Mão de Ferro
A rainha derruba o cavaleiro
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DEPOIS DE ESCURECER, AS RUAS estreitas do bairro conhecido como the City, a parte financeira de Londres, ficam quietas. Todos os trabalhadores já foram para casa e o local adquire ares de um verdadeiro desfiladeiro tortuoso, formado por arranha-céus apertados nas ruas antigas. O lugar começa a parecer uma cidade fantasma à medida que a escuridão avança.
A Rainha Vermelha conduzia os cavalos lentamente pela avenida. O visual antigo de sua carruagem de guerra contrastava com os edifícios modernos ali construídos.
Suas filhas estavam com ela, observando cada rua e beco pelos quais passavam, procurando Edie ou qualquer coisa que pudesse dar uma pista de onde ela estava.
As filhas tinham o olhar intenso e o destemor da mãe. Eram corajosas, mas, principalmente, caladas. Enquanto a mãe permitia que o sangue lhe subisse à cabeça a qualquer momento, as moças só agiam com brutalidade quando era realmente necessário.
A filha à esquerda ouviu algo antes da mãe e da irmã.
Ela tocou o braço da mãe, que imediatamente freou os cavalos.
Foi então que as três e seus cavalos ouviram o barulho de cascos de cavalo cada vez mais próximo.
A Rainha agarrou sua lança bem na hora em que a origem do som se mostrou na esquina.
As três ficaram imóveis.
Era o Último Cavaleiro. Ele avançava em caminhada lenta e fúnebre, com a lança abaixada em sinal de luto e a cabeça inclinada para frente, sinalizando tristeza. Na parte da frente da sela havia algo dourado e inerte, o corpo de Ariel.
A Rainha e suas filhas observaram o Cavaleiro vir em sua direção. Mantiveram-se tão quietas, que pareciam congeladas no túnel do tempo. Depois, quando ficou evidente que ele ia passar sem reconhecê-las, a Rainha falou severamente:
— Senhor Cavaleiro! Uma palavra, por favor!
Ele não parou.
A Rainha acenou para as filhas. Num segundo, elas saltaram da carruagem e correram em direção ao Cavaleiro, sem fazer qualquer barulho com seus pés descalços. A Rainha jogou a lança para uma delas, que a pegou quase sem olhar, e correu à frente do Cavaleiro.
Quando a Rainha estalou as rédeas da carruagem para virá-la, a filha que segurava a lança estava inflexível na frente do cavalo de batalha e do homem que vestia uma armadura. A moça mirou a lança na garganta do Cavaleiro, em sinal de advertência. Ele parou. A outra filha tomou conta das rédeas enquanto a Rainha descia para fazer sua inspeção.
Ela fitou a menina de ouro deitada sobre a sela. Depois olhou para o Cavaleiro.
— O que aconteceu?
Houve uma pausa. Ele respondeu:
— Um acidente.
— E o que você está fazendo com ela?
Ele acenou com a cabeça à frente.
— Eu tinha pensado em escalar o prédio e colocá-la em seu pedestal antes da virada do dia. Não posso deixá-la morrer por minha causa.
— E foi por sua causa que o acidente aconteceu?
— Foi.
A Rainha acenou para as filhas. A que segurava as rédeas veio para o lado do Cavaleiro, puxou Ariel para fora da sela e colocou-a sobre seus ombros.
— É minha obrigação... — começou o Cavaleiro em tom de protesto.
— Você já fez o bastante — disse a Rainha, vendo o ferimento no corpo de Ariel.
— Eu não queria machucá-la! — ele protestou.
— Não queria... — ela bufou. — Volte para a sua Associação, Cavaleiro. E vá brincar de espada com os seus companheiros. Você só serve para isso. Eu e minhas filhas iremos cuidar dela e garantir que esteja em seu pedestal à meia-noite, na virada do dia.
O Cavaleiro olhou para a Rainha e baixou a cabeça em respeito. Então fez uma curva com seu cavalo e partiu lentamente.
A Rainha o observava, enquanto as filhas cuidadosamente colocavam Ariel na parte de trás da carruagem.
— Aprenderam, meninas? É o que sempre digo a vocês: nunca permitam que um homem faça o trabalho de uma mulher.