Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 22
— De que tipo? — Ele soa desconfiado, mas ao menos está me ouvindo.
Eu acabo de decidir que quero conhecer mais dele. Não apenas em seu papel de tutor, mas como homem também.
— A cada ordem que me der, eu tenho direito a um pedido.
— A resposta é não se isso significar que você correrá riscos, Serenity.
— Não. Prometo. Mas quero ter uma zona de manobra.
— Exemplifique.
— Eu não saberia neste instante, mas juro que não pedirei nada que seja embaraçoso para você, nada ilegal e muito menos que me colocará em risco.
— Eu poderia te obrigar a me obedecer de qualquer modo, sem mesmo fechar um acordo contigo.
— Estou começando a ganhar dinheiro como profissional.
Sou chamada para entrevistas e até mesmo para
representar uma marca de perfume famosa. Ficaria surpreso se eu lhe contasse quanto estão dispostos a me pagar. Eu poderia abrir mão da minha fortuna, e então, me meter em encrenca. Nosso contrato estará acabado, mas algo me diz que gosta do controle total, Ares. Não vai querer olhar para trás daqui a alguns anos e lembrar que falhou comigo.
Os olhos dele soltam faíscas de fúria e eu desconfio que é porque não está acostumado a ser desafiado, mas por sua expressão, sei também que acertei em cheio.
— O que você quer?
— Quero que seja meu amigo, em primeiro lugar.
— Não. Sou seu tutor. Amigos não devem obediência um ao outro.
— Sou adulta, Ares.
—
Mesmo?
Não
percebi.
Seu
comportamento
irresponsável diz o contrário. Eu quero que me conte tudo sobre assediador, o que, aliás, já deveria ter feito há muito tempo.
Eu olho para minhas mãos, descansando sobre os lençóis.
Viro a palma para cima, focando mais uma vez na minúscula picada do escorpião.
— Acha que pode ser um fã? — pergunto.
— Quem mais seria? Você não sai de casa, tem poucos amigos. A não ser que…
— A não ser que o quê?
— Seja um inimigo do seu namorado.
— Não. Meu… Huh… relacionamento com Otis só começou a ficar mais sério depois da minha estreia como solista.
— Depois da noite em que jantamos, você quer dizer. —
Ele me encara como se pudesse ler minha mente e soubesse de todas as minhas mentiras e pecados. Quanto a pecados, eu nem tenho tantos assim, mas sobre mentiras…
Jesus!
— Sim, isso mesmo.
— De qualquer modo, mandarei investigá-lo.
— Já não o fez?
— Não. Conferi as informações que me deu e batiam, mas como vocês quase não se viram nesses últimos dois anos, não achei necessário ir mais fundo.
— Nem todo mundo tem tempo para sair todas as noites.
Eu e Otis temos um ótimo relacionamento, mas vidas à
parte.
— Platônico?
— O quê?
— Você me entendeu, Serenity.
Por alguns segundos, eu não entendo mesmo, então sinto como se lava de vulcão me queimasse por dentro. Ele está me perguntando se já fizemos sexo?
Eu o encaro para ter certeza de que foi isso mesmo que quis dizer, mas quando vejo a sombra de um sorriso sardônico, a raiva vence a vergonha.
— Nada platônico. Quando ele me visita, não saímos do hotel, se é que me entende.
Ele nunca vai ter certeza se estou falando a verdade. Otis aluga quartos ao lado dos meus e com portas de comunicação entre eles, embora nunca tenhamos feito uso delas porque sempre tranco a minha pelo meu lado, mas pelo menos posso fingir que não sou tão inexperiente assim.
Quando vejo que a face irônica se transmutou em carranca, fico satisfeita.
— Conte-me sobre o assediador.
— Naquela noite em que você foi me ver no teatro, eu achei que tinha alguém no meu camarim.
— O quê?
— Por trás do cabideiro.
— E por que não avisou aos guarda-costas?
— Pensei que estava ficando louca. Havia poucos meses que tinha saído do internato, acreditei que estava exagerando, já que tudo para mim era novidade. Mas…
— O quê?
— Começaram a surgir bilhetes e, às vezes, uma única rosa vermelha, não importava em que parte do mundo eu estivesse.
Ele anda de um lado para o outro como uma fera enjaulada, e mesmo que as lembranças das vezes em que senti medo ainda hoje me deixem ansiosa, não consigo desviar os olhos do meu tutor. Com todo seu mau-humor e arrogância, Ares é um espetáculo de se ver.
— Jure que nunca mais me esconderá algo assim, Serenity — ele diz, vindo para perto e segurando meu queixo.
— Eu juro. Não queria preocupá-lo à toa.
— À toa? Você acaba de me dizer que vem sendo stalkeada por dois anos e acha que isso não é nada de mais?
— Eu sei. Fui uma tola. Debra já brigou comigo diversas vezes por isso.
— Quem mais sabe?
— Apenas ela e JeAnne. Nem mesmo para Otis eu contei.
— Ou para mim.
— Não fiz de propósito.
— Por que razão, então?
Balanço a cabeça, sem vontade de falar.
— Conte-me.
— Eu não quero que sinta pena de mim.
— Acabei de espancar sua bunda depois que foi picada por um escorpião. Acredite em mim quando eu digo que não sou do tipo que sente pena, Serenity.
— É um sádico, então?
Meu Deus do céu! Por que eu fui perguntar algo assim?
Para minha surpresa, ruguinhas de riso se formam em volta dos olhos dele, embora tente disfarçar.
— Nunca pensei a respeito, mas acho que não. Causar dor não me dá prazer.
— O que o faz?
Ele me olha com tanta intensidade que estremeço. É
como se um elo invisível se formasse entre nós. Então, sua expressão volta à neutralidade.
— Essa conversa é inapropriada.
— Eu disse que quero ser sua amiga.
— E eu nunca falei que concordaria com isso. Agora, conte-me por que não disse nada antes sobre esse assediador.
— Porque me acostumei a ser sozinha, em primeiro lugar.
Fui mandada para o internato com cinco anos, Ares. Você aprende a lidar com seus próprios medos.