Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 13

Menina.

Aquilo me liga um sinal de alerta. É como se ele já me conhecesse.

— O quê?

— Sou Ares Kostanidis. Eu mandei uma mensagem avisando que a levaria para jantar.

— Eu…

Confusa, tento processar a informação, mas não consigo pensar em nada além do fato de que estou seminua diante do meu tutor.

Uma onda de calor esquenta minhas bochechas, como se todo o sangue do meu corpo tivesse fluido para lá.

— Não verifiquei o telefone, senhor. Se puder me dar cinco minutos, logo estarei pronta.

— Não parecia estar com pressa quando se aproximou de mim. É assim que se comporta perto de estranhos? Porque

se for o caso, terei que reforçar a quantidade de guarda-costas, Serenity. Você é um perigo para si mesma.

 

Capítulo 13

Ela não recua depois do que eu falo e levo uma fração de segundos para entender o meu engano.

Serenity pode ter a aparência frágil de um beija-flor, mas suas asas são de aço.

Por muito menos, apenas o tom da minha voz já fez alguns homens tremerem.

Não tenho qualquer intenção de amedrontá-la, mas apesar de estar impactado com sua beleza, sou antes de tudo, seu tutor, e agora não vou conseguir deixar de pensar se ela cuida tão pouco de si mesma.

Está praticamente nua e eu poderia ser qualquer um.

Sem que eu possa me impedir, meus olhos percorrem o corpo perfeito. Delicado, mas deliciosamente sensual. Seios pequenos, quadris estreitos, cintura tão fina que eu poderia tê-la em uma volta completa apenas unindo minhas duas mãos.

Merda. O que estou fazendo?

Olho para seu rosto confuso e dou graças a Deus por sua inocência. Ela não gostaria de saber o que estou pensando nesse instante.

— Muito prazer, doutor Kostanidis. — Ela parece se recuperar. — Eu não peguei meu telefone ainda. Estava no vibrar e minha professora veio falar comigo após a apresentação. Presumo que tenha vindo para me conhecer, embora a ocasião tenha sido… estranha. — Sua voz é plana, destituída de emoção e os olhos não me encaram.

Entretanto, um meio sorriso ensaia se formar quando completa: — Obrigada pelo convite, mas não estou com fome.

Ela tem o descaramento de dizer isso ao mesmo tempo em que segura a porta como se fosse fechá-la.

Eu não me movo. Encaro-a e fico satisfeito quando noto que por trás da coragem, há raiva.

Eu não sei lidar com fragilidade. Fui forjado para nunca me dobrar e se vou ter que olhar por Serenity nos próximos anos, eu a moldarei em alguém capaz de andar sozinha quando nosso contrato chegar ao fim.

Já nos apresentamos. Eu posso ir embora com a minha consciência tranquila. A garota não mandou que eu entrasse imprudentemente. Ela esperava alguém conhecido. Não me escapou que assim que entrei, usou a palavra “madame”.

Além do mais, os guarda-costas nunca teriam deixado um estranho passar por eles.

Não foi isso o que me deixou irritado. Foi o fato de Serenity, mesmo sabendo tratar-se de um homem, um total desconhecido, ter se aproximado de mim vestindo tão pouca roupa.

A foto de quando era uma adolescente não faz jus à sua beleza. Ela é do tipo que faria cabeças virarem ao passar na rua.

Um lado mesquinho meu fica satisfeito que ela não saia muito de casa, e empurro o porquê da satisfação egoísta para o fundo da mente.

— Achou que o que fiz foi um convite? — pergunto, mesmo sabendo que deveria ir embora.

Ela estremece quase imperceptivelmente e ao invés de me responder, vai até um cabideiro onde uma bolsa está pendurada. Sem dizer uma palavra, pega o celular.

Eu deveria lhe dar espaço para se vestir. Obrigá-la a se vestir, mas Serenity não parece preocupada com a própria seminudez e eu só consigo imaginar que seja porque ou gosta de provocar, ou porque é inocente demais para entender o perigo que representa ficar assim perto de um homem.

Meu olhar desliza pela curva arredondada da bunda firme.

Grande, se comparada a sua compleição. A ponta do cabelo quase a encobre. Uma bunda cheia e perfeita para…

Foda-me. Estou completamente insano. É a única explicação.

— Vista-se. Vou te esperar lá fora.

Para minha surpresa, ela se vira para mim com um sorriso irônico. Ou ao menos o que deveria ser um, mas que fica mais parecido com o rosto de um anjo chateado.

— É, não foi mesmo um convite. Foi uma intimação — diz, sacudindo o celular que segura. — Ainda assim, vou ter que declinar, doutor Kostanidis.

— Vista-se para jantar comigo, Serenity. Não tente me desafiar. Tenho sete anos para fazer da sua vida um inferno se eu quiser.

Os olhos bonitos e já naturalmente grandes em proporção ao rosto se arregalam ainda mais.

— Não se preocupou em nem mesmo me dar seu telefone através do meu antigo tutor, e então aparece e diz que pode fazer da minha vida um inferno? Por quê? Já deixou claro que não quer contato e saiba que é recíproco.

Ela tem razão, eu errei, mas mesmo assim estou determinado a levá-la para jantar porque sou um cretino controlador que não gosta de ser contrariado.

— Não pretendo lhe dar trabalho — ela continua. — Eu só quero dançar. Nem vai ouvir falar de mim nos próximos anos.

— Eu acredito em você, mas quero conhecê-la. Tem razão em dizer que eu deveria ter vindo antes — concedo. — Meu erro, senhorita Blanchet. Estou tentando corrigi-lo.

Eu sorrio para ela como faço quando quero que uma mulher ceda a mim. Sei que não é justo, ela é muito inexperiente, mas eu nunca disse que jogava limpo.

Posso ver as engrenagens de seu cérebro rodando e também o momento exato em que ela vai dizer sim.

Eu estico a mão para um interruptor perto da porta, porque apenas luz indireta clareia o aposento.

Há duas razões pelas quais faço isso. Tanto porque quero vê-la melhor, como para quebrar o clima de intimidade no espaço diminuto.

— Vai ser uma boa e obediente menina, Serenity?

Agora eu posso admirar sua beleza e também a maneira como as bochechas coram intensamente.

Ela acena com a cabeça.

— Sim, doutor Kosta…

— Chame-me de Ares, apenas. Você tem cinco minutos para ficar pronta. Eu já cedi demais. Não se acostume com isso.

Eu saio e fecho a porta atrás de mim sem lhe dar tempo de argumentar.

Seria uma perda de tempo para nós dois. Eu sempre venço.