Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 50
Eu não fico surpreso quando, ao sair da sala, me deparo com meus irmãos assistindo tudo pelo vidro.
Apenas Hades não está aqui conosco.
Sei que vieram para me apoiar, mas eu preciso encontrar Serenity.
Não falamos nada até estarmos do lado de fora do presídio.
— Se não estivéssemos escutando, não acreditaríamos.
Eu achei que já tinha testemunhado todo tipo de merda na vida, mas essa é sem medo de errar a história mais podre que já testemunhei — Zeus diz.
— Liguem para Beau. Vejam se ele consegue encontrar o filho da puta do Edgar Hazen.
— Já fizemos — Dionysus responde.
— Eu preciso encontrar Serenity. Escutaram quem é o cúmplice de Edgar. Mandem os guarda-costas cuidarem disso.
— Já estamos cuidando disso. É por isso que Hades foi embora antes de você sair da sala de interrogatório. Ele está a caminho da sede do nosso Banco. Mas quanto a Serenity, ela não está em casa. Assim que comecei a perceber para onde estava se encaminhando a confissão de JeAnne, eu tentei contatá-la. A empregada disse que ela saiu por volta da hora do almoço e não voltou mais.
— O quê?
— Podemos tentar rastrear o celular através de Odin, mas vai levar um tempo.
— Uma coisa de cada vez. Primeiro tenho que neutralizar o cúmplice do desgraçado do Hazen. Peça a Odin para encontrá-la enquanto isso.
Eu entro no carro e tanto Zeus quanto Dionysus dispensam seus respectivos motoristas, vindo para o meu também.
Ordeno para onde eu quero que nos leve, pensando em como pude deixar algo assim passar. Como foi possível que o filho da puta se esgueirasse para tão perto de nós.
Cerca de meia hora depois, enquanto o motorista estaciona no meu destino, o celular começa a tocar com
uma mensagem de Serenity.
Serenity: “Precisamos conversar. Estou confusa. Eu ouvi você ao telefone com Odin hoje cedo. Se é verdade que não sou a herdeira Blanchet, tem que acreditar em mim: eu não sabia de nada, Ares.”
Tento completar uma ligação para ela, mas cai na caixa postal. Entro no meu elevador privativo da sede das nossas empresas, seguido dos meus irmãos, enquanto digito uma mensagem para minha mulher.
“Não importa como se chama. Você é minha. Onde você está?”
Serenity: “No terraço dos seus escritórios, na Kostanidis Group. Eu precisava respirar e Elmer me disse que eu podia te esperar aqui.” Esmurro a porta do elevador para que ela abra, mas parece absurdamente lenta. Sinto meu coração bater no
ouvido quando finalmente chego ao meu andar.
Enquanto vou ao encontro dela, faço todas as orações que consigo lembrar, pedindo a Deus que não seja tarde demais.
Serenity
Minutos antes
Eu passei horas chorando dentro de um táxi. Pedi ao motorista que andasse comigo para qualquer lugar que fosse, e em um determinado momento, ele me perguntou se eu queria que chamasse alguém para me acalmar.
Primeiro, eu me senti miserável. Pensei que a vida que conheço vai mudar para sempre porque não sei quem sou, ou se existe alguém que se importa comigo, se tenha família. Mas logo que me acalmei, tentei pensar com a razão. Eu cheguei à conclusão de que sim, eu tenho amigos:
Debra, Otis, os Kostanidis, e principalmente, eu tenho o homem que eu amo ao meu lado.
Eu confio em Ares. Eu vi o anel. Ele ia me pedir em casamento. Não acredito que vá simplesmente me apagar de sua vida por algo que eu não tive culpa alguma. Por uma situação da qual eu não tenho a menor pista de como ocorreu.
Tentei mandar mensagem para o celular dele, mas estava desligado, então eu vim para a sede das empresas.
Telefonei para sua sala, mas quem atendeu foi o assistente e não a secretária. Ele me disse que Ares já estava chegando e que sim, eu poderia esperar no terraço.
Estranhei que a secretária executiva de Ares não estava em sua mesa. Não queria invadir o espaço dele sem autorização, mas Elmer foi gentil e me deixou muito à vontade.
Já fazia cinco minutos que eu estava aqui, quando meu celular vibrou com uma resposta de Ares à minha mensagem. Ele disse que não importava quem eu era, porque lhe pertencia.
Ele também me perguntou onde eu estava e depois que lhe respondi, ele não enviou outra de volta, então acredito que esteja vindo me encontrar.
Ouço a porta da escada que dá para o terraço tornar a abrir e olho para trás. Sorrio quando vejo Elmer, mas rapidamente seu olhar me fez entender que algo está errado.
Eu já me encontrei com ele algumas vezes antes e em todas, me pareceu educado e inofensivo. Não o tipo de homem que uma mulher teme ter por perto. O olhar que ele me envia agora é tudo menos seguro e quando vejo o que tem nas mãos, eu grito o mais alto que posso.
— Acabou, Serenity. Você teve sua chance de se tornar minha rainha, mas ao invés disso, decidiu ser a puta do maldito e agora vai morrer.
Eu começo a recuar até sentir a mureta, que bate na altura do meu bumbum, por trás das costas. Se ele não estivesse armado com uma faca, eu tentaria correr, mas não acho que conseguirei ser rápida o bastante.
Vejo a porta atrás dele se abrir novamente e choro de alívio e desespero, mas não é Ares quem está ali. É Hades.
— Você vai ser preso se me machucar.
— Não, eu não vou ser preso. Voarei com você do alto do edifício. Vamos ficar juntos para sempre.
— Corra, Serenity — Hades diz.
Eu não penso duas vezes. Mesmo apavorada, vou na direção da porta, para chamar os seguranças, rezando para que não aconteça nada com o meu cunhado.
Hades Ele mantém a faca apontada para mim, o filho da puta, mesmo que nós dois saibamos que eu não vou recuar.
Eu avanço, não dando uma foda se ele me acertar. É bom que seja preciso em seu golpe, caso contrário, eu vou matá-lo.
Usando do elemento surpresa, corro em sua direção, como fazia quando partia para cima de um adversário na
época em que jogava futebol americano, e ele comete o erro de olhar para trás.
São pouco segundos, mas o suficiente para eu empurrá-lo sobre o parapeito.
— Hades! — Ouço Zeus gritar atrás de mim.
Metade do meu corpo está por cima do parapeito e eu poderia puxá-lo de volta. Eu o tenho preso pela mão.
— Você é um Kostanidis — Elmer diz. — Um banqueiro, não um assassino.
— Eu sou um Kostanidis e nunca perdoo quem machuca minha família. Morra.
Eu solto o solto e posso ver a expressão de incredulidade enquanto cai. Viro as costas sem olhar para trás, e vou ao encontro da minha cunhada, para verificar se ela está segura.
Ares a tem nos braços. Protegida como deve ser sempre, mas noto que ela desmaiou. Ele me olha e acena com a cabeça, em uma comunicação silenciosa. Eu sei que se estivesse no meu lugar, teria feito o mesmo.
— Você o deixou cair — Zeus diz.
Não há acusação em seu tom. É uma constatação.