Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 6
— Eu achei que já tínhamos resolvido tudo quando fomos a Nova Orleans. O que diabos vai fazer na Louisiana? — meu irmão Zeus pergunta ao telefone.
— Resolvemos quase tudo. Eu ainda não a conheço.
Enfim conseguimos comprar o um por cento das ações que precisávamos, em troca de eu me tornar o tutor da menina até que se cumpra os termos do testamento dos pais dela.
Agora, meu irmão está livre de uma vez por todas da chantagem[12] do bastardo do Emerson Gordon. O banco dele está em nossas mãos. Vamos cumprir o que meu avô pediu. Vingaremos nosso pai e logo viraremos essa página.
Ao menos na prática, claro, já que os danos causados pela morte dos nossos pais, assim como os fatos que as envolveram, nos transformaram em quem somos hoje. Eles nos modificaram para sempre.
— Já entrou em contato com o miserável?
— Ainda não.
— Por que a demora?
— Odin me disse que está investigando algo mais sobre Emerson, mas em breve vamos encerrar esse assunto. Ele me pediu para esperar, no entanto.
— Eu confio em nosso primo, embora não me agrade a ideia de esperar mais tempo — falo. — Eu desprezo Emerson. Homens como ele só enxergam oportunidades.
Provavelmente pensou que a possibilidade de ficar alguns bilhões de dólares mais rico nos faria esquecer de todo o mal que o herdeiro dele nos causou. Ele é tão arrogante que sequer considerou a possibilidade de que poderíamos querer nos vingar, ou que era disso que estávamos atrás.
— Ele levou em conta que somos homens de negócios —
meu irmão fala. — O que é um fato. Mas antes de tudo, somos Kostanidis. Não há dinheiro o bastante no mundo para comprar nossa honra.
— Mesmo quando desmembrarmos o banco dele, não me parece que os malditos Gordon pagarão o suficiente.
— Você e Hades são os vingativos. Sou prático. Eu vou me ater à promessa. É certo que Emerson Gordon é um bastardo, mas não foi ele quem destruiu nossa família.
Acabar com o sobrenome secular me parece retaliação o bastante. Obrigado por ter se tornado o novo tutor da menina. Eu acho que não teríamos resolvido essa questão do um por cento que faltava se você não tivesse tomado a frente. VanLith queria alguém para substituí-lo na função.
— Acho que sim. Bem, agora já está feito.
— Parece um pouco irritado, para variar — ele ironiza, porque nenhum de nós quatro pode ser considerado bem-humorado.
— Descobrir que o velho mentiu para nós até o último minuto me deixou puto.
Apenas quando estávamos diante do juiz foi que eu soube que a fortuna da minha tutelada não se resumia ao um por cento das ações do GordonBank. O tempo todo enquanto negociávamos, ele deu a entender que tudo o que havia restado da fortuna que os pais deixaram para ela era aquilo.
A verdade não estava nem perto disso. Serenity tem mais de dez milhões de dólares em investimentos em outras
áreas bem diversificadas, desde empresas de tecnologia a petróleo.
— Melhor a menina que ele tenha mentido. Dinheiro nunca é demais. O que importa para nós é que não tem nada de errado com o um por cento que nos vendeu.
Nossos advogados já verificaram. Pertenciam a Serenity Clementine Blanchet mesmo. Foi uma venda legítima.
— Eu não gosto de ser enganado.
Ele ri.
— Quem de nós gosta? O filho da puta do VanLith, com toda aquela cara de lorde inglês, nos enganou direitinho.
Deveria estar mesmo desesperado para ser substituído no papel de tutor.
— Sim, também penso assim. Ele acenou com o um por cento para que pensássemos que era tudo o que restava à menina e por isso estava relutante em nos vender, mas o que ele queria mesmo era um substituto.
— Mas no fim isso não muda nada para você.
—
Muda,
sim.
O
patrimônio
dela
aumentou
consideravelmente, o que significa que haverá ainda mais
bastardos à sua volta, tentando seduzi-la, querendo uma fatia dessa fortuna.
— Já a viu?
— Só por uma fotografia quando era criança. Ele não me forneceu outras e eu não pesquisei.
— Não queria estar no seu lugar.
— Obrigado pelas palavras de incentivo, cretino.
Ele ri.
Depois que Madison entrou na vida do meu irmão mais velho, Zeus, preciso admitir, se tornou alguém menos carrancudo.
— E agora, o que pretende fazer com o restante dos bens dela? Podemos transferir para o nosso Banco, assim garantiremos que renderão o máximo possível.
— Sim, é o que pretendo, mas antes quero falar com Serenity pessoalmente. Saber se eu tenho que me preocupar em deixá-la sozinha em Nova Orleans.
— Não era sua ideia inicial?
— Ainda é a minha ideia. Não nasci para ser babá de uma pós-adolescente.
— Ela já é uma adulta.
— Sentiu-se ofendido porque Madison só tem dezenove?
— debocho.
— Vá se foder. Minha mulher é madura para a idade dela.
— Claro que é. Isso é inegável. E pelo menos tem sangue correndo nas veias e não gelo, como suas antigas companhias femininas.
— Vai sozinho para a Louisiana?
— Hades quer ir comigo.
— Ele está saindo mais.
— Ele está escondendo algum segredo, Zeus.
— Como assim?
— Eu não sei do que se trata, mas tenho certeza de que é um segredo e você pode imaginar a respeito do que.
— Caralho! Será que ele nunca vai ser capaz de deixar o passado ir?
— Eu não acredito. É como uma merda de uma ferida aberta. Nosso irmão se culpa. A viagem foi ideia dele e tudo deu errado a partir de então.
— Ela não deveria ter ido. Jovem demais, deslumbrada demais e…
— Irritante?
— Sim, irritante para caralho.
— Ele a via como uma irmãzinha que nunca tivemos e queria lhe proporcionar boas memórias.
— O contrário não era verdadeiro.Ela não o queria como irmão.
— Sim. Todos nós sabíamos. Hades, inclusive.
— Eu preciso ir. Vou avisar a Christos que você está indo para Nova Orleans.
— Por quê?
— O “rei” da cidade é um bom amigo do nosso primo.
— Rei?
— Não se preocupe com isso, eu só quero ter certeza de que vocês dois voltarão inteiros. Eu ouvi rumores de que há muitos cartéis de drogas e a máfia siciliana atuando por lá.
Não precisamos de outra tentativa de sequestro na família.
Crescemos sob ameaça. A fortuna familiar faz de nós um alvo. Ao longo dos anos, sofremos diversas tentativas de sequestro, todas falhadas graças à competência dos nossos guarda-costas.
— Não sou um bebê. Nós dois temos poucos anos de diferença.
— Eu não me importo quantos anos você ou os rapazes tenham. Sempre me preocuparei com os três.