Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 2

— Não. Vim só te dar um abraço. Tenho certeza que vocês conseguem enredar o espanhol sem a minha ajuda.

Passo a mão pelo cabelo, preocupado, como sempre faço quando noto que ele ainda está preso à sua obsessão.

— Para onde está indo a essa hora, Hades?

— Eu recebi uma pista promissora do paradeiro dele.

— Foda-me! Precisa deixar essa merda ir, irmão. Acabou.

— Nunca vai acabar enquanto os dois não pagarem pelo que fizeram.

Ele não me dá tempo de argumentar, virando as costas e partindo sem olhar para trás.

 

Capítulo 2

Semanas depois

A porra de uma avalanche. Foi nisso o que se transformou o encontro de Zeus com Madison.

Há anos meu irmão busca vingança contra a família que destruiu a nossa. Foi uma promessa feita ao nosso avô paterno de comprar o banco que pertence aos nossos inimigos, fazendo com que o

sobrenome “Gordon” virasse sinônimo de piada[5].

O meu irmão viveu toda sua existência guiado por essa promessa.

E então, de repente, o mais equilibrado de nós quatro, ficou louco pela mulher que deveria representar somente uma aventura, enquanto não chegasse o momento dele cumprir as regras de um acordo firmado, que resultaria no fim de mais de uma década em busca de vingança.

Eu consegui enxergar a porra do caos cem metros adiante. No instante em que Zeus exigiu que Madison nunca mais fizesse danças exclusivas, apresentando-se somente no palco, eu adivinhei que ele estava entrando em um caminho sem volta.

Ele decidiu pagar o equivalente ao que ela arrecadaria em danças privadas somente para que não ficasse a sós com outro homem.

Na verdade, eu sei que exigiu que Madison se demitisse, mas duvido que tenha obtido êxito porque ela não faz o tipo dócil.

Se ele não estivesse criando um inferno para si mesmo, eu poderia achar divertido vê-lo, sempre tão centrado, louco por uma garota bem mais jovem e sem sofisticação alguma.

Nada em meu humor sequer se aproxima disso, no entanto.

Eu e meus dois outros irmãos, Dionysus e Hades, além dos nossos

primos Odin[6] e Christos[7], decidimos nos reunir para encontrar uma solução para o problema que se formou agora, já que Zeus, mesmo que ele próprio não tenha percebido ainda, não parece mais disposto a cumprir sua parte no acordo com Gordon, o patriarca da família rival.

Uma vez rompido o pacto entre os dois, jamais conseguiremos adquirir as ações do GordonBank que precisamos.

Ainda antes, quando eu pensei que Madison era apenas temporária na vida do meu irmão, havia já uma chance dos nossos planos terem ido para o caralho, pois Gordon é tradicional e odeia escândalos. Apenas um pequeno vazamento do relacionamento entre Zeus e Madison seria o suficiente para fazê-lo recuar.

Um banqueiro de caso com uma dançarina? Não poderia haver escândalo maior em Nova Iorque.

Quando o convidamos para essa reunião, Zeus não sabia que planejamos esse encontro na casa de Dionysus. Achava que se trata apenas de um almoço, mas assim que chegou, percebeu que seria muita coincidência que até mesmo Christos, que mora na Carolina do Norte, tenha vindo.

— Não é por acaso que estão todos aqui — Zeus diz, constatando o óbvio.

— Não, não é — respondo.

Ele olha para mim e entende que a reunião está relacionada a Madison.

— Vamos lá para fora — Dionysus propõe. — A babá que está com

meu filho é recém-contratada e não gosto da ideia de que Joseph[8]

esteja na piscina sem minha supervisão.

Sentamos em cadeiras ao redor de uma mesa à sombra de uma árvore e logo uma empregada aparece para oferecer bebidas.

— Eu não vou demorar — Zeus avisa.

— Por que não? — Odin pergunta, mesmo que todos nós já saibamos a resposta.

— Tenho um compromisso — ele desconversa.

— Com Madison? — indago, porque diplomacia nunca foi meu forte. — O que está acontecendo aqui? A Santa Inquisição?

Porque se acham que eu acredito que essa reunião trata-se apenas de um encontro familiar, não me conhecem tão bem.

— Não foi por acaso — Hades confirma. — É uma tentativa de impedi-lo de destruir a própria vida.

— Conversas por códigos não são minha especialidade —

meu irmão mais velho rosna, irritado.

— Não, são a minha — Odin fala, mostrando um bom humor incomum.

— Apenas digam o que precisam.

— Temos uma alternativa para sua situação com o velho Gordon.

— Eu não vou quebrar a promessa que fiz ao meu avô.

— Que foi o quê, exatamente? — o mais velho de todos, nós, Christos, continua. — Até onde sei, era destruir o patrimônio deles para vingar a morte do seu pai.

— Sim, riscar o sobrenome centenário do mapa. Por isso fechei o acordo. Não há outra maneira de destruí-los. Já investiguei por anos.

— Estamos comprando ações do GordonBank— Odin fala.

— O quê?

— Há muitos meses, começamos a comprar ações do GordonBank.

— Isso não seria possível. Ele blindou qualquer venda ligada ao meu sobrenome e todos sabem que somos primos.

— Usamos pequenas empresas que fazem parte do nosso conglomerado, meu e de Odin, mas que não estão diretamente ligadas a nós — Christos diz. — Separados, não possuímos ações suficientes para termos a diretoria na palma da mão, mas quando somamos as de ambos, falta apenas um por cento para que consigamos a sociedade majoritária. Cinquenta e um por cento. Quando acontecer, criaremos uma terceira empresa que terá controle absoluto do GordonBank.

— E então, venderemos a você — Odin completa, enquanto percebo que meu irmão tenta absorver aquela virada de jogo.

Eu conheço a maneira dele de pensar. Zeus sabe que se o plano dos nossos primos funcionar, obteremos nossa vingança contra os Gordon, ele estará livre da chantagem do velho e, ao mesmo tempo, não deixaria de cumprir a promessa que fez ao nosso avô.

— Fale alguma coisa — Hades diz.

— Quanto tempo até que consigam esse um por cento?

— Está sendo mais difícil do que pensávamos porque quem os possui não é um profissional, mas uma menina órfã, representada por seu tutor — Christos explica.

— Ofereçam o triplo.

— Estamos tentando, mas ele reluta porque parece que é a única herança que restou para a garota, que desde que perdeu os pais, mora em um internato só para meninas.

— De qualquer modo, quando meus planos chegarem ao fim, não haverá nada do que antes se conheceu como GordonBank — ele fala. — As ações valerão menos do que papel de bala descartado. Vender será um bom negócio para ela.

— O que pretende fazer com os empregados? — Odin questiona.

— Distribuir pelas minhas empresas e as dos meus irmãos. Não deixarei mais de cento e cinquenta mil funcionários na rua.

— Cento e cinquenta mil. É um número alto — Christos diz. — Mas podemos remanejá-los em alguns de nossos negócios também. E os que estiverem em idade de se aposentar, oferecermos algum tipo de incentivo.

— Por que fizeram isso? Por que se darem ao trabalho de comprar as ações? — Zeus pergunta.

— Eu não deixaria que destruísse sua vida por conta de uma promessa — meu primo Odin fala.

— A multa pelo rompimento do contrato com o velho Gordon será alta — digo.

— Não. Para que fosse exigido o cumprimento do nosso pacto, ele teria que ser detentor da maior parte das ações

— Zeus explica. — Se Christos e Odin conseguirem comprar esse um por cento que falta, ele está perdido. Mesmo que negocie com todos os outros acionistas, o que é altamente improvável, nunca obterá mais do que quarenta e nove por cento.

— Vai ser um golpe e tanto para o velho — Dionysus ri, porque não há piedade em nossos corações para qualquer um que carregue o sobrenome Gordon.

Por causa dessa maldita família, nosso pai desistiu de viver.

— Gordon é feito de material resistente — digo. — Além do mais, ele não é melhor do que o desgraçado do filho morto. Emerson não passa de um maldito chantagista.

Depois de semanas em que estive tenso para caralho, eu enfim consigo me sentir um pouco mais aliviado.

Se tudo der certo, a promessa ao nosso avô será cumprida e meu irmão não destruirá o futuro dele para isso.