Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 20
Percebo que ele aperta suavemente o ombro do meu tutor e sussurra algo que não consigo ouvir.
Então os dois saem, me deixando para enfrentar o que sei que não será uma conversa fácil.
Capítulo 20
Eu a assisti no palco, oculto nas sombras, nestes últimos dois anos e se tinha alguma esperança de que o impacto da beleza dela acabaria se neutralizando para mim, acabo de constatar que me iludi. Serenity é agora ainda mais perfeita do que quando nos conhecemos.
Todos os traços do fim da adolescência se foram.
Ela ainda é muito jovem, mas não há dúvidas de que é uma mulher completa.
O cabelo longo ainda, cai solto pelas costas e também um pouco pela frente do corpo, criando um cobertor castanho, trazendo novamente à tona o desejo de enroscar meus dedos nele.
Guardo as duas mãos nos bolsos do terno e me obrigo a me concentrar no que vim fazer aqui, embora os olhos de boneca, que neste momento demonstram insegurança, e a boca de lábios cheios e naturalmente rosados, sejam uma fodida distração.
Quando me dispus a ajudar meu irmão Zeus, me tornando o tutor da então órfã e aspirante a bailarina, a única herdeira das ações que ele necessitava, eu pretendia manter nosso relacionamento em termos impessoais, durante o tempo que durasse minha obrigação.
Sabia que eventualmente teríamos que nos encontrar, mas bastou uma única visita a Nova Orleans para que eu soubesse que nossa convivência seria uma péssima ideia.
Mesmo que não fosse pela atração instantânea que senti por ela, eu não crio laços além dos familiares. Não queria uma mulher para cuidar — no caso, uma garota.
Eu a estava protegendo de mim mesmo, do meu desejo por ela porque o quer que houvesse entre nós, não iria durar.
Tudo o que Serenity Clementine tinha que fazer era ficar sossegada, manter-se como uma boa menina, alcançar a maldita idade estipulada no testamento para tomar posse dos seus bens e desaparecer da minha vida para sempre.
Não correr riscos. Não despertar a loucura de um fã obsessivo, mas antes de tudo, e em primeiro lugar, não ocultar nada de mim.
Eu mal concluo o pensamento e me sinto um bastardo sobre as duas primeiras questões. Ela não tem culpa de ser tão linda e talentosa. É claro que conquistou o coração de fãs ao redor do mundo, e dentre eles, centenas devem ser pervertidos.
Mas ela está muito errada por não ter me dito desde o começo que havia alguém assombrando-a.
Segundo os guarda-costas que a ouviram depor me relataram, está ocorrendo desde que voltou para Nova Orleans, vinda do internato alemão.
Há mais de dois fodidos anos.
Serenity revelou também à polícia que o filho da puta lhe deixa presentes e bilhetes e o que passa pela minha mente é: onde estavam os seguranças, cuja única missão nesta porra de planeta era protegê-la, que deixaram que alguém que representava risco para ela se aproximasse tanto?
A mudança dela para Nova Iorque me deixou dividido. Ao mesmo tempo que me agradava a ideia de tê-la ao alcance da mão, essa é uma via de mão dupla. A tentação também estaria próxima demais.
Agora, no entanto, eu estou decidido a mantê-la perto de mim. Por mais que eu não queira qualquer proximidade porque me conheço o suficiente para saber onde provavelmente acabaremos se eu der vazão ao meu desejo, sou um Kostanidis e por enquanto, ela é minha.
Ninguém irá machucá-la.
— Você é minha. O que no inferno passou pela sua cabeça ao não me falar que estava sendo perseguida?
— Você nunca mais veio me ver.
Eu passo a mão pelo cabelo, irritado.
— Então foi isso? Eu não vim te ver e como retaliação você me esconde algo que poderia prejudicá-la ou muito pior?
— Claro que não. Eu… eu não precisava chamar você. Eu tenho Otis!
— E onde ele estava que não a protegeu? Você poderia estar morta, Serenity. — Eu não digo isso para assustá-la, mas porque preciso que ela entenda a gravidade da situação, mas no momento seguinte, sendo quem sou, eu a isento de qualquer responsabilidade e trago tudo para as
minhas costas. Passo as duas mãos pelo rosto. — Você tem razão. Eu não deveria ter desaparecido como fiz.
— Você não desapareceu. Tem sua vida. Não sou uma criança. Também tenho a minha.
Eu ignoro o ato de rebeldia. Falhei com ela. Ir a algumas de suas apresentações ao redor do mundo não chegou nem perto de ser o suficiente. Nunca mais acontecerá.
— Mudança de planos. Não vai mais morar no apartamento que eu havia designado para você.
— O quê?
— Você me ouviu. Vai morar em uma unidade no andar abaixo do meu. Sou dono do prédio inteiro. Os apartamentos são duplex, terá todo o conforto possível e também poderei vigiá-la melhor assim.
— Vigiar-me? Eu não preciso ser vigiada.
— Foi o que pensei antes, mas aqui está você, com veneno de escorpião em sua corrente sanguínea e que poderia ter sido fatal.
— Mas não foi, Ares. Eu estou bem.
Apesar do que diz, seu lábio inferior treme.
Não sou um cara sensível. Ao contrário, sou um bastardo sem coração, mas vê-la fragilizada traz algo próximo a uma bola de ferro para o meu estômago.
— Não estamos em um debate. Você se mudará para onde eu determinar, Serenity.
— E se eu não quiser?
— Eu vou colocar um exército atrás de você. Ou melhor, eu mesmo irei em cada viagem que fizer.
— Não teria tempo. É um empresário e eu, uma bailarina.
Temos vidas separadas.
— Só preciso de um celular e um notebook, menina. Não me teste. Não ache que pode ganhar em uma queda de braço comigo. Você não teria a menor chance.
Ela abre a boca para falar, mas eu faço que não com a cabeça.
Eu nunca me senti tão dividido na vida.
Quero apertar o pescoço dela e, ao mesmo tempo, puxá-la para mim e protegê-la.
Quero virá-la de bruços e surrar sua bunda por ter me escondido um segredo tão sério por tanto tempo e também lhe jurar que vai ficar tudo bem.
Quero trancá-la em uma fodida torre onde apenas eu possa visitá-la e, mas também, lhe dizer para lutar, não permitir que um doente roube sua vida.
Decido por um meio-termo.
— Pode discutir o quanto quiser, Serenity. Enquanto não apanharmos quem tentou machucá-la, ficará sob supervisão.
— Eu terei apresentações em breve. Está me dizendo que irá atrás de mim ao redor do mundo?
— As próximas apresentações serão aqui nos Estados Unidos porque tenho sua agenda — entrego, confessando uma pouco da minha obsessão. — Mas sim, quando forem em outros países, irei também.
Na verdade, eu acabo de me decidir a respeito, mas ela não precisa saber disso.
— Você não poderá.