz letras, sim , m as falando de Corcovado, etc. Matita fala outra linguagem , não é m úsica rom ântica, não tem am or nem m ulher.”

Na verdade, tudo com eçou em m arço de 1972. “Sou um m ateiro incrível”, dizia Tom . “Mas aprendi com Guim arães Rosa que a gente nunca pode entrar com pletam ente no m ato; só a m etade.” Mesm o afundado na m ata prim al de Poço Fundo, Matita Perê lhe escapava, fugaz, não se rendia a Tom . Depois de três dias tentando com por o tem a, ele desaba exausto num sofá. Mesm o caindo de sono, pega o violão e com eça a desfiar uns acordes e a cantar: “É pau, é pedra, é o fim do cam inho.” Não m ais que de repente, nascia “Águas de m arço”. Paus e pedras rolavam então na obra do sítio que atorm entava Tom , com operários e cam inhões entrando e saindo. Não querendo perder o fio da m eada, pediu aflito à m ulher, Thereza, lápis e papel. Só havia à m ão um pedaço de em brulho de padaria e foi nele que Tom rabiscou a letra. Em Três Canções de Tom Jobim (Cosac Naify, 2004), Lorenzo Mam m í, Arthur Nestrovski e Luiz Tatit dissecam o clássico: “Sua letra é estruturada em um único verbo (ser), conj ugado na terceira pessoa do singular no presente do indicativo em praticam ente todos os versos – exceto no refrão, transform ado em plural (“são as águas de m arço”). Há um a constante alternância entre versos considerados otim istas e pessim istas, além do uso de antítese (“vida”, “sol”/ “m orte”, “noite”), pleonasm o (“vento ventando”), paronom ásia (“ponta” / “ponto”/ “conto”/ “conta”). Sua letra tem caráter pouco narrativo e fortem ente im agético, constituindo-se com o séries descritivas conectadas a um espaço sem ântico am plo.”

Tom foi m ais direto em sua interpretação: “Aí falo de um troço que estou vendo, que é m esm o, sem m entira. Claro que esta linguagem eu devo a m uitas pessoas que adm iro, a Guim arães Rosa, a Drum m ond, a Mário Palm ério. Mas só se pode roubar a quem se am a.” No encarte da prim eira edição de “Águas da m arço”, no Disco de Bolso do Pasquim, Tom transcreveu um trecho de “O caçador de esm eraldas”, de Olavo Bilac: “Foi em m arço, ao findar a chuva, quase à entrada / do outono, quando a terra em sede requeim ada / bebera longam ente as águas da estação / Que, em bandeira, buscando esm eraldas e prata / À frente dos peões, filhos da rude m ata / Fernão Dias Paes Lem e entrou pelo sertão.” Mas é difícil adm itir o parnasiano Bilac com o influência do enxuto “Águas de m arço”. Outras fontes, que viram Tom com o um cavalo “recebendo” a canção j á pronta, citam um conhecido ponto de m acum ba: “É pau, é pedra, é seixo m iúdo, roda a baiana por cim a de tudo.” Na época, ele e Thereza liam Carlos Castaneda e Tom com eçava a descobrir o lado xam anístico da sua personalidade. O curioso é que Castaneda tom aria conhecim ento dele e escreveria: “O gênio artístico de Tom Jobim habita hoj e um hom em de grande poder pessoal, que venceu o m edo fundam ental de se encontrar consigo m esm o.”

Tom ado de euforia por seu novo brinquedo, Tom voltou ao Rio e concluiu a canção em um a tarde. Correu ao restaurante Antonio’s e convocou a turm a toda para sua casa para ouvir a nova m úsica, lendo a letra no papel de em brulho pardo. “Águas de m arço” foi lançada pela prim eira vez num com pacto encartado no j ornal O Pasquim. Inaugurando um a ideia de Sérgio Ricardo, um disco unindo um autor fam oso a um estreante e O Tom de Jobim e o Tal de João Bosco abriu a série, em m aio de 1972. Pouco depois, Elis Regina inseria a canção em seu LP Elis, com um a interpretação genial que consolidava a força desse clássico da MPB. Tom o escolheu com o faixa de abertura de Matita Perê. Para a versão norte-am ericana do álbum , que teria outra capa e se cham aria sim plesm ente Jobim, ele resolveu, além de m anter “Águas de m arço” em português, incluir um a versão em inglês que ele m esm o faria. (Seu ex-parceiro e sócio am ericano, Ray Gilbert, tinha m orrido em 1972). Tom trancou-se em seu apartam ento no 22º andar do Hotel Adam s, em Nova York, cercado de dicionários. Queria usar só palavras anglo-saxônicas, pois achava que, na língua inglesa, 70% das palavras tinham sua origem no latim . Explicou à revista Manchete: “Um dia, eu estava m editando em cim a do verso ‘é um espinho na m ão, é um corte no pé’ e percebi tudo. Com o é que um am ericano iria cortar o pé se ele nunca anda descalço? (...) O negócio era esquecer a letra em português e criar novos versos em inglês, procurando palavras duras, contundentes, bem rascantes.” Tom cortou referências culturais específicas com o festa da cum eeira, garrafa de cana, peroba do cam po, febre terçã e aclim atou a letra da canção para o hem isfério norte: as águas de m arço são as águas do degelo, a prom essa de vida virou prom essa da prim avera. “A stick, a stone. / It’s the end of the road, / It’s the rest of a stum p, / It’s a little alone...” faria sucesso nas vozes fam osas de Ella Fitzgerald, Al Jarreau, Dionne Warwick e Art Garfunkel. O crítico Leonard Feather a colocou entre as dez canções m ais bonitas de todos os tem pos. Em 2001, um a pesquisa j unto a j ornalistas, m úsicos e artistas apontou “Águas de m arço” com o a m elhor canção brasileira de todos os tem pos.

Em entrevistas posteriores, Tom Jobim confessou que aquele “foi um período em que estava m uito na fossa. Parecia que tudo havia acabado para m im , que eu não tinha m ais nada a fazer. Eu bebia m uito. (...) O m édico disse que eu ia m orrer de cirrose.” Ele encontrava consolação na leitura. Segundo a irm ã, Helena Jobim , “Tom estava obcecado pelo conto ‘Recado do m orro’, de Guim arães Rosa. Lia bem , com entonação própria, desde a epígrafe: ‘Morro alto, m orro grande, m e conta teu padecer. Pra baixo de m im não olho; pra cim a, não posso ver...’ Percebe-se bem essa influência em Matita Perê: ‘Passa sete serras / Passa cana brava / No brej o das alm as / Tudo term inava.’” Ao com por a letra de “Matita”, Tom recorreu à aj uda de Paulo César Pinheiro para descrever essa com plexa figura do folclore, m isto de pássaro e paj é, associada às vezes com o saci-pererê. Em form a de desafio, ela term ina assim : “No j ardim das rosas / De sonho e m edo / No clarão das águas / No deserto negro / Lá quero ver / Lerê, lará / Você m e pegar.” Paulo César situa aí a “divisão entre o Tom da Bossa Nova e o Tom posterior” e diz: “Em ‘Matita’ ele faz no piano o canto do pássaro. Entrou nesse m undo m ágico dos escritores e a m úsica se voltou para isso.” O próprio Tom explicou: “Em ‘Matita’ se revela a m onotonia vária do sertão. Cada lugar é o m esm o, em um diferente lugar. Toda chuva é chuva, m as cada um a delas é diferente. Assim com o nas florestas você nunca encontra a m esm a arrum ação de árvores, não se encontra um nham bu de pio igual ao outro; com o as Marias tam bém não são as m esm as, em bora todas sej am m ulheres da espécie hum ana. ‘Matita’ usa todos os doze tons da m úsica. Sendo extrem am ente tonal, usa um a técnica atonalista e aí aparecem as cores, sim ples e com postas, porque sem pre que o João anda, está num a grota diferente. Houve em ‘Matita’ um trabalho de pesquisa m uito grande e eu m e envolvi m uito na com posição.”

A letra se inspirou no conto “Duelo” de Guim arães Rosa. Nela, Tom usa o verso “um estranho cham ado João”, título de um poem a de Carlos Drum m ond de Andrade dedicado a João Guim arães Rosa. Do rom ance Chapadão do Bugre, de Mário Palm ério, ele extraiu outros versos: “Lá vinha Matias, cuj o nom e é Pedro aliás Horácio vulgo Sim ão.”

Terceira faixa do disco, “Matita” era precedida por “Ana Luiza”, que integrava a galeria das m usas j obineanas (“canção prem onitória”, segundo Tom , “depois casei com Ana e tive um a filha cham ada Luiza”); e sucedida por “Tem po do m ar”, da trilha do film e de Pedro de Moraes, filho de Vinicius. Essa faixa densam ente instrum ental prenuncia, num a passagem , o tem a “Retrato em branco e preto”.

O lado B inicia com “Mantiqueira range”, com posição de Paulo Jobim , filho de Tom , que tinha 22 anos na época. Paulinho alternava-se entre a m úsica e a arquitetura e desenhou a colorida ilustração do encarte de Matita Perê, que serviria de capa ao LP Jobim. A segunda faixa é outra trilha sonora, do film e Crônica da Casa Assassinada, de Paulo César Sarraceni – um a suíte em quatro m ovim entos, que inclui a canção “Chora coração”, na voz de Tom . É a quarta e últim a intervenção vocal em todo o disco: som ada a “Águas de m arço”, “Ana Luiza” e “Matita Perê” contabiliza apenas 16 m inutos de canto nos 42 m inutos de um álbum essencialm ente orquestral, em que Jobim nunca faz questão de esconder a influência de Villa-Lobos (até o “Trem para Cordisburgo”, da Casa Assassinada, percorre os m esm os trilhos do “Trenzinho do caipira”.) Fecham o álbum “Um rancho nas nuvens” e “Nuvens douradas”. O biógrafo de Tom , Sérgio Cabral, sugere que na últim a há um a forte sem elhança com a com posição “Prece”, de Vadico, parceiro de Noel Rosa, gravada dez anos antes. Quando o crítico Tárik de Souza lhe apontou a sim ilaridade, Tom se m ostrou m uito surpreso. Nunca m ais toco ou gravou “Nuvens douradas”. Curiosam ente, Vadico fora escolhido para fazer as canções da peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes em 1956. Im possibilitado por um a doença cardíaca, abriu espaço para a prim eira colaboração entre Vinicius e Tom , que respondeu o convite do poetinha com a pergunta pertinente: “Tem um dinheirinho nisso?”

Nas fotos da gravação de Matita Perê em Nova York, Tom ostentava um bigode, talvez seu m odesto tributo ao boom capilar do m ovim ento hippie. Ainda guardava o bigode, e um a barba rala – não durariam m uito – no lançam ento do álbum Matita Perê no Clube Caiçaras, num a ilha da lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. O disco era dedicado a Guim arães Rosa, Carlos Drum m ond de Andrade e Mário Palm ério. Drum m ond e Palm ério com pareceram , Rosa j á havia saído de cena seis anos antes, de m aneira peculiar. Eleito para a Academ ia Brasileira de Letras em 1963, adiou o quanto pode sua posse. Tem ia que, no dia em que se tornasse “im ortal”, m orreria de fato. Finalm ente, foi em possado na ABL no dia 16 de novem bro de 1967 e m orreu ao entardecer de dom ingo, 19 de novem bro. No discurso de posse, três dias antes, Rosa dissera: “A gente m orre é para provar que viveu...”

Antônio Carlos Jobim m orreria em Nova York em 8 de dezem bro de 1994, 22 anos depois da gravação de Matita Perê. Àquela altura, j á havia m ais do que provado que vivera. A fortuna crítica em torno de sua obra-prim a é im ensa. Quatro dias depois do lançam ento do disco, Carlos Drum m ond de Andrade publicava no Jornal do Brasil um poem a em sua hom enagem : “Fluem , fluem / as águas de m arço e vai fluindo / em poesia rosiana / o lím pido som / de Tom / na palm a da m ão, cor do Brasil.” Ao ouvir “Águas de m arço”, Rachel de Queiroz escreveu: “Coisa bela, estranha e dura. Fere o coração com um toque de pedra e depois o afoga na cheia das águas. Prom ete e recorda, m em ória de infância e angústias da força do hom em .” Edu Lobo a considerava “um a das m úsicas m ais sim ples j am ais feitas – e absolutam ente genial, com aquela exatidão do Tom (...) estam os falando de um gênio”. Chico Buarque de Holanda sentenciou apenas: “É o sam ba m ais belo do m undo.” Quando saiu o álbum , a psicanalista Katrin Kem per, introdutora da terapia freudiana no Brasil, declarou que todos os brasileiros, e não apenas seus pacientes, deveriam ouvi-lo. Claus Ogerm an com entou com Tom , na época da gravação: “Você andando pelas ruas de Nova York com essa m úsica debaixo do braço m e faz lem brar que assim devia ter sido por volta de 1910, quando Stravinsky andou pelas ruas de Genebra carregando ‘A sagração da prim avera’.” (O curioso é que, nas várias tem poradas que passou em Nova York, Tom m uitas vezes via Stravinsky, que m orava lá, cam inhando do outro lado da rua. Aos am igos que perguntavam por que nunca abordara o com positor, Tom respondia singelam ente: “E o que é que eu ia dizer a ele?”).

O culto a Tom persiste tam bém entre a nova geração. O pianista Kiko Continentino tinha quatro anos quando aprendeu a letra inteira de “Águas de m arço”, para nunca m ais esquecer. Num longo ensaio que escreveu sobre Matita Perê, em 2008, ele resum e: “A paisagem social, geográfica e com portam ental é observada sob a grande angular poética de um sonhador. Um m úsico m eio louco e m isterioso, um com positor m atreiro, talentoso e estudioso ao extrem o, teim oso e persistente; m as, acim a de tudo, com um apego incom um por sua terra, sua gente. Esse am or infindo e todo um trabalho árduo de pesquisa, construção e acabam ento possibilitaram a existência de Matita Perê assim com o é: fundam ental, m uito bem arquitetado. Um disco que entra pela porta da frente da história. ‘Um a m úsica que não é para agora’, m as fica para a eternidade.”

 

Matita Perê (Philips − 6349 071)

Direção de produção: Eduardo Athay de

Engenheiro de som : Frank Laico Arranj os e regências: Claus Ogerm an exceto “Matita Perê”: Dori Cay m m i

Capa: Aldo Luiz

Foto: José Maria de Mello

Desenho: Paulo Jobim

Gravado nos estúdios Colum bia (CBS)

Nova Iorque – 11, 12 e 13 de dezem bro de 1972

Antônio Carlos Jobim : piano, violão e voz

Ron Carter: baixo

Richard Davis: baixo

João Palm a e Airto Moreira: bateria e percussão

George Stevens: percussão

Harry Lookofsky : spalla

Flautas e m adeiras: Ray Beckenstein, Phil Bodner, Jerry Dodgion, Don Ham m ond, e Rom eo Penque

Urbie Green: trom bone

 

Lado A

1. Águas de Março (Tom Jobim )

2. Ana Luiza (Tom Jobim )

3. Matita Perê (Tom Jobim e Paulo César Pinheiro)

4. Tempo do Mar (Tom Jobim )

Lado B

1. Mantiqueira Range (Paulo Jobim e Ronaldo Bastos)

2. Crônica da Casa Assassinada (Tom Jobim )

a) Trem Para Cordisburgo (Tom Jobim ) b) Chora Coração (Tom Jobim e Vinicius de Morais) c) Jardim Abandonado (Tom Jobim ) d) Milagre e Palhaços (Tom Jobim )

3. Um Rancho nas Nuvens (Tom Jobim )

4. Nuvens Douradas (Tom Jobim )

5. Waters of March (Tom Jobim )*

* som ente na versão norte-am ericana da MCA, intitulada Jobim