Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 21

— O quê?

— Disse que só precisa de um notebook e celular, mas não é verdade. Eu li a reportagem, Ares. É dono da boate SIN e a frequenta todas as noites.

 

Capítulo 21

Eu quero engolir cada palavra assim que acabo de falar, mas percebo que é tarde demais ao enfrentar a cara de espanto e depois de raiva, de Ares.

— O que você disse?

Estou muito intimidada, mas chateada também. Não posso dizer que fui enganada em relação ao meu tutor. No único contato que tivemos cara a cara, ele deixou claro que é controlador e arrogante, mas mesmo assim, chegar aqui como o deus do universo dizendo que terei que mudar de planos e ir morar em seu edifício é um pouco de exagero até mesmo para ele.

Eu quase peço desculpas.

Quase.

Mas eu percebo que tenho uma vantagem se a expressão de surpresa dele for alguma pista.

Há alguns meses, surgiu uma reportagem sobre um nightclub secreto, chamado SIN, e que era frequentado por

autoridades do mundo inteiro.

Não havia muito na notícia, a não ser o fato de que pertencia, alegadamente, a Ares Kostanidis, o herdeiro de uma das famílias de banqueiros mais poderosas do mundo, e também que o lugar só era acessível à elite da elite.

Eu não sei o que aconteceu depois, mas de repente, todas as notícias a respeito desapareceram dos sites do planeta. Como eu sei disso? Porque eu pesquisei. Eu não quero saber da vida amorosa do meu tutor, mas pela vida profissional, eu fiquei curiosa. Infelizmente, continuo na ignorância porque não faço ideia do que a SIN representa.

Mas um lugar que se chama “pecado” faz com que a imaginação corra solta.

E de que tipo de pecado será que estamos falando?

Se eu, uma virgem até na alma, tive meu interesse despertado, eu imagino o que não acontece com homens e mulheres dos Estados Unidos. Não duvido que eles tenham agora uma fila de espera para associados.

Sim, associados, como uma espécie de clube, segundo a reportagem.

— Serenity, responda a minha pergunta.

— Você me ouviu... —eu pauso porque sei que o que vou dizer vai cutucar a onça com vara curta. —, Tio Ares.

— Tio Ares?

Para minha decepção, ele não parece afrontado, e sim divertido.

— Quer me tratar como um bebê. Estou agindo de acordo.

— Tio Ares… — ele repete. — É, talvez esse título funcione.

Sem dizer uma palavra, ele vai até a porta e a tranca.

Eu deveria sentir medo, mas não é o que acontece. Eu confio no meu coração, e ele me diz que se há alguém no mundo com quem sempre estarei segura, é com o meu tutor.

— O que está fazendo? — pergunto, quando ele começa a caminhar para onde estou.

Ele não responde. Senta-se na cama e com um movimento rápido, me puxa de bruços sobre seu colo. Sem que eu espere, ele estala uma palmada na minha bunda, por cima da camisola fina do hospital.

Em seguida, me coloca de volta na cama.

— Por que fez isso? — pergunto, a voz saindo desafinada, fruto de uma confusão de emoções tão intensas que não consigo nem começar a entender.

Eu ainda posso sentir a palma enorme contra minha pele.

Ele não bateu com força. Ardeu, mas não foi a sensação da palmada o que fez com que meu corpo reagisse e sim a maneira dominante com que ele me pegou.

Dominante?

Deus, de onde eu tirei isso? O que sei sobre domínio?

— Você me chamou de tio. Achei que seria assim que um tio reagiria quando estivesse diante de uma sobrinha desobediente.

— Só porque eu perguntei da boate?

— A SIN não é da sua conta.

— Então ela existe?

— Não estamos aqui para falar de mim e sim, da sua segurança.

— Eu acho que esse negócio de ficar na minha vida é uma via de mão dupla, ti… — Limpo a garganta. — Ares.

— Uma palmada não foi o suficiente?

— Não sei do que está falando.

— Ia me chamar de tio outra vez, atrevida.

— Não está com sono? É madrugada. — Tento disfarçar para ver se ele esquece o assunto.

Eu tenho medo de abrir a boca e dizer que quero mais palmadas. Eu poderia mentir, falando que odiei, mas será que vai acreditar?

Não, ele não vai. Pela maneira que olha para mim agora, um misto de curiosidade e confusão, talvez saiba exatamente o que sua palmada inesperada causou no meu corpo.

— O que o médico disse? — Graças a Deus ele muda de assunto.

— Não falou com ele ainda?

— Não. Eu queria te ver.

Pela primeira vez entendo o que ele fez. Pegou um avião no meio da noite para ter certeza de que eu ficaria bem.

— Por ser o meu tutor?

— Porque enquanto você estiver sob meus cuidados, é minha.

— Otis poderia discordar disso — provoco, e só Jesus seria capaz de explicar porque acabei de dizer uma bobagem

dessas.

— Otis é um menino. Você precisa de um homem para protegê-la. Tem a mim e não vou permitir que quem quer que tenha feito isso, se aproxime novamente. Qual das mãos?

Eu mostro a esquerda, onde ainda se nota na ponta do dedo a picada do escorpião.

— Não há maneira desse bicho ter vindo comigo de Paris.

Ou ele estava no carro ou colocaram na minha bolsa no aeroporto.

Ele ainda não soltou minha mão. Na verdade, apesar de olhar para mim, seu polegar percorre minha palma. Eu não sei se ele percebe o que faz, mas eu, sim, e meu coração bate como se estivesse prestes a infartar.

Eu me lembro do que ele me disse na noite em que jantamos, há dois anos:

“Quero sua obediência e não ser sua primeira paixão. E

mesmo que não fosse assim, eu não saio com meninas.

Acredite, você não conseguiria lidar comigo, mesmo que os nossos papeis fossem outros.”

— Eu tenho uma contraproposta a fazer.

Ele solta minha mão imediatamente.

— Em relação ao quê?

— A sua vigilância controladora sobre mim até que o homem que está me assediando seja capturado.

— Acha que está em posição de negociar?

— Não, mas vou morrer tentando. Não quero transformar nossa convivência em um inferno, então acho que podemos entrar em um acordo.