Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 12
Digito uma mensagem.
“Ares Kostanidis, seu tutor, falando. Quanto tempo precisa para ficar pronta? Vou levá-la para jantar.”
Decido lhe dar quinze minutos para me responder. Uma concessão ao fato de que deve estar sendo assediada por sua equipe. Depois disso, se não houve retorno, irei buscá-la.
Um jantar, apenas para me assegurar se ela está bem e então, a levarei em segurança para casa. Depois disso, não precisaremos mais nos ver.
Capítulo 12
— Você foi magnífica — madame Villatorro diz, entrando comigo no camarim.
Eu absorvo o elogio como quem recebe uma joia diretamente das mãos de uma rainha. Por fora, sou a imagem da calma, mas por dentro, estou vibrando como uma garotinha em uma piscina de bolas.
Eu sei que foi tudo bem hoje à noite, mas ter a validação dela é muito importante para mim. Principalmente porque Debra Villatorro é brutalmente honesta. Eu já vi alguns bailarinos saírem às lágrimas pelas “verdades” que ela lhes dirige. Na maior parte das vezes, por achar que não estão se esforçando o suficiente.
Deste mal, nunca morrerei. É bem o contrário. A minha obsessão pela perfeição destruiu os meus dedos dos pés.
— Obrigada, madame — falo, tentando não demonstrar o quanto estou feliz porque não sou boa em compartilhar as emoções.
Aproveitando que não estou mais sozinha, vou até o cabideiro e afasto as roupas, como quando procuramos monstros embaixo da cama, em criança. Claro, não tem nada lá e eu me sinto ridícula.
— O que há de errado? — ela pergunta, porque é do tipo que não deixa qualquer coisa passar.
— Bobagem, madame. Acho que estava um pouco ansiosa antes de entrar no palco e cheguei a pensar que havia alguém escondido atrás das roupas.
Ela não sorri.
— Verificou antes ou apenas agora?
— Não, apenas agora, mas tenho certeza de que não havia nada ali.
Ela anda até o fundo do camarim e afasta os trajes ainda mais do que fiz, dando uma visão total do lugar.
— Por que achou que havia alguém aqui, Serenity?
Eu me sinto constrangida. Estou agindo como um bebê.
Madame vai me achar imatura.
— Já disse, foi só uma sensação. Eu sempre fui medrosa
— minto.
Nunca pude ser medrosa. Tendo sido enviada muito pequena para o internato com seus corredores longos e escuros, aprendi rapidamente a trabalhar meu medo.
De repente, ela se abaixa como se tivesse visto algo.
Quando torna a se levantar, tem um ingresso nas mãos.
Ela me mostra.
— O que isso está fazendo aqui?
Eu o pego e olho.
— É uma entrada para a apresentação de hoje.
— Sim, mas não deveria estar aqui.
Ela observa em volta do camarim e começa a abrir portas. Suas ações me deixam ainda mais nervosa.
No fim, não encontra nada, mas diz:
— Deve falar com seus guarda-costas sobre isso.
— Claro — respondo, sabendo que não farei de maneira alguma. Eles certamente vão reportar ao meu novo tutor e tudo o que não preciso é de mais um desistindo de mim, pensando que sou um tola que precisa de cuidados em tempo integral. Tentarei ficar totalmente fora do radar do senhor Kostanidis.
Alguém bate na porta e madame faz um gesto com a mão, me pedindo para esperar. Há algo em seu rosto que me diz que ela estava aguardando quem quer que esteja lá fora.
Cinco minutos depois, eu entendo o porquê. Ela acaba de me apresentar a um agente famoso de celebridades. O
homem me faz muitas perguntas e parece interessado em mim.
Eu não entendo a razão. Não sou atriz e nem modelo famosa. Não lhe darei lucro.
De qualquer modo, aceito quando ele me entrega seu cartão e lhe dou meu número do celular. O homem é rápido, daquele tipo de pessoa que parece considerar cada minuto precioso e tão depressa quanto chegou a mim, desaparece.
Madame o segue pouco depois, mas antes me pergunta se chegarei em segurança em casa. Eu aceno com a cabeça e quando a vejo sair, sinto-me subitamente melancólica.
Penso nos meus pais. Se estivessem aqui, me levariam para jantar?
Sacudo a cabeça da inutilidade de ficar desejando aquilo.
Eu nunca terei uma resposta.
Começo a tirar a roupa, livrando-me primeiro das sapatilhas. Sei que há um banheiro no teatro, mas prefiro tomar banho em casa.
Solto a saia e em seguida, tiro todos os grampos que prendem o coque repuxado no meu cabelo. Gemo de prazer quando finalmente me sinto livre do aperto.
Alguém bate na porta e tendo certeza de que é madame Villatorro outra vez, ou os guarda-costas interceptariam qualquer outra pessoa, eu digo para entrar.
Estou de costas, mas falo para ela:
— Eu decidi tomar banho em casa. Meus pés precisam de uma banheira quente com muitos sais de banho, madame Villat….
Eu me viro sorrindo, mas então, minha voz desaparece.
Não é madame Villatorro quem está parada no umbral. É
um homem alto e forte, vestido em um terno elegante.
Um arrepio intenso atravessa meu corpo, porque eu tenho certeza, de algum modo, que se trata do mesmo que estava me observando do camarote.
Eu gostaria que ele viesse um pouco para a luz, seu rosto está parcialmente coberto.
Eu não me lembro que estou só de meia-calça e collant.
Eu não me recordo nem mesmo que deveria mandá-lo sair, porque afinal de contas, é um estranho. Ao invés disso, dou um passo à frente, de maneira imprudente, ficando muito perto do visitante inesperado.
A primeira coisa que noto é o rosto quadrado. Ele tem a barba por fazer e um desejo de sentir aquela aspereza na palma da minha mão me faz fechá-las para resistir à tentação. Seus lábios são cheios, mas estão formando uma linha reta. Nem um pingo de sorriso ou simpatia.
O nariz, que poderia pertencer a uma escultura de quase tão perfeito, tem um leve arco em cima. Nada que prejudique sua beleza, ao contrário, o torna ainda mais atraente.
O cabelo é curto e bem escuro, mas são seus olhos de um azul escuro como a meia-noite, que me mantêm presa.
São eles que me fazem aproximar ainda mais.
Eu abro a boca para tentar sugar um pouco de ar, sentindo o corpo todo tomado por um calor que nunca senti.
É como se minha pele pulsasse, vibrando apenas pelo olhar dele.
Obrigo-me a dizer algo. Ele deve estar me achando uma idiota. Antes que eu consiga formular uma frase, no entanto, ele fala:
— Por que não me respondeu minha mensagem? Eu não gosto de perder tempo, menina.