Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 17
— Eu não quero mais falar sobre isso. Vou entrar no palco daqui a poucos minutos. Preciso me concentrar.
— Eu me preocupo com você como faria com uma irmã mais nova, Serenity Clementine. Eu não vou deixar que se machuque.
Capítulo 17
Nova Orleans
Quinze dias depois
— Hey, estranha. Esqueceu de ligar para seu namorado?
— Acabei de desembarcar. Você tem algum tipo de radar para me encontrar, Otis?
Na mesma noite em que cheguei do jantar com Ares, para não passar muita vergonha, eu decidi ligar para o irmão da minha colega de internato. Com muita vergonha, expliquei a situação. Eu e ele tivemos uma conexão especial desde a primeira vez que nos encontramos e foi assim em outras ocasiões também. Nunca chegamos a ser amigos, mas nos tornamos bons colegas, quando ele ia visitar Matilda, sua irmã um ano mais nova do que eu.
Eu nem sei como tinha o telefone dele na agenda. Não me lembrava de tê-lo pegado, mas quando o encontrei, suspirei de alívio porque eu não tinha dúvidas de que Ares iria descobrir sobre Otis em um piscar de olhos.
Pelo que minha colega falava, o irmão era bem safado, não assumia namoradas, então eu estava ciente de que estava lhe pedindo um favor enorme.
Até hoje não consigo entender o que me deu para inventar aquela mentira. Eu quis salvar a minha dignidade, fingir que o primeiro pensamento ao conhecer meu tutor não foram bem pecaminosos e acabei me metendo em uma grande confusão.
O fato é que a relação de colegas nos tornou uma de amigos reais. Otis aparece nos lugares das minhas apresentações sem qualquer aviso e sempre me leva para jantar depois.
Eu até mesmo permiti que me beijasse em uma dessas ocasiões. A imprensa vinha nos retratando como um casal há muito tempo.
Quem sabe a mentira não poderia se tornar mesmo um namoro? — foi o que pensei.
Infelizmente, eu não senti nada. O que Ares fez meu corpo estremecer apenas segurando minha nuca, Otis não
conseguiu com a língua dentro da minha boca.
Eu o vejo como um irmão e quis liberá-lo do acordo depois de alguns meses, mas ele me disse que não se importa, e que ter rótulo de “homem tomado” o protege de muito problema.
Ele deve ser discreto ao sair com mulheres, porque todos acreditam que eu sou a oficial — uma oficial com uma galharia na cabeça, né? Porque pela quantidade de parceiras que ele me conta que fica, elas com certeza pensam que sou corna.
— Estou chegando no seu país dentro de algumas semanas.
— Deus, vou ser traída aqui também? — dramatizo.
— Talvez eu esteja indo te pedir em casamento. Assim, podemos dividir sua fortuna e viver a vida como se não houvesse amanhã.
— Você já vive como se não houvesse amanhã, querido namorado.
— É, bem, eu havia esquecido que sou rico também —
debocha.
Na verdade, meu amigo safado é o novo CEO da empresa do pai, mesmo com apenas vinte e cinco incompletos.
— Falando sério, o que vai vir fazer aqui?
— Talvez ajudar com a sua mudança.
Reviro os olhos, mesmo que ele não possa me ver. Otis é do tipo que não lava um copo, quanto mais fazer força.
— Não se preocupe com isso — eu digo, enquanto entro no carro em que o motorista estava me esperando com a porta aberta. — Ares me mandou um e-mail detalhando todas as providências que tomou. JeAnne sequer terá trabalho de desempacotar as caixas.
— Como ela está levando isso tudo?
— Bem melhor do que eu pensei. Não achei que viria comigo. Estava preparada para aposentá-la se fosse o que ela desejava. Eu tenho certeza de que Ares não se oporia em lhe dar uma generosa compensação por todos estes anos.
— Mas você ficaria sozinha.
— Sozinha, não. Eu tenho Debra e você.
— E seu tutor.
— Não. Ele me vê da mesma forma como o senhor VanLith o fazia no passado.
— Mas você o chama de Ares.
— Está com ciúme, namorado?
— E adiantaria? Sou rico e lindo, mas não tenho a experiência dele, a julgar pelo número de parceiras que já teve.
Meu humor azeda. Não faço questão de ouvir esse tipo de coisa. Eu nunca pesquiso Ares na internet porque sou uma crente daquele ditado de “quem procura, acha”. Ele não é nada meu, mas de uma forma louca, me sinto possessiva e ia odiar vê-lo com uma mulher.
— O roto falando do esfarrapado, neste caso, namorado.
— O que isso significa?
Eu subo o vidro da divisória com o motorista para que ele não possa ouvir o que vou dizer.
— Não pode falar nada sobre Ares ser possivelmente um mulherengo, Otis. Eu sei que se fôssemos compromissados mesmo, eu seria tipo um alce, de tantos chifres.
Eu espero que ele vá rir, mas não é o que acontece. Ao invés disso, diz:
— Se fosse minha, por que eu iria querer outra, Serenity?
Eu fico sem jeito, seu tom parece sério e não quero ir por esse caminho. Dia a dia, ele se torna mais importante em minha vida. Uma presença constante.
— Você quase me pegou, Otis. Por um instante, achei que ia me declarar amor eterno.
Finalmente a risada dele vem e eu respiro aliviada.
— Quase mesmo, não foi? Bem, eu preciso ir. Alguém tem que trabalhar sério nesse país.
— Isso foi para mim? Eu duvido que você conseguiria sobreviver a uma sessão sequer de treinos com Debra.
— Eu também duvido! — Ele dá risada e esta é uma das coisas que mais amo no meu amigo: a capacidade de debochar de si mesmo. — Eu te amo, Serenity.
— Eu também. Não me traia muito.
— Nada além do necessário.
Desligo o telefone e fecho os olhos, ao mesmo tempo em que coloco a mão dentro da minha bolsa para guardar o celular. Mas no instante em que faço isso, sinto uma picada na ponta do dedo.
Primeiro eu acho que me feri em algum objeto pontiagudo, então eu começo a sentir a região latejando, e uma sensação de formigamento. Em seguida, vem a falta
de ar[16].
Eu bato na divisória do motorista, desesperada, e quando meus olhos já estão pesando, enfim lembro-me de abaixar o vidro.
— Ajude-me. Algo me mordeu. Por favor…
E então, eu não consigo mais me manter desperta. A escuridão me engolfa, mesmo que o sol ainda brilhe lá fora.