Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 33

— Por enquanto, sim. Se ao menos Serenity tivesse guardado os bilhetes…

— Seriam inúteis. Não continham DNA. A mentora dela mandou que fossem testados — digo.

Odin parece frustrado.

— Se ela tivesse lhe contado antes, nunca teríamos chegado a esse ponto, mas talvez haja uma solução. Deixe-o pensar que ela está vulnerável.

— Não, eu não vou fazer Serenity de alvo. Tem que haver outro jeito.

Ele acena com a cabeça.

— Tudo bem. Não me agrada a ideia também. Vou pensar em outra solução.

 

Capítulo 33

Eu me afasto discretamente, pela terceira vez, de Otis.

Não sei o que está havendo com ele hoje. Nem mesmo quando fingíamos ser namorados, ele me tocava assim em público.

Eu o adoro. Aprendi a amá-lo como o bom amigo que se tornou nesses últimos dois anos, mas neste instante estou rezando para que o tempo passe rápido e que ele volte logo para a Alemanha.

— Hey, está tudo bem? — a esposa de Zeus, Madison, pergunta.

Ela, junto a Cici, a esposa de Dionysus, e Brooklyn, a mulher do médico, Athanasios, formam um time muito animado. Eu ri muito com as três hoje e não pude deixar de perceber que a cada passo que dão, são acompanhadas pelo olhar atento de seus respectivos maridos.

— Está, sim. Eu não quis bancar a mal-educada, mas precisava ficar um pouco sozinha.

Se fosse qualquer outra pessoa, eu ficaria com vergonha de confessar isso, mas Madison é do tipo que nos deixa muito à vontade.

Eu meio que estava escapulindo pela porta dos fundos da casa enorme de Eleanor, quando ela me encontrou.

A madrasta dela se casou, há dois meses, com um ortopedista que

trabalha no hospital o qual Athanasios[18] é dono, juntos a dois outros médicos.

Eu soube que o marido de Brooklyn e os dois sócios receberam o modesto apelido de Deuses de Branco, por serem os maiores especialistas do mundo em suas respectivas áreas.

— Seu ex está te incomodando? — ela pergunta.

Eu penso alguns segundos antes de responder, mas, por fim, resolvo dizer a verdade.

Eu não tenho amigas além de Debra, já que JeAnne é mais como uma mãe para mim e não quero começar uma amizade com Madison contando mentiras.

— Nunca fomos namorados.

— O quê?

Sinto o rosto esquentar.

— Todas aquelas histórias dos nossos encontros pela Europa que Otis contou, são verdadeiras, mas platônicas.

Ele já me beijou uma vez, mas eu não senti nada, então não deixei que acontecesse de novo.

— Jesus, mas por que vocês mentiram?

— Foi ideia minha — confesso, sentindo o calor da vergonha aumentar.

— Por quê? Estava tentando se livrar de algum assediador?

— Não — respondo, embora isso não seja totalmente verdade, já que existe mesmo um louco me perseguindo.

Porém, não foi por conta do meu stalker que eu menti. —

Eu fiz porque sou doida. Eu vou te contar, mas precisa jurar que não vai rir.

— Não vou. Tem minha palavra.

— Bem, tudo começou há dois anos quando eu e Ares nos encontramos pela primeira vez…

Eu narro sem esquecer de nenhum detalhe, como o bastardo convencido do meu tutor disse que não saía com meninas e sim com mulheres, então nem adiantaria me apaixonar por ele.

— Não me surpreende — ela fala, no fim, dando risada. —

Os Kostanidis possuem uma arrogância sem igual… ou talvez seja um problema dos gregos de maneira geral, porque o marido da minha irmã não deixa nada a desejar nesse quesito também.

— Eu fui uma idiota. Meti-me em uma mentira e agora não sei como sair dela. Otis parece disposto a irritar Ares, o que não ajuda minha situação.

— Ares está com ciúme de você, Serenity.

— O quê? De jeito nenhum. Ele é controlador, mandão, mas duvido que seja ciúme. Acho que se sente atraído por mim, mas só isso.

Não conto do beijo que ele me deu e nem que roubou minha calcinha, porque tudo tem limite.

— É ciúme e pelo que estou lendo no seu rosto, essa atração é recíproca, então vou te dar um conselho não solicitado: não deixe que ele seja o único a tomar decisões sobre vocês dois. Todos os Kostanidis estão acostumados a mandar e serem obedecidos. Não seja mais uma na fila de conquistas dele.

— Minha mentora e melhor amiga disse algo parecido.

Para que eu o fizesse suar. Mas eu nem sei por onde começar. Ele me vê como uma criança.

— Eu tenho uma ideia.

— Qual?

— Acalme-se. Confie em mim. Se der certo, deixaremos esse bando de gregos loucos. Eu pedirei a Ares para irmos todos à SIN hoje. Vamos dançar a noite toda. Duvido que quando a noite acabar, ele continuará te considerando uma garotinha.

— O quê?

— Confie em mim. Se quer que ele não te veja mais como uma menina e sim como mulher, lá é o lugar ideal.

— Ele nunca vai concordar com isso.

— Deixa comigo. Se eu conseguir convencer Zeus, estamos com um bom reforço ao nosso lado.

— E por que seu marido, um banqueiro, iria querer ir para o que a imprensa nomeou de um lugar para pecar?

— Porque temos uma história lá — ela fala, de maneira enigmática, mas sem dar maiores explicações.

Entramos juntas na casa e eu quase esbarro em Otis, que estava saindo naquele instante.

Ele me seguiu aqui para fora?

— Você sumiu — diz, mas não soa zangado.

Entretanto, quando chegamos à sala e vê Ares saindo do que sei ser a biblioteca, já que Eleanor nos levou para um tour pela casa, continua:

— Eu estava te procurando para me despedir, Serenity.

Alguma chance de me levar ao aeroporto?

Eu olho para ele com vontade de chorar. Por que está agindo assim? Minha lealdade não permite envergonhá-lo, no entanto. Então, eu ando até onde está e passo o braço pelo seu.

— Eu te acompanho até a porta.

Espero que ele se despeça de todos e finjo que não noto que Ares segue meus movimentos com atenção.

Eleanor, como o doce que é, ofereceu o motorista para levá-lo ao aeroporto.

Descemos as escadas de braços dados, em silêncio, mas quando chegamos no carro, onde o motorista o espera com a porta aberta, eu digo:

— Por que está agindo assim?

— Ele quer você.

— Mesmo que seja verdade, isso não é da sua conta, Otis.

Eu e você somos amigos. Nestes dois anos, fingimos namorar, mas você nunca deixou de sair, ainda que fosse escondido, com suas mulheres. Eu jamais me importei e nem vou me importar porque não é desse jeito que te amo.

— Poderia aprender a me amar.

— Não faça isso. Eu não quero perder sua amizade.

— Serenity…

— Não ache que porque sou nova e inexperiente sou maleável também, Otis. Eu só faço o que eu quero porque aprendi a tomar decisões sozinha ainda muito pequena. Eu posso não conhecer muito do mundo, mas sei tudo sobre mim mesma. O que eu sinto e principalmente o que eu não sinto.

— Ele não é bom para você, Serenity. Você dois…

— Não existe “nós dois”.

— Ainda. Eu sou homem. Ele te quer, mas eu o pesquisei.

O cara tem uma reputação de descartar mulheres como roupas que não quer mais.

— Eu vou te pedir mais uma vez para não interferir. Por favor, não obrigue-me a me afastar. Não torne nossa convivência impossível.

— Eu não posso assistir você entrar no covil do lobo e ficar parado assistindo. Eu preciso de um tempo.

— O quê? Está terminando nossa amizade?

Ele fica uns segundos em silêncio e por um instante temo que vá dizer isso, mas então me puxa para seus braços e me dá um beijo na testa.

— Se ele te machucar, eu vou estar sempre à espera.

— Porque é um amigo maravilhoso. E eu também sempre estarei aqui para você.

— Estou sendo um babaca egoísta, né?

— Está, sim. Eu nunca senti ciúme das suas mulheres.

— Nunca?

— Não. Eu quero que seja feliz.

— Estou me sentindo um merda agora.

— Você foi um pouquinho, mas está perdoado. Mande mensagem quando chegar na Alemanha.

— Tudo bem. Cuide-se.