Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 3
Nova Iorque
Meses depois
— Alguma novidade sobre o maldito um por cento? —
Zeus me pergunta ao telefone.
Odin e Christos não tiveram êxito em adquirir o que falta ainda.
— Não, mas tenho um plano. O tutor da menina tem quase cem anos e acho que teme pelo destino da tutelada
— falo.
— E o que pretende fazer?
— Além de oferecer cinco vezes o valor de mercado pelas ações, conseguirei um tutor profissional para a garota.
— Acha que ele está preocupado em morrer e deixá-la desamparada?
— Sim. Oferecendo-me para comprar as ações por muito mais do que valem e ainda solucionando a questão da tutela, ela estará protegida.
— Quantos anos a criança tem? — pergunta.
— Não é criança, é uma adolescente. Dezessete, prestes a fazer dezoito, mas segundo descobri, só poderá colocar as mãos no patrimônio com vinte e um, e se estiver casada.
Caso contrário, precisará completar vinte e cinco.
— O pai dela era um imbecil — ele rosna.
— Não tenho como discordar, mas talvez suas intenções fossem boas. O problema é que tornou a filha incapaz de gerir a própria vida depois de adulta. Se fosse minha menina, eu também acharia razoável impor a idade de vinte e um anos para que se apossasse da totalidade da fortuna, mas jamais inseriria uma cláusula obrigando-a a se casar.
— Resolva isso, Ares. Mal posso esperar para fechar essa questão.
Ele soa ansioso.
Eu sei que Gordon tem pressionado-o mais e mais a cada dia. Em qualquer outra situação, meu irmão mandaria o filho da puta patriarca se foder, mas sem o um por cento das ações que nos falta, isso significaria o fim da chance de concretizarmos nossa vingança.
Dias depois
— Acho que o melhor a ser feito é nos encontrarmos com o tutor pessoalmente — digo, já de saco cheio dessa merda.
Estamos no escritório de Zeus, na sede do nosso Banco[9].
Apesar de todos sermos não só acionistas, como também parte da mesa diretora, é meu irmão quem ocupa o cargo de CEO, já que eu, Dionysus e Hades temos negócios à parte.
— Homem teimoso do caralho! — ele rosna. — O que mais ele pode querer?
— Garantias. Ele não aceitou que eu contratasse um tutor profissional. Mas isso de falar por telefone não está funcionando. Sugiro irmos juntos até lá.
— Nova Orleans?
— Sim. Quando seria uma boa data?
— O mais rápido possível. A questão já deveria ter sido resolvida.
— Então vou organizar a viagem para a Louisiana.
— Faça isso. Nem que eu precise pagar dez vezes o valor das ações, só voltarei quando adquirirmos o que falta para sermos acionistas majoritários do GordonBank.
— Acham que conseguirão resolver tudo? — Hades pergunta, sentado ao meu lado em um piano bar.
Antigamente, quando saíamos juntos, era para festas em nossos
iates ou nos dos amigos, como Vicenzzo[10], mas meu irmão cada vez menos se interessa por qualquer coisa que não seja sua
obsessão[11].
— Acho que sim. A solução não é a que eu quero, mas de onde vejo, a única possível — falo.
— E qual seria?
— Assumirei o papel de tutor da menina.
— Porra! — ele geme e mesmo que não fale, está na cara o que pensa da ideia: a merda de um pesadelo.
Quem em sã consciência desejaria cuidar de uma adolescente? Não eu, com certeza.
— Não será pessoal. Vou manter distância e apenas garantir que Serenity tenha tudo o que precisa até completar a idade para tomar posse de seus bens.
— Casando-se? A ideia é ridícula! Obrigá-la a assumir um compromisso com vinte e um anos apenas para poder ter dinheiro para se manter parece o tipo de acordo que se firmaria na Idade Média.
— Não. Na Idade Média ela provavelmente teria que se casar aos doze, treze anos — ironizo. Mesmo que suas intenções tenham sido boas, não consigo deixar de desprezar um pouco o pai dela por ter posto uma cláusula daquela no testamento.
— O que pretende fazer? Pelo que soube, a menina está em um colégio interno na Alemanha.
Eu não me admiro que Hades saiba desses detalhes. Nós quatro somos extremamente controladores, mas meu irmão está um passo além. Privacidade alheia é um termo que ele desconhece se o que estiver em jogo forem nossos interesses.
— Estava. Serenity completou dezoito ontem, mas já havia voltado a morar em Nova Orleans há alguns dias.
— Tem um plano para ela?
— Como eu disse antes, se ele me aceitar como tutor, vou supervisioná-la à distância. Colocarei alguns dos meus homens para vigiá-la, claro, e no mais, lhe darei uma liberdade assistida. Ela é muito jovem e deve ser ingênua também, pois estudou desde os cinco anos de idade no colégio alemão.
— Foda-me! Ela era praticamente um bebê quando ficou órfã?
— Sim. Sei que há uma babá que já está com ela há muito tempo. Ainda trabalha para a garota. Esta mulher, eu acredito, é a única referência do passado que a menina tem.
— E o atual tutor?
— Como conversamos antes, ele tem quase cem anos e está doente. É essa a razão de hesitar tanto em autorizar a venda das ações. Ele quer garantir que sua tutelada terá algum patrimônio quando for mais velha.
— Significa que ele atua como uma espécie de protetor?
— Acho que não. Cumpre um dever profissional, nada além.
Ele me encara em silêncio e sei que quer falar algo mais.
— O que foi?
— A tal Serenity vai ser um alvo perfeito para filhos da puta. Independentemente de ser bonita ou feia, vão ficar em cima dela como moscas no mel. Jovem, órfã e herdeira.
A menina é o pacote completo.
Batuco os dedos sobre o tampo de madeira do balcão do bar. É meio que um tique quando estou tomando uma decisão.
Eu já pensei a respeito do que ele está dizendo, claro. O
sangue Kostanidis é como uma maldita doença, carregamos o peso do mundo nas costas. Quando alguém nos pertence, não importa se em caráter permanente ou temporário, nos tornamos defensores ferozes.
— Talvez pudesse convencê-la a se mudar para Nova Iorque.
— Não vai funcionar. Segundo descobri, ela praticou balé a vida inteira. Acaba de ser aceita por uma das melhores escolas do país, localizada precisamente em Nova Orleans.
Ela deseja se profissionalizar.
— Ela poderia fazer um teste para a Joffrey Ballet School.
Nossa família é patrona de lá há gerações e tenho certeza de que conseguiríamos fazer com que a menina fosse aceita.
— Eu já pensei nisso tudo, Hades.
— E?
— Como disse antes, não pretendo tornar nosso relacionamento tão pessoal. Serenity vai ficar bem na Louisiana. Providenciarei para que tenha tudo o que precisa e organizarei um verdadeiro exército para cuidar dela, com guarda-costas bem treinados.
— Acha que vai ficar solteira até os vinte e cinco?
— Até onde sei, nunca namorou, mas se a intenção dela for se casar aos vinte e um para colocar a mão no dinheiro a que tem direito, vai precisar da minha aprovação. É o que consta do testamento.
— E pretende intervir se achar que o escolhido não serve?
Ele me dá um arremedo de sorriso, e até mesmo isso para meu irmão, é raro.
— Se eu achar que está fazendo uma má escolha, eu não vou só intervir. Eu vou fazê-la entender que terá que me obedecer.