Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Epílogo 1
— Eu te amo, Ares. Talvez haja algumas partes minhas que sempre faltarão um pedaço. Cacos que ficaram pelo meio do caminho. Mas o que eu sinto por você é completo.
Você é meu encaixe perfeito. Sim, eu quero ser sua.
Epílogo 1
Dia do Casamento de Ares e Serenity
Um mês depois
Talvez devêssemos esperar. Em algum lugar, em um manual para noivas, estará escrito que eu deveria fazer tudo com calma. Escolher o lugar do nosso casamento, planejar com cuidado a festa, ter certeza de que tudo sairia perfeito.
Eu e Ares, no entanto, não sonhamos com a perfeição.
Desejamos o real.
O nosso amor não é um caminho florido, repleto de canteiros impecáveis, com uma paisagem primorosa.
Ele é acidentado, com várias pedras fora do lugar, alguns tropeços e muita briga.
Às vezes, seu jeito arrogante de assumir que deve, e pode, decidir tudo por mim, me faz querer matá-lo.
Às vezes, seu jeito arrogante de assumir que deve, e pode, cuidar de mim, me proteger e, eventualmente, ultrapassar algumas linhas espaciais, me faz amá-lo ainda mais.
Ele não é perfeito. Eu não sou perfeita. Ainda assim, fomos feitos um para o outro.
Eu decidi por um casamento em nossa ilha — sim, ele diz que é nossa e eu não vou discutir. Aprendi a escolher minhas batalhas.
Eu não quis nada grandioso, apenas as pessoas que estiveram ao meu lado no pior momento da minha trajetória. Os amigos que a vida me deu, a família que eu nunca tive.
A única família que eu quero, porque a cada dia que passa eu tenho me empenhando para me esquecer de JeAnne.
Ela fez um acordo com a promotoria e pegou uma pena relativamente pequena dado a quantidade de crimes que cometeu: vinte anos com possibilidade de condicional em dez.
Eu não me importo se ficará atrás das grades para sempre ou se sairá amanhã porque para mim, ela não existe mais.
Há algo que eu me lembrei no outro dia. Uma coisa que apenas para Ares eu contei. Na pesquisa sobre o meu passado, eu soube que nunca fui registrada, mas não me recordo de alguma vez ter sido chamada por outro nome que não fosse Serenity.
Eu pedi a ele que o advogado a visitasse e lhe perguntasse se eu tinha outro nome próprio, ainda que não registrado.
A resposta dela foi que sempre me chamou pelo mesmo nome da filha da patroa porque achava que nós duas éramos parecidas. Ainda que sem registro, eu já era Serenity.
Quando o advogado nos contou o que descobrira, eu e Ares chegamos a mesma conclusão: desde o início ela estava de conluio com Edgar Hazen. Talvez tenha sido até mesmo dela a ideia da troca.
Nunca saberemos e agora, não faz mais a menor diferença.
Ouço uma batida na porta e sorrio antes que se abra, porque sei quem é.
As minhas amigas e as crianças acabaram de sair, então só pode ser ele.
— Pronta?
Eu aceno com a cabeça, vou até onde está e o abraço.
Ele fica rígido e meu coração estala de tristeza pelo meu cunhado que não se permite “sentir”.
— Nunca vou entender por que você me escolheu para levá-la ao altar, Serenity.
— Porque quando eu precisei, junto ao seu irmão, você foi meu herói, Hades.
Depois do episódio no terraço do Kostanidis Group, que resultou na morte de Elmer, eu e Hades nos tornamos próximos. Por insistência minha, claro.
Passei a reparar que mesmo em seus momentos em família, parece solitário e eu sei muito sobre solidão para ignorar a dele.
— Você é nossa para proteger — diz.
— E para amar?
Ele não me responde. Oferece o braço e sai comigo da suíte, seguindo para o altar montado na praia, para me entregar ao irmão.
Eu vejo Ares se aproximando e como sempre acontece, meu coração dispara. A certeza de que dentro de poucos minutos meu “para sempre” vai começar deixando meu corpo tremendo em antecipação.
Antes que meu noivo chegue até nós, Hades se abaixa e diz:
— Eu não sou capaz de amar, Serenity.
— Está enganado. Tem muito amor dentro de si e um dia, uma sortuda vai recebê-lo.
Ele não responde. Com o rosto sério de sempre, beija minha testa e me entrega ao irmão.
— Pronto para ser meu dono? — brinco, porque não custa nada iludir meu grego mandão.
Mas sendo Ares quem é, não deixa passar.
— Pronto para oficializar minha posse. Você sempre foi minha.