1973: O Ano que Reinventou a MPB

Célio Albuquerque · Capítulo 3 de 54

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1973: O Ano que Reinventou a MPB

Tempos de Milagre, Anos de Chumbo

 

Washington Santos

 

final, com o é que tanta gente boa apareceu assim , ao m esm o tem po?”

"A – pergunta o j ornalista Sílvio Essinger no O Globo em 10 de j aneiro de

2013 – 40 longos anos depois de 1973, quando foram lançados os LPs de estreia de Raul Seixas, Secos & Molhados, Luiz Melodia, Fagner, Sérgio Sam paio, Walter Franco, João Bosco e Gonzaguinha. E que tem po era aquele!

No ano de 1973, vivíam os, no Brasil, sob o governo do presidente Garrastazu Médici, no apogeu do regim e m ilitar. O país convivia, sim ultaneam ente, com o Milagre Brasileiro e os Anos de Chum bo. Com o diz Elio Gaspari no seu A Ditadura Escancarada, am bos – o m ilagre e o chum bo – eram reais, coexistiam , m as negavam -se. E até hoj e devem gerar polêm ica. “Quem acha que houve um , não acredita (ou não gosta de adm itir) que houve o outro”, ironiza o autor.

Nada explica m elhor aquela época que um a inscrição presente em adesivos distribuídos pelo governo à população: “Brasil, am e-o ou deixe-o”. Ao m esm o tem po em que se alim entava o sonho do Brasil potência, do país do futuro – o que exigia cargas enorm es de otim ism o, orgulho e patriotism o –, experim entávam os os tem pos do exílio, da censura, do sim ulacro da dem ocracia representativa – com o Legislativo reduzido à condição de órgão hom ologador das decisões do Executivo –, da tortura e do exterm ínio de adversários políticos.

NINGUÉM SEGURAVA AQUELE PAÍS

Do final dos anos 60 até 1973, ocorreu forte crescim ento econôm ico no país, com um processo acelerado de verticalização da indústria e o aum ento considerável da produção de bens duráveis (eletrodom ésticos, autom óveis) e da indústria de bens de produção (m áquinas e equipam entos). Nesse período, que ficou conhecido com o Milagre Brasileiro em alusão aos “m ilagres” alem ão e j aponês das décadas de 1950 e 1960, o PIB cresceu a um a m édia de 10% ao ano, e a inflação, controlada, oscilou em torno de 20% anuais. O m odelo de desenvolvim ento adotado perm itiu im portantes investim entos nas em presas estatais, em especial as de petróleo, produtos petroquím icos, aço, energia e com unicação. “O Brasil tornara-se a décim a econom ia do m undo, oitava do ocidente, prim eira do hem isfério sul”, lem bra Gaspari.

As m ontadoras do ABC paulista despej avam m ilhares de carros nas ruas com foco na classe m édia (do Volkswagen ao Dodge Dart, passando pelo Opala), m ilhões de aparelhos de televisão invadiam os lares brasileiros. Inaugurava-se a era dos superm ercados e dos shopping centers. Revelava-se a descoberta de j azidas de urânio no Nordeste e anunciava-se a com pra de um a usina atôm ica, a ser m ontada em Angra dos Reis. Médici determ inava a construção da rodovia Transam azônica, em nom e da integração nacional e da expansão da fronteira agrícola, e estendia-se a duzentas m ilhas da costa o lim ite das águas territoriais brasileiras. Aceleravam -se as obras para a abertura dos m etrôs do Rio de Janeiro e de São Paulo e anunciava-se a construção da ponte Rio-Niterói. Beneficiadas por um a sucessão de estím ulos fiscais e tributários, as bolsas de valores pareciam m inas de dinheiro. Em setem bro de 1970, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro bateu o recorde de volum e de transações de sua história, negociando 24 m ilhões de cruzeiros num só dia, fato que se repetiria no ano seguinte, quando novos recordes seriam estabelecidos em diversos setores. Nos idos de 1973, era criada a em presa binacional incum bida de construir, no rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, Itaipu, a m aior hidrelétrica do m undo.

1973 term inaria com um crescim ento do PIB de 14% (!) – o m aior do Milagre, apesar das previsões som brias que j á rondavam a econom ia brasileira desde o ano anterior. O governo oferecia ditadura e progresso, para a felicidade de m ilitares, tecnocratas, firm as internacionais e burguesia associada (banqueiros, industriais e exportadores) e um a nova classe m édia ascendente, destaca o livro A História da Sociedade Brasileira, que tem com o um dos autores o hoj e deputado federal Chico Alencar. Mas o ano não term inaria bem para o m undo e para o Brasil. Em apenas três m eses, os países produtores de petróleo dim inuíram a produção, elevando o preço do barril de US$ 2,90, em outubro de 1973, para US$ 11,65, em j aneiro de 1974. Vivia-se o prim eiro choque do petróleo. O princípio do fim .

Quando o Milagre definhou, estávam os, de m aneira perversa, diante da am pliação da concentração de renda no Brasil e do aum ento da m iséria. Até então o m inistro Delfim Netto dizia que prim eiro era preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo. A crise do petróleo provocou um a aceleração da taxa de inflação no m undo todo e no Brasil, onde passou de 15,5% em 1973 para 34,6% em 1974, segundo o IGP/FGV. No final dessa década, a taxa chegou a 77,2% ao ano; em 1980 j á era m ais de 110%, e em 1983 – a dois anos do fim do regim e m ilitar – alcançou o patam ar de 200% (!). O resto é historia.

O QUE GARANTIA A “TRANQUILIDADE” DE MÉDICI

“Havia um espírito libertário, um a necessidade de se expressar num a época em que nada era perm itido. E a m úsica tinha o poder de forçar lim ites”, recorda Ney Matogrosso, então cantor do Secos & Molhados, grupo que vendeu 900 m il cópias de seu LP de estreia, em 1973, e pôs 25 m il pessoas no Maracanãzinho em fevereiro do ano seguinte. Mas para o presidente Médici a coisa não era bem assim . Num a fam osa declaração feita em m arço de 1973, ele dizia sem esconder a satisfação: “Sinto-m e feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao j ornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do m undo, o Brasil m archa em paz, rum o ao desenvolvim ento. É com o se eu tom asse um tranquilizante, após um dia de trabalho.”

A tranquilidade de Médici era garantida pelo controle da im prensa. Desde 1964, quando houve o golpe civil-m ilitar, ela virou alvo da censura e da autocensura, que foram se instalando gradativam ente nas redações a partir da prom ulgação da Lei de Im prensa em 1967, do AI-5 em 1968 e, por fim , da Lei de Segurança Nacional, de 1969.

No dia seguinte ao AI-5, baixado em 13 de dezem bro de 1968, oficiais e delegados foram enviados às redações com m anuais que deixavam claro que o governo queria “obter da im prensa falada, escrita e televisionada o total respeito à Revolução de Março de 1964, que é irreversível e visa a consolidação da dem ocracia”. Por conta disso não deveriam ser divulgadas notícias que pudessem “propiciar o incitam ento à luta de classes; com prom eter no exterior a im agem ordeira e econôm ica do Brasil; tum ultuar os setores com erciais, financeiro e de produção; veicular atividades subversivas, greves ou m ovim entos operários”, revela Elio Gaspari. Mas, num estratagem a coraj oso e desafiador, Alberto Dines, editor do Jornal do Brasil, noticiaria no alto da prim eira página da edição de 14 de dezem bro, j unto à m anchete principal – “Governo baixa Ato Institucional e coloca Congresso em recesso por tem po ilim itado” – as seguintes notas: “Ontem foi o Dia dos Cegos”; e “Tem po negro. Tem peratura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos. Máx.: 38º, em Brasília. Mín.: 5º, nas Laranj eiras”. O governo respondeu em seguida, prendendo um dos diretores do j ornal e proibindo que as agências internacionais transm itissem boletins m eteorológicos para o exterior.

Anos depois, j á em 1973, o JB de Dines voltou à carga, novam ente desafiando a censura e noticiando de form a original o golpe m ilitar no Chile. Segundo o próprio editor, os censores haviam determ inado ao j ornal que a notícia da m orte de Salvador Allende não tivesse nenhum destaque na prim eira página. Nada de títulos garrafais, m uito m enos fotos abertas em várias colunas. Fez-se então a prim eira página da edição do dia 12 de setem bro sem m anchete algum a, sem um a fotografia sequer, só com o texto, com as letras em corpo 24, as m aiores que os equipam entos da época perm itiam . Ou sej a: além do tradicional “L” de anúncios classificados, a m orte do presidente chileno era o único assunto da prim eira página do j ornal. No lead da m atéria, o seguinte texto: “O Presidente Salvador Allende, do Chile, suicidou-se ontem com um tiro na boca no Palácio de La Moneda, segundo dois repórteres do j ornal El Mercurio, que entraram no Palácio e viram o corpo reclinado no sofá, no m eio de um a poça de sangue. O Palácio fora subm etido a intenso bom bardeio de aviões e tanques durante m ais de quatro horas.” Estava dado o recado.

Com o ressalta na publicação com em orativa do seu 20º aniversário, a Veja tam bém teve o seu período de linguagem barroca, alegórica e recursos de ilustração aparentem ente disparatados – dem ônios, anj os e gênios da pintura em m eio a um a reportagem sobre a ditadura chilena, por exem plo. Subterfúgios para aludir a fatos proibidos e alertar o leitor de que trechos inteiros haviam sido cortados. Segundo contagem da revista, de dezem bro de 1968 a j unho de 1976 foram cortadas 10.352 linhas de texto, sessenta reportagens na íntegra, 44 fotografias, vinte ilustrações e quatro anúncios.

Durante a presidência do general Médici, inform a Gaspari, foram expedidas 360 proibições no noticiário nacional. Entre elas, um a determ inando que se esquecesse a declaração pública do senador Filinto Müller, presidente do partido do governo, negando a existência da censura no Brasil. A partir de j ulho de 1973, o Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo com eçaram a usar artifícios para denunciar a ação dos censores presentes à redação. Os espaços vazios em função dos vetos foram substituídos por receitas culinárias e poem as de autores nacionais e estrangeiros de variadas épocas e escolas literárias, m as um a obra se sobressaiu: Os Lusíadas, de Luís Vaz de Cam ões. A obra foi utilizada 656 vezes, destacando-se com o a principal form a do Estado alertar seus leitores de que estava sob censura. De 29 de m arço de 1973 a 3 de j aneiro de 1975, 1.136 m atérias foram vetadas – 342 delas dedicadas a assuntos políticos, além de 39 editoriais e 54 textos assinados. O diário m ais m assacrado foi a Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro, que sofreu, sob o com ando do j ornalista Hélio Fernandes, m ais de vinte apreensões e teve censores dentro de seu prédio por dez anos e dois dias.

A censura nos principais órgãos de com unicação fez florescer, por outro lado, um a im prensa alternativa, com destaque para O Pasquim e Opinião, que vendiam em torno de 100 m il exem plares, quase todos nas bancas, garante Bernardo Kucinski, no livro Jornalistas e revolucionários – Nos tempos da imprensa alternativa. O Pasquim foi lançado em j ulho de 1969, intitulando-se “um j ornal de oposição ao governo grego”, “coraj oso com o um rato”. Além de propiciar m udanças com portam entais e revolucionar a técnica da redação j ornalística, “sobreviveu a boicotes econôm icos, censura, duas bom bas e à prisão de toda a sua redação”, assinala Gaspari. Lançado em 1972, Opinião fez sucesso j unto à j uventude universitária. Circulava com um encarte do j ornal Le Monde e publicava artigos do The New York Review of Books. Havia espaço para m ulheres, negros e hom ossexuais. O j ornal publicou 5 m il páginas e teve outras 5 m il vetadas. Cinco edições foram apreendidas e um a, proibida de rodar. Explodiu-se um a bom ba em sua sede e seu diretor, Fernando Gasparian, foi detido. Em 15 de abril de 1973 foi proibida, pela censura, a publicação de notícia sobre a apreensão de Opinião e a prisão de seus diretores.

A CULTURA AMORDAÇADA

Num prim eiro m om ento, salientam os historiadores Daniel Aarão Reis e Denise Rollem berg, a ditadura pareceu tolerar a cultura de protesto (m úsica, teatro, cinem a, literatura, artes plásticas) elaborada por artistas e intelectuais que, através de sua arte e de seu hum or, criticavam a censura e o regim e, incentivavam a rebeldia e denunciavam o terrorism o cultural. Com o AI-5, em 1968, essas m anifestações dim inuíram drasticam ente. Artistas com o Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos e acabaram deixando o país. Chico Buarque tam bém foi “autorizado” a viaj ar para a Europa, no início de 1969, e lá ficou por m ais de um ano. Antes, ele havia sido detido para depoim ento no Ministério do Exército, devido à participação na Passeata dos Cem Mil e às ousadias de Roda Viva. Além de atingir severam ente j ornais e revistas, a censura proibiu, cortou e m utilou o trabalho de artistas em todos os cam pos. A televisão tornou-se especialm ente vigiada, ocorrendo até um a punição para a cantora Marlene, “por com portam ento inconveniente”. Segundo o crítico Yan Michalski, “toda um a geração cresceu tutelada, declarada incapaz de escolher livrem ente, de acordo (...) com as suas afinidades”.

Em 7 de j aneiro de 1973, um Caderno Especial publicado no Jornal do Brasil perguntava, de form a direta: “A censura esteriliza a criação artística?” A resposta era adiantada na própria abertura do m aterial j ornalístico: “Sufocar pela intim idação não estim ula nem prom ove a com unicação responsável, que se consegue estim ulando e prom ovendo a educação e a cultura.” Entrevistado pelo j ornal, Afonso Arinos concordava que a censura im posta indiscrim inadam ente estava afogando m anifestações que poderiam ser positivas à cultura: “A censura nem sem pre obedece aos m elhores critérios. Por isso m esm o é que o Conselho Federal de Cultura, em certa fase, m anifestou-se no sentido de que a censura não deveria perm anecer exclusivam ente subm etida ao critério policial, e sim transferida para órgãos que representassem a inteligência aplicada a cada setor das artes.” Para Arinos, o j ulgam ento sobre o alcance da criação artística é inapelavelm ente feito pelo público pois “é ele quem decide, no fundo, se aprecia ou recusa a obra”. Mas o intelectual adm itia que as condições do país não perm itiam m edidas desse tipo: “Para nós, m em bros de um órgão consultivo do governo federal, não é conveniente suscitar problem as.”

No Caderno Especial do JB, Chico Buarque, um dos artistas m ais visados pela censura, reclam ava sobre o não aparecim ento de com positores capazes de revitalizar a m úsica popular. O m otivo: a falta de clim a propício à criação artística. “Quais são os com positores novos hoj e conhecidos? Estou com 28 anos e vej o que são m ais ou m enos os m esm os de m inha geração. Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascim ento e Paulinho da Viola – que ainda guardam um a lem brança, um estilo. A garotada 10 anos m ais nova, essa eu não conheço. Se a nossa m úsica é popular, hoj e a nossa censura o é m uito m ais.” O aspecto policial da censura, na visão de Chico, som ado à consequente busca de j ustificativas para as obras, indicava o painel da situação brasileira em term os culturais: “Quando se torna rotina, você acaba dialogando com a censura em term os que nada têm a ver com cultura. Não são eles que vêm a nós, integrar-se ao am biente m usical, sentir um violão, m as nós que nos deslocam os para um am biente sem pre hostil, sem pre estranho.”

Um dos principais nom es do Cinem a Novo, Joaquim Pedro de Andrade tam bém reclam ava dos estragos da censura no cinem a nacional. “Os cineastas, atualm ente, estão condicionados a fazer um a arte m enor e a não poder participar do esforço de decisão nacional. A inibição, provocada pela autocensura voluntária, im posta pelos critérios indecifráveis da Censura, conclui o processo de afastam ento da originalidade.” E no teatro, o crítico Sábato Magaldi botava o dedo na ferida: “Em 1972, a dram aturgia brasileira não revelou nenhum autor realm ente im portante nem trouxe à tona um grande texto. Efeitos de um controle progressivo. Esse controle não poupa nem m esm o os clássicos: Antígona, de Sófocles, e A Mãe, de Gorki-Brecht.” Esse controle seria o grande em pecilho ao início da carreira no teatro. O exem plo de Plínio Marcos era a m aior fonte de desincentivo. Considerado um dos nom es m ais expressivos da dram aturgia brasileira (Navalha na Carne, Dois Perdidos Numa Noite Suja), abandonara a carreira – o teatro – depois que a m ontagem de suas peças foi proibida pela censura.

Na prim eira m etade dos anos 1970, Chico foi um dos principais alvos da censura. As intim ações para depor eram constantes. Ele se tornou frequentador assíduo de um serviço do DOPS na praça Marechal Âncora, no centro do Rio de Janeiro. No m ês de m aio de 1973, se apresentou com Gilberto Gil no show Phono 73, que a gravadora Phonogram (ex-Philips; depois Poly gram ) organizou no palácio de Convenções do Anhem bi, em São Paulo. A Censura havia proibido “Cálice”, m as os dois autores decidiram cantar apenas a m elodia, pontuando-a com a palavra cálice, m as nem m esm o isto foi possível, pois um censor foi à m esa de som e puxou os fios do equipam ento. A Folha de S. Paulo de 15 de m aio noticiou assim o histórico episódio: “A grande atração da sexta-feira, a segunda noite da Phono 73, foi o silêncio. Silêncio de um m icrofone que funcionou perfeitam ente até o m om ento em que Chico Buarque (...) pronunciou por três vezes a palavra cálice.”

“Nem na ditadura Vargas a nossa m úsica popular foi tão m altratada quanto nos prim eiros anos da década de 1970, quando a cham ada ditadura m ilitar prendeu com positores, levou outros a procurar abrigo no exterior e a censura policial vetou e deform ou um a quantidade considerável de obras m usicais”, aponta o j ornalista e escritor Sérgio Cabral – que chegou a ser preso nos anos de chum bo por seu ativism o político à frente de O Pasquim.

Um dos m aiores crim es contra a liberdade de expressão da história do teatro brasileiro foi a proibição da peça Calabar, o Elogio da Traição, de Ruy Guerra e Chico Buarque, em 8 de novem bro de 1973. Por determ inação do general de brigada Antônio Bandeira, então diretor-geral da Polícia Federal, o espetáculo, produzido por Fernando Torres ao custo de três m ilhões de cruzeiros, foi interditado – e assim ficou por sete anos. Ruy Guerra falou este ano, ao O Globo, sobre a interdição: “Queríam os que a Censura viesse logo, j á nos ensaios, para evitar um a proibição depois que j á tivéssem os levantado o espetáculo inteiro. Correm os atrás dos censores para que eles nos vissem e decidissem logo o que seria da peça, m as eles adiaram até o últim o m inuto, deixando todos no prej uízo.”

Tem pos duros.