Mão de Ferro

Charlie Fletcher · Capítulo 52 de 57

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Mão de Ferro

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GEORGE ACERTOU O CAMINHANTE com toda a energia e raiva concentradas em seu corpo, como se fosse um trem desgovernado.

Mas ele sabia que era tarde demais. Que Edie estava morta, e que a culpa era dele.

O impacto levou ambos de volta a um amontoado de neve.

George desferiu o martelo pesado que levava em seu punho, em direção ao corpo do Caminhante, como se pudesse parar seu coração negro com um golpe potente.

O martelo bateu em algo que o Caminhante usava por baixo da camiseta, algo espesso que cedeu e rachou ao mesmo tempo.

O Caminhante ficou ofegante enquanto se recuperava da batida, mas sua mão esquerda agarrou George pelo cabelo e pela orelha. Os dois caíram de joelhos. Olho no olho. O Caminhante tomou fôlego e rosnou para George, seu olho bom em chamas:

— Você vai tentar lutar contra mim, rapaz?

George rangeu os dentes:

— Não. Vou matar você!

Era mais um desafio. Sentiu uma dor rasgando seu braço, subindo para sua axila, e então soube, sem poder ou precisar olhar, que a veia incomum de bronze em seu braço tinha avançado em direção ao seu coração.

Ele entendeu que a luta seria o segundo desafio, um duelo brutal na neve e no gelo. Uma decisão entre a vida e a morte.

Ele não sentiu medo. Pois não havia nada no mundo que pudesse comprometer sua vitória.

O Caminhante era um homem morto.

— É um desperdício, rapaz. Mas eu tenho todo o tempo do mundo...

O tempo passou em câmera lenta, e George viu o brilho da faca quando o Caminhante a puxou para trás e a conduziu com crueldade em direção à sua barriga.

E a mão de George moveu-se instintivamente antes que o pensamento consciente se manifestasse, fechando em volta da lâmina afiada e a segurando firme a um dedo de sua barriga.

O olho do Caminhante se arregalou, chocado com a força do menino. E quando viu que os olhos dele estavam duros e implacáveis como pedra, recuou meio passo.

George retrucou:

— Eu não acho.

De forma brusca, dobrou a mão e quebrou a lâmina da faca. Depois puxou a lâmina quebrada para trás do ombro, e quando o Caminhante soltou seu cabelo e tentou fugir, ele agarrou a mão do Caminhante e golpeou seu coração.

A lâmina bateu em algo duro e deslizou para o lado. Mas o golpe foi empregado com tanta raiva, que a lâmina acabou enterrada no ombro do Caminhante, tão profundamente que George não conseguiu puxá-la de volta.

Ao soltar a lâmina, ele percebeu que sua mão não tinha sofrido um corte sequer.

O Caminhante olhou para a lâmina quebrada e enterrada em seu ombro, e depois gritou enfurecido.

George teve tempo de olhar dentro do buraco negro no gelo. Edie estava morta.

Ele rapidamente se abaixou e pegou o reluzente disco de vidro do mar que ela tinha deixado cair durante a luta. Percebeu pelo formato e cor que não era dela, mas conhecendo o poder daquelas pedras, não pensou duas vezes antes de jogá-lo na água. Se ela estava sozinha e morta na escuridão, o mínimo que ele podia fazer era deixar a luz acesa.

Em seguida, virou-se para o Caminhante, que ainda gritava, diminuiu a distância entre eles e deu-lhe um soco no rosto. O Caminhante foi silenciado com a força do golpe.

Ao longe, podia-se ouvir o som estridente de algo se aproximando. Mas George ignorou todo o resto e continuou golpeando o Caminhante até que ele caísse de costas no chão. Só então deu um passo para trás e pegou seu martelo.

Houve um bater de cascos, e os olhos do Caminhante giraram para esquerda. Ele olhou para George com desprezo, sua boca cheia de sangue.

— Agora você vai morrer, menino!

Ele virou a cabeça e viu o Touro disparar furioso pelo gelo em sua direção.

George disse:

— Pode até ser, mas você vai morrer primeiro — ele levantou o martelo —, e depois vou matar o seu touro.

— Não é o touro — sorriu o Caminhante, com os olhos girando para cima.

E o Ícaro atingiu George como uma marreta aérea.