Mão de Ferro

Charlie Fletcher · Capítulo 14 de 57

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Mão de Ferro

O touro matador

12

 

O CAMINHANTE SURGIU COM um disparo de um dos pequenos espelhos em suas mãos e olhou para o clássico pórtico frontal do Tate Britânico, depois virou-se. Só se viam pessoas que esperavam pelo ônibus do outro lado da avenida.

Ele se aproximou dos degraus cinza e apressou-se em apoiar a mão no largo corrimão da escadaria. O capuz cobria seu rosto, dando-lhe um ar de mistério sobre sua identidade. Por natureza, o Caminhante era muito bom em ocultar-se.

A verdade é que tinha que visitar uma nova estátua, mas não queria ver nem ser visto por outra.

A estátua que procurava ficava do lado esquerdo da entrada, em uma pequena varanda adjunta ao lado do alpendre de colunas duplas do pórtico. A que ele particularmente não queria ver ficava à direita.

Assim que chegou aonde desejava, relaxou e retomou a postura arrogante de sempre.

Era um grupo de estátuas. Havia os dois tipos: as estátuas humanas eram cuspidos, dois homens musculosos como guerreiros gregos, lutando contra um impuro, este um enorme touro assassino, em cujas costas estava amarrada uma mulher nua.

Não era um grupo feliz. Era um monumento ao fato de que os gregos antigos se divertiam muito pensando em formas de executar pessoas.

O Caminhante limpou a garganta e disse:

— Quero falar com o Touro.

Ninguém saiu do lugar. O momento congelado da luta permanecia paralisado no ar. O Caminhante suspirou.

— É sobre o Minotauro.

Os olhos do Touro viraram-se para olhar para ele.

— Ele foi morto.

O Touro se contraiu e jogou os dois homens que lutavam contra ele no canto da varanda. A mulher presa à suas costas gritou.

— Sim — disse o Caminhante, num tom de falsa compreensão, sem se mover. —É doloroso.

O Touro ficou parado, urrando de raiva pelas narinas enquanto a mulher lutava para se libertar.

— Gostaria de saber se você me ajudaria a punir os responsáveis.

O Touro ergueu as costas e os chifres para trás, então todos ouviram um som que rasgou o céu crepuscular.

O Caminhante olhou para cima e sorriu quando a forma escura desceu do meio da noite e pousou gentilmente em seu ombro.

— Ah! Aí está você.

O Corvo levou o bico à orelha dele. O Caminhante acenou a cabeça.

— Bom. Se quisermos mesmo encontrá-los, o Contador fará isso mais rápido do que qualquer pessoa. Agora vamos. Temos que ir para o leste.